{"id":137727,"date":"2020-11-28T10:58:05","date_gmt":"2020-11-28T13:58:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137727"},"modified":"2020-11-28T10:59:48","modified_gmt":"2020-11-28T13:59:48","slug":"araras-azuis-e-micos-leoes-dourados-voltam-a-atrair-traficantes-de-fauna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/araras-azuis-e-micos-leoes-dourados-voltam-a-atrair-traficantes-de-fauna\/","title":{"rendered":"Araras-azuis e micos-le\u00f5es-dourados voltam a atrair traficantes de fauna"},"content":{"rendered":"<div class=\"bulletpoints\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-137728\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ambientalistas chamam a aten\u00e7\u00e3o para o aumento do n\u00famero de apreens\u00f5es de dois animais s\u00edmbolos da biodiversidade brasileira: a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) e o mico-le\u00e3o-dourado (Leontopithecus rosalia).<\/li>\n<li>O mercado ilegal desses animais quase levou as esp\u00e9cies \u00e0 extin\u00e7\u00e3o \u2014 um processo revertido a partir dos anos 1980 com o trabalho de entidades como o Instituto Arara Azul e a Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado.<\/li>\n<li>Pesquisadora ligada \u00e0 arara-azul notou que os casos de tr\u00e1fico aumentaram depois que a esp\u00e9cie deixou de figurar na lista nacional oficial de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Quanto ao mico-le\u00e3o-dourado, n\u00e3o foi identificado um motivo claro para a alta de exemplares traficados. Especialista aponta para a crise econ\u00f4mica e a fragiliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais e de fiscaliza\u00e7\u00e3o como poss\u00edveis fatores.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>Ambientalistas respons\u00e1veis por duas das mais renomadas entidades conservacionistas de animais silvestres do Brasil est\u00e3o em estado de alerta. Apreens\u00f5es recentes de araras-azuis-grandes (<em>Anodorhynchus hyacinthinus<\/em>) e micos-le\u00f5es-dourados (<em>Leontopithecus rosalia<\/em>) trouxeram novamente o fantasma do tr\u00e1fico de fauna para as mesas de trabalho do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.institutoararaazul.org.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Instituto Arara Azul<\/a>\u00a0e da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.micoleao.org.br\/\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado (AMLD)<\/a>. O mercado ilegal desses animais esteve entre as principais causas que, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, quase levaram \u00e0 extin\u00e7\u00e3o essas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O problema do tr\u00e1fico desses animais nunca desapareceu, mas foi bastante reduzido com um intenso trabalho promovido por essas ONGs para sensibilizar o poder p\u00fablico e as comunidades que vivem nas regi\u00f5es onde habitam a ave e o pequeno primata. As institui\u00e7\u00f5es conseguiram aglutinar v\u00e1rios atores sociais na prote\u00e7\u00e3o de duas esp\u00e9cies que se tornaram s\u00edmbolos da biodiversidade brasileira.<\/p>\n<h3><strong>Saiu da lista, aumentou a amea\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>O aumento das apreens\u00f5es de araras-azuis-grandes com traficantes de fauna ap\u00f3s a sa\u00edda da esp\u00e9cie da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/images\/stories\/docs-plano-de-acao-ARQUIVO\/00-saiba-mais\/04_-_PORTARIA_MMA_N%C2%BA_444_DE_17_DE_DEZ_DE_2014.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Lista Nacional Oficial de Esp\u00e9cies da Fauna Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o<\/a>, em 2014, deixou a pesquisadora e presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, em alerta. \u201cA puni\u00e7\u00e3o prevista para o tr\u00e1fico de animais de esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o \u00e9 mais rigorosa. No contexto do tr\u00e1fico de araras-azuis, estamos falando de grupos especializados, com poucas pessoas envolvidas. Portanto, a sa\u00edda da esp\u00e9cie da lista facilitou a vida desses traficantes\u201d, afirma Neiva.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o destacada pela ambientalistas \u00e9 a mensagem passada para a popula\u00e7\u00e3o e aos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o quando uma esp\u00e9cie deixa de ser classificada como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. \u201cA sa\u00edda da lista n\u00e3o \u00e9 um incentivo ao tr\u00e1fico, mas passa-se a fazer \u201cvista grossa\u201d por causa do racioc\u00ednio de que, se houve aumento do n\u00famero de araras-azuis, n\u00e3o \u00e9 preciso mais tanto empenho dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e da popula\u00e7\u00e3o mobilizada para vigiar as aves\u201d, salienta.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>Anodorhynchus hyacinthinus\u00a0<\/em>estava nas duas listas anteriores de esp\u00e9cies da fauna amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, a de\u00a0<a href=\"https:\/\/cetesb.sp.gov.br\/licenciamento\/documentos\/1989_Port_IBAMA_1522.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">1989<\/a>\u00a0e a de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/images\/stories\/biodiversidade\/fauna-brasileira\/normativas\/IN%2003-2003%20Fauna.pdf\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">2003<\/a>. Na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iucnredlist.org\/species\/22685516\/93077457\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o para a Natureza<\/a>\u00a0(IUCN, na sigla em ingl\u00eas), a esp\u00e9cie ainda consta como amea\u00e7ada, estando na categoria \u201cvulner\u00e1vel\u201d. Para a Conven\u00e7\u00e3o sobre Com\u00e9rcio Internacional das Esp\u00e9cies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extin\u00e7\u00e3o (Cites), a arara-azul-grande est\u00e1 relacionada no Ap\u00eandice 1, o que significa que o com\u00e9rcio internacional dessas aves est\u00e1 proibido, exceto quando a transa\u00e7\u00e3o for para fins n\u00e3o comerciais.<\/p>\n<p>Ainda em 2014, recorda Neiva, logo ap\u00f3s o an\u00fancio da atual lista nacional de esp\u00e9cies amea\u00e7adas, que n\u00e3o inclui a arara-azul-grande, policiais apreenderam uma f\u00eamea adulta e dois ovos na regi\u00e3o do munic\u00edpio de Bela Vista (MS), na fronteira com o Paraguai. A ave acabou morrendo e os ovos n\u00e3o puderam ser aproveitados para reprodu\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o houve cuidados durante o transporte at\u00e9 o Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande.<\/p>\n<p>Outro caso que chamou a aten\u00e7\u00e3o da ambientalista foi registrado em 20 de outubro de 2017, quando uma chinesa de 25 anos acabou detida ao desembarcar no aeroporto de Taip\u00e9, capital de Taiwan, com 49 ovos de araras-azuis-grandes escondidos em uma bagagem de m\u00e3o com dispositivo t\u00e9rmico \u2013 os ovos estavam com embri\u00f5es. A mulher afirmou ter um tio residente no Paraguai, onde teria embarcado. Esse chin\u00eas seria um dos principais respons\u00e1veis pelo envio de araras, papagaios, tucanos e at\u00e9 aves de rapina para seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244693\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244693\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-244693 \" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-1024x768.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-100x75.jpg 100w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-235x175.jpg 235w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-600x450.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1-733x550.jpg 733w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Arara-que-estava-sendo-traficada.-Foto-Edson-Diniz-5-1536x1152-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244693\" class=\"wp-caption-text\">Arara-azul-grande apreendida em Bela Vista (MS), na fronteira com o Paraguai. A ave acabou morrendo e os dois ovos n\u00e3o puderam ser aproveitados para reprodu\u00e7\u00e3o. Foto: Edson Diniz.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Rota pelo Paraguai<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>Com a apreens\u00e3o de ovos em Taiwan em 2017, investiga\u00e7\u00f5es foram realizadas para tentar identificar a forma como traficantes chineses de aves estariam, a partir do Paraguai, agindo em territ\u00f3rio brasileiro. As informa\u00e7\u00f5es levantadas indicam que Bela Vista, cidade do Mato Grosso do Sul situada junto \u00e0 vizinha paraguaia Bella Vista Norte, seria o ponto de travessia de ovos e animais para fora do pa\u00eds. As \u00e1reas urbanas dos dois munic\u00edpios s\u00e3o separados pelo Rio Apa e ligadas por uma ponte.<\/p>\n<p>O protagonismo de Bela Vista na rota de tr\u00e1fico de araras-azuis foi refor\u00e7ado este ano. Em 25 de setembro, dois paraguaios foram surpreendidos nessa cidade por uma equipe da Pol\u00edcia Militar transportando uma arara-azul f\u00eamea adulta dentro de um saco. A dupla, que reside em Bella Vista Norte e estava em um carro sem placas, informou ter capturado a ave em uma fazenda do lado brasileiro. Ela foi solta ap\u00f3s ter sido examinada (v\u00eddeo abaixo).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WWsRaZ8URDw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Al\u00e9m da intensifica\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico, a captura de f\u00eameas adultas refor\u00e7ou a preocupa\u00e7\u00e3o de Neiva. Tradicionalmente, os traficantes de araras-azuis-grandes trabalham com ovos e filhotes, pela facilidade em transportar. \u201cAgora est\u00e3o pegando de tudo. Ao retirar uma f\u00eamea em idade reprodutiva, perde-se v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es da esp\u00e9cie. As f\u00eameas demoram de sete a nove anos para come\u00e7ar a se reproduzir e o far\u00e3o por uns 28 anos. O impacto \u00e9 muito maior se comparado ao roubo de ovos\u201d, salientou.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul afirmou n\u00e3o ser comum o tr\u00e1fico de araras-azuis-grandes na regi\u00e3o de Bela Vista. De acordo com o tenente-coronel Ednilson Paulino Queiroz, do Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul, \u201co fato de estarem levando somente um animal em per\u00edodo reprodutivo significa que n\u00e3o s\u00e3o elementos voltados para tr\u00e1fico da esp\u00e9cie. At\u00e9 porque eram paraguaios e para traficar a esp\u00e9cie n\u00e3o precisariam entrar no Brasil, tendo em vista que a ave existe l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal e o Ibama foram consultados sobre o problema e n\u00e3o se manifestaram.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244694\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244694\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244694\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-1024x768.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-100x75.jpg 100w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-235x175.jpg 235w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-600x450.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1-733x550.jpg 733w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-Casal-no-ninho-artificial.-Foto-Fernanda-Fontoura-1536x1152-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244694\" class=\"wp-caption-text\">Casal de araras-azuis em ninho artificial. Esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o no Pantanal aumentaram o n\u00famero de exemplares da esp\u00e9cie. Foto: Fernanda Fontoura.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dedicada desde 1989 \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das araras-azuis-grandes, Neiva tem raz\u00e3o para estar preocupada quando o assunto \u00e9 o tr\u00e1fico da esp\u00e9cie. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, estima-se que mais de 10 mil araras-azuis foram retiradas da natureza para abastecer a demanda do com\u00e9rcio ilegal de fauna, com destaque ao mercado internacional. Essa explora\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o do habitat dessas aves em \u00e1reas agricult\u00e1veis, pastagens e em cidades, al\u00e9m da ca\u00e7a para coleta de penas para artesanato ind\u00edgena, fizeram com que a esp\u00e9cie, que originalmente era encontrada por quase todo o Brasil, entrasse em forte decl\u00ednio populacional.<\/p>\n<p>Em 1987, estimou-se a exist\u00eancia de 2.500 a 3 mil araras-azuis-grandes vivendo livres no Pantanal brasileiro e em \u00e1reas vizinhas do Paraguai e da Bol\u00edvia, no norte do Brasil (Par\u00e1) e no Maranh\u00e3o, Bahia, Piau\u00ed, Tocantins, Goi\u00e1s e Minas Gerais. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, esse n\u00famero era de 1.500 para o Pantanal. E, para piorar a situa\u00e7\u00e3o, essas aves t\u00eam uma baixa taxa de natalidade. Essa caracter\u00edstica fez com que a esp\u00e9cie n\u00e3o conseguisse manter quantitativamente sua popula\u00e7\u00e3o frente \u00e0 velocidade de retirada de animais que estava sendo imposta pelo homem e \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de seu habitat.<\/p>\n<p>Com um trabalho de conserva\u00e7\u00e3o intenso no Pantanal, onde est\u00e1 a maior popula\u00e7\u00e3o de araras-azuis-grandes, estima-se que hoje vivam livres cerca de 6.500 exemplares da esp\u00e9cie. Apesar do aumento da quantidade de aves, Neiva afirma que a retirada da esp\u00e9cie da lista de fauna amea\u00e7ada foi uma \u201cjogada de governo\u201d que a surpreendeu. \u201cA lista brasileira estava aumentando muito durante seu processo de elabora\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o precisavam fazer uma reavalia\u00e7\u00e3o de quais esp\u00e9cies poderiam ser retiradas. A\u00ed lan\u00e7aram a lista dando a not\u00edcia boa da sa\u00edda de algumas esp\u00e9cies \u201d, explicou.<\/p>\n<p>Neiva afirma que est\u00e1 chegando o momento de fazer uma nova revis\u00e3o da lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e a arara-azul-grande dever\u00e1 voltar a integr\u00e1-la. Ela relata que o recente aumento do desmatamento, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as queimadas deste ano gerar\u00e3o fortes impactos negativos na conserva\u00e7\u00e3o da ave, que agora tamb\u00e9m volta a ser assombrada pelo tr\u00e1fico de fauna.<\/p>\n<h3><strong>O s\u00edmbolo da Mata Atl\u00e2ntica<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>Assim como aconteceu com as araras-azuis-grandes, os micos-le\u00f5es-dourados quase foram extintos no s\u00e1culo passado. Na d\u00e9cada de 1960, estimativas indicavam a exist\u00eancia de somente 200 desses primatas vivendo livres na natureza. A derrubada da Mata Atl\u00e2ntica fluminense e a exporta\u00e7\u00e3o de animais para cria\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e zool\u00f3gicos foram identificadas como as principais causas do problema.<\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado, Luis Paulo Ferraz, a articula\u00e7\u00e3o internacional de conservacionistas e zool\u00f3gicos para a soltura de micos-le\u00f5es-dourados que viviam em cativeiro na natureza, desenvolvida a partir de 1984, foi fundamental para reduzir o tr\u00e1fico da esp\u00e9cie. \u201cO manejo da esp\u00e9cie em cativeiro, que inclu\u00eda a cess\u00e3o de animais de um zool\u00f3gico para outro, contribuiu para reduzir tamb\u00e9m os pre\u00e7os e o com\u00e9rcio pelo tr\u00e1fico\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s d\u00e9cadas de trabalho intenso, que incluiu as solturas e intensifica\u00e7\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o, o problema do com\u00e9rcio ilegal deixou de estar entre as principais preocupa\u00e7\u00f5es dos conservacionistas que atuam com o mico-le\u00e3o-dourado. Atualmente, o foco, inclusive da AMLD, \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do habitat da esp\u00e9cie, que hoje conta com cerca de 2.500 animais vivendo livres na natureza. A meta a ser atingida \u00e9 25 mil hectares de florestas protegidas e conectadas.<\/p>\n<p>Ferraz afirma que ainda \u00e9 cedo para afirmar que est\u00e1 ocorrendo um aumento no tr\u00e1fico de micos-le\u00f5es-dourados. \u201cOs casos recentes nos deixam preocupados com a possibilidade de que um processo como esse possa voltar, principalmente no contexto atual, com o crescimento da pobreza e da viol\u00eancia, a crise econ\u00f4mica e a fragiliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os ambientais e de fiscaliza\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica desse governo n\u00e3o contribui para a prote\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Diferentemente do que ocorria no passado, em que o tr\u00e1fico de micos-le\u00f5es-dourados era voltado para o mercado externo, as recentes apreens\u00f5es indicam a preval\u00eancia do com\u00e9rcio dentro do Brasil.<\/p>\n<p>Em 25 de julho de 2017, a PM Ambiental paulista encontrou 19 pequenos primatas, entre eles dois micos-le\u00f5es-dourados, em um im\u00f3vel no munic\u00edpio de Embu das Artes. Uma mulher foi detida e houve a apreens\u00e3o de listas de fornecedores e compradores de animais, aparato para microchipagem e notas fiscais falsificadas. No mesmo ano, um casal da esp\u00e9cie foi encontrado em um pet shop de Maring\u00e1 (PR), onde estava sendo vendido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244696\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244696\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244696\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/micos-leo%CC%83es-embu-2017-pm-amb-sp.jpg\" sizes=\"(max-width: 606px) 100vw, 606px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/micos-leo\u0303es-embu-2017-pm-amb-sp.jpg 606w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/micos-leo\u0303es-embu-2017-pm-amb-sp-300x207.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/micos-leo\u0303es-embu-2017-pm-amb-sp-600x415.jpg 600w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"442\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244696\" class=\"wp-caption-text\">Micos-le\u00f5es-dourados apreendidos em Embu das Artes (SP). Foto: PM Ambiental SP.<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>No litoral fluminense, tr\u00e1fico e ca\u00e7a<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>Desmatamento e invas\u00f5es por grileiros de trechos do Parque Natural Municipal do Mico-Le\u00e3o-Dourado, localizado em um distrito de Cabo Frio (RJ), t\u00eam causado problemas para o grupo desses pequenos primatas que vive no local. De acordo com a prefeitura, \u201cem seis meses, foram encontrados quatro micos adultos mortos, todos com sinais de maus-tratos, sendo que um deles foi morto com um tiro. Os animais foram mortos com a inten\u00e7\u00e3o de eliminar a fiscaliza\u00e7\u00e3o do local e, com isso, facilitar a invas\u00e3o da \u00e1rea para parcelamento de lotes.\u201d<\/p>\n<p>No meio desse conflito entre o poder p\u00fablico e os invasores, j\u00e1 houve registro de captura de micos para tr\u00e1fico. Em 15 de agosto de 2020, uma den\u00fancia an\u00f4nima informou a prefeitura que haveria dois animais em um im\u00f3vel pr\u00f3ximo ao parque e que eles seriam levados para venda na conhecida feira do munic\u00edpio fluminense de Duque de Caxias \u2013 um dos principais centros de tr\u00e1fico de fauna da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Fiscais da prefeitura e policiais militares foram ao local indicado e encontraram os micos. Um deles morreu durante a opera\u00e7\u00e3o. Dois homens foram detidos e 50 p\u00e1ssaros tamb\u00e9m acabaram apreendidos.<\/p>\n<p>Em 17 de setembro, uma opera\u00e7\u00e3o organizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais contra o tr\u00e1fico de fauna no Estado apreendeu 116 animais, incluindo tr\u00eas micos-le\u00f5es-dourados que estavam em um zool\u00f3gico irregular em Caratinga (MG). Um quarto animal fugiu, sendo capturado em outubro.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal informou n\u00e3o ter investiga\u00e7\u00f5es em curso envolvendo tr\u00e1fico de micos-le\u00f5es-dourados. O Ibama n\u00e3o se manifestou. A Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro esclareceu n\u00e3o ter realizado apreens\u00f5es de animais da esp\u00e9cie nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que nos permita afirmar que estamos vivendo uma nova onda de tr\u00e1fico, mas essas diversas ocorr\u00eancias nos deixaram preocupados, especialmente no atual contexto social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico do Brasil. Nada disso acontece de forma isolada\u201d, avalia Ferraz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244695\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244695\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244695\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO%CC%83ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-1024x685.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-600x402.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-822x550.jpg 822w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1-272x182.jpg 272w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/MICOS-LEO\u0303ES-DOURADOS-ANDREIA-MARTINS-AMLD-4-1536x1028-1.jpg 1536w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"428\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244695\" class=\"wp-caption-text\">Estima-se que vivam hoje cerca de 2.500 micos-le\u00f5es-dourados na natureza. Enquanto teme por uma poss\u00edvel volta do tr\u00e1fico, a Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado concentra os esfor\u00e7os em criar um corredor de florestas protegidas com 25 mil hectares de \u00e1rea. Foto: Andreia Martins\/AMLD.<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Imagem do banner: Andreia Martins\/AMLD.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ambientalistas chamam a aten\u00e7\u00e3o para o aumento do n\u00famero de apreens\u00f5es de dois animais s\u00edmbolos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":137728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mico_leao-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ambientalistas chamam a aten\u00e7\u00e3o para o aumento do n\u00famero de apreens\u00f5es de dois animais s\u00edmbolos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137727"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137727\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/137728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}