{"id":136970,"date":"2020-11-13T07:00:01","date_gmt":"2020-11-13T10:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136970"},"modified":"2020-11-13T07:14:35","modified_gmt":"2020-11-13T10:14:35","slug":"frutiferas-nativas-riqueza-do-brasil-que-precisa-ser-conhecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/frutiferas-nativas-riqueza-do-brasil-que-precisa-ser-conhecida\/","title":{"rendered":"Frut\u00edferas nativas: riqueza do Brasil que precisa ser mais conhecida"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"news-subtit margin-bottom-20\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136971\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Presentes em todas regi\u00f5es e biomas brasileiros, as frutas nativas s\u00e3o fontes de nutrientes e sabores \u00fanicos, que t\u00eam tudo para conquistar paladares brasileiros e de outros pa\u00edses<\/h3>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em cambuci, cabeludinha grumixama e uvaia? Pois bem, para alguns podem dar margens a muitas especula\u00e7\u00f5es e adivinha\u00e7\u00f5es, mas para outros s\u00e3o nomes ligados \u00e0 alguma planta. E quem pensa dessa forma est\u00e1 certo: s\u00e3o \u00e1rvores nativas do Brasil, que espelham a riqueza da flora do Pa\u00eds, expressa em sabores diferenciados de frutas ricas em nutrientes, potencial comercial e conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Algumas frutas nativas j\u00e1 ganharam o mundo. \u00c9 o caso do a\u00e7a\u00ed, levado pela onda fitness que descobriu sua pot\u00eancia energ\u00e9tica. O cupua\u00e7u \u00e9 outra que vem conquistando mercado. Mas a grande maioria ainda \u00e9 desconhecida at\u00e9 mesmo no Brasil, com exce\u00e7\u00e3o da jabuticaba, do maracuj\u00e1 e da goiaba, frutas as quais s\u00e3o encontradas facilmente nas g\u00f4ndolas de mercados, feiras e em outros pontos de comercializa\u00e7\u00e3o, in natura ou na forma de sucos, sorvetes ou como ingredientes de pratos doces e salgados.<\/p>\n<p>&#8220;As frutas atualmente com com\u00e9rcio consolidado, encontradas com frequ\u00eancia e praticamente o ano todo, s\u00e3o em sua maioria ex\u00f3ticas, ou seja, origin\u00e1rias de outros pa\u00edses. Como exemplo podemos listar os citros (laranja, lim\u00e3o e tangerina), origin\u00e1rios principalmente das regi\u00f5es subtropicais e tropicais do sul e sudeste da \u00c1sia, incluindo \u00e1reas da Austr\u00e1lia e \u00c1frica; a banana, origin\u00e1ria do sul e sudeste do continente Asi\u00e1tico; a ma\u00e7\u00e3, oriunda da regi\u00e3o do C\u00e1ucaso, cadeia de montanhas da \u00c1sia e do leste da China; a uva, dos continentes Europeu, Asi\u00e1tico e Americano; o abacate e o mam\u00e3o, origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Central. Enfim, a maioria das frutas que consumimos no dia a dia. Mas temos uma riqueza de frutas nativas que precisam ser conhecidas e colocadas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil como de outros pa\u00edses; tamb\u00e9m para que sua explora\u00e7\u00e3o comercial respons\u00e1vel se torne fonte de renda e emprego, principalmente para os pequenos produtores rurais&#8221;, explica Ednei Antonio Marques, engenheiro agr\u00f4nomo e diretor do N\u00facleo de Produ\u00e7\u00e3o de Mudas de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed, unidade da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, ligada \u00e0 Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel (CDRS).<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo explica que a gama de plantas frut\u00edferas nativas \u00e9 grande e pode ser dividida pelos biomas brasileiros. &#8220;Algumas s\u00e3o bem conhecidas e apreciadas regionalmente, como \u00e9 o caso do pequi na regi\u00e3o Centro-Oeste e do umbu no Nordeste&#8221;. A seguir, alguns exemplos:<\/p>\n<p>\u2022 Mata Atl\u00e2ntica \u2012 ameixa da mata, ara\u00e7\u00e1 (amarelo, vermelho, roxo, goiaba), cabeludinha, cambuci, cambuc\u00e1, grumixama, guariroba, pitanga, pitangatuba, jabuticaba, uvaia, entre outras.<br \/>\n\u2022 Cerrado \u2012 buriti, araticum, murici, pequi, baru, cajuzinho do Cerrado, bocaiuva, guavira, baru, mangaba etc.<br \/>\n\u2022 Floresta Amaz\u00f4nica \u2012 maracuj\u00e1, a\u00e7a\u00ed, cupua\u00e7u, camu-camu, cubiu, abiu, inaj\u00e1, bacuripari, guaran\u00e1 e outras.<br \/>\n\u2022 Caatinga \u2012 licuru, umbu, caju, maracuj\u00e1 da Caatinga, entre outras.<br \/>\n\u2022 Campos Sulinos \u2012 arauc\u00e1ria, esp\u00e9cie dominante de florestas ombr\u00f3filas mistas, no Sul do Pa\u00eds, tamb\u00e9m denominadas de matas de arauc\u00e1ria. E na regi\u00e3o dos Pampas, a feijoa, tamb\u00e9m conhecida como goiaba serrana.<\/p>\n<p>Segundo Ednei, a diferen\u00e7a entre as frutas &#8220;comerciais&#8221;, encontradas facilmente nas cidades, e as frutas nativas encontradas principalmente em matas, quintais e pomares dom\u00e9sticos, \u00e9 que as nativas n\u00e3o passaram por um processo consolidado de sele\u00e7\u00e3o e melhoramento gen\u00e9tico, sendo que algumas j\u00e1 come\u00e7am a se tornar raras. &#8220;Alguns estudos apontam evid\u00eancias de que as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas faziam a sele\u00e7\u00e3o de algumas plantas, mas com a Coloniza\u00e7\u00e3o e a chegada das frutas ex\u00f3ticas, n\u00e3o se consolidou um eixo de trabalho com essas frut\u00edferas&#8221;.<\/p>\n<p>Atualmente, existem trabalhos pontuais sendo realizados sobre o potencial das frut\u00edferas nativas. No Estado de S\u00e3o Paulo, um desses estudos est\u00e1 sendo realizado pela Escola Superior de Agricultura &#8220;Luiz de Queiroz&#8221; da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP), tendo como foco a propaga\u00e7\u00e3o, a colheita e o processamento de quatro frut\u00edferas da Mata Atl\u00e2ntica: cambuci, grumixama, cereja do Rio Grande e uvaia. De acordo com os pesquisadores, a pesquisa \u00e9 relevante pois abre a oportunidade de cria\u00e7\u00e3o de materiais que podem ser adaptados em diversas regi\u00f5es, proporcionando o cultivo comercial dessas frutas, que podem ser excelentes alternativas de renda e diversifica\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de outras atividades agr\u00edcolas. Os estudos est\u00e3o sendo conduzidos no \u00e2mbito do projeto tem\u00e1tico Frutas da Mata Atl\u00e2ntica potencialmente funcionais: caracteriza\u00e7\u00e3o, multiplica\u00e7\u00e3o de plantas e conserva\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colheita, coordenado pelo professor Angelo Jacomino.<\/p>\n<p>Segundo Bruna do Amaral Brogio, que integra o grupo de pesquisadores, no \u00e2mbito da pesquisa, o projeto voltado \u00e0 \u00e1rea de propaga\u00e7\u00e3o vegetativa dessas esp\u00e9cies est\u00e1 sendo desenvolvido por tr\u00eas m\u00e9todos convencionais: estaquia (retira-se um ramo da planta matriz \u2012 estaca \u2012 e o coloca em um meio apropriado para enraizar); alporquia (t\u00e9cnica de enraizamento na pr\u00f3pria planta matriz, por meio de um anelamento coberto por substrato em um determinado ramo selecionado da \u00e1rvore); enxertia (jun\u00e7\u00e3o de partes de plantas, porta-enxerto e enxerto, de forma que ir\u00e3o se unir e formar uma \u00fanica planta). &#8220;O objetivo \u00e9 aprimorar o m\u00e9todo de propaga\u00e7\u00e3o clonal para obter mudas comerciais de frut\u00edferas nativas, com plantas uniformes e que preservem as caracter\u00edsticas de interesse agron\u00f4micos. Hoje, esse processo \u00e9 feito por semente, o que gera uma variabilidade muito grande, pois nenhuma muda \u00e9 igual \u00e0 outra, o que resulta em respostas de crescimento, produ\u00e7\u00e3o e qualidade de frutos desiguais em campo. Em testes iniciados com a uvaia e a grumixama, houve algumas dificuldades para formar as mudas de forma clonal, mas estamos em continuidade com as pesquisas&#8221;.<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o da Secretaria de Agricultura \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de frut\u00edferas nativas<\/p>\n<p>Por meio da CDRS e de seus N\u00facleos de Produ\u00e7\u00e3o de Mudas localizados em Itaber\u00e1, Mar\u00edlia, S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed, Pederneiras e Tiet\u00ea, h\u00e1 d\u00e9cadas a Secretaria de Agricultura produz e comercializa mudas de frut\u00edferas nativas, como cambuci, ara\u00e7\u00e1s (amarelo, vermelho, roxo, goiaba), cereja do Rio Grande, uvaia, pitanga, grumixama, cabeludinha, jaracati\u00e1, ju\u00e7ara, jeriv\u00e1 e jabuticaba. &#8220;A nossa produ\u00e7\u00e3o de nativas, com exce\u00e7\u00e3o das que j\u00e1 s\u00e3o produzidas em escala comercial (citadas anteriormente), \u00e9 feita a partir de sementes, tendo cada uma seu tempo e processo de forma\u00e7\u00e3o. Contando com o conhecimento e a pr\u00e1tica de nossos t\u00e9cnicos e equipe de campo, temos uma metodologia que garante qualidade e rusticidade das mudas. Al\u00e9m disso, as parcerias com institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e as universidades, como as com a Esalq, para a qual fornecemos mudas e trocamos experi\u00eancias, t\u00eam permitido que novos caminhos de produ\u00e7\u00e3o se abram&#8221;, explica Ednei, informando que, anualmente, apenas em S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed, s\u00e3o produzidas e comercializadas entre 10 e 12 mil mudas de frut\u00edferas nativas (com pre\u00e7os que variam de R$ 3,00 a R$ 8,00).<\/p>\n<p>Para obter a lista de mudas produzidas, os pre\u00e7os e os contatos dos N\u00facleos da CDRS, acesse: www.cdrs.sp.gov.br. O contato do NPM de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed pode ser feito pelos tels.: (12) 3971-1306 (WhatsApp) \/3971-2046 e pelo e-mail: npm.saobentodosapucai@sp.gov.br. Lembrando que, por conta da pandemia, o atendimento tem sido feito pelos canais digitais e por telefone, e a retirada mediante agendamento pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>S\u00edtio do Bello: onde a produ\u00e7\u00e3o se harmoniza com o meio ambiente<\/p>\n<p>Aliar recupera\u00e7\u00e3o ambiental, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e gera\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 poss\u00edvel? Com o trabalho realizado no S\u00edtio do Bello, localizado em Paraibuna, cidade encravada na Serra da Mantiqueira, distante pouco mais de 120 km da capital paulista, Douglas Bello, que adquiriu a propriedade h\u00e1 mais de 20 anos, demonstra que sim. Fruto de um projeto pessoal, a propriedade concentra duas vertentes: recupera\u00e7\u00e3o ambiental de uma \u00e1rea de pasto degradado e forma\u00e7\u00e3o de uma agrofloresta com produ\u00e7\u00e3o de frut\u00edferas nativas, as quais s\u00e3o beneficiadas e transformadas em uma gama de produtos comercializados para todo o Pa\u00eds. Al\u00e9m disso, mant\u00e9m os seus 10 hectares, onde est\u00e3o plantadas mais de seis mil \u00e1rvores de cerca de 50 esp\u00e9cies de frutas, com as &#8220;porteiras abertas&#8221; para a ci\u00eancia, a educa\u00e7\u00e3o ambiental, o incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel e as trocas de experi\u00eancias com produtores, pesquisadores e interessados de forma geral.<\/p>\n<p>&#8220;A recupera\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea degradada \u00e9 um processo dif\u00edcil e oneroso, principalmente para os pequenos produtores. Sempre tive o desejo de ter uma \u00e1rea produtiva integrada com a conserva\u00e7\u00e3o ambiental e mostrar a viabilidade de se combater a degrada\u00e7\u00e3o por meio de um empreendimento economicamente vi\u00e1vel. Quando adquiri o s\u00edtio, em 1999, era uma \u00e1rea de pasto degradado. Eu sou qu\u00edmico de forma\u00e7\u00e3o e meu segmento de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 a ind\u00fastria, ent\u00e3o busquei conhecimento e apoio t\u00e9cnico sobre o sistema agroflorestal. Passadas duas d\u00e9cadas, temos uma \u00e1rea recomposta, com retorno de animais e p\u00e1ssaros &#8211; estes aliados na dissemina\u00e7\u00e3o de sementes que geram novas \u00e1rvores &#8211; e disponibilizamos no mercado frutas t\u00edpicas de nosso Pa\u00eds, in natura ou na forma de sucos, polpas congeladas, doces etc. Tudo em um processo sustent\u00e1vel dos pontos de vista econ\u00f4mico, social e ambiental, com gera\u00e7\u00e3o de renda e emprego, tanto na \u00e1rea produtiva no campo como na comercial, por meio da empresa instalada em S\u00e3o Paulo&#8221;, conta Douglas, acrescentando que no site do S\u00edtio, al\u00e9m de adquirir as frutas e os produtos, as pessoas t\u00eam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e bot\u00e2nicas sobre cada fruta. &#8220;Entendemos que \u00e9 preciso fazer um resgate cultural dessas frutas, pois o seu conhecimento est\u00e1 restrito a pessoas de mais idade, comunidades tradicionais e alguns ciclos gastron\u00f4micos. \u00c9 preciso apresent\u00e1-las \u00e0s pessoas, principalmente \u00e0s crian\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>O produtor faz quest\u00e3o de tomar como refer\u00eancia, em todo processo, o trabalho dos extensionistas da Secretaria de Agricultura. &#8220;H\u00e1 20 anos, quando iniciei os primeiros plantios, adquiri as mudas nos N\u00facleos de Produ\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed e de Tiet\u00ea. O trabalho que os t\u00e9cnicos da CDRS fazem \u00e9 de excel\u00eancia e as mudas de muita qualidade. Al\u00e9m disso, o respaldo t\u00e9cnico que d\u00e3o aos produtores \u00e9 fundamental para que a produ\u00e7\u00e3o tenha sucesso. \u00c9 um trabalho que precisa ser divulgado cada vez mais&#8221;, salienta Douglas, destacando tamb\u00e9m as a\u00e7\u00f5es de pesquisa. &#8220;\u00c9 fundamental que cada vez se invista em estudos que viabilizem a sele\u00e7\u00e3o de mudas e diversifica\u00e7\u00e3o de variedades. Por isso, estamos sempre abertos e contribuindo com os pesquisadores, como \u00e9 o caso da nossa parceria com a Esalq&#8221;. http:\/\/www.sitiodobello.com.br\/<\/p>\n<p>Cambuci: publica\u00e7\u00e3o da Secretaria de Agricultura \u00e9 incentivo da extens\u00e3o rural paulista para a produ\u00e7\u00e3o e o consumo dessa fruta nativa<\/p>\n<p>Relatos hist\u00f3ricos apontam que o cambuci foi muito utilizado pelos bandeirantes e tropeiros, os quais tinham a tradi\u00e7\u00e3o de consumir a cacha\u00e7a curtida com o fruto. Mas estudos mostram que o fruto do cambucizeiro j\u00e1 era conhecido pelos ind\u00edgenas, que o chamavam k\u00e3mu\u2019si, cujo significado \u00e9 pote d\u2019\u00e1gua em tupi-guarani, por conta de seu formato. Atualmente, para grande parte das pessoas que conhecem o fruto, principalmente as crian\u00e7as, ele \u00e9 descrito como uma fruta que parece um disco voador; o que se deve ao seu formato arredondado e achatado na extremidade, com cerca de cinco cent\u00edmetros de di\u00e2metro e cor predominantemente verde, que pode variar para verde-amarelada.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, passou a ser uma fruta cada vez mais comentada em rela\u00e7\u00e3o a conversas, quando o assunto \u00e9 gastronomia. Nessa trajet\u00f3ria de sucesso, al\u00e9m de dar nome a um conhecido bairro da capital paulista (o qual tem como ponto tur\u00edstico, em sua pra\u00e7a central, um cambucizeiro), o cambuci ganhou status e se tornou a fruta s\u00edmbolo da Mata Atl\u00e2ntica, sendo encontrada, principalmente, nos trechos que compreendem as Serras do Mar e da Mantiqueira, no Estado de S\u00e3o Paulo. Ganhou uma Rota Gastron\u00f4mica, que inclui v\u00e1rias cidades do Vale do Para\u00edba e o entorno da capital, dedicada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do seu potencial na fabrica\u00e7\u00e3o de licores, cacha\u00e7a, geleias, doces, sorvetes, molhos, al\u00e9m das mais variadas receitas doces e salgadas.<\/p>\n<p>Como tamb\u00e9m ganhou espa\u00e7o na m\u00eddia, o cambuci vem sendo redescoberto e explorado por pequenos produtores rurais que est\u00e3o vendo na fruta a oportunidade de diversificar atividades, aumentar a oferta e garantir uma maior renda. &#8220;As demandas dos agricultores v\u00eam aumentando e a Secretaria de Agricultura n\u00e3o poderia ficar alheia. Por enquanto, a maioria dos cambucizeiros s\u00e3o nativos, mas podem ser plantados; e nesse sentido, o trabalho dos nossos N\u00facleos na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de mudas de qualidade com pre\u00e7o acess\u00edvel tem sido fundamental. Mas, como extensionistas, entendemos tamb\u00e9m que era necess\u00e1rio pesquisar, desenvolver, adaptar e testar receitas variadas, para oferecer aos produtores e consumidores uma amostra do imenso potencial dessa fruta, que s\u00f3 n\u00e3o d\u00e1 para ser consumida pura ao natural, por conta de seu sabor que \u00e9 \u00e1cido, intenso e forte, chegando, inclusive, a ser adstringente quando ainda verde. Ent\u00e3o fizemos a op\u00e7\u00e3o pela elabora\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Pr\u00e1tica Cambuci&#8221;, explica Beatriz Cantusio Pazinato, nutricionista da Divis\u00e3o de Extens\u00e3o Rural (Dextru)\/CDRS, que coordenou a publica\u00e7\u00e3o, produzida e editada pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es importantes sobre manejo, conserva\u00e7\u00e3o dos frutos e Boas Pr\u00e1ticas de Fabrica\u00e7\u00e3o, a publica\u00e7\u00e3o traz uma grande lista de receitas. Os interessados podem fazer o download no site da CDRS: www.cdrs.sp.gov.br.<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o de mudas<\/p>\n<p>No \u00e2mbito do projeto da Esalq (j\u00e1 referido), o cambuci est\u00e1 no centro das pesquisas do doutorando Marcelo B. Santoro, que relata os principais resultados preliminares. &#8220;Ao longo de nossos estudos, t\u00eam sido grandes os desafios para estabelecer uma metodologia para a sele\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de mudas por multiplica\u00e7\u00e3o vegetativa, que garantam a manuten\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas das plantas e a uniformiza\u00e7\u00e3o do pomar. Hoje, com a multiplica\u00e7\u00e3o via semente isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, al\u00e9m de ter um impacto negativo no manejo e nos tratos culturais, pois com plantas desuniformes \u00e9 dif\u00edcil estabelecer podas, aduba\u00e7\u00e3o etc. de forma adequada. Os testes realizados com as t\u00e9cnicas de alporquia e estaquia n\u00e3o tiveram sucesso, mas no que diz respeito \u00e0 enxertia, a t\u00e9cnica de enxerto por fenda lateral apresentou resultados animadores, ent\u00e3o estamos intensificando os experimentos para confirmar os resultados. Outro ponto observado, que pode contribuir com a propaga\u00e7\u00e3o por meio de sementes, foi a identifica\u00e7\u00e3o de novas formas de semeadura e de que sementes parcialmente secas n\u00e3o tem seu potencial de germina\u00e7\u00e3o afetado (o que vai contra a sabedoria popular); ent\u00e3o aumenta a oferta para a forma\u00e7\u00e3o de novas mudas. Nosso objetivo \u00e9 intensificar os experimentos para selecionar materiais superiores. Nesse contexto, enaltecemos a parceria com a Secretaria de Agricultura, pois o trabalho dos extensionistas da CDRS \u00e9 excepcional e com eles temos feitos trocas de experi\u00eancia e mudas, que t\u00eam sido fundamentais no desenvolvimento das pesquisas e na aproxima\u00e7\u00e3o com as necessidades do campo&#8221;, comenta o pesquisador, ressaltando que o cultivo de cambuci e outras frutas nativas pode realmente ser sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Com o contato estreito com os t\u00e9cnicos da CDRS, nos aproximamos da realidade dos produtores, principalmente dos agricultores familiares, que precisam de novas alternativas de renda aliadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Nesse cen\u00e1rio, as frut\u00edferas nativas s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o extremamente vi\u00e1vel, pois podem, inclusive, ser plantadas em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs), possibilitando renda com a extra\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel das frutas&#8221;, continua Santoro.<\/p>\n<p>Anualmente, somente no N\u00facleo de Produ\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed da CDRS s\u00e3o produzidas e comercializadas cerca de tr\u00eas mil unidades de mudas cambuci.<\/p>\n<p>Cambuci na alimenta\u00e7\u00e3o e o seu valor nutricional<\/p>\n<p>Na esteira do reconhecimento gourmert, os valores nutricionais da fruta tamb\u00e9m foram sendo descobertos. &#8220;O cambuci cont\u00e9m vitaminas, minerais e fibras que ajudam a regular algumas fun\u00e7\u00f5es do corpo humano, com destaque para a grande concentra\u00e7\u00e3o de vitamina C. Cada 100g da polpa do cambuci maduro cont\u00e9m, em m\u00e9dia, cerca de 16mg de vitamina C, enquanto que na fruta verde o teor \u00e9 mais do que o dobro, em torno de 40mg\/100g de fruto. Portanto, as necessidades di\u00e1rias de vitamina C (45 a 80mg\/pessoa\/dia) podem ser supridas com o consumo de cerca de tr\u00eas a quatro unidades (tamanho m\u00e9dio) dessa fruta por dia&#8221;, explica a nutricionista Beatriz, dizendo que, seja em pratos doces ou salgados e toda uma gama de bebidas, o cambuci oferece um sabor diferenciado e refrescante.<\/p>\n<p>Ela informa tamb\u00e9m que, hoje, a fruta, considerada parente da goiaba, da pitanga e da jabuticaba, pode ser encontrada em hortifr\u00fatis, emp\u00f3rios e feiras especializadas &#8211; principalmente de produtos org\u00e2nicos, al\u00e9m de locais em que produtores fazem vendas diretas, inclusive pela internet.<\/p>\n<p>Receitas<\/p>\n<p>Sorvete de cambuci<\/p>\n<p>Ingredientes<br \/>\n8 cambucis m\u00e9dios<br \/>\n1 lata de leite condensado (395g)<br \/>\n1 lata de creme de leite (300g)<\/p>\n<p>Preparo<br \/>\n\u2022 Bater todos os ingredientes no liquidificador, at\u00e9 ficar uma mistura homog\u00eanea. \u2022 Despejar em um pote ou em tacinhas e levar ao freezer para congelar. \u2022 Servir como sobremesa ou lanche.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presentes em todas regi\u00f5es e biomas brasileiros, as frutas nativas s\u00e3o fontes de nutrientes e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/mudas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Presentes em todas regi\u00f5es e biomas brasileiros, as frutas nativas s\u00e3o fontes de nutrientes e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136970"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136970"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136970\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}