{"id":138101,"date":"2020-12-08T12:20:01","date_gmt":"2020-12-08T15:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=138101"},"modified":"2020-12-08T12:20:01","modified_gmt":"2020-12-08T15:20:01","slug":"vespas-assassinas-chegaram-aos-estados-unidos-o-que-voce-precisa-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vespas-assassinas-chegaram-aos-estados-unidos-o-que-voce-precisa-saber\/","title":{"rendered":"\u2018Vespas assassinas\u2019 chegaram aos Estados Unidos \u2013 o que voc\u00ea precisa saber"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/vespas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-138102\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/vespas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/vespas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/vespas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A maior vespa do mundo foi vista no estado de Washington, mas n\u00e3o h\u00e1 motivo para p\u00e2nico \u2013 medidas j\u00e1 est\u00e3o sendo tomadas para impedir sua prolifera\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>DUAS VESPAS INCOMUNS \u2013 de tom laranja e preto e ferr\u00f5es longos \u2013 foram vistas pr\u00f3ximo de Blaine, no estado americano de Washington, no fim de 2019. Investiga\u00e7\u00f5es posteriores revelaram se tratar de vespas-mandarinas, as maiores vespas do mundo com quase cinco cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n<p>Os cientistas temem que essas vespas se espalhem por todo o estado de Washington e para outros lugares, representando um perigo para as abelhas dos Estados Unidos \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2017\/10\/o-que-acontece-se-abelhas-desaparecerem\">que j\u00e1 est\u00e3o em decl\u00ednio<\/a>\u00a0\u2013 e para os humanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe como os insetos foram parar nos Estados Unidos. Mas sua chegada serviu como alerta e os insetos come\u00e7aram a ser divulgados nas redes sociais como \u201cvespas assassinas\u201d. Essas predadoras, nativas do Leste da \u00c1sia e do Jap\u00e3o, s\u00e3o conhecidas por dizimar col\u00f4nias de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/\">abelhas<\/a>.<\/p>\n<p>Sabe-se que o veneno t\u00f3xico liberado por seus ferr\u00f5es pode matar pessoas em seus\u00a0<em>habitats<\/em>\u00a0naturais: no Jap\u00e3o, uma m\u00e9dia de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/15563650701664871\">30 a 50 pessoas por ano<\/a>\u00a0morrem ap\u00f3s serem picadas por vespas. Em 2013, quando as popula\u00e7\u00f5es de vespas eram extraordinariamente altas,\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2013\/10\/04\/enxames-de-vespas-gigantes-deixam-42-mortos-na-china.htm\">42 pessoas morreram em uma \u00fanica prov\u00edncia chinesa<\/a>\u00a0ap\u00f3s serem picadas. Os incidentes mais graves acontecem quando as pessoas se aproximam ou mexem nas colmeias dos insetos.<\/p>\n<p>Esses insetos \u201cs\u00e3o formid\u00e1veis\u201d, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Chris_Looney\">Chris Looney<\/a>, entomologista do Departamento de Agricultura do estado de Washington. \u201cEstou muito preocupado.\u201d<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Looney recomenda uma certa cautela, a come\u00e7ar pelo apelido de \u201cvespa assassina\u201d. Ele nunca tinha ouvido essa express\u00e3o at\u00e9 que a imprensa recentemente come\u00e7ou a divulgar o inseto dessa forma \u2013 e ele n\u00e3o gostou disso.<\/p>\n<p>\u201cEu me preocupo que o medo que as pessoas j\u00e1 sentem de insetos seja algo infundado\u201d, diz Looney. Mas ele admite haver um lado positivo nesse r\u00f3tulo aterrorizante: \u201cParece ter chamado a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. S\u00f3 espero que as mat\u00e9rias sensacionalistas sobre a &#8216;vespa assassina&#8217; nos ajudem a entender um pouco mais sobre os nossos ecossistemas\u201d.<\/p>\n<h3><strong>Comedoras vorazes<\/strong><\/h3>\n<p>At\u00e9 o momento, os pesquisadores n\u00e3o sabem como as vespas chegaram. Looney diz que a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel \u00e9 que elas tenham ficado presas acidentalmente em cont\u00eaineres vindos de pa\u00edses de onde s\u00e3o nativas.<\/p>\n<p>Uma colmeia inteira do inseto foi encontrada e destru\u00edda no final de 2019 nas proximidades de Nanaimo, no Canad\u00e1. Mas testes gen\u00e9ticos sugerem que essas vespas gigantes tenham sido introduzidas em momentos diferentes.<\/p>\n<p>As vespas-mandarinas do Jap\u00e3o e do Leste da \u00c1sia j\u00e1 se estabeleceram como esp\u00e9cies invasoras em outros pa\u00edses, como na Coreia do Sul. Essas vespas sociais formam col\u00f4nias compostas por uma rainha e diversas oper\u00e1rias, que podem voar cerca de nove quil\u00f4metros ou mais a partir da colmeia em busca de alimento. Elas se alimentam de diversos tipos de insetos, mas parecem preferir as abelhas.<\/p>\n<p>Ao encontrar as presas, o ataque come\u00e7a com uma \u201cetapa de abate\u201d, na qual elas utilizam suas grandes mand\u00edbulas para arrancar a cabe\u00e7a das abelhas, explica Looney. Em 90 minutos, um pequeno grupo de vespas-mandarinas pode destruir uma col\u00f4nia inteira de oper\u00e1rias dessa maneira, diz ele.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as vespas come\u00e7am a se alimentar. Elas ocupam o ninho das abelhas por at\u00e9 uma semana ou mais, alimentando-se de pupas e larvas. Em seguida, alimentam seus pr\u00f3prios filhotes com os insetos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--video ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__heading\">CLUBE DA LUTA ANIMAL: ATAQUE DAS ABELHAS JAPONESAS<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Embora sejam pequenas, quando reunidas, as abelhas japonesas podem matar uma gigante vespa apenas com o bater de suas asas. Depois do servi\u00e7o feito, elas se certificam de limpar qualquer vestigio da inimiga para que ningu\u00e9m de sua fam\u00edlia venha atr\u00e1s delas.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>As abelhas-europeias (<em>Apis mellifera<\/em>), as polinizadoras comerciais mais conhecidas, n\u00e3o possuem defesa conhecida contra as vespas-mandarinas. Embora j\u00e1 se tenha observado abelhas picando poss\u00edveis invasoras, parece que a estrat\u00e9gia n\u00e3o surte efeito sobre essas vespas.<\/p>\n<p>Por outro lado, as abelhas-japonesas (<em>Apis cerana japonica<\/em>), que evolu\u00edram em conjunto com as vespas-mandarinas, encontraram uma maneira de se proteger. Elas formam um enxame em volta das invasoras e batem suas asas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2012\/3\/120316-hot-bee-balls-hornets-insects-brains-animals-science\/\">at\u00e9 que a \u201cmassa de abelhas\u201d atinja temperaturas acima de 46\u00baC<\/a>, assim as abelhas cozinham as vespas at\u00e9 a morte e as sufocam com di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>As vespas-mandarinas tamb\u00e9m podem ser fatais para esp\u00e9cies polinizadoras como as abelhas nativas, sendo que muitas delas j\u00e1 competem com outros animais ex\u00f3ticos, diz Looney.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/lab\/Junichi-Takahashi-Lab\">Jun-ichi Takahashi<\/a>, pesquisador e especialista em vespas da Universidade Kyoto Sangyo, no Jap\u00e3o, concorda que os danos que as vespas causam ao meio ambiente podem ser expressivos em qualquer lugar onde se propagam \u2014 e apoia as medidas de controle da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entrevistado por e-mail, Takahashi disse que o r\u00f3tulo de vespa assassina \u00e9 apropriado porque a esp\u00e9cie \u00e9 t\u00e3o perigosa quanto as\u00a0<a href=\"https:\/\/video.nationalgeographic.com\/video\/00000144-0a44-d3cb-a96c-7b4d04d20000\">abelhas assassinas, apelido dado \u00e0s abelhas-africanas<\/a>. A esp\u00e9cie invasora de abelhas chegou ao Texas em 1990, colonizou partes do sul dos Estados Unidos e ocasionou a morte de diversas pessoas.<\/p>\n<p>Takahashi acredita que \u201cos norte-americanos n\u00e3o compreendam completamente a agressividade e a toxicidade dessa esp\u00e9cie de vespa.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Interrompendo a prolifera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Se as vespas n\u00e3o forem removidas nos pr\u00f3ximos anos, poder\u00e1 ser tarde demais para interromper sua prolifera\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, explica Looney.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, ocorreram apenas dois avistamentos de vespas-mandarinas pr\u00f3ximo de Blaine, sugerindo que provavelmente exista uma col\u00f4nia nas proximidades. No inverno, os ninhos ficam adormecidos e, se as rainhas acasalaram, elas se dispersam e formam novas colmeias. Atualmente, Looney e outros pesquisadores est\u00e3o criando iscas para tentar capturar as rainhas que surgem.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos meses, pesquisadores colocar\u00e3o centenas de armadilhas para continuar a busca por rainhas e oper\u00e1rias, que podem surgir no ver\u00e3o se novas col\u00f4nias tiverem sido formadas. Colares radiotransmissores podem ser colocados para rastrear as vespas que voltam aos seus ninhos e posteriormente destru\u00ed-las, diz Looney.<\/p>\n<p>Como as vespas formam colmeias subterr\u00e2neas que geram calor, Looney e seus colegas tamb\u00e9m est\u00e3o testando tecnologias com imagens t\u00e9rmicas para ajud\u00e1-los na busca pelas colmeias.<\/p>\n<p>Ainda assim, \u201cvai ser dif\u00edcil\u201d acabar com as vespas, diz Looney. \u201cMas sim, temos uma chance.\u201d<\/p>\n<p><strong>Identifique suas vespas<\/strong><\/p>\n<p>Os ferr\u00f5es das vespas-mandarinas t\u00eam cerca de seis mil\u00edmetros de comprimento e a picada pode perfurar as roupas de prote\u00e7\u00e3o utilizadas pelos apicultores. Pesquisas mostram que, mesmo em pessoas que n\u00e3o s\u00e3o al\u00e9rgicas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/15563650701664871\">cerca de 50 picadas podem levar \u00e0 morte<\/a>\u00a0devido aos danos causados nos rins.<\/p>\n<p>Desde que as vespas viraram not\u00edcia nos Estados Unidos, Looney recebe uma enxurrada de e-mails de americanos preocupados dizendo terem visto o inseto. Em resposta, ele enfatiza que apenas dois avistamentos da vespa-mandarina foram confirmados nos Estados Unidos \u2013 e quem acredita ter visto o inseto no leste do hemisf\u00e9rio norte, provavelmente o confundiu com a\u00a0<a href=\"https:\/\/ento.psu.edu\/extension\/factsheets\/european-hornet\">vespa-europeia<\/a>\u00a0(<em>Vespa crabro<\/em>), que \u00e9 parecida, mas menos agressiva e perigosa.<\/p>\n<p>\u201cSe as pessoas do leste do Mississippi avistarem algo do tipo, n\u00e3o devem supor ser uma vespa-mandarina\u201d, diz ele. \u201c\u00c9 muito prov\u00e1vel que n\u00e3o seja.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--video ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"link\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/Timelapse_April7_1280x720_1017675331695.webp?w=768&amp;h=432\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source 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