{"id":13867,"date":"2015-01-10T13:23:40","date_gmt":"2015-01-10T13:23:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13867"},"modified":"2015-01-10T13:24:33","modified_gmt":"2015-01-10T13:24:33","slug":"danca-da-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/danca-da-chuva\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7a da chuva"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chuva_foresta_400.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-97670\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/chuva_foresta_400.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"466\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 apenas a maior floresta tropical que restou no mundo. Esse sem-fim de verde entrecortado por rios serpenteantes de tamanhos e cores variados tamb\u00e9m n\u00e3o se limita a ser a morada de uma incr\u00edvel diversidade de animais e plantas.<\/p>\n<p>A floresta amaz\u00f4nica \u00e9 tamb\u00e9m um motor capaz de alterar o sentido dos ventos e uma bomba que suga \u00e1gua do ar sobre o oceano Atl\u00e2ntico e do solo e a faz circular pela Am\u00e9rica do Sul, causando em regi\u00f5es distantes as chuvas pelas quais os paulistas hoje anseiam.<\/p>\n<p>Mas o funcionamento dessa bomba depende da manuten\u00e7\u00e3o da floresta, cuja por\u00e7\u00e3o brasileira, at\u00e9 2013, perdeu 763 mil quil\u00f4metros quadrados (km2) de sua \u00e1rea original, o equivalente a tr\u00eas estados de S\u00e3o Paulo. Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), n\u00e3o aponta o dedo para culpados.<\/p>\n<p>O que importa para ele \u00e9 reverter esse processo e n\u00e3o apenas zerar o desmatamento, mas recuperar a floresta. No relat\u00f3rio O futuro clim\u00e1tico da Amaz\u00f4nia, divulgado no fim de outubro, ele deixa claro que o \u00fanico motivo para n\u00e3o se tomarem provid\u00eancias imediatas para reduzir o desmatamento \u00e9 desconhecer o que a ci\u00eancia sabe. Para ele, o caminho \u00e9 conscientizar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cAgora \u00e9 um bom momento porque as torneiras est\u00e3o secando\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, elaborado a partir da an\u00e1lise de cerca de 200 trabalhos cient\u00edficos, ele mostra que a cada dia a floresta da bacia amaz\u00f4nica transpira 20 bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua (20 trilh\u00f5es de litros). \u00c9 mais do que os 17 bilh\u00f5es de toneladas que o rio Amazonas despeja no Atl\u00e2ntico por dia. Esse rio vertical \u00e9 que alimenta as nuvens e ajuda a alterar a rota dos ventos.<\/p>\n<p>Nobre explica que os mapas de ventos sobre o Atl\u00e2ntico mostram que, no hemisf\u00e9rio Sul e a baixas altitudes, o ar se move para noroeste na dire\u00e7\u00e3o do equador. \u201cNa Amaz\u00f4nia a floresta desvia essa ordem\u201d, diz. \u201cEm parte do ano, os ventos al\u00edsios carregados de umidade v\u00eam do hemisf\u00e9rio Norte e convergem para oeste\/sudoeste, adentrando a Am\u00e9rica do Sul.\u201d<\/p>\n<p>Essa circula\u00e7\u00e3o viola um paradigma meteorol\u00f3gico que diz que os ventos deveriam soprar das regi\u00f5es com superf\u00edcies mais frias para aquelas com superf\u00edcies mais quentes. \u201cNa Amaz\u00f4nia, o ano todo eles v\u00e3o do quente, o Atl\u00e2ntico equatorial, para o frio, a floresta\u201d, explica.<\/p>\n<p>Uma parceria com os russos Anastasia Makarieva e Victor Gorshkov, do Instituto de F\u00edsica Nuclear de Petersburgo, tem ajudado a explicar do ponto de vista f\u00edsico os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos da Amaz\u00f4nia. Em artigo publicado em fevereiro de 2014 no Journal of Hydrometeorology, eles afirmam, com base em an\u00e1lises te\u00f3ricas confirmadas por observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, que o desmatamento altera os padr\u00f5es de press\u00e3o e pode causar o decl\u00ednio dos ventos carregados de umidade que v\u00eam do oceano para o continente.<\/p>\n<p>O grupo analisou os dados de 28 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas em duas \u00e1reas do Brasil e viu que os ventos que v\u00eam da floresta amaz\u00f4nica carregam mais \u00e1gua e est\u00e3o associados a maiores \u00edndices de chuvas do que ventos que partem de \u00e1reas sem floresta e chegam \u00e0 mesma esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso acontece, segundo os pesquisadores, por causa da bomba bi\u00f3tica de umidade, uma teoria proposta pela dupla russa em 2007 para explicar a din\u00e2mica de ventos impulsionada por florestas. Essa ideia completa a descri\u00e7\u00e3o feita pelo climatologista Jos\u00e9 Antonio Marengo, \u00e0 \u00e9poca pesquisador do Inpe, de como a Amaz\u00f4nia exporta chuvas para regi\u00f5es mais meridionais da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>A teoria da bomba bi\u00f3tica aplica uma f\u00edsica n\u00e3o usual \u00e0 meteorologia e postula que a condensa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, favorecida pela transpira\u00e7\u00e3o da floresta, reduz a press\u00e3o atmosf\u00e9rica que suga do mar para a terra as correntes de ar carregadas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Os fundamentos da influ\u00eancia da condensa\u00e7\u00e3o sobre os ventos foram apresentados em artigo publicado em 2013 por Anastasia e Gorshkov, em parceria com Nobre e outros colaboradores, na Atmospheric Chemistry and Physics, uma das revistas mais importantes da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Por meio de uma s\u00e9rie de equa\u00e7\u00f5es, eles mostram que o vapor de \u00e1gua lan\u00e7ado \u00e0 atmosfera pela transpira\u00e7\u00e3o da floresta gera, ao condensar, um fluxo capaz de propelir os ventos a grandes dist\u00e2ncias. De acordo com Nobre, a nova f\u00edsica da condensa\u00e7\u00e3o proposta por eles gerou, ainda durante a revis\u00e3o do artigo, uma controv\u00e9rsia com meteorologistas, que debateram o assunto furiosamente em blogs cient\u00edficos com a inten\u00e7\u00e3o de derrubar a principal equa\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiram e o trabalho foi publicado. O pesquisador do Inpe explica a pol\u00eamica. \u201c\u00c9 uma f\u00edsica que atribui \u00e0 condensa\u00e7\u00e3o, um fen\u00f4meno b\u00e1sico e central do funcionamento atmosf\u00e9rico, um efeito oposto ao que se acreditava\u201d, diz. \u201cSer\u00e1 necess\u00e1rio reescrever os livros did\u00e1ticos da \u00e1rea.\u201d<\/p>\n<p>Leia a reportagem completa em: <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/12\/29\/danca-da-chuva\/\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/12\/29\/danca-da-chuva\/<\/strong><\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte: Mercado \u00e9tico &#8211; <strong>Ag\u00eancia FAPESP &#8211; <strong>Maria Guimar\u00e3es<\/strong><\/strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 apenas a maior floresta tropical que restou no mundo. 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