{"id":138575,"date":"2020-12-20T13:31:03","date_gmt":"2020-12-20T16:31:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138575"},"modified":"2020-12-20T13:31:51","modified_gmt":"2020-12-20T16:31:51","slug":"a-fruta-que-virou-a-cara-do-brasil-e-aliada-da-disposicao-do-bom-humor-e-da-nossa-cultura-conta-colunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-fruta-que-virou-a-cara-do-brasil-e-aliada-da-disposicao-do-bom-humor-e-da-nossa-cultura-conta-colunista\/","title":{"rendered":"A fruta que virou a cara do Brasil \u00e9 aliada da disposi\u00e7\u00e3o, do bom humor e da nossa cultura, conta colunista"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138576\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No final da d\u00e9cada de 1930, Carmen Miranda (1909-1955) anunciava, por meio de suas marchinhas, algumas qualidades da banana. Tanto a cantora quanto a fruta viraram a cara do Brasil e conquistaram o mundo. Nenhuma, no entanto, nasceu aqui. A primeira \u00e9 de origem portuguesa. A segunda, dizem estudiosos, veio do Sudeste Asi\u00e1tico.<br \/>\nOutro ponto em comum \u00e9 que as duas s\u00e3o musas. A artista, obviamente, pela gra\u00e7a e seus tantos talentos. O vegetal e suas esp\u00e9cies, pelo nome cient\u00edfico: Musa acuminata, Musa balbisiaana ou, ainda, Musa paradisiaca.<\/p>\n<p>Em uma das mais populares can\u00e7\u00f5es, se fala que banana tem vitamina e engorda. Sim, ela \u00e9 vitaminada, mas n\u00e3o merece carregar a fama engordativa. \u00c9 certo que n\u00e3o est\u00e1 no ranking das frutas mais magras. Mas, s\u00f3 para comparar, a banana-prata tem 60 calorias, quase o mesmo valor de uma ma\u00e7\u00e3 pequena.<br \/>\nNesse quesito, destaca-se ainda seu poder de prolongar a sensa\u00e7\u00e3o de saciedade. O que se d\u00e1 pela presen\u00e7a de fibras sol\u00faveis, aquelas que, no intestino, se ligam \u00e0 \u00e1gua e formam uma esp\u00e9cie de gel, brecando o apetite.<\/p>\n<p>Sobre atua\u00e7\u00f5es na digest\u00e3o, h\u00e1 pesquisas que colocam a banana como protetora da parede estomacal. N\u00e3o \u00e0 toa as vov\u00f3s recomendam banana-ma\u00e7\u00e3 para dar aquela endireitada em certos desarranjos dos netinhos. Muita gente aponta os taninos como os agentes promotores do al\u00edvio e essas subst\u00e2ncias est\u00e3o mais presentes quando o alimento n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o maduro.<br \/>\nUma curiosidade saborosa: dizem que s\u00e3o esses mesmos compostos os respons\u00e1veis pela colora\u00e7\u00e3o azulada de uma receita t\u00edpica do litoral paulista e batizada como \u201cazul-marinho\u201d. Criada por cai\u00e7aras, especialmente da regi\u00e3o de Ubatuba, \u00e9 feita da mistura de peixe e da nanica bem verde, preparados em panela de ferro. Durante o cozimento, o mineral reage com os taninos, conferindo o tom diferenciado.<\/p>\n<p><em><strong>De tudo quanto \u00e9 jeito<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na cozinha litor\u00e2nea, na sertaneja ou urbana, a fruta \u00e9 sucesso das mais variadas formas na culin\u00e1ria. J\u00e1 diria o antrop\u00f3logo Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo (1898-1986) em Hist\u00f3ria da Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil (clique para comprar): \u201cCrua, assada, cozida; com a\u00e7\u00facar, canela, doce em calda e a bananada, com queijo, cartola, farinha para crian\u00e7as, mingau, tortas. Com mel, licor\u2026 Saboreada por todas as idades e paladares\u2026\u201d<br \/>\nO historiador refor\u00e7a que se trata de vegetal do \u201cmais f\u00e1cil descascamento\u201d. Gra\u00e7as a essa praticidade, marcou presen\u00e7a nas quadras de t\u00eanis, levada pelo tenista Guga Kuerten. O campe\u00e3o catarinense devorava algumas nos intervalos dos jogos e assim garantia pique para as longas partidas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de oferecer carboidrato, a banana cont\u00e9m nutrientes que resultam em mais disposi\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 famosa por fornecer boas doses de pot\u00e1ssio, aquele que contribui para afastar a fadiga, sobretudo o cansa\u00e7o muscular. Outro mineral presente \u00e9 o magn\u00e9sio, conhecido promotor do bem-estar.<\/p>\n<p>Sua polpa \u00e9 fonte do complexo B, uma fam\u00edlia vitaminada e essencial para espantar o mau-humor e a tristeza.<br \/>\nN\u00e3o bastasse essa cole\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas da felicidade, a fruta faz hist\u00f3ria nas artes, simbolizando, inclusive, o Tropicalismo ou Tropic\u00e1lia, movimento cultural cheio de cores e alegrias.<br \/>\nDa\u00ed a m\u00fasica desta coluna vir na voz de um de seus maiores representantes, o baiano Caetano Veloso, que regravou a c\u00e9lebre marcha composta por Braguinha (1907-2006), Yes, N\u00f3s Temos Banana.<\/p>\n<p><em><strong>Na ponta da l\u00edngua<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O fruto est\u00e1 na boca do povo de todas as formas. Aparece em uma por\u00e7\u00e3o de express\u00f5es, como ensina o etimologista Deon\u00edsio da Silva, professor da Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, no Rio de Janeiro:<br \/>\n\u201cDar uma banana\u201d: apontar o cotovelo para o interlocutor tem significado de vingan\u00e7a ou ofensa. O gesto \u00e9 feito em pa\u00edses como Portugal, Espanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia, mas a palavra \u201cbanana\u201d s\u00f3 aparece no portugu\u00eas falado aqui. Ela foi inclu\u00edda porque o antebra\u00e7o \u00e9 parecido com a fruta.<br \/>\n\u201cEmbananar\u201d: a hip\u00f3tese para a origem desse verbo, que \u00e9 sin\u00f4nimo de confus\u00e3o, remonta \u00e0 maneira atrapalhada dos primeiros neg\u00f3cios que envolveram a fruta. Os comerciantes n\u00e3o sabiam se a vendiam em cacho, em d\u00fazia, em peso, em unidade, em penca\u2026<br \/>\n\u201cPre\u00e7o de banana\u201d: o significado dessa express\u00e3o est\u00e1 na cara. Apesar de t\u00e3o virtuosa, a banana \u00e9 das frutas mais baratas e, na \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o, dispensava maiores cuidados.<br \/>\n\u201cPlantar bananeira\u201d: firmar-se no ch\u00e3o com as m\u00e3os \u00e9 uma met\u00e1fora inspirada no formato da bananeira. Acredita-se que os \u00edndios brincavam dessa maneira imitando a planta.<br \/>\nPara plantar bananeira, h\u00e1 de se ter habilidade e disposi\u00e7\u00e3o. Melhor comer uma banana meia hora antes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final da d\u00e9cada de 1930, Carmen Miranda (1909-1955) anunciava, por meio de suas marchinhas,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138576,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/banana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No final da d\u00e9cada de 1930, Carmen Miranda (1909-1955) anunciava, por meio de suas marchinhas,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138575"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138575"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138578,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138575\/revisions\/138578"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}