{"id":137845,"date":"2020-12-02T11:00:20","date_gmt":"2020-12-02T14:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137845"},"modified":"2020-12-02T08:24:31","modified_gmt":"2020-12-02T11:24:31","slug":"florestas-tropicais-estao-demostrando-resistencia-surpreendente-ao-aumento-das-temperaturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/florestas-tropicais-estao-demostrando-resistencia-surpreendente-ao-aumento-das-temperaturas\/","title":{"rendered":"Florestas tropicais est\u00e3o demostrando resist\u00eancia surpreendente ao aumento das temperaturas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-137846\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas constataram que existe um percentual das florestas tropicais capaz de sobreviver ao aquecimento global \u2014 se n\u00e3o forem desmatadas.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A floresta tropical mais quente do mundo n\u00e3o est\u00e1 localizada na Amaz\u00f4nia nem em nenhum outro local previs\u00edvel, mas dentro da Biosfera 2, instala\u00e7\u00e3o experimental de pesquisa cient\u00edfica no deserto perto de Tucson, no Arizona. Um estudo recente de \u00e1rvores tropicais plantadas nesse local no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 gerou um resultado surpreendente:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41477-020-00780-2\">as \u00e1rvores resistiram a temperaturas mais elevadas do que qualquer temperatura prevista para as florestas tropicais neste s\u00e9culo<\/a>.<\/p>\n<p>O estudo se soma a um n\u00famero crescente de descobertas que est\u00e3o proporcionando aos cientistas especializados em florestas algo que est\u00e1 em falta ultimamente: esperan\u00e7a. As plantas podem dispor de recursos inesperados que facilitam sua sobreviv\u00eancia \u2014 e talvez at\u00e9 lhes assegure um bom desenvolvimento \u2014 em um futuro mais quente e repleto de carbono. E embora as florestas tropicais ainda enfrentem amea\u00e7as humanas e naturais, alguns pesquisadores acreditam que as conclus\u00f5es assustadoras de seu decl\u00ednio iminente devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ter sido exageradas.<\/p>\n<p>\u201cA vida \u00e9 engenhosa\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/eeb.arizona.edu\/person\/scott-saleska\">Scott Saleska<\/a>, ecologista da Universidade do Arizona em Tucson e um dos l\u00edderes do estudo da Biosfera 2. \u201c\u00c9 muito mais engenhosa do que as representa\u00e7\u00f5es de nossos atuais modelos.\u201d<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, foi publicada uma infinidade de relat\u00f3rios alarmantes sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2018\/06\/tropical-deforestation-forest-loss-2017\/\">florestas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2020\/05\/grand-old-trees-are-dying-leaving-forests-younger-shorter\/\">os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre elas<\/a>. Os cientistas anunciaram que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2035-0\">a floresta amaz\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 mais um sumidouro de carbono confi\u00e1vel<\/a>;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-020-00508-4\">a floresta amaz\u00f4nica pode estar se aproximando de um ponto cr\u00edtico<\/a>;\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/368\/6493\/869.abstract\">florestas tropicais em todo o mundo j\u00e1 se aproximam das temperaturas mais altas toleradas por elas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/368\/6494\/eaaz9463\">as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 matando \u00e1rvores antigas<\/a>.<\/p>\n<p>Um ponto \u00e9 incontest\u00e1vel: nossas emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e3o criando um clima in\u00e9dito \u00e0 humanidade e n\u00e3o vivenciado pelas \u00e1rvores h\u00e1 muito tempo. \u201cEstamos aquecendo as florestas tropicais a temperaturas inexistentes desde o Cret\u00e1ceo \u2014 desde a \u00e9poca dos dinossauros\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/environment.uw.edu\/faculty\/abigail-swann\/\">Abigail Swann<\/a>, ecologista e cientista clim\u00e1tica da Universidade de Washington em Seattle.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 dif\u00edcil prever qual ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores. Submeter florestas inteiras a um experimento de simula\u00e7\u00e3o de um futuro mais quente \u00e9 uma tarefa dispendiosa e logisticamente complexa. A maioria dos cientistas foi obrigada a tra\u00e7ar extrapola\u00e7\u00f5es a partir de experimentos em pequena escala ou observa\u00e7\u00f5es de campo, muitas vezes recorrendo a modelos de computador para realizar proje\u00e7\u00f5es sobre as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<h3><strong>Uma instala\u00e7\u00e3o singular<\/strong><\/h3>\n<p>A Biosfera 2 ofereceu uma rara oportunidade para testar o clima em uma floresta em tamanho real. Embora mais conhecida pelas equipes que ficaram isoladas no local entre 1991 e 1994, a instala\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abriga ecossistemas artificiais. Entre eles est\u00e1 uma floresta tropical com cerca de dois mil metros quadrados dentro de uma estrutura feita de vidro em formato de pir\u00e2mide cujo ponto mais elevado ergue-se a uma altura de 30 metros do solo do deserto. As copas das \u00e1rvores plantadas no local no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 atualmente tocam o teto.<\/p>\n<p>As temperaturas no interior da estrutura ultrapassam as temperaturas previstas at\u00e9 mesmo para a Amaz\u00f4nia \u2014 a floresta tropical mais quente do mundo \u2014 neste s\u00e9culo. Sob essas condi\u00e7\u00f5es sufocantes, as plantas de estudos anteriores ao ar livre quase interromperam a fotoss\u00edntese, o processo bioqu\u00edmico utilizado pelas plantas para transformar o di\u00f3xido de carbono em a\u00e7\u00facares simples para obter energia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.webp?w=768&amp;h=512\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.jpg?w=768&amp;h=512\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.webp?w=1024&amp;h=683\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.jpg?w=1024&amp;h=683\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.webp?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/webp\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.jpg?w=710&amp;h=474\" type=\"image\/jpeg\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"A Biosfera 2 em Oracle, no Arizona, possui uma floresta tropical em miniatura na qual as ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/biosphere-h_15212118.webp?w=710&amp;h=474\" alt=\"A Biosfera 2 em Oracle, no Arizona, possui uma floresta tropical em miniatura na qual as ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A Biosfera 2 em Oracle, no Arizona, possui uma floresta tropical em miniatura na qual as \u00e1rvores crescem a 37,8 graus Celsius, muito mais quente do que o normal para essa vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">JESSICA LEHRMAN, THE NEW YORK TIMES\/REDUX<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Os dados sobre o crescimento das \u00e1rvores sob diferentes condi\u00e7\u00f5es ambientais foram registrados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 e armazenados em servidores e discos r\u00edgidos.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.canr.msu.edu\/people\/marielle_smith\">Marielle Smith<\/a>, ecologista e p\u00f3s-doutoranda na Universidade Estadual de Michigan, considerou esses registros uma rara oportunidade de estudar uma floresta em um clima futuro.<\/p>\n<p>Seu objetivo era analisar os efeitos de duas vari\u00e1veis relacionadas: a temperatura e o d\u00e9ficit de press\u00e3o de vapor ou VPD (na sigla em ingl\u00eas) \u2014 ou seja, a diferen\u00e7a entre a quantidade de \u00e1gua que o ar\u00a0<em>pode<\/em>\u00a0reter e quanto\u00a0<em>de fato<\/em>\u00a0ret\u00e9m em um determinado local e per\u00edodo. Quando o VPD \u00e9 alto, as plantas perdem \u00e1gua mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Normalmente, o aumento do VPD acompanha a temperatura porque o ar quente ret\u00e9m mais umidade. Contudo, na Biosfera, os pulverizadores mantinham o ar \u00famido, criando uma rara combina\u00e7\u00e3o de calor intenso e VPD baixo. O teor de CO2 se manteve est\u00e1vel em pouco mais de 400 partes por milh\u00e3o, apenas discretamente acima do que no ar exterior naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>O ritmo de fotoss\u00edntese das \u00e1rvores da Biosfera permaneceu igual at\u00e9 as temperaturas atingirem cerca de 38 graus Celsius,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41477-020-00780-2\">conforme publicado por Smith e seus colegas no m\u00eas passado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Nature Plant<\/em><\/a>. Por outro lado, em florestas naturais no Brasil e no M\u00e9xico, o ritmo de fotoss\u00edntese despencou a partir de apenas 28 graus Celsius.<\/p>\n<p>Segundo Smith e outros especialistas, o resultado \u00e9 um grande golpe na teoria difundida de que o calor intenso interrompe a fotoss\u00edntese \u2014 a no\u00e7\u00e3o de que o processo seria diretamente desativado.<\/p>\n<p>No entanto tudo indica que as altas temperaturas prejudicam a vegeta\u00e7\u00e3o indiretamente com o aumento do VPD e, em seguida com a eleva\u00e7\u00e3o da aridez do ar. As folhas das plantas absorvem di\u00f3xido de carbono por meio de c\u00e9lulas foliares com uma cavidade, denominadas est\u00f4matos, mas essas c\u00e9lulas tamb\u00e9m liberam \u00e1gua \u2014 at\u00e9 300 mol\u00e9culas de \u00e1gua para cada mol\u00e9cula de CO<sub>2<\/sub>\u00a0que entra. Quando o VPD aumenta em resposta a uma eleva\u00e7\u00e3o na temperatura, as plantas fecham os est\u00f4matos para reter a \u00e1gua que lhes \u00e9 vital, ainda que essa a\u00e7\u00e3o lhes obrigue a renunciar a seu alimento.<\/p>\n<p>No mundo real, n\u00e3o s\u00e3o apenas as temperaturas que est\u00e3o aumentando, o di\u00f3xido de carbono tamb\u00e9m est\u00e1 subindo rapidamente. Isso pode ajudar a proteger as plantas do calor: no futuro quente e com alto teor de CO<sub>2<\/sub>, os est\u00f4matos podem absorver di\u00f3xido de carbono e, em seguida, fechar-se para conservar \u00e1gua, afirma Smith.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um resultado de certa forma animador, e n\u00e3o \u00e9 sempre que obtemos resultados desse tipo\u201d, conta\u00a0<a href=\"https:\/\/snre.arizona.edu\/people\/laura-meredith\">Laura Meredith<\/a>, ecologista da Universidade do Arizona que lidera pesquisas sobre a floresta tropical da Biosfera 2, mas que n\u00e3o participou do estudo. \u201c\u00c9 uma \u00f3tima not\u00edcia a exist\u00eancia de estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia das florestas.\u201d<\/p>\n<p>Smith admite, entretanto, que ainda h\u00e1 \u201cum grande por\u00e9m\u201d: o experimento da Biosfera 2 n\u00e3o incluiu altos teores de CO<sub>2<\/sub>, portanto, n\u00e3o foi poss\u00edvel provar que de fato o g\u00e1s ser\u00e1 utilizado pelas plantas para conservar \u00e1gua. \u201cAinda n\u00e3o se sabe se esse mecanismo poderia realmente existir\u201d, ressalta ela.<\/p>\n<h3><strong>Mais CO2? \u00d3timo.<\/strong><\/h3>\n<p>Pesquisadores no Panam\u00e1 est\u00e3o avan\u00e7ando nos estudos e testando se elevados teores de di\u00f3xido de carbono de fato protegem as plantas do calor. At\u00e9 o momento, a resposta parece ser um sim com algumas ressalvas.<\/p>\n<p>O bot\u00e2nico Klaus Winter construiu\u00a0<a href=\"https:\/\/stri.si.edu\/story\/tropical-dome-project\">seis c\u00fapulas geod\u00e9sicas<\/a>\u00a0na esta\u00e7\u00e3o de pesquisa do Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical perto do Canal do Panam\u00e1. As c\u00fapulas de Winter s\u00e3o muito menores do que as da Biosfera 2 e abrigam apenas \u00e1rvores pequenas, por\u00e9m disp\u00f5em de controle de temperatura e de di\u00f3xido de carbono. No estudo apresentado em encontros cient\u00edficos, mas ainda n\u00e3o publicado, ele concluiu que, sob temperaturas acima das previstas para este s\u00e9culo, plantas com bastante irriga\u00e7\u00e3o e abund\u00e2ncia de di\u00f3xido de carbono apresentam um bom desenvolvimento. O crescimento de uma esp\u00e9cie, o pau-de-balsa, at\u00e9 disparou.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.webp?w=768&amp;h=485\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.jpg?w=768&amp;h=485\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.webp?w=1024&amp;h=646\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.jpg?w=1024&amp;h=646\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.webp?w=710&amp;h=448\" type=\"image\/webp\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.jpg?w=710&amp;h=448\" type=\"image\/jpeg\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"No Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical em Gamboa, no Panam\u00e1, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 cultivada em estufas ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/tropical-domes-gettyimages-1168835492.webp?w=710&amp;h=448\" alt=\"No Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical em Gamboa, no Panam\u00e1, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 cultivada em estufas ...\" width=\"640\" height=\"404\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>No Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical em Gamboa, no Panam\u00e1, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 cultivada em estufas na forma de c\u00fapulas, onde \u00e9 poss\u00edvel controlar a temperatura e a umidade. No interior das c\u00fapulas, as \u00e1rvores bem irrigadas e expostas a um grande volume de CO2 apresentam um bom desenvolvimento sob temperaturas acima do previsto para este s\u00e9culo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">LUIS ACOSTA, AFP\/GETTY IMAGES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>O experimento n\u00e3o testa diretamente o mecanismo proposto por Smith, mas confirma que algumas \u00e1rvores podem suportar altas temperaturas se receberem um grande volume de CO<sub>2<\/sub>\u00a0\u2014 e \u00e1gua, afirma Winter. \u201cAs \u00e1rvores s\u00e3o menos suscet\u00edveis do que esperado.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/stri.si.edu\/scientist\/martijn-slot\">Martijn Slot<\/a>,\u00a0colega de Winter, investigou uma quest\u00e3o paralela: seriam as plantas capazes de se adaptar a temperaturas maiores? Cada planta possui uma faixa de temperatura ideal, identificada pelos pesquisadores por meio de sensores de g\u00e1s para medir a fotoss\u00edntese na folha conforme \u00e9 aumentada a temperatura.<\/p>\n<p>Slot constatou que \u00e9 alcan\u00e7ada a fotoss\u00edntese ideal quando as mudas s\u00e3o cultivadas a 25 graus Celsius. Mas quando foi aumentada a temperatura para 35 graus Celsius, esse ponto ideal passou para cerca de 30 graus Celsius. A capacidade das plantas de adaptar sua fisiologia interna \u00e9 um exemplo de \u201cplasticidade\u201d, cada vez mais observada como uma defesa bot\u00e2nica contra a mudan\u00e7a das condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cConsiderar a rea\u00e7\u00e3o das plantas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais como sendo est\u00e1tica e r\u00edgida leva a previs\u00f5es imprecisas ou provavelmente equivocadas\u201d, esclarece Slot. \u201cA plasticidade deve ser considerada\u201d em modelos de computador que geram as previs\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Outro ind\u00edcio recente de resist\u00eancia oculta vem do campo.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Flavia_Costa11\">Flavia Costa<\/a>, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia em Manaus, no Brasil,\u00a0<a href=\"https:\/\/nph.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/nph.17005\">analisou 20 anos de dados<\/a>\u00a0obtidos em lotes das florestas brasileiras monitoradas. Foram inclu\u00eddas florestas em plan\u00edcies com acesso f\u00e1cil a len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, o que lhes proporcionava plena irriga\u00e7\u00e3o, assim como as plantas de Winter. A equipe de Costa constatou que essas florestas com \u201clen\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos superficiais\u201d, que comp\u00f5em, segundo estimativas, mais de um ter\u00e7o de toda a Amaz\u00f4nia, se desenvolveram sem altera\u00e7\u00f5es e continuaram absorvendo carbono durante estiagens severas em 2005, 2010 e 2015.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature14283\">Artigos anteriores<\/a>\u00a0alertaram que as secas provocadas pelo clima e as taxas de crescimento e mortalidade acelerados das \u00e1rvores estavam eliminando a vegeta\u00e7\u00e3o e prejudicando a capacidade da floresta amaz\u00f4nica de continuar atuando como sumidouro de carbono. Se as florestas \u00famidas em toda a Amaz\u00f4nia s\u00e3o t\u00e3o resistentes quanto as dos lotes pesquisados, \u201ca perda de produtividade e o aumento da mortalidade est\u00e3o provavelmente superestimados\u201d, presume Costa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/environment.leeds.ac.uk\/geography\/staff\/1089\/professor-oliver-phillips\">Oliver Phillips<\/a>, cientista ambiental da Universidade de Leeds que lidera uma das principais redes de pesquisa da Amaz\u00f4nia, concorda que florestas \u00famidas e de plan\u00edcies parecem ser mais resistentes \u00e0 seca do que as demais. Mas seus estudos analisam apenas essas florestas e ele n\u00e3o sabe se adicionar outras mudaria drasticamente as conclus\u00f5es. Atualmente, ele e Costa est\u00e3o conduzindo uma an\u00e1lise conjunta dos dados dos lotes a fim de obter maior representatividade das florestas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<h3><strong>Mas h\u00e1 um problema<\/strong><\/h3>\n<p>Todos esses estudos possuem ressalvas e advert\u00eancias.<\/p>\n<p>Futuramente, as florestas podem enfrentar secas ainda mais severas do que qualquer outra j\u00e1 existente, o que pode afetar at\u00e9 mesmo as florestas \u00famidas em plan\u00edcies que resistiram at\u00e9 hoje, afirma Costa. Por outro lado, os estudos que simulam florestas procuram reproduzir a diversidade impressionante de florestas tropicais reais, que poderiam abrigar tanto \u00e1rvores especialmente vulner\u00e1veis quanto mecanismos de resist\u00eancia ainda n\u00e3o descobertos, acrescenta ela. Apenas a Amaz\u00f4nia cont\u00e9m cerca de 16 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores, muito mais do que as representadas na Biosfera 2, nas c\u00fapulas de Winter e em qualquer modelo de computador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as plantas de Winter ainda s\u00e3o novas e ele as mant\u00e9m com irriga\u00e7\u00e3o constante. \u00c9 poss\u00edvel que seu desenvolvimento n\u00e3o seja o mesmo durante estiagens \u2014 algo que Winter planeja estudar em suas c\u00fapulas assim que forem suspensas as restri\u00e7\u00f5es devido ao coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pnnl.gov\/science\/staff\/staff_info.asp?staff_num=9144\">Nate McDowell<\/a>, cientista da Terra no Laborat\u00f3rio Nacional do Noroeste do Pac\u00edfico em Richland, Washington, que alertou, no in\u00edcio deste ano, na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2020\/05\/grand-old-trees-are-dying-leaving-forests-younger-shorter\/\">as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o reduzindo o crescimento das \u00e1rvores<\/a>\u00a0e o armazenamento de carbono, os resultados de Smith s\u00e3o \u201canimadores\u201d, mas uma pergunta importante permanece sem resposta: o di\u00f3xido de carbono elevado poder\u00e1 mesmo ajudar as plantas a suportar o ar mais seco previsto futuramente? \u201c\u00c9 uma \u00f3tima quest\u00e3o cient\u00edfica\u201d, afirma McDowell \u2014 \u201cuma quest\u00e3o cient\u00edfica urgente\u201d.<\/p>\n<p>Ainda que um alto teor de CO<sub>2\u00a0<\/sub>mantenha as plantas vivas, \u00e9 poss\u00edvel que sua rea\u00e7\u00e3o ao calor reduza a altura das plantas, mas deixe-as mais resistentes, acrescenta Smith, tornando os estudos dela e de McDowell possivelmente complementares e n\u00e3o contradit\u00f3rios. Ali\u00e1s, a floresta da Biosfera 2 passou por altera\u00e7\u00f5es ao longo de suas tr\u00eas d\u00e9cadas, talvez devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es extremas enfrentadas. As \u00e1rvores nessa instala\u00e7\u00e3o que produzem uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica denominada isopreno, que parece contribuir com a fotoss\u00edntese sob altas temperaturas, sobreviveram mais do que aquelas que n\u00e3o produziram a subst\u00e2ncia: uma mudan\u00e7a que envolve implica\u00e7\u00f5es ainda desconhecidas.<\/p>\n<p>\u201cPodemos estar inadvertidamente construindo uma Amaz\u00f4nia mais resistente\u201d, afirma Smith, \u201cmas que talvez n\u00e3o seja capaz de armazenar a mesma quantidade de carbono\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas constataram que existe um percentual das florestas tropicais capaz de sobreviver ao aquecimento global<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/floresta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":29,"uagb_excerpt":"Cientistas constataram que existe um percentual das florestas tropicais capaz de sobreviver ao aquecimento global","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137845"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137845\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}