{"id":138498,"date":"2020-12-19T11:30:36","date_gmt":"2020-12-19T14:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138498"},"modified":"2020-12-19T08:43:41","modified_gmt":"2020-12-19T11:43:41","slug":"mudancas-climaticas-causam-inundacoes-e-ameacam-populacoes-de-girafas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-causam-inundacoes-e-ameacam-populacoes-de-girafas\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causam inunda\u00e7\u00f5es e amea\u00e7am popula\u00e7\u00f5es de girafas"},"content":{"rendered":"<p data-raofz=\"18\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138499\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O n\u00edvel dos lagos do Vale Rift na \u00c1frica Oriental est\u00e1 subindo, colocando em risco as comunidades que vivem em suas costas e os animais que existem ao longo do seu curso.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Girafas abandonadas, flamingos em fuga e impalas ilhados: nos \u00faltimos anos, o aumento do n\u00edvel da \u00e1gua nos lagos do Vale Rift, no leste da \u00c1frica, tornou-se a norma, provocando o deslocamento de pessoas, amea\u00e7ando a vida selvagem e submergindo escolas e hot\u00e9is.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">O aumento gradual no n\u00edvel da \u00e1gua foi notado pela primeira vez h\u00e1 10 anos, mas foi acelerado pelas fortes chuvas em 2019, de acordo com o secret\u00e1rio principal do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Florestas do Qu\u00eania, Chris Kiptoo.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Este ano, o Lago Turkana, o lago mais ao norte do Qu\u00eania, estava seis metros mais fundo que o normal para o m\u00eas de novembro. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) descreveu como \u201ccr\u00edtico\u201d o n\u00edvel de risco deste lago. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, sua perspectiva de conserva\u00e7\u00e3o para 2020, publicada este m\u00eas, adverte: \u201cAs qualidades \u00fanicas do Lago Turkana, que \u00e9 um grande lago em um ambiente des\u00e9rtico, est\u00e3o sob amea\u00e7a \u00e0 medida que as demandas por \u00e1gua para o desenvolvimento aumentam e o capital financeiro para construir grandes barragens fica dispon\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Especialistas tamb\u00e9m expressaram temor de que dois outros lagos do Vale Rift, Baringo e Bogoria, possam se fundir com consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas catastr\u00f3ficas. Imagens comparativas tiradas pelo Observat\u00f3rio da Terra da NASA em 2013 e 2020 mostram dep\u00f3sitos pesados de sedimentos ao longo das bordas dos dois lagos que agora est\u00e3o a 13km de dist\u00e2ncia, sendo que antes essa dist\u00e2ncia era de 20km.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Um porta-voz do governo diz que o Lago Baringo expandiu de 176 km\u00b2 para 260 km\u00b2, enquanto o Bogoria expandiu de 34 km\u00b2 para 45 km\u00b2. \u201cA Reserva Nacional do Lago Bogoria experienciou uma mudan\u00e7a no ecossistema do lago, levando a uma redu\u00e7\u00e3o acentuada no n\u00famero de flamingos de 1,5 milh\u00e3o para menos de 100.000.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">O Lago Baringo \u00e9 um habitat de \u00e1gua doce que hospeda peixes, crocodilos do Nilo e hipop\u00f3tamos. As popula\u00e7\u00f5es locais dependem de sua \u00e1gua para uso dom\u00e9stico e agricultura. O Lago Bogoria \u00e9 alcalino e abriga milhares de flamingos que dependem das algas verde azuladas que crescem em suas \u00e1guas. Os g\u00eaiseres de \u00e1gua quente e fontes termais que costumavam atrair turistas para a regi\u00e3o est\u00e3o submersos.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cSe os dois lagos se fundirem, a \u00e1gua doce de Baringo diluiria o \u00e1lcali em Bogoria e reduziria o crescimento das algas, devido \u00e0 altera\u00e7\u00e3o no pH\u201d, diz Mark Boitt, especialista em sistemas de informa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. \u201cH\u00e1 v\u00e1rios anos, um aumento semelhante nas \u00e1guas do Lago Nakuru fez com que milh\u00f5es de flamingos fugissem para Bogoria. Mas por quanto tempo eles podem continuar se mudando de um habitar para outro? Estamos no limiar da r\u00e1pida perda de biodiversidade ao redor dos lagos.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Atualmente o aumento do n\u00edvel da \u00e1gua em Baringo j\u00e1 afetou os animais selvagens residentes na ilha de Longcharo, localizada no lago, \u00e0 medida que as \u00e1guas reduzem o tamanho da ilha e as \u00e1reas dispon\u00edveis de pastagem. Em setembro, as autoridades de vida selvagem realocaram avestruzes, impalas e javalis para uma \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o no continente. No in\u00edcio deste m\u00eas, duas das oito girafas abandonadas na ilha tamb\u00e9m foram transportadas para um lugar seguro.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cTransportar uma girafa \u00e9 um processo delicado. Temos que examinar o habitat e garantir que ancoramos a barca\u00e7a de uma maneira que facilite a entrada das girafas sem causar estresse desnecess\u00e1rio\u201d, diz Jackson Komen, diretor do Servi\u00e7o de Vida Selvagem do Qu\u00eania, em Baringo.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cLevou um dia inteiro apenas para transportar uma s\u00f3 girafa, sendo que a barca\u00e7a leva pelo menos duas horas para chegar ao continente. As demais, incluindo algumas f\u00eameas gr\u00e1vidas, ser\u00e3o transportadas um pouco mais tarde.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">O governo nomeou um comit\u00ea t\u00e9cnico multiag\u00eancias para investigar a causa do aumento do n\u00edvel da \u00e1gua nos lagos, a divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final est\u00e1 prevista para os pr\u00f3ximos dias.<br \/>\nSilas Simiyu, um ge\u00f3logo local, diz que a atividade humana ao redor das \u00e1reas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para o aumento do n\u00edvel da \u00e1gua.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cPodemos estar falando de um aumento do volume de \u00e1gua, mas nos esquecendo que, na verdade, \u00e9 a capacidade dos lagos de reter \u00e1gua que reduziu. A \u00e1gua dos aqu\u00edferos subterr\u00e2neos sempre aumentou dependendo dos ciclos de movimento tect\u00f4nico. Mas nunca os lagos foram assoreados como s\u00e3o hoje\u201d, diz Simiyu. \u201cEm vez de agir como tigelas profundas que podem conter mais \u00e1gua, os lagos est\u00e3o se tornando frigideiras largas e finas devido ao assoreamento.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Ele diz: \u201cAlguns falam de aumento das chuvas, mas as chuvas em curso n\u00e3o s\u00e3o as mais intensas previstas para estas \u00e1reas. Vamos aceitar que nossas pr\u00f3prias atividades exacerbaram o problema.\u201d<br \/>\nSusan Jepkemoi, cientista ambiental do Great Rift Centre for Research and Development (Centro Great Rift para Pesquisa e Desenvolvimento), diz que o aumento populacional veio com a demanda por mais \u00e1reas de cultivo, al\u00e9m disso, mais pessoas se estabeleceram pr\u00f3ximo aos lagos.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cA mudan\u00e7a no uso da terra sem levar em conta o meio ambiente ter\u00e1 s\u00e9rias consequ\u00eancias clim\u00e1ticas nesses lagos\u201d, diz ela. \u201cAs pessoas ao redor dos lagos continuam cortando \u00e1rvores para queima de carv\u00e3o. Isso esgota a cobertura do solo que leva a inunda\u00e7\u00f5es. A \u00e1gua do escoamento leva consigo o solo superior aos lagos, que s\u00e3o os pontos mais baixos do Vale Rift, o que causa o assoreamento.\u201d<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">O fen\u00f4meno provocou revolta nas comunidades locais. \u00c0 medida que a \u00e1gua avan\u00e7a mais para o interior, os campos de pastagem continuam encolhendo e igrejas, escolas e hospitais que estavam ativos no in\u00edcio do ano agora est\u00e3o em ru\u00ednas.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cFa\u00e7a um passeio de barco aqui e h\u00e1 grandes chances de que voc\u00ea esteja andando em cima de edif\u00edcios de v\u00e1rios andares, as rel\u00edquias de uma cidade perdida\u201d, diz Francis Cherutich, guia tur\u00edstico em Baringo.<br \/>\nPara Kangogo Arap Kipotota, de 83 anos, sua pequena mercearia na cidade de Kampi Ya Samaki passou a funcionar como sua casa. Sua antiga casa est\u00e1 submersa a v\u00e1rios quil\u00f4metros da loja. Ele se lembra da cheia do lago em 1961, mas o epis\u00f3dio n\u00e3o chega nem perto dos n\u00edveis atuais. Naquela \u00e9poca, era uma longa caminhada para chegar ao lago. Agora est\u00e1 quase na porta da loja dele. Como outros residentes, ele teme ter que se mudar novamente para um lugar mais alto.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cO lago estava t\u00e3o longe que eu levaria nossas ovelhas e cabras para pastar al\u00e9m daquela \u00e1rvore\u201d, diz ele, apontando para um tronco de \u00e1rvore a mais de 500 metros de sua loja. \u201cN\u00f3s caminh\u00e1vamos nas bordas rasas do lago. Voc\u00ea n\u00e3o pode tentar isso agora, uma vez que crocodilos e hipop\u00f3tamos se tornaram nossos vizinhos pr\u00f3ximos\u201d.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Ambos os lagos s\u00e3o \u00e1reas importantes de aves que atraem milhares de ornit\u00f3logos de todo o mundo. No entanto, uma avalia\u00e7\u00e3o de 2019 dos lagos Baringo e Bogoria feita pela organiza\u00e7\u00e3o BirdLife International classificou seu status de risco como \u201cmuito alto\u201d.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">A ind\u00fastria hoteleira local tamb\u00e9m foi duramente atingida pelo aumento das \u00e1guas. Hot\u00e9is e pousadas que dependiam do turismo foram parcial ou completamente submersos. No resort Soi Safari Lodge, em Baringo, a \u00fanica parte vis\u00edvel de um sal\u00e3o estilizado na forma de uma tradicional cabana africana \u00e9 o telhado. Recentemente, em julho, o pr\u00e9dio ficava a 800 metros da margem original do lago.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">\u201cA Covid-19 paralisou o neg\u00f3cio do hotel. Agora o lago tomou o hotel. E parece n\u00e3o haver fim para a invas\u00e3o do lago nas propriedades\u201d, diz Peter Chebii, gerente do hotel.<\/p>\n<p data-raofz=\"18\">Sem nenhum sinal de que as \u00e1guas v\u00e3o recuar, Boitt adverte: \u201cFalhamos em proteger o meio ambiente e agora estamos colhendo os frutos amargos. Ou reabilitamos ou perdemos nosso sustento quando a terra \u2013 desmatada devido ao cultivo \u2013 revida usando os lagos. S\u00f3 n\u00f3s podemos frear este fen\u00f4meno. Mas ser\u00e1 que podemos mesmo?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00edvel dos lagos do Vale Rift na \u00c1frica Oriental est\u00e1 subindo, colocando em risco<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138499,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/girafa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O n\u00edvel dos lagos do Vale Rift na \u00c1frica Oriental est\u00e1 subindo, colocando em risco","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138498"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138498"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138501,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138498\/revisions\/138501"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}