{"id":137099,"date":"2020-11-14T10:01:59","date_gmt":"2020-11-14T13:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=137099"},"modified":"2020-11-14T10:01:59","modified_gmt":"2020-11-14T13:01:59","slug":"os-incendiarios-sao-os-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-incendiarios-sao-os-outros\/","title":{"rendered":"Os incendi\u00e1rios s\u00e3o os outros"},"content":{"rendered":"<div class=\"title\">\n<div><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Serra-do-Cipo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-137100 size-full\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Serra-do-Cipo.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Serra-do-Cipo.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Serra-do-Cipo-300x157.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"author\">J.B. Libanio<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text-area\">\n<p>Numa casa simples na Serra do Cip\u00f3, rumo \u00e0 Cachoeira do Bicame, a apenas 50 metros de dist\u00e2ncia da linha de fogo que s\u00f3 foi apagada ap\u00f3s quase oito horas de combate, envolvendo o hero\u00edsmo de 60 brigadistas, um livro precioso tamb\u00e9m se salvou das chamas.<\/p>\n<p>Trata-se, na verdade, de um livreto escrito pelo te\u00f3logo e padre jesu\u00edta J. B. Libanio, intitulado \u201cQual o caminho entre o crer e o amar?\u201d. Parece que ele foi escrito para as pessoas que, sem culpa e ignorantes da beleza e import\u00e2ncia vital do mesmo Deus ou da Natureza que lhes d\u00e1 a vida sem nada pedir de volta, s\u00e3o respons\u00e1veis por 90% dos inc\u00eandios, segundo estat\u00edsticas de bombeiros e brigadistas. Sentem prazer no que fazem.<\/p>\n<p>E por que Deus, a pr\u00f3pria Natureza, mais forte do que eles, permite isso? \u00c9 o que Padre Libanio nos convida a meditar na p\u00e1gina 9, sobre os humanos infernais que continuamos sendo.<\/p>\n<p>\u201cDe maneira imperfeita e anal\u00f3gica, imaginamos um Deus que se retrai, se encolhe para que o mundo exista. Quando chove, chove. E Deus n\u00e3o pode impedir que as \u00e1guas subam, inundem e matem. Quando o sol arde, seca. E Deus n\u00e3o pode evitar que a seca castigue muitos com seus efeitos.<\/p>\n<p>Essas leis agem dentro de determinados limites que nem ele infringe. J\u00e1 come\u00e7am a aparecer os pequenos infernos terrestres: terremotos, avalanches, nevascas, temporais, maremotos, etc.<\/p>\n<p>Deus encolhe-se uma segunda vez.<\/p>\n<p>Os limites da cria\u00e7\u00e3o material at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o afetariam nenhuma consci\u00eancia. Os males terrestres n\u00e3o seriam infernos humanos. N\u00e3o chegariam a ser realmente sofrimento, porque n\u00e3o havia quem os captasse como tal.<\/p>\n<p>Eis que Deus cria o ser humano livre, consciente. Doravante estabelece-se um jogo entre a cria\u00e7\u00e3o e ele. Tudo que acontece na natureza afeta os seres humanos e eles tamb\u00e9m interferem na harmonia do universo. Surgem os infernos humanos, produzidos por cat\u00e1strofes naturais e por a\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Toca ao ser humano, em liberdade e consci\u00eancia, ir configurando o seu entorno terrestre e hist\u00f3rico. Ele \u00e9 um n\u00f3 de rela\u00e7\u00f5es livres, afetivas, humanas com todos os seres existentes e com o criador deles. Nesse momento surge a possibilidade, n\u00e3o de Deus criar um inferno de rela\u00e7\u00f5es, mas de o ser humano faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Sartre plasmou a frase t\u00e3o repetida, mas sem deixar de ser terr\u00edvel: \u201cO inferno s\u00e3o os outros\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade s\u00f3 em parte. Todos fizemos experi\u00eancias de qu\u00e3o pesado, qu\u00e3o infernal \u00e9 conviver com pessoas extremamente ego\u00edstas, narcisistas, fechadas nelas mesmas. S\u00e3o-nos um inferno.<\/p>\n<p>Foi Deus? N\u00e3o. Foram a nossa liberdade e as nossas decis\u00f5es, nutridas e corroboradas com muitas outras. H\u00e1, sem d\u00favida, um n\u00edvel pessoal em que unicamente eu sou o plasmador do inferno.<\/p>\n<p>O inferno come\u00e7a ent\u00e3o a ser constru\u00eddo na Terra pelas rela\u00e7\u00f5es que institu\u00edmos com as pessoas. Nelas est\u00e3o ausentes o amor, a miseric\u00f3rdia, a compaix\u00e3o, a ternura, a acolhida. Elas cristalizam-se cada vez mais no \u00f3dio, na rejei\u00e7\u00e3o, na frialdade, no absoluto encapsulamento em si mesmo.<\/p>\n<p>A frase de Sartre adquire plena verdade quando o eu se faz absoluto no sentido forte da etimologia \u2013 Ab-soluto \u2013 estar separado de todo liame, de toda rela\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, separado de todo outro ser humano. Eis a\u00ed o inferno. E o conjunto de seres assim constitui-se o inferno coletivo.<\/p>\n<p>Neste sentido, Deus (a Natureza) n\u00e3o condena a ningu\u00e9m. Respeita sofrido (a) e calado (a) a decis\u00e3o das pessoas se autodeterminarem numa dire\u00e7\u00e3o. Continua eternamente aberto, esperando, sofrendo a eterna rejei\u00e7\u00e3o ego\u00edsta da liberdade humana.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J.B. 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