{"id":138616,"date":"2020-12-21T12:42:49","date_gmt":"2020-12-21T15:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138616"},"modified":"2020-12-21T12:42:49","modified_gmt":"2020-12-21T15:42:49","slug":"grandes-mamiferos-tornam-solo-da-floresta-mais-fertil-segundo-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/grandes-mamiferos-tornam-solo-da-floresta-mais-fertil-segundo-estudo\/","title":{"rendered":"Grandes mam\u00edferos tornam solo da floresta mais f\u00e9rtil, segundo estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138617\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/atividade-humana-nos-tropicos-americanos-500-anos-de-destruicao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"113\" data-m=\"{&quot;i&quot;:113,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:3}\">queixadas<\/a><\/strong>\u00a0(<em>Tayassu pecari<\/em>) s\u00e3o porcos-do-mato que vivem em bandos de 50 a 100 indiv\u00edduos e comem um pouco de tudo, mas na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/mata-atlantica-71-do-desmate-de-2018-19-ocorreu-em-100-municipios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"114\" data-m=\"{&quot;i&quot;:114,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:4}\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a><\/strong>\u00a0t\u00eam prefer\u00eancia pelos frutos da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/farmacia-da-mata\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"115\" data-m=\"{&quot;i&quot;:115,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:5}\"><strong>palmeira ju\u00e7ara<\/strong><\/a>\u00a0(<em>Euterpe edulis<\/em>). A grande produtividade da ju\u00e7ara, por\u00e9m, provavelmente s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque os animais fazem uma eficiente \u201caduba\u00e7\u00e3o\u201d do solo. As enormes quantidades de fezes e urina que catetos, antas, queixadas e outros animais que se alimentam de frutos deixam no ch\u00e3o liberam formas de nitrog\u00eanio, importante elemento para o crescimento das plantas.<\/p>\n<p>Um estudo apoiado pela Fapesp,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/besjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/1365-2435.13707\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"116\" data-m=\"{&quot;i&quot;:116,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:6}\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0\u201cFunctional Ecology\u201d, mostrou que em \u00e1reas livres desses grandes mam\u00edferos a quantidade de am\u00f4nia, uma forma de nitrog\u00eanio no solo, era at\u00e9 95% menor. Os resultados mostram, pela primeira vez, a import\u00e2ncia dos grandes mam\u00edferos tamb\u00e9m para o ciclo de nitrog\u00eanio nas florestas tropicais e \u00e9 mais um alerta sobre os riscos da perda desses animais.<\/p>\n<p>\u201cQualquer produtor rural sabe que \u00e9 preciso nitrog\u00eanio no solo para uma boa produtividade. Estudos em outros ambientes j\u00e1 mostraram que a presen\u00e7a de ruminantes estimula o crescimento de gram\u00edneas, por conta do aporte de nitrog\u00eanio dos excrementos e pela otimiza\u00e7\u00e3o da atividade dos microrganismos envolvidos na ciclagem desse nitrog\u00eanio no solo. Mostramos agora que o mesmo efeito ocorre em florestas tropicais com grandes mam\u00edferos frug\u00edvoros\u201d, disse\u00a0Nacho Villar, primeiro autor do artigo e bolsista de p\u00f3s-doutorado da Fapesp no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro.<\/p>\n<p><strong>\u00c1reas comparadas<\/strong><\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que esses animais redistribuem o nitrog\u00eanio, fertilizando \u00e1reas que sem eles seriam muito pobres desse elemento e, portanto, com baixa produtividade vegetal. Os pesquisadores estimaram que, com os grandes mam\u00edferos, esses locais recebem quatro vezes mais am\u00f4nia e 50 vezes mais nitrato, em compara\u00e7\u00e3o a \u00e1reas sem essa fauna.<\/p>\n<p>O estudo integra o projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/88130\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"117\" data-m=\"{&quot;i&quot;:117,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:7}\">Consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas da defauna\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica<\/a><\/strong>\u201d, coordenado por Mauro Galetti, professor do IB-Unesp, no \u00e2mbito do programa Biota-Fapesp. Atualmente, Villar realiza est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Centro de Ecologia dos Pa\u00edses Baixos (Nioo).<\/p>\n<p>Para chegarem aos resultados, os pesquisadores utilizaram parte do maior experimento de exclus\u00e3o de grandes mam\u00edferos da Am\u00e9rica do Sul. Trata-se de 86 parcelas de floresta de 15 metros quadrados no Parque Estadual da Serra do Mar. Metade delas \u00e9 cercada desde 2010, impedindo a entrada de grandes mam\u00edferos. Nas outras \u00e1reas demarcadas, todos os animais transitam livremente. Uma amostragem das \u00e1reas conta com armadilhas fotogr\u00e1ficas, que comprovam a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de queixadas, catetos (<em>Pecari tajacu<\/em>) e antas (<em>Tapirus terrestres<\/em>), entre outros.<\/p>\n<p><strong>Microrganismos, am\u00f4nia e nitrato<\/strong><\/p>\n<p>No estudo atual, foram analisadas amostras de solo de oito parcelas cercadas e oito abertas, colhidas na esta\u00e7\u00e3o chuvosa e na seca, em \u00e1reas com diferentes graus de abund\u00e2ncia de palmeiras ju\u00e7ara. Nas \u00e1reas em que os grandes mam\u00edferos n\u00e3o entram, as concentra\u00e7\u00f5es de am\u00f4nia foram at\u00e9 95% menores do que nas parcelas onde eles circulam livremente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, constatou-se que na presen\u00e7a dos animais a am\u00f4nia \u00e9 convertida em nitrato mais rapidamente, por conta dos microrganismos presentes no solo que ajudam nessa convers\u00e3o. Apesar de as plantas tamb\u00e9m absorverem am\u00f4nia, o nitrato pode ser usado imediatamente no seu metabolismo. Por isso, \u00e9 geralmente considerado mais valioso do ponto de vista da fisiologia vegetal.<\/p>\n<p>\u201cOs queixadas comp\u00f5em entre 80% e 90% de toda a biomassa de mam\u00edferos da Mata Atl\u00e2ntica, circulam por territ\u00f3rios extensos em grandes grupos, fertilizando a floresta. As antas, por terem uma densidade mais baixa, t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o menor no ciclo de nitrog\u00eanio, mas a quantidade de excrementos de cada indiv\u00edduo e a \u00e1rea que percorrem \u00e9 consider\u00e1vel, inclusive dispersando sementes\u201d, afirma Villar. Outro estudo do grupo j\u00e1 havia mostrado o papel de antas e queixadas na diversidade e abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies vegetais (<em>leia mais em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/extincao-da-anta-e-da-queixada-pode-comprometer-diversidade-de-florestas\/31388\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"118\" data-m=\"{&quot;i&quot;:118,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:8}\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/31388\/<\/a><\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><strong>Aporte maior de nitrog\u00eanio<\/strong><\/p>\n<p>Essa grande biomassa de animais frug\u00edvoros \u00e9 atra\u00edda pela enorme produ\u00e7\u00e3o de frutos da ju\u00e7ara. Esta, por sua vez tem o solo fertilizado pelos excrementos e provavelmente frutifica mais, gerando um ciclo positivo para os animais, as plantas e os microrganismos do solo, que s\u00e3o estimulados pela presen\u00e7a de excrementos. Por isso, os pesquisadores prop\u00f5em no trabalho o termo \u201cs\u00edtios de frutifica\u00e7\u00e3o\u201d (<em>fruiting lawns<\/em>), consistente com o conceito de \u201cs\u00edtios de pastagem\u201d (<em>grazing lawns<\/em>), usado para descrever processo semelhante em ambientes como as savanas africanas, onde os animais s\u00e3o ruminantes e a vegeta\u00e7\u00e3o, composta de gram\u00edneas.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos passos da pesquisa, o grupo pretende investigar se o aporte maior de nitrog\u00eanio possibilitado pela intera\u00e7\u00e3o de grandes mam\u00edferos e plantas faz com que estas absorvam mais\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/pandemia-e-poluicao-emissoes-mundiais-de-co2-caem-7-em-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"119\" data-m=\"{&quot;i&quot;:119,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:9}\">carbono<\/a><\/strong>\u00a0da atmosfera e o solo libere menos gases do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/lua-controla-a-liberacao-de-metano-no-oceano-artico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"120\" data-m=\"{&quot;i&quot;:120,&quot;p&quot;:110,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:10}\">efeito estufa<\/a><\/strong>. Com isso, a intera\u00e7\u00e3o entre plantas e animais teria ainda um papel importante na regula\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os\u00a0queixadas\u00a0(Tayassu pecari) s\u00e3o porcos-do-mato que vivem em bandos de 50 a 100 indiv\u00edduos e comem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138617,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/javali.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os\u00a0queixadas\u00a0(Tayassu pecari) s\u00e3o porcos-do-mato que vivem em bandos de 50 a 100 indiv\u00edduos e comem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138616"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138616"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138616\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138618,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138616\/revisions\/138618"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}