{"id":137138,"date":"2020-11-15T10:00:51","date_gmt":"2020-11-15T13:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137138"},"modified":"2020-11-14T20:45:19","modified_gmt":"2020-11-14T23:45:19","slug":"cientistas-suicos-lutam-contra-o-desperdicio-de-alimentos-com-nanotecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-suicos-lutam-contra-o-desperdicio-de-alimentos-com-nanotecnologia\/","title":{"rendered":"Cientistas su\u00ed\u00e7os lutam contra o desperd\u00edcio de alimentos com nanotecnologia"},"content":{"rendered":"<p class=\"lead-text\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lixo-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-137139\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lixo-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lixo-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lixo-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos os anos, cerca de 1,3 bilh\u00e3o de toneladas de alimentos v\u00e3o para o lixo em todo o mundo.\u00a0Na Su\u00ed\u00e7a, os pesquisadores est\u00e3o tentando ajudar a enfrentar o desafio do desperd\u00edcio de alimentos usando nanotecnologia.<\/p>\n<p>Pode acontecer com qualquer pessoa &#8211; um iogurte esquecido na parte de tr\u00e1s da sua geladeira passou do prazo de validade e voc\u00ea acaba jogando-o no lixo ou composto.\u00a0Mas seria\u00a0realmente ruim consumi-lo?<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o estampada nos alimentos pode ser\u00a0confusa\u00a0para os consumidores.\u00a0Talvez a comida naquele\u00a0pacote\u00a0em\u00a0particular\u00a0fosse perfeitamente segura e saborosa.\u00a0E, ao acabar desnecessariamente no lixo, simplesmente aumentaria o desperd\u00edcio de alimentos.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), cerca de um ter\u00e7o de todos os alimentos produzidos a cada ano \u00e9\u00a0desperdi\u00e7ado ou perdido\u00a0no caminho entre os produtores e as lojas, os fornecedores\u00a0ou as fam\u00edlias.\u00a0E nesse assunto a Su\u00ed\u00e7a tem uma culpa grande:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.swissinfo.ch\/por\/meio-ambiente_fam%C3%ADlias-s%C3%A3o-as-maiores-fontes-de-desperd%C3%ADcio-alimentar-na-su%C3%AD%C3%A7a\/44933014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">190 quilos de alimentos s\u00e3o desperdi\u00e7ados<\/a> por pessoa anualmente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.swissinfo.ch\/por\/meio-ambiente_fam%C3%ADlias-s%C3%A3o-as-maiores-fontes-de-desperd%C3%ADcio-alimentar-na-su%C3%AD%C3%A7a\/44933014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Niloufar Sharif<\/a>\u00a0acredita que tem uma resposta para este problema.\u00a0A pesquisadora de p\u00f3s-doutorado iraniano est\u00e1 trabalhando em um projeto de tr\u00eas anos no Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne (EPFL) para desenvolver tecnologias de embalagem inteligentes que possam identificar precisamente quais produtos est\u00e3o estragados.<\/p>\n<p>\u201cQuando temos sensores, podemos monitorar o produto em tempo real\u201d, disse a cientista alimentar \u00e0 swissinfo.ch.<\/p>\n<h2>Nanotubos de carbono<\/h2>\n<p>Em seu laborat\u00f3rio de nanotecnologia na EPFL, Sharif est\u00e1 construindo sensores a partir de min\u00fasculos nanotubos de carbono &#8211; mol\u00e9culas cil\u00edndricas que consistem em folhas enroladas de \u00e1tomos de carbono de camada \u00fanica medindo um bilion\u00e9simo de metro &#8211; que ela espera que sejam \u00fateis para detectar sinais de degrada\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>Esses sensores ultra-min\u00fasculos, integrados \u00e0 embalagem de alimentos, reagem quando os alimentos estragam.\u00a0Um sistema ent\u00e3o interpreta os dados e os traduz em um sinal que as pessoas podem ler na parte externa da embalagem do alimento.<\/p>\n<p>Alimentos diferentes se decomp\u00f5em de maneiras diversas, em taxas e condi\u00e7\u00f5es diferentes, como n\u00edveis de luz e umidade. Sharif acredita que seus sensores podem reagir a certos gases durante a atividade bacteriana ou f\u00fangica na comida.<\/p>\n<p>Uma maneira de analisar \u00e9 monitorar os n\u00edveis de pH, que indicam se algo \u00e9 \u00e1cido, neutro ou alcalino e podem mostrar a decomposi\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>\u201cSe tivermos um produto em que n\u00e3o haja atividade de microrganismos, podemos ter, por exemplo, um pH de 7 [que \u00e9 intermedi\u00e1rio ou neutro]\u201d, disse Sharif.\u00a0\u201cQuando tivermos atividade de microrganismos, esse pH vai mudar.\u00a0Se o sensor detectar mudan\u00e7as de pH, ele nos alerta para\u00a0algum tipo de atividade\u00a0de microrganismos. \u201d<\/p>\n<p>Se o pH se alterar para um n\u00edvel inseguro, um sensor no r\u00f3tulo alerta os gerentes de alimentos ou compradores de que o alimento n\u00e3o \u00e9 mais seguro para comer.<\/p>\n<p>O projeto de Sharif foi selecionado como parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/futurefoodinitiative.ch\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Future Food Initiative<\/a>, um programa da ind\u00fastria cient\u00edfica su\u00ed\u00e7a que visa expandir a pesquisa e a educa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora seu trabalho tenha sofrido atrasos devido \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus, ela agora est\u00e1 ocupada montando o laborat\u00f3rio para a primeira das tr\u00eas fases do projeto: testar os sensores com v\u00e1rios gases, integrar os sensores em materiais de embalagem e experimentar os dispositivos em alimentos reais.<\/p>\n<h2>C\u00e1psulas\u00a0ultra-pequenas<\/h2>\n<p>Outro projeto recente de res\u00edduos alimentares na Su\u00ed\u00e7a utilizou a nanotecnologia para tornar poss\u00edvel a embalagem inteligente.\u00a0Foi conclu\u00eddo em 2018 como parte do Programa Nacional de Pesquisa da Su\u00ed\u00e7a NRP 69, \u201cNutri\u00e7\u00e3o Saud\u00e1vel e Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel de Alimentos\u201d.<\/p>\n<p>No departamento de qu\u00edmica da Universidade da Basileia as professoras Cornelia Gabriela Palivan e Ozana Fischer desenvolveram superf\u00edcies de vidro pequenas nas quais conectaram sensores em formato de c\u00e1psulas min\u00fasculas, medindo apenas 100 nan\u00f4metros de di\u00e2metro \u2013 a largura de um cabelo humano.<\/p>\n<p>As min\u00fasculas c\u00e1psulas podem ser preenchidas com diferentes subst\u00e2ncias para diversos usos. A mais simples, disse Palivan, funciona como um reator que pode indicar quando um ambiente mudou, como quando a qualidade dos alimentos se deteriora.<\/p>\n<div class=\"si-grid\">\n<article class=\"si-teaser beat--economy\">\n<div class=\"si-teaser__content\">\n<h3 class=\"si-teaser__title\">Referendo n\u00e3o influencia banco central<\/h3>\n<p class=\"si-teaser__lead\"><span class=\"show-for-sr\">Este conte\u00fado foi publicado em 13. nov 2020<\/span><time class=\"si-teaser__date\" datetime=\"2020-11-13T10:00:00+01:00\"><span aria-hidden=\"true\">13. nov 2020<\/span>\u00a0<\/time>O fim do investimento em empresas de armamentos em plebiscito? O banco central da Su\u00ed\u00e7a defende o &#8220;n\u00e3o&#8221;. O comentarista da SWI discorda.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<p>Com os sensores, \u201cvoc\u00ea ver\u00e1 a presen\u00e7a de mol\u00e9culas espec\u00edficas associadas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d, disse ela \u00e0 swissinfo.ch.<\/p>\n<p>Para testar sua pesquisa, as cientistas encheram c\u00e1psulas com o corante fluorescente piranina.\u00a0\u00c0 medida que o n\u00edvel de pH do ambiente mudava, a intensidade da fluoresc\u00eancia da piranina variava.<\/p>\n<p>Em outros cen\u00e1rios, a c\u00e1psula pode ser projetada para detectar uma subst\u00e2ncia nociva espec\u00edfica.\u00a0Uma vez detectada, uma esp\u00e9cie de porta se abria na c\u00e1psula permitindo que a subst\u00e2ncia prejudicial entrasse no compartimento min\u00fasculo e interagisse com outras subst\u00e2ncias de dentro da c\u00e1psula, tornando inofensivas as mol\u00e9culas perigosas.<\/p>\n<p>Os consumidores veriam uma etiqueta quadrada com cerca de 0,5 cm de tamanho que mudaria de cor para indicar o frescor.\u00a0Isso poderia parecer um sem\u00e1foro, onde um r\u00f3tulo verde significa que o alimento dentro \u00e9 fresco e um r\u00f3tulo vermelho indica que o produto n\u00e3o \u00e9 mais seguro para comer.<\/p>\n<p>A equipe da Basileia publicou suas descobertas no jornal de qu\u00edmica su\u00ed\u00e7o \u201cHelvetica Chimica Acta\u201d em 2018.<\/p>\n<p>Para Palivan, se as pessoas come\u00e7arem a pedir mudan\u00e7as, resultados como o trabalho de seu grupo est\u00e3o prontos para mostrar o que pode ser feito.<\/p>\n<p>\u201cNa pesquisa estamos desenvolvendo novas tecnologias, portanto temos uma solu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.\u00a0\u201cSe a sociedade precisa dessas respostas podemos ir em frente, mas precisamos de mais apoio.\u201d<\/p>\n<h2>Confie nos seus sentidos<\/h2>\n<p>Karin Spori, diretora-gerente da foodwaste.ch, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos com sede em Berna, disse que \u00e9 interessante ver as ideias que os pesquisadores est\u00e3o trazendo para a mesa.<\/p>\n<p>Ela imagina que a ind\u00fastria, como chefs ou centros de doa\u00e7\u00e3o de alimentos, podem fazer uso de um sistema como o que Palivan e sua equipe desenvolveram.<\/p>\n<p>Mas a bi\u00f3loga experiente se sentiu menos confiante sobre o uso dessas tecnologias pelo consumidor.\u00a0Ela comentou que as pessoas podem n\u00e3o querer algo chamado nanotecnologia associado a seus alimentos.<\/p>\n<p>Spori disse que as mudan\u00e7as nas fam\u00edlias s\u00e3o mais prov\u00e1veis \u200b\u200bao educar os consumidores a confiar em seu olfato e sabor para o frescor e gerenciar como eles compram e usam os alimentos.<\/p>\n<p>\u201cEmbalagem inteligente n\u00e3o me torna inteligente se eu n\u00e3o organizar minha comida adequadamente\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Ela acrescentou que em pa\u00edses industrializados como a Su\u00ed\u00e7a h\u00e1 pouca press\u00e3o para mudar a forma como os consumidores abordam seus pr\u00f3prios res\u00edduos alimentares.<\/p>\n<p>\u201cSete por cento dos or\u00e7amentos familiares\u00a0s\u00e3o para alimentos na Su\u00ed\u00e7a, uma pequena quantia\u201d, disse Spori.<\/p>\n<p>A mentalidade do consumidor su\u00ed\u00e7o costuma ser a de que \u201cquando um iogurte n\u00e3o parece t\u00e3o fresco, voc\u00ea pode simplesmente comprar um novo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><em>Adapta\u00e7\u00e3o: Clarissa Levy<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, cerca de 1,3 bilh\u00e3o de toneladas de alimentos v\u00e3o para o 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