{"id":138656,"date":"2020-12-22T12:00:14","date_gmt":"2020-12-22T15:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138656"},"modified":"2020-12-22T09:07:14","modified_gmt":"2020-12-22T12:07:14","slug":"fragmentos-ilhados-de-mata-atlantica-perdem-ate-42-de-sua-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/fragmentos-ilhados-de-mata-atlantica-perdem-ate-42-de-sua-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Fragmentos ilhados de Mata Atl\u00e2ntica perdem at\u00e9 42% de sua biodiversidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/arvore-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138657\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/arvore-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/arvore-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/arvore-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Algumas \u00e1reas do planeta s\u00e3o descritas pelos bi\u00f3logos como \u201c<em>hotspots<\/em>\u00a0ecol\u00f3gicos\u201d. Elas recebem este nome por serem regi\u00f5es com uma ampla diversidade de esp\u00e9cies \u2013 sendo algumas delas end\u00eamicas, ou seja, que s\u00f3 existem l\u00e1 \u2013, mas que est\u00e3o com seus dias contados devido a degrada\u00e7\u00e3o do ecossistema. O Brasil conta com dois\u00a0<em>hotspots<\/em>, o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 uma das florestas tropicais mais amea\u00e7adas do mundo. Quase metade da fauna e da flora deste bioma n\u00e3o existe em nenhum outro lugar do planeta, e sua vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para regular o clima.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-020-20217-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo publicado<\/a>\u00a0no peri\u00f3dico especializado\u00a0<em>Nature Communications<\/em>\u00a0mostra os impactos da atividade humana sobre \u00e1reas ainda n\u00e3o desmatadas da Mata Atl\u00e2ntica, os chamados\u00a0<em>remanescentes florestais<\/em>. De acordo com os pesquisadores, algo entre 23% e 42% da biodiversidade e dos estoques de carbono destas \u00e1reas do bioma j\u00e1 foram perdidas \u2013 ainda que elas estejam supostamente preservadas.<\/p>\n<p>\u201cEstoque de carbono\u201d \u00e9, grosso modo, um jeito chique de dizer \u201cplanta\u201d. As plantas removem g\u00e1s carb\u00f4nico (CO<sub>2<\/sub>) da atmosfera quando realizam a fotoss\u00edntese \u2013 um processo abastecido pela luz solar que converte o CO<sub>2<\/sub>\u00a0em carboidrato. Esse carboidrato fica armazenado nas folhas, caules e ra\u00edzes: as c\u00e9lulas de todas as plantas s\u00e3o revestidas por paredes de celulose, que s\u00e3o longas cadeias de a\u00e7\u00facares.<\/p>\n<p>Quando uma planta pega fogo, ocorre a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica oposta: a celulose volta a ser g\u00e1s carb\u00f4nico e \u00e9 liberada na atmosfera. Assim, o melhor jeito de evitar o efeito estufa \u00e9 colaborar para manter o carbono retido na biomassa dos vegetais \u2013 bem longe da atmosfera. O problema n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as queimadas, claro: \u00e1rvores cortadas morrem, param de absorver CO<sub>2<\/sub>\u00a0e deixam de contribuir para sempre com a remo\u00e7\u00e3o do g\u00e1s da atmosfera.<\/p>\n<p>Acontece que desmatamento e queimadas n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas maneiras de acabar com estoques de carbono.\u00a0Existe um problema bem mais sutil batizado de\u00a0<em>fragmenta\u00e7\u00e3o florestal \u2013\u00a0<\/em>que ocorre quando algumas \u00e1reas de mata nativa pequenas demais para serem autossustent\u00e1veis ficam ilhadas por causa da constru\u00e7\u00e3o de estradas ou cria\u00e7\u00e3o de gado, o que causa um grande baque na biodiversidade.<\/p>\n<p>Quando esses fragmentos de mata nativa cercados entram em colapso, eles perdem grande parte da capacidade de regular a presen\u00e7a de CO<sub>2\u00a0<\/sub>no ar, mesmo que nenhuma \u00e1rvore tenha sido propriamente cortada ou queimada.\u00a0Em nota, Paulo In\u00e1cio Prado, co-autor do estudo e pesquisador da USP,\u00a0<a href=\"https:\/\/abori.com.br\/ambiente\/mata-atlantica-perde-ate-42-da-sua-biodiversidade-por-causa-de-impacto-humano\/\">explicou<\/a>\u00a0que \u201cas perdas dos estoques de carbono equivalem ao desmatamento de at\u00e9 70 mil quil\u00f4metros quadrados de florestas (o que representa quase 10 milh\u00f5es de campos de futebol)\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja: mesmo nos trechos de mata em que ningu\u00e9m passou o serrote, a degrada\u00e7\u00e3o do ecossistema equivale a milhares de \u00e1rvores cortadas no saldo final. Compare, nas imagens abaixo, a apar\u00eancia de um trecho saud\u00e1vel de floresta com a de um trecho isolado. A densidade e variedade dos trechos realmente presevados \u00e9 bem maior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_316215\" class=\"wp-caption aligncenter  \" style=\"width: 639px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-316215 \" title=\"desmatamento na mata atl\u00e2ntica\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/11-12_amazonia02_SITE.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"Compara\u00e7\u00e3o entre uma parte preservada da Mata Atl\u00e2ntica e a borda de um fragmento desmatado.\" width=\"639\" height=\"426\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"R.A.F. Lima \/ A.L. de Gasper\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00c0 esquerda, exemplos de fragmentos florestais bem conversados. \u00c0 direita, fragmentos fortemente degradados. R.A.F. Lima \/ A.L. de Gasper\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"relacionadas\" class=\"block related-posts three_columns\"><\/div>\n<p>Para chegar aos resultados, foram analisados 1.819 pesquisas de diferentes fontes, abrangendo amostras de biomassa de mais de um milh\u00e3o de \u00e1rvores, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre cerca de tr\u00eas mil esp\u00e9cies. Assim foi poss\u00edvel comparar o cen\u00e1rio atual com o cen\u00e1rio passado, anterior \u00e0 d\u00e9cada de 1950, quando a degrada\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica ainda n\u00e3o era t\u00e3o intensa.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas tipos de a\u00e7\u00f5es que podem ser aplicadas para conservar a biodiversidade e o estoques de carbono na Mata Atl\u00e2ntica. A mais \u00f3bvia \u00e9 o combate ao desmatamento ilegal, seguida pelo reflorestamento de \u00e1reas que foram totalmente destru\u00eddas e a uma esp\u00e9cie de \u201creforma\u201d nos remanescentes florestais que ainda existem, mas est\u00e3o degrados.<\/p>\n<p>\u201cAs duas primeiras a\u00e7\u00f5es s\u00e3o important\u00edssimas e t\u00eam sido muito debatidas globalmente, mas a terceira \u00e9 aquela que buscamos resgatar neste estudo e que muitas vezes \u00e9 esquecida como a\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Renato de Lima, autor do estudo e pesquisador da USP. Ou seja: todos se preocupam com as \u00e1reas de florestas que foram aniquilidas, mas \u00e9 igualmente importante se dedicar \u00e0s que foram \u201cs\u00f3\u201d parcialmente afetadas.<\/p>\n<p>Entre as t\u00e9cnicas de recupera\u00e7\u00e3o desses fragmentos florestais, h\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o de cercas vivas, que s\u00e3o \u201cmuros\u201d feitos de plantas para impedir a entrada de luz e vento \u2013 e a sa\u00edda de animais silvestres. O ambiente da floresta, debaixo da copa das \u00e1rvores, \u00e9 naturalmente \u00famido e escurinho. A entrada de vento e Sol pelos cantos gera pequenas mudan\u00e7a na temperatura, na \u00famidade e em outros par\u00e2metros essenciais para o ecossistema. Quanto mais protegido o fragmento de floresta ficar, melhor.<\/p>\n<p>Pode-se ainda construir aceiros, que s\u00e3o faixas sem vegeta\u00e7\u00e3o em torno do fragmento que impedem que o fogo se alastre at\u00e9 alcan\u00e7\u00e1-lo, e tamb\u00e9m implantar cercas que evitem a passagem do gado e o consequente pisoteio na floresta.\u00a0O plantio de esp\u00e9cies nativas tamb\u00e9m \u00e9 bem vindo, assim como outras iniciativas que deixem o espa\u00e7o no \u201cestado mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do original\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica pode trazer ainda vantagens econ\u00f4micas ao Brasil. Existe uma unidade de medida chamada\u00a0<em>cr\u00e9ditos de carbono<\/em>. Um cr\u00e9dito de carbono representa uma tonelada de CO<sub>2<\/sub>\u00a0que deixou de ser liberado no ambiente.<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses t\u00eam uma meta de cr\u00e9ditos para cumprir, como forma de impedir o aumento do efeito estufa. Por outro lado, alguns gastam mais do que podem, ent\u00e3o acabam comprando cr\u00e9ditos daqueles colegas que n\u00e3o usaram a cota completa. Os pesquisadores acreditam que o combate \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal poderia atrair bilh\u00f5es de d\u00f3lares de investimentos externos relacionados a cr\u00e9ditos de carbono. Assim o pa\u00eds ajuda a preservar o planeta e de quebra ainda ganha uns bons trocados.<\/p>\n<div id=\"mais_lidas\" class=\"block related-posts mais-lidas\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas \u00e1reas do planeta s\u00e3o descritas pelos bi\u00f3logos como \u201chotspots\u00a0ecol\u00f3gicos\u201d. 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