{"id":138453,"date":"2020-12-18T12:21:15","date_gmt":"2020-12-18T15:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138453"},"modified":"2020-12-18T12:31:33","modified_gmt":"2020-12-18T15:31:33","slug":"quantas-especies-de-aves-e-mamiferos-foram-salvas-da-extincao-nos-ultimos-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/quantas-especies-de-aves-e-mamiferos-foram-salvas-da-extincao-nos-ultimos-30-anos\/","title":{"rendered":"Quantas esp\u00e9cies de aves e mam\u00edferos foram salvas da extin\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 30 anos?"},"content":{"rendered":"<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/passaro-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138454\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/passaro-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/passaro-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/passaro-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Grupo de pesquisadores analisou o impacto das a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o desde a Eco-92. Segundo o estudo, pelo menos 21 esp\u00e9cies de aves e 7 de mam\u00edferos no mundo escaparam de desaparecer.<\/li>\n<li>Cinco esp\u00e9cies de aves salvas da extin\u00e7\u00e3o vivem no Brasil, entre elas o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii).<\/li>\n<li>Enquanto algumas esp\u00e9cies voltaram \u00e0 natureza, outras entraram em extin\u00e7\u00e3o durante as duas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/li>\n<li>Os pesquisadores acreditam que o estudo possa se tornar uma importante fonte cient\u00edfica para a elabora\u00e7\u00e3o de novas pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Em 1992, l\u00edderes globais reunidos durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, assinaram a chamada Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB), para promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Dezoito anos mais tarde, em 2010, em outro encontro, desta vez na prov\u00edncia de Aichi, em Nagoya, no Jap\u00e3o, 193 pa\u00edses assinaram um compromisso com 20 metas para reduzir a press\u00e3o global sobre o mundo natural. Entre as chamadas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28727-o-que-sao-as-metas-de-aichi\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Metas de Aichi<\/a>\u00a0para a Biodiversidade, a n\u00famero 12 estabelecia que, at\u00e9 2020, fosse evitada a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, especialmente aquelas com popula\u00e7\u00e3o em decl\u00ednio, e que seu status fosse melhorado e mantido.<\/p>\n<p>Interessados em saber n\u00e3o apenas se esse compromisso foi atingido, mas tamb\u00e9m quantific\u00e1-lo, um grupo de pesquisadores internacionais, liderados por cientistas da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncl.ac.uk\/press\/articles\/latest\/2020\/09\/28speciesextinctionsprevented\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Newcastle University, do Reino Unido<\/a>, fizeram um levantamento para descobrir quantas esp\u00e9cies de aves e mam\u00edferos deixaram de ser extintas gra\u00e7as a esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuer\u00edamos identificar quantas extin\u00e7\u00f5es foram evitadas desde 1993, quando entrou em vigor a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica, e desde 2010, quando foram adotadas as \u00faltimas metas relativas a ela, incluindo aquela sobre preven\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00f5es. Nosso objetivo era saber como a pol\u00edtica impactou o n\u00famero de extin\u00e7\u00f5es evitadas\u201d, explica Rike Bolam, principal autora do\u00a0<a href=\"https:\/\/conbio.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/conl.12762\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo,<\/a>\u00a0publicado na revista\u00a0<em>Conservation Letters<\/em>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores decidiram focar apenas em aves e mam\u00edferos, pois s\u00e3o os grupos de animais mais estudados pela ci\u00eancia, com maior quantidade de dados globais dispon\u00edveis.\u00a0S\u00f3 foram analisadas esp\u00e9cies que constassem na Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza como \u201cextintas na vida selvagem\u201d, \u201ccriticamente amea\u00e7adas\u201d ou \u201camea\u00e7adas\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um extenso levantamento, o time apurou que a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o evitaram entre 21 a 32 extin\u00e7\u00f5es de aves e 7 a 16 de mam\u00edferos desde 1993, e entre 9 a 18 extin\u00e7\u00f5es de aves e 2 a 7 mam\u00edferos desde 2010.<\/p>\n<p>Apesar do trabalho de governos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais em prol da conserva\u00e7\u00e3o, dez esp\u00e9cies de aves e cinco de mam\u00edferos entraram em extin\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 17 anos (ou h\u00e1 fortes suspeitas de que isso tenha acontecido).<\/p>\n<p>Todavia, os cientistas ressaltam que se nada tivesse sido feito, essas taxas poderiam ter sido entre 2,9 a 4,2 mais altas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 animador que algumas das esp\u00e9cies que estudamos tenham se recuperado muito bem. Nossa an\u00e1lise, portanto, fornece uma mensagem positiva de que a conserva\u00e7\u00e3o reduziu substancialmente as taxas de extin\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros e mam\u00edferos. Embora extin\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tenham ocorrido no mesmo per\u00edodo de tempo, nosso trabalho mostra que \u00e9 poss\u00edvel preveni-las\u201d, afirma Bolam.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245085\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245085\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-245085 \" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23.jpg\" sizes=\"(max-width: 975px) 100vw, 975px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23.jpg 975w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23-300x200.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23-600x400.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23-825x550.jpg 825w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2.-Iberian_Lynx_linces23-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245085\" class=\"wp-caption-text\">O lince-ib\u00e9rico (Lynx pardinus), nativo de Espanha e Portugal, \u00e9 o felino mais amea\u00e7ado do mundo. A\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas permitiram que a esp\u00e9cie sa\u00edsse do status \u201ccriticamente amea\u00e7ada\u201d para o atual \u201camea\u00e7ada\u201d. Foto: Programa de Conserva\u00e7\u00e3o Ex-situ del Lince Ib\u00e9rico\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Que esp\u00e9cies desapareceram e quais foram salvas da extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Entre as esp\u00e9cies de mam\u00edferos que suspeita-se terem sido extintas na natureza desde 1993 est\u00e3o uma esp\u00e9cie de marsupial de Papua-Nova Guin\u00e9, um golfinho de \u00e1gua doce da China e um macaco da \u00c1frica<em>.\u00a0<\/em>J\u00e1 o morcego\u00a0<em>Pipistrellus murrayi\u00a0<\/em>e o pequeno roedor<em>\u00a0Melomys rubicola,\u00a0<\/em>ambos da Austr\u00e1lia, t\u00eam sua extin\u00e7\u00e3o assegurada pela ci\u00eancia. Vale ressaltar que esse \u00e9 um processo que leva tempo, algumas vezes muitos anos para se ter a confirma\u00e7\u00e3o definitiva<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s aves possivelmente extintas na vida selvagem, h\u00e1 uma brasileira, a cabur\u00e9-de-pernambuco (<em>Glaucidium mooreorum<\/em>), uma pequena coruja nativa do estado que leva seu nome. Os cientistas tamb\u00e9m acreditam que a arara-azul-pequena (<em>Anodorhynchus glaucus<\/em>), que era observada n\u00e3o apenas no Brasil, mas ainda em \u00e1reas da Argentina, Paraguai e Uruguai, tamb\u00e9m tenha sido extinta.<\/p>\n<p>\u201cTodas as esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros que desapareceram viviam em ilhas como Gal\u00e1pagos ou Hava\u00ed, ou na Am\u00e9rica Central ou do Sul. Para as aves de ilhas, as principais amea\u00e7as foram esp\u00e9cies invasoras em combina\u00e7\u00e3o com a perda de habitat. Para as da Am\u00e9rica Central ou do Sul foi principalmente perda de habitat, muitas vezes em combina\u00e7\u00e3o com a ca\u00e7a\u201d, revela a pesquisadora da Newcastle University.<\/p>\n<p>Do lado das boas not\u00edcias, os cientistas conseguiram apurar que esp\u00e9cies como o lince-ib\u00e9rico (<em>Lynx pardinus<\/em>); o condor-da-calif\u00f3rnia (<em>Gymnogyps californianus<\/em>); o porco-pigmeu (<em>Porcula salvania<\/em>), nativo da \u00cdndia; o cavalo-de-przewalski (<em>Equus ferus przewalskii<\/em>), equino selvagem da Mong\u00f3lia; e o papagaio-de-porto-rico (<em>Amazona\u00a0vittata<\/em>), dentre outras, conseguiram aumentar o n\u00famero de suas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-245087\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1-1024x672.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1-1024x672.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1-300x197.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1-600x394.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1-838x550.jpg 838w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/8582786548_2d7ee1c1fe_k-1536x1008-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p>O cavalo-de-przewalski (<em>Equus ferus przewalskii<\/em>), equino selvagem da Mong\u00f3lia, chegou a ser extinto na natureza na d\u00e9cada de 1960. Ap\u00f3s a\u00e7\u00f5es com indiv\u00edduos em cativeiro, a esp\u00e9cie foi reintroduzida e hoje conta com cerca de 400 exemplares em liberdade. Foto: Garrett Ziegler\/CC BY-NC-ND 2.0.<\/p>\n<h3><strong>A\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o com melhores resultados<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m de fazer o levantamento de quais animais conseguiram ser salvos da extin\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os cientistas avaliaram ainda quais foram as estrat\u00e9gias preserva\u00e7\u00e3o mais bem-sucedidas. Segundo Rike Bolam, entre as mais efetivas est\u00e3o o controle de esp\u00e9cies invasoras, prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e conserva\u00e7\u00e3o ex-situ. Esta \u00faltima envolve a\u00e7\u00f5es realizadas fora do ambiente natural de uma esp\u00e9cie, como por exemplo, a reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro.<\/p>\n<p>Dos casos analisados, 20 esp\u00e9cies de aves se beneficiaram de trabalhos feitos em zool\u00f3gicos e ref\u00fagios de vida silvestre. Um exemplo \u00e9 o do papagaio-de-porto-rico. A popula\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Amazona vittata\u00a0<\/em>chegou a ter apenas 13 indiv\u00edduos na natureza. Entretanto, em 2006, iniciou-se um processo de reintrodu\u00e7\u00e3o no Parque Estadual R\u00edo Abajo. Sete anos mais tarde, as estimativas indicam que j\u00e1 sejam entre 80 e 100 aves, distribu\u00eddas em duas \u00e1reas distintas.<\/p>\n<p>Bem longe do continente americano, na Mong\u00f3lia, outro projeto de reintrodu\u00e7\u00e3o obteve \u00f3timos resultados. O\u00a0<em>Equus ferus przewalskii,\u00a0<\/em>um tipo de cavalo selvagem, foi extinto na d\u00e9cada de 1960. Ap\u00f3s trinta anos, exemplares criados em cativeiro foram soltos na natureza e, em 1996, nasceu o primeiro filhote. Atualmente s\u00e3o aproximadamente 400 cavalos-de-przewalski livres em seu habitat original.<\/p>\n<p>Rike Bolam destaca que um dos objetivos do estudo internacional era se tornar uma importante fonte cient\u00edfica para a elabora\u00e7\u00e3o de novas pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o: \u201cPrecisamos evitar as causas subjacentes que est\u00e3o levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, como a perda de habitat por meio da expans\u00e3o agr\u00edcola. Existem modelos que sugerem que podemos conseguir isso ao mesmo tempo que garantimos a seguran\u00e7a alimentar, por exemplo, minimizando o desperd\u00edcio de alimentos. Outro ponto necess\u00e1rio s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o voltadas para as esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas, como as do nosso estudo, muito pr\u00f3ximas da extin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245088\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 643px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245088\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-245088 \" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1-1024x545.png\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1-1024x545.png 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1-300x160.png 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1-600x319.png 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1-1000x532.png 1000w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Imagem1-1.png 1268w\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"342\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245088\" class=\"wp-caption-text\">A\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o para esp\u00e9cies que se julga terem sido extintas na natureza a partir de 1993. Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/conl.12762\">https:\/\/doi.org\/10.1111\/conl.12762<\/a>, Bolam et al.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Os bons exemplos do Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>As 32 esp\u00e9cies de aves cuja extin\u00e7\u00e3o foi provavelmente evitada entre 1993 e 2020 s\u00e3o end\u00eamicas de 25 pa\u00edses, incluindo seis da Nova Zel\u00e2ndia, cinco do Brasil e tr\u00eas do M\u00e9xico. \u00c9 preciso ressaltar que dos dez pa\u00edses do planeta com o maior n\u00famero de esp\u00e9cies de aves, seis ficam na Am\u00e9rica do Sul.\u00a0<a href=\"https:\/\/rainforests.mongabay.com\/03birds.htm\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Col\u00f4mbia, Peru e Brasil aparecem no topo dessa lista<\/a>.<\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, entidades n\u00e3o-governamentais, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e criadores particulares t\u00eam trabalhado em parceria para preservar a diversidade e a sobreviv\u00eancia de muitas aves brasileiras.<\/p>\n<p>O estudo global menciona que cinco delas conseguiram melhorar seu status gra\u00e7as a esses esfor\u00e7os. S\u00e3o elas a choquinha-de-alagoas (<em>Myrmotherula snowi<\/em>), o mutum-de-alagoas (<em>Pauxi mitu<\/em>), o mutum-de-bico-vermelho (<em>Crax blumenbachii<\/em>), a arara-azul-de-lear (<em>Anodorhynchus leari<\/em>) e a ararinha-azul (<em>Cyanopsitta spixii<\/em>).<\/p>\n<p>Ave s\u00edmbolo da Caatinga, h\u00e1 mais de 20 anos a ararinha-azul n\u00e3o \u00e9 mais vista voando no bioma. Mas um programa de reintrodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, que contou com criadores internacionais e muita pol\u00eamica, conseguiu fazer com que 52 indiv\u00edduos, vindos da Alemanha, fossem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2020\/03\/ararinha-azul-retorna-ao-brasil-mas-cercada-de-controversias\/\" data-wpel-link=\"internal\">levados para a Bahia em mar\u00e7o deste ano<\/a>. Atualmente passando por um processo de adapta\u00e7\u00e3o com o clima e a alimenta\u00e7\u00e3o locais, h\u00e1 expectativa que eles sejam soltos em uma reserva de prote\u00e7\u00e3o em Cura\u00e7\u00e1 no ano que vem.<\/p>\n<p>Extinto na natureza desde a d\u00e9cada de 1980, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2019\/11\/mutum-de-alagoas-ave-quase-extinta-volta-a-natureza-e-testa-capacidade-de-sobrevivencia\/\" data-wpel-link=\"internal\">mutum-de-alagoas<\/a>\u00a0j\u00e1 voltou a colorir \u00e1reas da Mata Atl\u00e2ntica. A hist\u00f3ria de sucesso come\u00e7ou em 1979, quando o criador Pedro Nardelli resgatou cinco mutuns de uma \u00e1rea prestes a ser desmatada. Nos anos seguintes, uma rede que contou com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas e instituti\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios estados, como o Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo e a Crax \u2013 Sociedade de Pesquisa do Manejo e da Reprodu\u00e7\u00e3o da Fauna Silvestre, em Belo Horizonte (MG), conseguiu aumentar bastante o n\u00famero de animais existentes em cativeiro.<\/p>\n<p>\u201cForam muito importantes os trabalhos gen\u00e9ticos realizados, que tiveram foco no aconselhamento para os melhores acasalamentos, de modo a preservar o m\u00e1ximo poss\u00edvel da variabilidade gen\u00e9tica ao longo das gera\u00e7\u00f5es e aumentar os n\u00edveis de heterozigose do plantel\u201d, diz Mercival Roberto Francisco, bi\u00f3logo da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), uma das entidades envolvidas na reintrodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, finalmente, ap\u00f3s 40 anos, tr\u00eas casais de mutuns-de-alagoas foram soltos na Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Mata do Cedro, no munic\u00edpio de Rio Largo, pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Macei\u00f3.<\/p>\n<figure id=\"attachment_245086\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-245086\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-245086 \" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/5-4.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/5-4.jpg 800w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/5-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/5-4-600x401.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/5-4-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-245086\" class=\"wp-caption-text\">O mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), nativo da Mata Atl\u00e2ntica nordestina, voltou \u00e0 natureza em 2019. Foto: Crax Brasil\/divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entretanto, o trabalho de reintrodu\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 longe do fim. \u201cAs aves ser\u00e3o monitoradas, permanentemente, por r\u00e1dio transmissor. Precisamos acompanhar as principais informa\u00e7\u00f5es sobre a biologia da esp\u00e9cie e, tamb\u00e9m, evitar a ca\u00e7a e ou captura\u201d, revela Roberto Azeredo, da Crax.<\/p>\n<p>Garantir a seguran\u00e7a da \u00e1rea de soltura \u00e9 certamente um dos maiores desafios no processo de reintrodu\u00e7\u00e3o de qualquer animal. \u201cA ca\u00e7a ainda \u00e9 uma pr\u00e1tica muito comum em diversas partes do Brasil e no estado de Alagoas isto n\u00e3o \u00e9 diferente\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<p>Se tudo der certo, o plano \u00e9 introduzir mais tr\u00eas casais na natureza, por ano, at\u00e9 2024. \u201cDevido ao fato de n\u00e3o haver mais \u00e1reas cont\u00ednuas de Mata Atl\u00e2ntica no Nordeste brasileiro, muito possivelmente dever\u00e3o ser formadas algumas popula\u00e7\u00f5es em diferentes fragmentos de mata. Embora no momento ainda seja dif\u00edcil prever, acreditamos que um n\u00famero de 30 casais reprodutivos por \u00e1rea seria um n\u00famero seguro\u201d, prev\u00ea o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>A Crax tamb\u00e9m \u00e9 a respons\u00e1vel pelo trabalho feito em rela\u00e7\u00e3o a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wikiaves.com.br\/wiki\/mutum-de-bico-vermelho\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">outro mutum, o do bico-vermelho<\/a>. Essa lind\u00edssima ave, com o corpo negro, a crista imponente, e o bico chamativo, quase foi dizimada. Nos \u00faltimos 40 anos, a equipe de Azeredo conseguiu reproduzir centenas de indiv\u00edduos em cativeiro. Cerca de 400 deles j\u00e1 voltaram \u00e0 vida selvagem.<\/p>\n<p><em>Imagem do banner: Mutum-de-bico-vermelho (<\/em>Crax blumenbachii<em>). Foto: Leonardo Mer\u00e7on.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de pesquisadores analisou o impacto das a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o desde a Eco-92. 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