{"id":138295,"date":"2020-12-15T17:34:04","date_gmt":"2020-12-15T20:34:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138295"},"modified":"2020-12-15T22:38:39","modified_gmt":"2020-12-16T01:38:39","slug":"pesquisadores-encontram-quatro-novas-especies-de-peixe-em-fernando-de-noronha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-encontram-quatro-novas-especies-de-peixe-em-fernando-de-noronha\/","title":{"rendered":"Pesquisadores encontram quatro novas esp\u00e9cies de peixe em Fernando de Noronha"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/peixes.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138296\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/peixes-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/peixes-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/peixes.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os animais estavam em um local inexplorado da ilha, onde a pesca \u00e9 permitida. Segundo pesquisador, a taxa de descoberta \u00e9 de uma a tr\u00eas esp\u00e9cies por hora de expedi\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<p>Nem s\u00f3 de paisagens paradis\u00edacas e festas de fim de ano vive Fernando de Noronha. Cientistas da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) encontraram\u00a0quatro esp\u00e9cies de peixes nunca antes descritas, al\u00e9m de outras 15 j\u00e1 conhecidas, mas que ainda n\u00e3o haviam sido registradas no arquip\u00e9lago.<\/p>\n<p>Os quatro moradores rec\u00e9m apresentados de Noronha s\u00e3o o Peixe Lagarto (<i>Synodus sp.<\/i>)<i>,\u00a0<\/i>o Peixe Pedra (<i>Scorpaena sp.<\/i>)<i>,\u00a0<\/i>a Maria da Toca Pequena (<i>Psilotris sp.<\/i>)<i>\u00a0<\/i>e o Peixe Afrodite (<i>Tosanoides sp<\/i>.). O artigo detalhado foi publicado nesta segunda-feira (14), na revista cient\u00edfica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ni.bio.br\/v18n4\/1982-0224-2020-0050\/\"><i>Neotropical Ichthyology<\/i><\/a>.<\/p>\n<p>O arquip\u00e9lago pernambucano \u00e9 um ber\u00e7o de esp\u00e9cies marinhas, que s\u00e3o protegidas pelo Parque Nacional da Ilha. No entanto, as \u00e1reas mais profundas do oceano est\u00e3o fora do per\u00edmetro do santu\u00e1rio ecol\u00f3gico. A pesca \u00e9 permitida por l\u00e1, o que faz com que algumas esp\u00e9cies diminuam em popula\u00e7\u00e3o antes mesmo de serem descritas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Por conta disso, um grupo de pesquisadores da UFES e da Academia de Ci\u00eancias da Calif\u00f3rnia, em parceria com a ONG Voz da Natureza e outras universidades brasileiras, decidiram explorar a regi\u00e3o mais profunda de Noronha, para al\u00e9m da plataforma continental.<\/p>\n<p>Os mergulhadores ultrapassaram a regi\u00e3o dos recifes rasos, onde os corais se posicionam horizontalmente, a entrada de luz solar \u00e9 mais intensa e a temperatura fica em torno dos 26 \u00baC. Na expedi\u00e7\u00e3o, os cientistas chegaram a 100 metros de profundidade, atingindo uma regi\u00e3o duas vezes mais fria e com baixa luminosidade, onde o recife se posiciona de forma vertical. Veja a foto abaixo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_316294\" class=\"wp-caption aligncenter \" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-316294 \" title=\"Novos peixes descobertos em Fernando de Noronha\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/peixe-noronha_site2.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"Mergulhador iluminando corais.\" width=\"640\" height=\"426\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Mauritius V. Bell\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A expedi\u00e7\u00e3o, que durou 16 dias, registrou ocorr\u00eancia in\u00e9dita de 19 novas esp\u00e9cies na regi\u00e3o, sendo quatro delas nunca antes descritas pela ci\u00eancia. Mauritius V. Bell\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para possibilitar a explora\u00e7\u00e3o, o time de pesquisadores se dividiu em tr\u00eas embarca\u00e7\u00f5es diferentes. A primeira se manteve no ambiente mais raso, a segunda realizou mergulhos t\u00e9cnicos no ambiente profundo e a terceira trabalhou com um ROV (ve\u00edculo submarino operado remotamente) para captar imagens dos animais que viviam nas profundezas.<\/p>\n<p>A vida marinha nesse ambiente ainda n\u00e3o havia sido explorada \u2013 muito pela dificuldade de encontrar equipamentos t\u00e9cnicos que permitam a respira\u00e7\u00e3o dos mergulhadores nessa profundidade. Os aparatos convencionais permitem um mergulho de, no m\u00e1ximo, 50 metros de profundidade. Para essa miss\u00e3o, os pesquisadores usaram um\u00a0<em>rebreather<\/em>, apetrecho que filtra CO2 e recicla o ar que est\u00e1 sendo respirado. Essa tecnologia permite mergulhos de at\u00e9 seis horas em altas profundidades.<\/p>\n<p>Os cientistas estavam confiantes de que encontrariam novas esp\u00e9cies pelo arquip\u00e9lago. Hudson Pinheiro, autor do estudo, explicou que descobertas semelhantes j\u00e1 haviam ocorrido em outras expedi\u00e7\u00f5es nas quais ele participou, como na Cadeia Vit\u00f3ria \u2013 Trindade e no Arquip\u00e9lago de S\u00e3o Paulo e S\u00e3o Pedro. \u201cA taxa de descoberta \u00e9 de uma a tr\u00eas esp\u00e9cies por hora de explora\u00e7\u00e3o nesse tipo de ambiente, ent\u00e3o, sim, est\u00e1vamos otimistas e sab\u00edamos que era a primeira vez que aquele local estava sendo explorado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Mas o estudo n\u00e3o se resume \u00e0 descoberta de novas esp\u00e9cies. A equipe tamb\u00e9m conversou com os moradores locais. \u201cN\u00f3s ouvimos relatos dos pr\u00f3prios pescadores. Eles disseram que algumas esp\u00e9cies de peixes recifais, que est\u00e3o no ambiente profundo, diminuem e somem de vez em quando\u201d, conta Pinheiro. O cientista explicou que as popula\u00e7\u00f5es de animais marinhos que vivem na ilha n\u00e3o migram de outros lugares \u2013 ou seja, elas se mant\u00eam e se reproduzem apenas naquele ambiente. O \u201csumi\u00e7o\u201d dos peixes pode ser resultado da pesca.<\/p>\n<p>\u201cO ideal \u00e9 que, assim como no raso, tenha uma zona de prote\u00e7\u00e3o para que os peixes possam crescer, se reproduzir e manter a popula\u00e7\u00e3o da ilha vi\u00e1vel, gerando um desenvolvimento sustent\u00e1vel da atividade pesqueira em Noronha. Essa \u00e9 nossa proposta\u201d, relatou o cientista.<\/p>\n<p>Durante a expedi\u00e7\u00e3o, os pesquisadores observaram o comportamento de reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie garoupa marmoreada no ambiente profundo. Conhecer os ambientes e \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies \u00e9 importante para que pol\u00edticas de preserva\u00e7\u00e3o sazonais sejam criadas nessas \u00e1reas, evitando a pesca em determinados per\u00edodos do ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de abrir precedentes para que a atividade comercial se torne mais sustent\u00e1vel, o estudo indica ainda que os pescadores devem ter um cuidado extra com seus materiais. Noronha j\u00e1 extinguiu o uso de pl\u00e1sticos na ilha. Os \u00fanicos permitidos s\u00e3o de embalagens que carregam condimentos de Pernambuco ao Arquip\u00e9lago. Mesmo assim, os mergulhadores encontraram alguns pl\u00e1sticos, linhas de pesca e cordas no ambiente mais profundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os animais estavam em um local inexplorado da ilha, onde a pesca \u00e9 permitida. 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