{"id":137831,"date":"2020-12-02T08:01:35","date_gmt":"2020-12-02T11:01:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137831"},"modified":"2020-12-02T08:01:35","modified_gmt":"2020-12-02T11:01:35","slug":"com-40-vezes-a-massa-da-terra-novo-planeta-e-o-maior-mundo-rochoso-conhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/com-40-vezes-a-massa-da-terra-novo-planeta-e-o-maior-mundo-rochoso-conhecido\/","title":{"rendered":"Com 40 vezes a massa da Terra, novo planeta \u00e9 o maior mundo rochoso conhecido"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-ju6on1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-137832\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Possivelmente o n\u00facleo de um gigante gasoso fracassado, o incomum objeto desafia teorias da forma\u00e7\u00e3o de planetas defendidas por astr\u00f4nomos.<\/h2>\n<p>A cerca de 730 anos-luz,\u00a0n\u00e3o muito longe para os padr\u00f5es de nossa gal\u00e1xia, um planeta extraordin\u00e1rio orbita uma estrela parecida com o Sol. Grande, denso e firmemente preso \u00e0 sua estrela anfitri\u00e3, o planeta \u00e9 diferente de tudo j\u00e1 visto pelos astr\u00f4nomos \u2014 em nosso pr\u00f3prio Sistema Solar ou al\u00e9m dele.<\/p>\n<p>O mundo t\u00f3rrido conhecido como TOI-849b \u00e9 o planeta rochoso de maior massa j\u00e1 observado, apresentando at\u00e9 40 vezes mais materiais comprimidos em seu interior do que a Terra. Surpreendentemente, o enorme volume do TOI-849b sugere que ele deveria ser um gigante gasoso como J\u00fapiter, apesar de praticamente n\u00e3o possuir atmosfera. A explica\u00e7\u00e3o sobre a origem desse planeta refuta as teorias de forma\u00e7\u00e3o dos planetas desenvolvidas pelos cientistas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil o surgimento de um planeta t\u00e3o denso e t\u00e3o grande quanto o TOI-849b sem que ele se torne um gigante gasoso\u201d, escreveu por e-mail\u00a0<a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/fac\/sci\/physics\/research\/astro\/people\/armstrong\/\">David Armstrong<\/a>, pesquisador de exoplanetas da Universidade de Warwick e autor principal de um estudo que descreve o novo planeta publicado hoje\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2421-7\">no peri\u00f3dico\u00a0<em>Nature<\/em><\/a>, \u201cAlgo no processo normal deu errado.\u201d Armstrong e seus colegas acreditam que o planeta seja o n\u00facleo exposto e desprovido de ar de um planeta gigante que deveria ser maior do que J\u00fapiter.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dos objetos celestes que testam os limites das teorias e tornam t\u00e3o interessante o estudo dos exoplanetas e da ci\u00eancia planet\u00e1ria\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ics.uzh.ch\/~rhelled\/\">Ravit Helled<\/a>, coautor do estudo, da Universidade de Zurique.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bastante curioso!\u201d, acrescenta\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ucolick.org\/~jfortney\/\">Jonathan Fortney<\/a>, diretor do\u00a0<a href=\"https:\/\/owl.ucsc.edu\/\">Laborat\u00f3rio de Outros Planetas<\/a>\u00a0da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz, que n\u00e3o participou das observa\u00e7\u00f5es. \u201cMas n\u00e3o sei ao certo quais s\u00e3o as repercuss\u00f5es disso.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Um esquisito entre gigantes<\/strong><\/h3>\n<p>Durante a \u00faltima d\u00e9cada, os ca\u00e7adores de planetas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2019\/03\/nasa-dear-kepler-how-exoplanet-hunting-opened-up-universe\/\">localizaram milhares de planetas distantes<\/a>\u00a0entre os campos estelares da gal\u00e1xia. A maioria \u00e9 definitivamente pouco familiar, enquadrando-se em categorias como \u201cJ\u00fapiteres quentes\u201d \u2014 planetas grandes e gasosos em \u00f3rbitas estreitas \u2014 ou \u201csuperterras\u201d, planetas rochosos maiores do que o nosso, mas menores do que Netuno. O TOI-849b, no entanto, desafia a classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O planeta foi avistado pelo telesc\u00f3pio espacial de busca de planetas da Nasa, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2018\/04\/nasa-tess-exoplanets-how-mission-works-earth-space-science\/\">TESS<\/a>\u00a0(Sat\u00e9lite de Pesquisa de Exoplanetas em Tr\u00e2nsito, na sigla em ingl\u00eas), que conduz pesquisas nas 200 mil estrelas mais brilhantes e mais pr\u00f3ximas de n\u00f3s. O planeta revelou sua exist\u00eancia ao passar na frente de sua estrela e, com isso, escurecer brevemente uma quantidade \u00ednfima da luz emitida por ela. Essas movimenta\u00e7\u00f5es passageiras e sombreadas indicaram que o planeta alien\u00edgena circula sua estrela a cada 18 horas, o que significa que a temperatura de sua superf\u00edcie \u00e9 de aproximadamente 1540\u00b0C.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do TESS tamb\u00e9m demonstraram que o planeta possui aproximadamente 3,4 vezes a largura da Terra ou 85% da largura de Netuno: tornando-o um planeta de tamanho incomum diante da estreita proximidade com sua estrela. At\u00e9 agora, os astr\u00f4nomos observaram principalmente J\u00fapiteres quentes ou superterras muito menores em \u00f3rbitas bastante estreitas, e n\u00e3o havia nada na regi\u00e3o chamada de deserto netuniano.<\/p>\n<p>\u201cDe fato n\u00e3o existem planetas com essa massa nessa regi\u00e3o\u201d, afirma Fortney. O TOI-849b possui o raio exato para ser um Netuno quente, por\u00e9m sua massa \u00e9 entre duas e tr\u00eas vezes maior.<\/p>\n<p>Outras observa\u00e7\u00f5es da oscila\u00e7\u00e3o gravitacional da estrela anfitri\u00e3, feitas com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/lasilla\/instruments\/harps.html\">instrumento HARPS<\/a>, no Observat\u00f3rio La Silla, no Chile, determinaram que, embora o TOI-849b possua a largura aproximada de Netuno, ele apresenta no m\u00ednimo o dobro de sua massa. Todo esse volume implica que o TOI-849b \u00e9 extremamente denso. O planeta rochoso pode ter uma camada delgada de atmosfera, provavelmente composta de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio \u2014 mas n\u00e3o tanto g\u00e1s quanto um planeta dessa dimens\u00e3o normalmente teria.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que ele tenha uma mistura de metais, silicatos, \u00e1gua e possivelmente uma atmosfera (muito) pequena\u201d, afirma Helled.<\/p>\n<h3><strong>Uma rel\u00edquia do passado distante?<\/strong><\/h3>\n<p>As propriedades peculiares do planeta sugerem a Armstrong e seus colegas que o planeta misterioso seja provavelmente o n\u00facleo de um gigante gasoso \u2014 algo que deveria ter desenvolvido uma massa maior do que a de J\u00fapiter. Os gigantes gasosos em nosso Sistema Solar provavelmente possuem n\u00facleos densos de rochas e materiais ex\u00f3ticos, embora n\u00e3o se acredite que nenhum dos n\u00facleos seja t\u00e3o denso quanto o do TOI-849b.<\/p>\n<p>\u201cNossas melhores estimativas da massa dessa parte do n\u00facleo de J\u00fapiter s\u00e3o surpreendentemente incertas\u201d, admite Armstrong. \u201cMas alguns estudos recentes sugeriram um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/ui.adsabs.harvard.edu\/abs\/2017GeoRL..44.4649W\/abstract&amp;sa=D&amp;source=hangouts&amp;ust=1593700004243000&amp;usg=AFQjCNFDNO7Z6WSSJFByQOs3dEmcFsAQCg\">limite m\u00e1ximo aproximado de 25 vezes a massa da Terra<\/a>. O TOI-849b possui uma massa ainda maior do que essa estimativa.\u201d<\/p>\n<p>As teorias atuais da forma\u00e7\u00e3o de planetas descrevem que os planetas se desenvolveriam a partir de pequenas sementes de rocha e gelo plantadas em discos girat\u00f3rios de g\u00e1s e poeira ao redor de estrelas rec\u00e9m-nascidas. Alguns planetas, como a Terra, acumularam uma quantidade limitada de materiais e permaneceram pequenos, ao passo que outros reuniram gases e se expandiram em mundos inflados com atmosferas gigantescas, como J\u00fapiter e Saturno.<\/p>\n<p>Armstrong explica que, quando um planeta alcan\u00e7a aproximadamente 10 vezes a massa terrestre, ele inicia um processo chamado ac\u00famulo descontrolado de gases e a gravidade do planeta atrai rapidamente o hidrog\u00eanio e o h\u00e9lio ao redor. Uma semente com 40 massas terrestres deveria, muito provavelmente, acumular uma quantidade absolutamente surpreendente de g\u00e1s \u2014 mas essa hip\u00f3tese n\u00e3o condiz com a apar\u00eancia atual do TOI-849b.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel afirmar que planetas como o TOI-849b s\u00e3o raros, mas existem mesmo assim, e agora \u00e9 preciso descobrir como e por que se formam\u201d, afirma Helled.<\/p>\n<p>Uma possibilidade \u00e9 que o TOI-849b tenha criado uma regi\u00e3o sem g\u00e1s ao redor de sua estrela e, assim, tenha ficado sem material para extrair e tenha interrompido o processo. Outra possibilidade \u00e9 que o TOI-849b seja a estrutura remanescente de um planeta anteriormente imenso que perdeu de alguma forma sua atmosfera, talvez por causa de sua proximidade com a estrela \u2014 embora, se esse for o caso, os cientistas planet\u00e1rios n\u00e3o saibam como o planeta poderia ter eliminado a quantidade de v\u00e1rias centenas de massas terrestres em g\u00e1s ao longo de alguns bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Um terceiro cen\u00e1rio \u00e9 que cataclismos durante os primeiros anos do planeta \u2014 como colis\u00f5es com outras sementes planet\u00e1rias de dimens\u00e3o semelhante \u2014 expandiram o n\u00facleo rochoso do planeta e removeram sua atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o principal vest\u00edgio \u00e9 que o TOI-849b est\u00e1 na regi\u00e3o do deserto netuniano, o que \u00e9 ind\u00edcio de uma hist\u00f3ria rara e sugere, para mim, um caminho bastante peculiar\u201d, afirma Armstrong.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Possivelmente o n\u00facleo de um gigante gasoso fracassado, o incomum objeto desafia teorias da forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rocha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":35,"uagb_excerpt":"Possivelmente o n\u00facleo de um gigante gasoso fracassado, o incomum objeto desafia teorias da forma\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137831"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}