{"id":137982,"date":"2020-12-06T07:39:16","date_gmt":"2020-12-06T10:39:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137982"},"modified":"2020-12-06T07:39:16","modified_gmt":"2020-12-06T10:39:16","slug":"o-raro-caso-em-que-o-fogo-protege-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-raro-caso-em-que-o-fogo-protege-a-natureza\/","title":{"rendered":"O raro caso em que o fogo protege a natureza"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_88842\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88842\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88842\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Anthus-nattereri_campo-baixo_Eduardo-Chiarani-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88842\" class=\"wp-caption-text\">Caminheiro-grande (<em>Anthus nattereri<\/em>) em \u00e1rea de campo baixo. Classificada como vulner\u00e1vel, essa esp\u00e9cie est\u00e1 presente em campos rec\u00e9m-perturbados. Foto: Eduardo Chiarani.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Queimadas em ecossistemas naturais s\u00e3o, em geral, desastres para a biodiversidade. S\u00e3o marcantes os impactos em esp\u00e9cies de plantas, animais e mesmo microrganismos de casos como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/blogs\/salada-verde\/amazonia-registra-agosto-com-2o-maior-numero-de-focos-de-queimadas-da-decada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">o aumento no n\u00famero de focos de queimadas na Amaz\u00f4nia Brasileira<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/audiorreportagem-os-incendios-no-pantanal-e-o-trabalho-de-quem-esta-na-linha-de-frente-do-combate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">imensa trag\u00e9dia que assolou o Pantanal<\/a>\u00a0em outubro deste ano.<\/p>\n<p>Adicione a isso exemplos internacionais, como na Bol\u00edvia, onde\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/incendios-florestais-na-bolivia-ja-destruiram-21-milhoes-de-hectares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"internal\">inc\u00eandios florestais destru\u00edram mais de 2 milh\u00f5es de hectares no ano passado<\/a>\u00a0e, mais recentemente, a queimada na Calif\u00f3rnia \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2020\/09\/07\/cha-de-revelacao-causou-um-dos-incendios-na-california-dizem-bombeiros.ghtml\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">um dos focos da qual foi iniciado por uma \u201c<em>gender-reveal party<\/em>\u201d<\/a>\u00a0(vers\u00e3o estadunidense do \u201cCh\u00e1 revela\u00e7\u00e3o\u201d) \u2013 e temos mais do que motivo para temer os efeitos que a imprevisibilidade do fogo pode trazer ao funcionamento dos ecossistemas do nosso planeta.<\/p>\n<p>Em alguns biomas secos e abertos, por\u00e9m, inc\u00eandios naturais n\u00e3o apenas ocorrem com certa periodicidade, como s\u00e3o parte de seu funcionamento normal e da din\u00e2mica das esp\u00e9cies ali presentes. Isso tudo muito antes da chegada dos humanos \u2013 e suas pr\u00e1ticas igualmente imprevis\u00edveis \u2013 a essas localidades. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-020-76758-z\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">artigo cient\u00edfico, resultado de pesquisa conduzida pela PUC-RS<\/a>, publicado em novembro na\u00a0<em>Scientific Reports<\/em>, do prestigiado grupo Nature, debru\u00e7ou-se sobre a import\u00e2ncia do fogo para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade em um desses tipos de bioma.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a hist\u00f3ria das plantas e aves que vivem nos Campos de Cima de Serra, e dos inc\u00eandios que moldam os padr\u00f5es de diversidade nessas \u00e1reas campestres. \u00c9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de pessoas que se dedicam a entender a din\u00e2mica desses inc\u00eandios em biomas brasileiros para melhor conserv\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>A inesperada hist\u00f3ria de um artigo<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_88845\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88845\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88845\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Sporophila-melanogaster-granivora_campo-alto_Eduardo-Chiarani.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Sporophila-melanogaster-granivora_campo-alto_Eduardo-Chiarani.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Sporophila-melanogaster-granivora_campo-alto_Eduardo-Chiarani-300x290.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"619\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88845\" class=\"wp-caption-text\">Caboclinho-da-barriga-preta (<em>Sporophila melanogaster<\/em>). Esta ave depende de \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o alta, e a manuten\u00e7\u00e3o destas \u00e9 importante para que ela n\u00e3o deixe de ser classificada como Quase Amea\u00e7ada e passe para uma categoria de maior risco. Foto: Eduardo Chiarani.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEsse artigo acabou nascendo de um acidente.\u201d<\/p>\n<p>Converso com a doutoranda Mariana Beal Neves, do Laborat\u00f3rio de Ecologia de Intera\u00e7\u00f5es da PUC-RS, a menos de um m\u00eas de sua qualifica\u00e7\u00e3o de doutorado. Apesar da proximidade desta avalia\u00e7\u00e3o de peso, etapa obrigat\u00f3ria e fonte de ansiedade para estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em todo o Brasil, a bi\u00f3loga se mant\u00e9m bem-humorada ao contar dos inc\u00eandios que redirecionaram sua pesquisa mais recente: duas das \u00e1reas que seriam estudadas no projeto, que j\u00e1 estava esquematizado, aprovado e com as licen\u00e7as de coleta emitidas, acabaram por pegar fogo.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios, inerentes \u00e0 exist\u00eancia dos Campos de Cima de Serra, permitiram que os pesquisadores coletassem informa\u00e7\u00e3o sobre a diversidade de plantas e aves em sete localidades que haviam sofrido a\u00e7\u00e3o do fogo em intervalos diferentes de tempo. Os sete pontos, localizados na regi\u00e3o do Parque Estadual de Tainhas e do Parque Nacional da Serra Geral, na por\u00e7\u00e3o nordeste do Rio Grande do Sul, pr\u00f3xima \u00e0 divisa com Santa Catarina, permitiram analisar caracter\u00edsticas funcionais do h\u00e1bitat, al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vegetais e de aves, e do tipo de alimenta\u00e7\u00e3o das aves, comparando \u00e1reas que haviam acabado de ser queimadas com aquelas que n\u00e3o viam a influ\u00eancia do fogo h\u00e1 tempos mais longos.<\/p>\n<p>\u201cTivemos sorte no azar\u201d, diz a bi\u00f3loga, rindo. E explica: \u201cSorte porque o Eduardo j\u00e1 estava trabalhando nas \u00e1reas e n\u00e3o precisava de licen\u00e7a para amostr\u00e1-las. E azar porque ele teve que rearranjar todo o projeto que j\u00e1 tinha coletas antes da queima. Se ele n\u00e3o estivesse trabalhando nestas \u00e1reas, demoraria muito tempo at\u00e9 ter todas as licen\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>O Eduardo ao qual Mariana se refere \u00e9 o tamb\u00e9m doutorando Eduardo Chiarani, do Laborat\u00f3rio de Ornitologia do Museu de Ci\u00eancias e Tecnologia da PUC. Segundo autor do artigo, que tamb\u00e9m contou com participa\u00e7\u00e3o dos orientadores Pedro Maria Abreu Ferreira e Carla Suertegaray Fontana, Eduardo adaptou sua investiga\u00e7\u00e3o para tentar identificar padr\u00f5es de diversidade de aves nativas que estivessem relacionados ao fogo. J\u00e1 Mariana entrou com a an\u00e1lise da vegeta\u00e7\u00e3o e da estrutura do h\u00e1bitat.<\/p>\n<p>Os resultados destas an\u00e1lises conjuntas apontaram para dire\u00e7\u00f5es bastante diferentes.<\/p>\n<p><strong>Dist\u00farbios, esp\u00e9cies e a passagem do tempo<\/strong><\/p>\n<p>Como o pr\u00f3prio texto do artigo ressalta, o estudo da ecologia possui diversas publica\u00e7\u00f5es e experimentos analisando a rela\u00e7\u00e3o entre diversidade e dist\u00farbios como o fogo. Dist\u00farbios, em diferentes intensidades e frequ\u00eancias de ocorr\u00eancia em um sistema ecol\u00f3gico, podem influenciar a diversidade local de esp\u00e9cies de diversas formas. E \u00e9 por isso que, especialmente em ecossistemas onde dist\u00farbios como o fogo s\u00e3o naturais, o estudo dessa rela\u00e7\u00e3o entre as queimadas e a diversidade de esp\u00e9cies \u00e9 importante, para que se possa saber como melhor conservar aqueles ambientes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88847\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88847\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-88847 \" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves-600x338.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Tainhas_fogo201617-meses_Mariana-Beal-Neves-640x360.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88847\" class=\"wp-caption-text\">Parque Nacional de Aparados da Serra. Esta \u00e1rea n\u00e3o passava por a\u00e7\u00e3o do fogo h\u00e1 17 meses \u00e0 \u00e9poca da fotografia. Foto: Mariana Beal Neves.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Isso porque o controle da vegeta\u00e7\u00e3o e dos riscos de inc\u00eandio, por exemplo em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, pode acabar resultando em um cen\u00e1rio que desfavorece a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p>Nos Campos de Cima de Serra estudados por Mariana Beal Neves e seus colaboradores, a vegeta\u00e7\u00e3o segue um padr\u00e3o de diversidade \u201cem pico\u201d, quando analisada em fun\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia de eventos de queima. Isso significa que a riqueza de esp\u00e9cies de plantas, a heterogeneidade de h\u00e1bitat e mesmo a riqueza de grupos espec\u00edficos, como gram\u00edneas e um grupo de plantas herb\u00e1ceas chamada de\u00a0<em>forbs<\/em>\u00a0s\u00e3o mais altas em situa\u00e7\u00f5es de dist\u00farbio intermedi\u00e1rio, quando o fogo n\u00e3o \u00e9 nem muito frequente e nem muito raro.<\/p>\n<p>Tanto nas localidades nas quais o \u00faltimo inc\u00eandio havia sido muito recente quanto naquelas que haviam passado por um longo tempo desde a \u00faltima queimada, o n\u00famero de esp\u00e9cies destas plantas \u00e9 menor. Isso resulta tamb\u00e9m em ambientes mais homog\u00eaneos, com menor diversidade de possibilidades para as esp\u00e9cies animais que forem habit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Neste \u00faltimo tipo de campo, que passou por um longo per\u00edodo sem queima, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 mais alta, e h\u00e1 uma maior abund\u00e2ncia de arbustos. \u201cArbustos, para atingir altura, levam muito mais tempo. Inclusive, se voc\u00ea for ver um campo sujo \u2013 que \u00e9 como a gente chama aquele campo h\u00e1 mais tempo sem queima \u2013 ele tem uma presen\u00e7a relevante de arbustos. A gente v\u00ea claramente assim que ele j\u00e1 est\u00e1 quase na transi\u00e7\u00e3o para um outro sistema, que n\u00e3o \u00e9 mais aquele campo que a gente tem na cabe\u00e7a, aquele campo rapadinho\u201d, afirma Mariana.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do padr\u00e3o \u201cem pico\u201d observado para a vegeta\u00e7\u00e3o, o estudo da diversidade de aves revelou que esses animais formam uma comunidade mais rica em esp\u00e9cies logo ap\u00f3s a queimada. Essa riqueza de esp\u00e9cies tende a diminuir \u00e0 medida que passa o tempo, e que a comunidade de plantas torna-se mais homog\u00eanea.<\/p>\n<p>Mas algo mais importante aparece quando se consideram quem s\u00e3o essas aves, e como elas utilizam o ambiente dos campos ao longo do tempo. Um exemplo bastante \u00f3bvio \u00e9 o das aves que se alimentam de gr\u00e3os, que est\u00e3o mais presentes nos locais h\u00e1 mais tempo sem queimada.<\/p>\n<p>\u201cIsso tem uma rela\u00e7\u00e3o bem forte com a quest\u00e3o da altura das gram\u00edneas, porque esse \u00e9 um grupo em que as plantas produzem sementes. Ent\u00e3o quanto maior a biomassa de gram\u00edneas, maior o n\u00famero de sementes e, consequentemente, mais\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gran%C3%ADvoro\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">gran\u00edvoros<\/a>.\u201d, explica Mariana.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88849\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88849\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88849\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_fogo-20173-meses_Eduardo-Chiarani-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88849\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea de amostragem no Parque Nacional Aparados da Serra, tr\u00eas meses ap\u00f3s o \u00faltimo inc\u00eandio. Com a abertura dos campos, aves inset\u00edvoras conseguem ca\u00e7ar com mais efici\u00eancia. Foto: Eduardo Chiarani.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A jovem bi\u00f3loga completa, ainda, com outro exemplo: \u201cOs carn\u00edvoros e nectar\u00edvoros (aves que se alimentam do n\u00e9ctar de flores), por outro lado, tiveram bastante rela\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas abertas, que tiveram queima recente. Porque isso facilita a visualiza\u00e7\u00e3o das presas. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es que fazem muito sentido.\u201d<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante, ao se avaliar a import\u00e2ncia dos regimes de queima para a biodiversidade dos campos, \u00e9 saber como esse tipo de dist\u00farbio afeta popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. No caso dos Campos de Cima de Serra estudados no artigo, foi poss\u00edvel detectar algumas aves descritas na Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza. Mas essas esp\u00e9cies t\u00eam prefer\u00eancias por caracter\u00edsticas de vegeta\u00e7\u00e3o diferentes, associadas a diferentes regimes de queima.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do caminheiro-grande (<em>Anthus nattereri<\/em>), ave inset\u00edvora classificada como vulner\u00e1vel que, no estudo, foi encontrada apenas nas \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o baixa, mais comuns ap\u00f3s uma queimada. Tamb\u00e9m associado a \u00e1reas rec\u00e9m-queimadas est\u00e1 o pedreirinho (<em>Cinclodes pabsti<\/em>), classificada como quase amea\u00e7ada. Mas, longe de serem a totalidade das esp\u00e9cies relevantes do ponto de vista de conserva\u00e7\u00e3o, essas aves que gostam da vegeta\u00e7\u00e3o baixa s\u00e3o acompanhadas pelo caboclinho-de-barriga-preta (<em>Sporophila melanogaster<\/em>), ave tamb\u00e9m quase amea\u00e7ada que prefere campos de vegeta\u00e7\u00e3o alta.<\/p>\n<p>\u201cEssa esp\u00e9cie \u00e9 end\u00eamica do Brasil, e \u00e9 uma ave que precisa que a paisagem tenha \u00e1reas que est\u00e3o h\u00e1 muito tempo sem queima, para que a vegeta\u00e7\u00e3o tenha tempo de ficar alta mesmo. Ele precisa dessa estrutura para adquirir alimentos, construir seus ninhos\u2026 uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es\u201d, explica Mariana. \u201cFica evidente a import\u00e2ncia de ter os dois tipos de h\u00e1bitats, n\u00e9? Para englobar toda a biodiversidade de aves dos campos.\u201d<\/p>\n<p><strong>O pesquisador que aprendia com o fogo<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_88851\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88851\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88851\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Cinclodes-pabsti-sp-de-campo-baixo_Eduardo-Chiarani.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Cinclodes-pabsti-sp-de-campo-baixo_Eduardo-Chiarani.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Cinclodes-pabsti-sp-de-campo-baixo_Eduardo-Chiarani-300x260.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"554\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88851\" class=\"wp-caption-text\">Pedreirinho (<em>Cinclodes pabsti<\/em>), ave classificada como Quase Amea\u00e7ada associada a campos rec\u00e9m-queimados. Foto: Eduardo Chiarani.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAcho esse artigo especialmente interessante, em primeiro lugar, porque ele avalia um tipo de forma\u00e7\u00e3o vegetal que tende a ser subvalorizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas florestais, que s\u00e3o os campos de altitude no sul do Brasil, os chamados Campos de Cima da Serra\u201d, comenta por e-mail o professor e pesquisador respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio de Ecologia de Vertebrados do Departamento de Ecologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Dr. Emerson Monteiro Vieira.<\/p>\n<p>Com um interesse pela biologia que o acompanha desde a primeira inf\u00e2ncia, quando perseguia e observava caranguejos guru\u00e7\u00e1 nas f\u00e9rias em praias capixabas, atualmente o Prof. Vieira dedica sua carreira de pesquisa a estudar pequenos mam\u00edferos. Desde seu mestrado, em 1990, a import\u00e2ncia do fogo para as comunidades de pequenos roedores e marsupiais do Cerrado brasileiro \u00e9 uma quest\u00e3o de grande import\u00e2ncia em sua carreira de pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cEu procuro investigar os padr\u00f5es das respostas da fauna a eventos do fogo, a maioria dos quais s\u00e3o pouco ou nada conhecidos. Al\u00e9m disso, procuramos investigar o papel de diversos fatores \u2013 tais como frequ\u00eancia das queimadas e a extens\u00e3o das \u00e1reas a intensidade do fogo, tipo de h\u00e1bitat e caracter\u00edsticas espec\u00edficas dos animais \u2013 nos efeitos detect\u00e1veis das queimadas na nossa fauna.\u201d, explica ele sobre sua pesquisa.<\/p>\n<p>Emerson comenta que, ao olhar para os estudos de seu grupo de pesquisa, \u00e9 poss\u00edvel avaliar que muitas esp\u00e9cies de mam\u00edferos, especialmente as de menor tamanho, n\u00e3o morrem diretamente pelo fogo, devido a se abrigarem em buracos no solo ou em cupinzeiros. \u201cNo entanto, as altera\u00e7\u00f5es no ambiente decorrentes do fogo afetam v\u00e1rios animais de forma distinta. Por exemplo, pode haver mais ou menos alimento, dependendo do que determinado animal come, fazendo com que a composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies mude em decorr\u00eancia dessa perturba\u00e7\u00e3o,\u201d conta o professor.<\/p>\n<p>Ainda comentando a import\u00e2ncia do artigo de Mariana Neves e colaboradores, o professor ressalta o fato deste indicar claramente a necessidade de haver um manejo de fogo em ecossistemas que t\u00eam esse dist\u00farbio como parte intr\u00ednseca de seu funcionamento. \u201cAo contr\u00e1rio do que muita gente ainda pensa, esse tipo de perturba\u00e7\u00e3o propicia a heterogeneidade de ambientes e aumenta a diversidade, tanto de plantas quando de aves. Estudos ainda s\u00e3o necess\u00e1rios [para se entender como melhor conduzir o processo]. No entanto, a falta desse manejo de fogo com certeza acarretar\u00e1 preju\u00edzos maiores para a biodiversidade nessas \u00e1reas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Projetistas de queimadas<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_88858\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88858\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88858\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves-1024x677.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Amostragem-plantas-e-habitat_Mariana-Beal-Neves-640x423.jpg 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"423\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88858\" class=\"wp-caption-text\">Mariana Beal Neves, com uma ferramenta para o estudo de diversidade vegetal por um m\u00e9todo chamado de quadrat ou parcela. Foto: Acervo do Projeto.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mariana Beal Neves descobriu, no primeiro dia de gradua\u00e7\u00e3o, ter nascido no Dia do Bi\u00f3logo. Muito antes disso, durante a inf\u00e2ncia no interior de Santa Catarina, aproveitou a proximidade com \u201co meio do mato\u201d para observar a natureza e colecionar insetos e pedras. Muito depois disso, durante a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, descobriu que sua principal paix\u00e3o dentro da observa\u00e7\u00e3o da natureza era aprender como funcionam os processos ecol\u00f3gicos em si.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi por falta de poss\u00edveis distra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEu trabalhei com o processo de dispers\u00e3o de sementes por bugio ruivo, e nesse meio tempo eu tive o incr\u00edvel privil\u00e9gio de ser a primeira pessoa do laborat\u00f3rio \u00e0 \u00e9poca, junto com minha colega Valeska Martins, a ver um parto em vida livre de bugio-ruivo\u201d, conta ela. \u201cNaquele momento eu tive certeza de que eu estava ali na hora certa, no lugar certo, fazendo a coisa certa. Mas o que realmente me encantou nisso tudo foi o processo de dispers\u00e3o das sementes em si. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, eu me encantava mais olhando as fezes dos bugios e os [besouros] rola-bosta trabalhando do que observando os bugios propriamente ditos!\u201d<\/p>\n<p>O artigo do qual Mariana \u00e9 primeira autora tem a ver com a compreens\u00e3o dos v\u00e1rios processos ecol\u00f3gicos associados \u00e0 din\u00e2mica do fogo de ecossistemas campestres. Aprender sobre esses processos, e sobre seus resultados para a biodiversidade, \u00e9 de alta import\u00e2ncia para que se possa planejar melhor a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O controle do fogo por human\u00f3ides \u00e9 anterior \u00e0 nossa esp\u00e9cie, e aprender as melhores maneiras de se criar e preservar uma chama talvez seja uma das primeiras descobertas de algo que viria a se tornar a ci\u00eancia. Mesmo com essa longa hist\u00f3ria, a imprevisibilidade do fogo e os riscos inerentes ao seu alastramento embasam o que Mariana chama de uma esp\u00e9cie de \u201ctabu\u201d quando o assunto \u00e9 manejar ecossistemas com uso proposital do fogo.<\/p>\n<p>Especialmente em um pa\u00eds onde queimadas propositais s\u00e3o t\u00e3o corriqueiras como no caso do Brasil, h\u00e1 necessidade e grande cuidado ao se apresentar a mensagem de que, em alguns ecossistemas onde o fogo \u00e9 natural, o manejo da paisagem com fogo pode preservar esp\u00e9cies, desde que executado de maneira muito controlada, embasada em dados e modelos, e com grande planejamento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_88853\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-88853\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-88853\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Aparados-da-serra_Sem-fogo-180-meses_Mariana-Beal-Neves-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-88853\" class=\"wp-caption-text\">Outro trecho do Parque Nacional Aparados da Serra. \u00c0 \u00e9poca da fotografia, a \u00e1rea n\u00e3o via fogo h\u00e1 180 meses, o que se reflete na vegeta\u00e7\u00e3o alta e na presen\u00e7a mais expressiva de arbustos. Foto: Mariana Beal Neves.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAs pessoas \u2013 inclusive alguns gestores de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, embora a maioria, principalmente no Cerrado j\u00e1 reconhe\u00e7a a import\u00e2ncia deste tipo de manejo \u2013 enxergam o dist\u00farbio como algo ruim e n\u00e3o como algo que deve ser acompanhado. O fato de faltar conhecimento sobre o assunto, falando dos ecossistemas inflam\u00e1veis que temos no Brasil, \u00e9 em parte porque [muitas das] \u00e1reas onde poderia haver queimadas programadas s\u00e3o em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o que det\u00eam ecossistemas campestres e que n\u00e3o possuem um plano de manejo com fogo\u201d, conta a bi\u00f3loga, cujo trabalho evidencia a import\u00e2ncia de \u00e1reas com diferentes regimes de dist\u00farbio para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade de aves.<\/p>\n<p>A pesquisa sobre este assunto, especialmente em ecossistemas menos estudados como os Campos de Cima de Serra, ainda precisa prosseguir muito para chegar em um ponto no qual seja poss\u00edvel desenhar planos de manejo com as complexas estrat\u00e9gias necess\u00e1rias para realizar o manejo do fogo. Mas tanto Neves quanto o professor Vieira concordam que existem evid\u00eancias de que diferentes regimes de queimada geram uma paisagem mais heterog\u00eanea, com capacidade de abrigar e atender \u00e0s necessidades de mais esp\u00e9cies nativas destes ecossistemas historicamente marcados por chamas naturais.<\/p>\n<p>\u201cUm manejo adequado deve incluir, necessariamente, a prote\u00e7\u00e3o contra queimadas indesejadas \u2013 naturais ou provocadas \u2013 de algumas \u00e1reas. Deve incluir tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o de queimadas controladas em outras.\u00a0 Essa a\u00e7\u00e3o deve ser integrada em uma escala maior, de milhares de hectares (que chamamos de escala de paisagem). Estudos ainda s\u00e3o necess\u00e1rios para se determinar a periodicidade das queimadas controladas e a extens\u00e3o das mesmas\u201d, explica o Dr. Emerson.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando o quanto \u00e9 relevante o fato de as conclus\u00f5es do estudo da PUC-RS estarem em conson\u00e2ncia com os resultados de pesquisadores que, como ele, estudam os efeitos do fogo no Cerrado, Vieira ressalta ainda outro motivo para a import\u00e2ncia de se manejar a ocorr\u00eancia do fogo:<\/p>\n<p>\u201c\u00c1reas que ficam muito tempo sem queimar, quando pegam fogo, muitas vezes acabam causando efeitos mais graves na fauna. [Isso porque] a extens\u00e3o de \u00e1rea queimada e intensidade do fogo geralmente s\u00e3o maiores.\u00a0 Temos dados indicando que, em uma escala regional, de centenas de hectares, a manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com regimes distintos, mantidos por queimadas controladas, em \u00e9pocas diferentes e \u00e1reas pequenas, mant\u00eam uma diversidade de fauna at\u00e9 mais alta do que \u00e1reas que n\u00e3o queimam por muito tempo. Esse \u00e9 o conceito conhecido como Pirodiversidade, a diversidade propiciada pelo fogo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminheiro-grande (Anthus nattereri) em \u00e1rea de campo baixo. 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