{"id":138181,"date":"2020-12-10T15:00:29","date_gmt":"2020-12-10T18:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138181"},"modified":"2020-12-10T08:43:22","modified_gmt":"2020-12-10T11:43:22","slug":"amazonia-se-deteriorou-em-oito-anos-mostra-analise-inedita-feita-em-nove-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/amazonia-se-deteriorou-em-oito-anos-mostra-analise-inedita-feita-em-nove-paises\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia se deteriorou em oito anos, mostra an\u00e1lise in\u00e9dita feita em nove pa\u00edses"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-138182 size-medium\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O desmatamento, as queimadas e a minera\u00e7\u00e3o ilegal aumentaram nos \u00faltimos oito anos, sinalizando o avan\u00e7o da devasta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e uma tend\u00eancia que n\u00e3o mostra sinais de revers\u00e3o, segundo o novo Atlas de Raisg.<\/em><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"wp-caption alignnone\" style=\"width: 639px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/galleryformatter_slide\/public\/nsa\/rs64413.jpg?itok=kE_SSdyP\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Uma queimada de grande porte em \u00e1rea de desmatamento e vista as margens da rodovia BR-230 no munic\u00edpio de Apu\u00ed, Amazonas | Bruno Kelly-Amaz\u00f4nia Real- 10\/08\/2020<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>O avan\u00e7o das atividades extrativas, dos projetos de infraestrutura, inc\u00eandios, do desmatamento e da perda de carbono indicam que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 muito mais amea\u00e7ada do que h\u00e1 oito anos. O novo Atlas Amaz\u00f4nia Sob Press\u00e3o da Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (Raisg), lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (08\/12), faz uma radiografia das principais amea\u00e7as que pairam sobre a maior floresta tropical do mundo e o avan\u00e7o da sua deteriora\u00e7\u00e3o. A boa not\u00edcia \u00e9 que os territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas continuam a ser um escudo contra a devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas, 7% do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico est\u00e1 sob press\u00e3o \u201cmuito alta\u201d e 26%, \u201calta\u201d. As \u00e1reas de maior press\u00e3o est\u00e3o localizadas nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas do bioma, em \u00e1reas montanhosas e de piemonte localizadas na Amaz\u00f4nia Ocidental, principalmente no Equador, no norte da Venezuela e no sul da Amaz\u00f4nia brasileira. As informa\u00e7\u00f5es geradas neste Atlas podem facilitar a gest\u00e3o da regi\u00e3o por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas abrangentes que levem em considera\u00e7\u00e3o a conectividade ambiental e clim\u00e1tica de todo o territ\u00f3rio, conectividade que transcende as fronteiras dos pa\u00edses que a compartilham.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez desde 2012 que a Raisg decide reunir todos os seus grupos t\u00e9cnicos para trabalhar um retrato completo da situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. O Atlas foi atualizado a partir do trabalho de 10 grupos t\u00e9cnicos que geraram 23 mapas que mostram a situa\u00e7\u00e3o de toda a regi\u00e3o, al\u00e9m de dezenas de gr\u00e1ficos e tabelas informativas que facilitam o entendimento da complexidade socioambiental da regi\u00e3o, seus conflitos, press\u00f5es, amea\u00e7as, bem como sua import\u00e2ncia para a Am\u00e9rica do Sul e o planeta.<\/p>\n<h3>O principal sintoma: desmatamento<\/h3>\n<p>Embora 2003 continue sendo o pior ano para as florestas amaz\u00f4nicas desde 2000, com uma perda total de 49.240 km2, o desmatamento tem se acelerado desde 2012, ap\u00f3s atingir o m\u00ednimo em 2010 (17.674 km2). A \u00e1rea perdida a cada ano triplicou entre 2015 e 2018. S\u00f3 em 2018, 31.269 km2 foram desmatados em toda a Amaz\u00f4nia, o maior desmatamento anual desde o pico em 2003.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2018, o avan\u00e7o do desmatamento na regi\u00e3o amaz\u00f4nica acumulou a perda de 513.016 km2 de floresta nativa, um territ\u00f3rio equivalente \u00e0 \u00e1rea da Espanha, 8% da \u00e1rea total de 6,3 milh\u00f5es de km2 de floresta que existia em 2000.<\/p>\n<p>A realidade regional pode ser diferente da nacional(2) em cada pa\u00eds amaz\u00f4nico. A tend\u00eancia descrita para toda a Amaz\u00f4nia \u00e9 fortemente determinada pela situa\u00e7\u00e3o do Brasil, que concentra 61,8% do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico. Al\u00e9m do Brasil, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia s\u00e3o os pa\u00edses que mais imitaram essas tend\u00eancias nos \u00faltimos anos, com um desmatamento total de 425.051, 31.878 e 20.515 km2, respectivamente. Os demais pa\u00edses n\u00e3o apresentam tend\u00eancias claras de crescimento ou diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Escudos contra o desmatamento<\/h3>\n<p>A Amaz\u00f4nia possui instrumentos nacionais e locais de gest\u00e3o sustent\u00e1vel de seus ecossistemas. Esses instrumentos variam de pa\u00eds para pa\u00eds em termos jur\u00eddicos e grau de reconhecimento pelos Estados. A Raisg os classifica para suas an\u00e1lises em \u00c1reas Naturais Protegidas (ANP \u2013 voltadas principalmente para a preserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas) e em Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas (TI \u2013 voltados para a preserva\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas amaz\u00f4nicas). A efic\u00e1cia desses territ\u00f3rios como barreiras ao avan\u00e7o do desmatamento pode ser avaliada com base nas conclus\u00f5es da Raisg.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel regional, a maior parte do desmatamento (87,5%) detectado entre 2000 e 2018 ocorreu fora dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas naturais protegidas. Essa tend\u00eancia se mant\u00e9m para todos os pa\u00edses. Esses dados evidenciam que os instrumentos de gest\u00e3o territorial para fins conserva\u00e7\u00e3o e o manejo ind\u00edgena das florestas constituem mecanismos eficazes para a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>No entanto, existem diferen\u00e7as nesta efic\u00e1cia entre os pa\u00edses, evidenciando a necessidade de pol\u00edticas transfronteiri\u00e7as para a gest\u00e3o da Amaz\u00f4nia na escala regional. Brasil, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e Venezuela devem dedicar especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s ANP e TI amaz\u00f4nicos, pois eles apresentam maior vulnerabilidade a partir de 2015, \u00e0 medida que o desmatamento, a minera\u00e7\u00e3o ilegal e os inc\u00eandios se tornam mais comuns dentro de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<h3>Explos\u00e3o do garimpo ilegal<\/h3>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma press\u00e3o constante na Amaz\u00f4nia h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas e \u00e9 uma das causas do desmatamento, da polui\u00e7\u00e3o e dos conflitos sociais que mais preocupa. Amaz\u00f4nia Sob Press\u00e3o tamb\u00e9m apresenta dados atualizados at\u00e9 2020 sobre a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, que mostra uma tend\u00eancia de aumento da atividade, especialmente do garimpo ilegal.<\/p>\n<p>Foram identificadas 4.472 localidades desta atividade il\u00edcita. A maior parte (83%) impacta v\u00e1rios hectares ou os rios amaz\u00f4nicos diretamente. Mais da metade desses pontos est\u00e3o no Brasil (53,8%), mas deve-se notar que 32% deles est\u00e3o na Venezuela, pa\u00eds que cont\u00e9m apenas 5,6% de todo o territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia. A Venezuela tamb\u00e9m \u00e9 o pa\u00eds com a maior propor\u00e7\u00e3o de TI e ANP afetada pelo garimpo ilegal. Em toda a Amaz\u00f4nia, s\u00e3o 664 TI e 129 ANP com presen\u00e7a de atividades il\u00edcitas de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Queimadas<\/h3>\n<p>Embora um inc\u00eandio n\u00e3o implique necessariamente em desmatamento, o aumento da incid\u00eancia anual de inc\u00eandios e queimadas aumenta a press\u00e3o nesse sentido. O Atlas relata esse processo que revela a vulnerabilidade da regi\u00e3o, considerando que 13% da superf\u00edcie da Amaz\u00f4nia queimou, pelo menos uma vez, desde 2001; ou seja, 1,1 milh\u00e3o de km2 foram afetados. Essa \u00e1rea \u00e9 compar\u00e1vel, em extens\u00e3o, ao territ\u00f3rio de toda a Bol\u00edvia, pa\u00eds que coincidentemente \u00e9 o mais atingido pelo fen\u00f4meno, com at\u00e9 27% de seu territ\u00f3rio amaz\u00f4nico afetado. Em m\u00e9dia, a cada ano desde 2001, 169.000 km2 da Amaz\u00f4nia foram queimados, 26.000 deles dentro de ANP e 35.000 dentro de TI.<\/p>\n<h3>Trabalho de longo prazo<\/h3>\n<p>As an\u00e1lises da Raisg fazem parte de um trabalho cont\u00ednuo de avalia\u00e7\u00e3o das press\u00f5es e amea\u00e7as \u00e0 Amaz\u00f4nia. Assim, constituem uma das s\u00e9ries de dados mais precisas publicadas at\u00e9 o momento sobre a perda de cobertura vegetal no conjunto mais extenso e biodiverso de ecossistemas terrestres tropicais do planeta.<\/p>\n<p>Os estudos s\u00e3o realizados, sob metodologias padronizadas, por profissionais dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos capazes de adequar os procedimentos considerando as realidades locais. As avalia\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, que incorporam a experi\u00eancia local, s\u00e3o fundamentais para a compreens\u00e3o do estado do patrim\u00f4nio ecossist\u00eamico da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, bem como para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o baseadas em evid\u00eancias. A conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia implica na preserva\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios ambientais que proporciona a todo o continente, favorecendo o bem-estar e o desenvolvimento sustent\u00e1vel de seus 35 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Dados podem ser consultados publicamente e com mais detalhes nos seguintes endere\u00e7os:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/mineria.amazoniasocioambiental.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Mapa de minera\u00e7\u00e3o ilegal<br \/>\n<\/a><a href=\"https:\/\/www.amazoniasocioambiental.org\/pt-br\/mapas\/#download\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Dados cartogr\u00e1ficos para download<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento, as queimadas e a minera\u00e7\u00e3o ilegal aumentaram nos \u00faltimos oito anos, sinalizando o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":138182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/queimada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O desmatamento, as queimadas e a minera\u00e7\u00e3o ilegal aumentaram nos \u00faltimos oito anos, sinalizando o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=138181"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":138184,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/138181\/revisions\/138184"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/138182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=138181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=138181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=138181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}