{"id":13843,"date":"2015-01-10T17:00:18","date_gmt":"2015-01-10T17:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13843"},"modified":"2015-01-10T12:29:29","modified_gmt":"2015-01-10T12:29:29","slug":"astronomos-flagram-buracos-negros-em-rota-de-colisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/astronomos-flagram-buracos-negros-em-rota-de-colisao\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos flagram buracos negros em rota de colis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13844\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os centros de quase todas as gal\u00e1xias, inclusive nossa Via L\u00e1ctea, abrigam buracos negros supermaci\u00e7os, objetos com massas equivalentes a milh\u00f5es e at\u00e9 bilh\u00f5es de vezes a do Sol cuja gravidade \u00e9 t\u00e3o poderosa que nem a luz pode escapar. E seus enormes tamanhos s\u00e3o creditados ao pr\u00f3prio processo de evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias. Ao colidirem e se fundirem umas com as outras, tamb\u00e9m o fazem seus buracos negros centrais, que assim v\u00e3o ficando cada vez maiores.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os astr\u00f4nomos detectaram v\u00e1rios destes pares de buracos negros em rota de colis\u00e3o, mas agora, pela primeira vez, uma dupla foi flagrada a ponto de se unir, numa observa\u00e7\u00e3o que pode ajudar a esclarecer o mist\u00e9rio do que acontece nos est\u00e1gios finais deste processo. \u00c9 o chamado \u201cproblema do parsec final\u201d, uma refer\u00eancia ao fracasso dos atuais modelos te\u00f3ricos em prever, por exemplo, como e em quanto tempo ocorre a fus\u00e3o definitiva destes buracos negros gigantes (\u201cparsec\u201d \u00e9 uma medida de dist\u00e2ncia astron\u00f4mica equivalente a cerca de 3,6 anos-luz).<\/p>\n<p>&#8211; Os est\u00e1gios finais da fus\u00e3o destes buracos negros supermaci\u00e7os s\u00e3o muito pouco compreendidos \u2013 conta Matthew Graham, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia (Caltech) e primeiro autor de artigo sobre a descoberta, publicado na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista \u201cNature\u201d. &#8211; A descoberta de um sistema que parece estar neste est\u00e1gio final de sua evolu\u00e7\u00e3o significa que agora temos uma ferramenta observacional do que est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>Mas como n\u00e3o deixam nem a luz escapar das garras de sua gravidade, os buracos negros n\u00e3o podem ser vistos diretamente. Felizmente para os astr\u00f4nomos, por\u00e9m, boa parte deles est\u00e1 cercada por nuvens circulantes de material, chamadas discos de acre\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o aceleradas a altas velocidades \u00e0 medida que s\u00e3o puxadas por eles, num processo que libera enormes quantidades de energia na forma de calor e radia\u00e7\u00e3o, como poderosos raios-X e gama e mesmo luz vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando isto acontece em um buraco negro supermaci\u00e7o, o resultado \u00e9 chamado de quasar, um objeto t\u00e3o brilhante ao longo do espectro eletromagn\u00e9tico que chega a suplantar o brilho de todas as estrelas da gal\u00e1xia que o hospeda e pode ser detectado a grandes dist\u00e2ncias no Universo. E foi justamente em um destes quasares, batizado PG 1302-102 e localizado a cerca de 3,5 bilh\u00f5es de anos-luz da Terra, que cientistas detectaram sinais peri\u00f3dicos que indicam a exist\u00eancia de dois buracos negros gigantes nos passos derradeiros desta dan\u00e7a c\u00f3smica de uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 agora, os \u00fanicos exemplos conhecidos de buracos negros supermaci\u00e7os a caminho de se fundirem estavam separados por dezenas a centenas de milhares de anos-luz \u2013 destaca Daniel Stern, cientista do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa e um dos coautores do estudo. &#8211; A estas vastas dist\u00e2ncias, levaria muitos milh\u00f5es de anos, ou at\u00e9 bilh\u00f5es de anos, para uma colis\u00e3o e fus\u00e3o acontecer. J\u00e1 os buracos negros no PG 1302-102 est\u00e3o, no m\u00e1ximo, alguns cent\u00e9simos de ano-luz distantes um do outro e podem se fundir em cerca de 1 milh\u00e3o de anos ou menos.<\/p>\n<p>Liderados por George Djorgovski, professor de astronomia do Caltech, os pesquisadores encontraram os sinais incomuns emitidos pelo quasar nos dados do Levantamento em Tempo Real de Transi\u00e7\u00f5es Catalina (CRTS, na sigla em ingl\u00eas), programa de observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas que usa tr\u00eas telesc\u00f3pios nos EUA e na Austr\u00e1lia para monitorar continuamente cerca de 500 milh\u00f5es de objetos celestes espalhados por cerca de 80% do c\u00e9u noturno. Segundo Djorgovski, tamb\u00e9m diretor do CRTS, isso permitiu acumular uma quantidade in\u00e9dita de informa\u00e7\u00f5es sobre as varia\u00e7\u00f5es no brilho de 250 mil quasares com centenas de pontos de dados sobre cada um deles.<\/p>\n<p>&#8211; Os quasares s\u00e3o valiosas fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias e de seus buracos negros centrais \u2013 explica ele.<\/p>\n<p>Djorgovski e sua equipe, no entanto, n\u00e3o estavam buscando flagrar uma fus\u00e3o de buracos negros. Sua inten\u00e7\u00e3o inicial era fazer um estudo sistem\u00e1tico das varia\u00e7\u00f5es no brilho dos quasares na esperan\u00e7a de encontrar novas pistas sobre a f\u00edsica em torno destes poderosos objetos. Mas depois de peneirarem os dados usando um algoritmo de busca de padr\u00f5es desenvolvido por Graham, eles encontraram 20 quasares que pareciam emitir sinais \u00f3ticos peri\u00f3dicos. Os achados surpreenderam os cientistas, j\u00e1 que as curvas de luz de quasares costumam ser ca\u00f3ticas, reflexo da natureza rand\u00f4mica com que o material dos discos de acre\u00e7\u00e3o \u00e9 consumido pelos buracos negros.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea simplesmente n\u00e3o espera ver um sinal peri\u00f3dico vindo de um quasar e, quando isso acontece, ele se destaca \u2013 lembra Graham.<\/p>\n<p>Dos 20 \u201cquasares peri\u00f3dicos\u201d identificados pelo CRTS, o PG 1302-102 foi o melhor exemplo deste processo, com um sinal forte que parecia se repetir aproximadamente a cada cinco anos.<\/p>\n<p>&#8211; Ele tem um belo e suave sinal para cima e para baixo similar a uma onda senoidal, e isso simplesmente nuca tinha sido visto antes em um quasar \u2013 acrescenta Graham.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, os cientistas encararam com ceticismo a descoberta, j\u00e1 que havia a possibilidade de que os sinais peri\u00f3dicos fossem apenas uma aparente ordem tempor\u00e1ria em um sistema de outra forma ca\u00f3tico. Eles ent\u00e3o buscaram dados sobre o quasar vindos de outros levantamentos astron\u00f4micos, encontrando a mesma repeti\u00e7\u00e3o no hist\u00f3rico de observa\u00e7\u00f5es do quasar. Depois disso, sua confian\u00e7a foi refor\u00e7ada pela an\u00e1lise do espectro da luz emitida pelo plasma superaquecido do disco de acre\u00e7\u00e3o em torno do PG 1302-102.<\/p>\n<p>&#8211; Quando voc\u00ea observa as linhas de emiss\u00e3o no espectro de um objeto, o que voc\u00ea est\u00e1 vendo realmente s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre velocidade, isto \u00e9, se algo est\u00e1 se movendo na sua dire\u00e7\u00e3o ou se afastando e o qu\u00e3o r\u00e1pido. \u00c9 o efeito Doppler &#8211; explica Eilat Glikman, professor de f\u00edsica da Faculdade Middlebury, no estado americano de Vermont, respons\u00e1vel por esta an\u00e1lise. &#8211; Com quasares, tipicamente temos apenas uma linha de emiss\u00e3o em uma curva sim\u00e9trica. Mas neste quasar foi preciso acrescentar uma segunda linha de emiss\u00e3o com uma velocidade ligeiramente diferente da do primeiro para que os dados se encaixassem. Isto sugere que algo mais, como um segundo buraco negro, est\u00e1 perturbando este sistema.<\/p>\n<p>Avi Loeb, chefe do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, que n\u00e3o participou do estudo, concorda com a conclus\u00e3o de Djorgovski e sua equipe de que os sinais peri\u00f3dicos que eles detectaram s\u00e3o provenientes de um sistema bin\u00e1rio de buracos negros muito pr\u00f3ximos um do outro.<\/p>\n<p>&#8211; As evid\u00eancias sugerem que as emiss\u00f5es se origin<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os centros de quase todas as gal\u00e1xias, inclusive nossa Via L\u00e1ctea, abrigam buracos negros supermaci\u00e7os,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13844,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/buraco_negro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os centros de quase todas as gal\u00e1xias, inclusive nossa Via L\u00e1ctea, abrigam buracos negros supermaci\u00e7os,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13843"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13843\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}