{"id":138272,"date":"2020-12-14T16:26:21","date_gmt":"2020-12-14T19:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138272"},"modified":"2020-12-14T16:27:11","modified_gmt":"2020-12-14T19:27:11","slug":"novo-metodo-estabelece-areas-mais-adequadas-para-o-manejo-do-mico-leao-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/novo-metodo-estabelece-areas-mais-adequadas-para-o-manejo-do-mico-leao-preto\/","title":{"rendered":"Novo m\u00e9todo estabelece \u00e1reas mais adequadas para o manejo do mico-le\u00e3o-preto"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138273\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O mico-le\u00e3o-preto (<i>Leontopithecus chrysopygus<\/i>) j\u00e1 habitou boa parte das florestas do Estado de S\u00e3o Paulo, mas atualmente ocupa apenas alguns fragmentos da Mata Atl\u00e2ntica remanescente. Nos \u00faltimos anos, ap\u00f3s v\u00e1rios estudos sobre a esp\u00e9cie end\u00eamica do Estado, o Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas (IP\u00ca) translocou alguns grupos para \u00e1reas onde o animal havia desaparecido. Novas iniciativas nesse sentido t\u00eam agora mais um refor\u00e7o.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores do IP\u00ca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) cruzou uma s\u00e9rie de dados clim\u00e1ticos e de cobertura vegetal (paisagem) para determinar os locais mais adequados para a vida dos animais, o que pode dar suporte a novas transloca\u00e7\u00f5es \u2013 quando um grupo \u00e9 retirado de um local onde h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e transferido para uma \u00e1rea em que deixou de existir.<\/p>\n<p>O estudo, apoiado pela FAPESP, foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ajp.23202\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0no\u00a0<i>American Journal of Primatology<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cUsamos dados clim\u00e1ticos e da paisagem para tentar prever quais \u00e1reas, dentro da distribui\u00e7\u00e3o original do mico-le\u00e3o-preto, s\u00e3o adequadas para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. Os modelos mais usados hoje normalmente usam apenas dados clim\u00e1ticos. A novidade do trabalho foi juntar esses dados aos da paisagem. A abordagem permite identificarmos as \u00e1reas teoricamente mais adequadas e comparar com aquelas em que realmente os animais se encontram\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/88218\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Laurence Culot<\/a><\/strong>, professora do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) da Unesp, em Rio Claro, e coordenadora do estudo.<\/p>\n<p>A pesquisadora lidera o projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/88832\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O efeito da fragmenta\u00e7\u00e3o sobre as fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas dos primatas<\/a><\/strong>\u201d, financiado pela FAPESP. O estudo tem como primeira autora\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/76608\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gabriela Cabral Rezende<\/a><\/strong>, que realizou o trabalho como parte de seu doutorado no IB-Unesp, com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/184832\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolsa da FAPESP<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Originalmente habitando uma longa faixa longitudinal entre as regi\u00f5es sudoeste e central do Estado, o mico-le\u00e3o-preto \u00e9 hoje considerado em perigo de extin\u00e7\u00e3o. O modelo criado pelos pesquisadores mostrou que, atualmente, uma \u00e1rea de apenas 2.096 quil\u00f4metros quadrados (km2) \u00e9 adequada para a vida da esp\u00e9cie, sendo que os animais est\u00e3o presentes em apenas 40% dela. Originalmente, esse territ\u00f3rio se estendia por 92.239 km2. O mico-le\u00e3o-preto, portanto, ocupa hoje menos de 1% da sua \u00e1rea original de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsses n\u00fameros s\u00e3o bastante alarmantes, mas ao mesmo tempo nos d\u00e3o uma perspectiva de que existem \u00e1reas adequadas onde a esp\u00e9cie n\u00e3o est\u00e1 presente atualmente. Com base nessas informa\u00e7\u00f5es, tra\u00e7amos estrat\u00e9gias mais direcionadas\u201d, afirma Rezende.<\/p>\n<p><b>Restaura\u00e7\u00e3o florestal\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Para determinar as \u00e1reas mais adequadas para a esp\u00e9cie, os pesquisadores utilizaram uma metodologia que cruzou dados dos locais onde h\u00e1 popula\u00e7\u00f5es dos animais hoje, com dados clim\u00e1ticos e da paisagem atual da \u00e1rea originalmente ocupada pela esp\u00e9cie. O modelo apontou mais \u00e1reas adequadas do ponto de vista clim\u00e1tico do que da paisagem, como nas regi\u00f5es do Pontal do Paranapanema, no sudoeste do Estado, e do Alto Paranapanema, no sudeste.<\/p>\n<p>\u201cEstas \u00e1reas deveriam ser priorizadas para restaura\u00e7\u00e3o florestal, a fim de conectar os remanescentes de floresta onde a esp\u00e9cie est\u00e1 presente, favorecendo inclusive outros animais\u201d, diz Culot.<\/p>\n<p>\u00c1reas adequadas tanto do ponto de vista clim\u00e1tico quanto da paisagem, por sua vez, s\u00e3o as maiores candidatas para receberem iniciativas de transloca\u00e7\u00e3o, uma vez que os grupos que forem ali introduzidos ter\u00e3o muito mais chances de compor popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis ecol\u00f3gica e geneticamente. Tanto a sudoeste quanto a sudeste do Estado, algumas \u00e1reas se enquadraram nesse crit\u00e9rio, indicando essas regi\u00f5es como de maior prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Os pesquisadores chamam a aten\u00e7\u00e3o, ainda, para a necessidade de se pensar locais que seriam adequados para os micos no cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, previsto para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Um\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ajp.22247\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a><\/strong>\u00a0de outro grupo j\u00e1 apontou que uma \u00e1rea ao sul de onde atualmente habita uma popula\u00e7\u00e3o, na Serra de Paranapiacaba, sofrer\u00e1 mudan\u00e7as que a tornar\u00e3o mais adequada climaticamente \u00e0 ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie nos pr\u00f3ximos 30 a 60 anos.<\/p>\n<p>Por se tratar de um grande maci\u00e7o de floresta, o local foi indicado pelo estudo atual como altamente adequado em termos de paisagem. Portanto, a \u00e1rea apresenta grande potencial de abrigar popula\u00e7\u00f5es de micos no futuro e garantir sua viabilidade.<\/p>\n<p>O mico-le\u00e3o-preto \u00e9 conhecido por ter uma certa plasticidade, podendo adaptar-se a mudan\u00e7as no clima e na paisagem, embora n\u00e3o se saiba com precis\u00e3o o quanto isso afeta sua fisiologia. A esp\u00e9cie pode ter dietas mais baseadas em frutas ou em pequenos vertebrados, dependendo da disponibilidade. Pode, ainda, mover-se por cerca de 180 metros no ch\u00e3o, entre um fragmento de floresta e outro, embora com isso os indiv\u00edduos corram mais risco de serem atropelados, predados ou atacados por animais dom\u00e9sticos. A esp\u00e9cie tem ainda um importante papel na regenera\u00e7\u00e3o florestal, dispersando sementes que passam intactas pelo trato digestivo.<\/p>\n<p>Para as pesquisadoras, num cen\u00e1rio em que os recursos para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o cada vez mais escassos, a prioriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas e o direcionamento de estrat\u00e9gias ganham ainda mais relev\u00e2ncia, por tornar as a\u00e7\u00f5es mais custo-efetivas.<\/p>\n<p>\u201cEsse trabalho mostra como os modelos te\u00f3ricos podem ser usados de forma pr\u00e1tica para subsidiar o planejamento de pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o, aumentando as chances de sucesso de tais medidas. Apesar de seu direcionamento a uma esp\u00e9cie espec\u00edfica, a abordagem representa uma ferramenta poderosa que pode ser utilizada no estabelecimento de prioridades de conserva\u00e7\u00e3o para outras esp\u00e9cies.\u201d<\/p>\n<p>O artigo Integrating climate and landscape models to prioritize areas and conservation strategies for an endangered arboreal primate, de Gabriela Cabral Rezende, Thadeu Sobral-Souza e Laurence Culot, pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ajp.23202\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ajp.23202<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mico-le\u00e3o-preto (Leontopithecus chrysopygus) j\u00e1 habitou boa parte das florestas do Estado de S\u00e3o Paulo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138273,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mico_leao_dourado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O mico-le\u00e3o-preto (Leontopithecus chrysopygus) j\u00e1 habitou boa parte das florestas do Estado de S\u00e3o Paulo,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138272"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138272"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138274,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138272\/revisions\/138274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}