{"id":136836,"date":"2020-11-10T14:30:55","date_gmt":"2020-11-10T17:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136836"},"modified":"2020-11-10T12:50:09","modified_gmt":"2020-11-10T15:50:09","slug":"cavernas-e-paredoes-guardam-vestigios-dos-verdadeiros-pioneiros-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cavernas-e-paredoes-guardam-vestigios-dos-verdadeiros-pioneiros-da-capital\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia pr\u00e9-hist\u00f3rica: cavernas e pared\u00f5es guardam vest\u00edgios dos verdadeiros pioneiros da capital"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-1psdhlm\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/brasilia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136837\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/brasilia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/brasilia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/brasilia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Arque\u00f3logos afirmam que humanos pisaram em solo brasiliense h\u00e1 pelo menos 8 mil anos. Artefatos e desenhos ancestrais est\u00e3o espalhados por s\u00edtios particulares e at\u00e9 em \u00e1reas superpovoadas do Distrito Federal e Entorno.<\/h2>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>BRAS\u00cdLIA, CIDADE PLANEJADA\u00a0para ser a capital do Brasil, completou 60 anos em 21 de abril de 2020. Chamados de candangos, seus construtores costumavam dizer que \u201cantes, tudo era s\u00f3 mato\u201d. Em parte, tinham raz\u00e3o. At\u00e9 eles tirarem do papel o projeto urban\u00edstico de Lucio Costa e os pr\u00e9dios de Oscar Niemeyer daquele que viria a ser o primeiro n\u00facleo moderno tombado pela Unesco como Patrim\u00f4nio da Humanidade, o Planalto Central era praticamente s\u00f3 Cerrado. Mas, muito tempo atr\u00e1s, j\u00e1 havia vida humana na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Milhares de anos antes do desembarque dos primeiros candangos, que come\u00e7aram a chegar em 1957 vindos de todas as partes do pa\u00eds, seres\u00a0habitavam o Cerrado hoje ocupado pelo Distrito Federal e por Goi\u00e1s. Eram povos n\u00f4mades, que buscavam abrigo em grutas nos meses mais frios. No ver\u00e3o, sa\u00edam para ca\u00e7ar. Esse modo de vida est\u00e1 descrito em cavernas e pared\u00f5es de pedra da regi\u00e3o. Nas paredes dessas casas rudimentares, os leg\u00edtimos pioneiros ilustravam o cotidiano em pinturas de animais e descri\u00e7\u00f5es de ca\u00e7adas.<\/p>\n<p>Os vest\u00edgios dos ancestrais candangos est\u00e3o espalhados por fazendas do Entorno do Distrito Federal \u2014 regi\u00e3o que envolve cidades mineiras e goianas vizinhas \u00e0 capital \u2014 e at\u00e9 em \u00e1reas superpovoadas de Bras\u00edlia. Nos pastos e nas planta\u00e7\u00f5es de fazendas e no que resta de Cerrado em \u00e1rea urbana, est\u00e3o milhares de machadinhas, pontas de lan\u00e7as e outros artefatos. H\u00e1 ferramentas fabricadas entre 4 mil e 12 mil anos atr\u00e1s, hoje ignoradas e pisadas por humanos, cavalos, bois e outros animais. Arque\u00f3logos resgataram algumas dessas pe\u00e7as, devidamente acondicionadas para pesquisa e at\u00e9 expostas em museus.<\/p>\n<p>Alguns dos maiores tesouros pr\u00e9-hist\u00f3ricos da regi\u00e3o est\u00e3o na goiana Formosa, a 80 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia. S\u00e3o pinturas rupestres que enfeitam sete das 29 grutas catalogadas no munic\u00edpio. Os homens das cavernas tamb\u00e9m deixaram gravuras em dezenas de cavernas, pared\u00f5es e pedras encravadas no meio do cerrado do munic\u00edpio de 88 mil habitantes.<\/p>\n<p>As grutas de Formosa est\u00e3o numa faixa de morros rochosos entre a Serra Geral do Paran\u00e3 e o Espig\u00e3o Mestre da Serra Geral, no v\u00e3o do Paran\u00e3, em Goi\u00e1s,\u00a0famoso mundialmente como um dos melhores pontos para voos de asa-delta e parapente. Os blocos se estendem por 8,5 quil\u00f4metros e \u00e9 o divisor de \u00e1guas entre os rios Paran\u00e3 e Bandeirinha.<\/p>\n<p>A aparente descontinuidade da forma\u00e7\u00e3o, com quatro picos mais elevados \u2014 que na verdade s\u00e3o apenas a ponta de uma montanha rochosa soterrada ao longo de milhares de anos \u2014, levou os moradores da regi\u00e3o a batizar o bloco maior de Lapa da Pedra. \u00c9 nessa \u00e1rea, com 1,8 quil\u00f4metro de extens\u00e3o, que se concentra o maior n\u00famero de grutas e pinturas rupestres.<\/p>\n<p>Pesquisadores acreditam que os homens das cavernas tenham usado um tipo de pincel feito especialmente para suas obras de arte nesse cen\u00e1rio, al\u00e9m dos pr\u00f3prios dedos. As pinturas est\u00e3o n\u00edtidas, levando-se em conta o desgaste sofrido em tanto tempo de exposi\u00e7\u00e3o. Algumas foram feitas a at\u00e9 7,5 metros do solo. A maioria tem um s\u00f3 tom: vermelho, laranja, vinho e preto. Poucas t\u00eam associa\u00e7\u00e3o de duas cores.<\/p>\n<p>As representa\u00e7\u00f5es s\u00e3o variadas. Muitas se referem a animais, como tatus e veados. Tamb\u00e9m h\u00e1 marcas de p\u00e9s, com quatro, cinco e seis dedos e desenhos prim\u00e1rios de pessoas. Mas h\u00e1 muitas gravuras ainda n\u00e3o decifradas pelos cientistas. Elas t\u00eam formatos geom\u00e9tricos e tradi\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas. Os pesquisadores sup\u00f5em ser retratos do c\u00e9u, das diversas constela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2406.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2406.jpg?w=1024&amp;h=682\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Essas gravuras em baixo-revelo encontradas no S\u00edtio Arqueol\u00f3gico do Bisnau, em Formosa (GO), s\u00e3o chamadas de ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2406.jpg?w=710&amp;h=473\" alt=\"Essas gravuras em baixo-revelo encontradas no S\u00edtio Arqueol\u00f3gico do Bisnau, em Formosa (GO), s\u00e3o chamadas de ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Essas gravuras em baixo-revelo encontradas no S\u00edtio Arqueol\u00f3gico do Bisnau, em Formosa (GO), s\u00e3o chamadas de petr\u00f3glifos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2280.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2280.jpg?w=1024&amp;h=682\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Os habitantes da regi\u00e3o usaram&amp;nbsp;ferramentas para 'desenhar' os petr\u00f3glifos nestas&amp;nbsp;rochas fr\u00e1geis&amp;nbsp;chamadas de arenito. \" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2280.jpg?w=710&amp;h=473\" alt=\"Os habitantes da regi\u00e3o usaram&amp;nbsp;ferramentas para 'desenhar' os petr\u00f3glifos nestas&amp;nbsp;rochas fr\u00e1geis&amp;nbsp;chamadas de arenito. \" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Os habitantes da regi\u00e3o usaram\u00a0ferramentas para &#8216;desenhar&#8217; os petr\u00f3glifos nestas\u00a0rochas fr\u00e1geis\u00a0chamadas de arenito.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Humanos em solo candango<\/strong><\/h3>\n<p>Apenas uma pesquisa recente conseguiu apontar com certeza a \u00e9poca de um dos s\u00edtios hist\u00f3ricos do DF. Em 2017, ap\u00f3s tr\u00eas anos de estudos, arque\u00f3logos conclu\u00edram que humanos pisaram em solo candango 8.414 anos atr\u00e1s. A data\u00e7\u00e3o foi feita a partir de an\u00e1lises de fragmentos de carv\u00e3o encontrados em uma escava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o in\u00e9dita foi comandada pelo arque\u00f3logo Edilson Teixeira de Souza, dono de uma empresa de consultoria, ap\u00f3s an\u00e1lises no s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Cachoeirinha, localizado no Parano\u00e1, cidade-sat\u00e9lite de Bras\u00edlia, que fica \u00e0 margem do lago artificial de mesmo nome criado com a nova capital. \u201cColetamos milhares de pe\u00e7as. A maioria, pedras lascadas, usadas como ferramentas\u201d, conta Souza.<\/p>\n<p>O complexo foi encontrado em 2016 durante estudos orientados pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, que contratou a empresa de Edilson para fazer as escava\u00e7\u00f5es, an\u00e1lise e resgate do material que poderia ser encontrado na \u00e1rea. O governo de Bras\u00edlia havia come\u00e7ado obras em uma rodovia e em um condom\u00ednio residencial, o que exigia a pesquisa e a retirada do material.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dez\u00a0anos, Edilson de Souza e sua equipe de arque\u00f3logos goianos pesquisaram dez\u00a0s\u00edtios em diferentes pontos do DF, em fun\u00e7\u00e3o de obras que seriam realizadas. Mas eles n\u00e3o puderam escavar todos, por falta de dinheiro dos contratantes, de problemas jur\u00eddicos ou interesse do poder privado ou p\u00fablico.<\/p>\n<p>Edilson de Souza diz que o Distrito Federal e Entorno t\u00eam dezenas, talvez centenas, de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos a serem explorados. \u201cOnde h\u00e1 pared\u00f5es \u00edngremes, h\u00e1 99% de chance de ter um s\u00edtio arqueol\u00f3gico. E essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns nessa regi\u00e3o de Cerrado\u201d, comenta o arque\u00f3logo.<\/p>\n<p>Assim como as pe\u00e7as encontradas por Souza e sua equipe, quase todos os tesouros hist\u00f3ricos e pr\u00e9-hist\u00f3ricos resgatados em Goi\u00e1s e no DF est\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es de Goi\u00e2nia, como o Museu Zoroastro Artiaga e o Memorial do Cerrado.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pull-quote pull-quote--large\">\n<h3>\u201cA presen\u00e7a do homem aqui \u00e9 t\u00e3o antiga quanto nas demais partes da Am\u00e9rica do Sul. O solo e as grutas do DF e Entorno guardam grande quantidade de pinturas rupestres e f\u00f3sseis.\u201d<\/h3>\n<div class=\"pull-quote__author\">POR\u00a0<span class=\"pull-quote__name\">PAULO BERTRAN<\/span><\/div>\n<div class=\"pull-quote__source\">HISTORIADOR<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart__side-col\">\n<div class=\"ngart__side-inner article-sticky\">\n<div class=\"ngart__ad-col\">\n<div class=\"ngart__side-ad\">\n<div id=\"gpt--article_side__1--52574\" class=\"css-qjq5zf\" data-google-query-id=\"COeX7N2n-OwCFb4JuQYdTmUIiw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21783347309\/natgeo\/nationalgeographicbrasil.com\/web\/history_1__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2669.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2669.jpg?w=1024&amp;h=682\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2669.jpg?w=1280&amp;h=853\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"A&amp;nbsp;Toca da On\u00e7a, tamb\u00e9m na regi\u00e3o&amp;nbsp;de Formosa (GO),&amp;nbsp;\u00e9 um raro caso de s\u00edtio arqueol\u00f3gico sinalizado com ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2669.jpg?w=1600&amp;h=1066\" alt=\"A&amp;nbsp;Toca da On\u00e7a, tamb\u00e9m na regi\u00e3o&amp;nbsp;de Formosa (GO),&amp;nbsp;\u00e9 um raro caso de s\u00edtio arqueol\u00f3gico sinalizado com ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A\u00a0Toca da On\u00e7a, tamb\u00e9m na regi\u00e3o\u00a0de Formosa (GO),\u00a0\u00e9 um raro caso de s\u00edtio arqueol\u00f3gico sinalizado com uma placa na entrada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Acesso restrito\u00a0e forma\u00e7\u00f5es raras<\/strong><\/h3>\n<p>A maioria dos s\u00edtios do DF fica em \u00e1reas particulares \u2013 sem nenhuma infraestrutura para o turismo. Para visit\u00e1-los, \u00e9 preciso conhecer os donos. Um dos locais mais acess\u00edveis fica em uma fazenda leiteira abandonada, onde est\u00e1 a Toca da On\u00e7a, a cerca de 10km do centro urbano de Formosa (GO). Este \u00e9 um raro caso de s\u00edtio arqueol\u00f3gico sinalizado com uma placa na entrada da propriedade.<\/p>\n<p>Os desenhos deixados em um dos pared\u00f5es de pedra mostram animais, retratos r\u00fasticos do ser humano e representa\u00e7\u00f5es do c\u00e9u, al\u00e9m de muitos outros s\u00edmbolos ainda n\u00e3o desvendados. No teto de uma das cavernas \u00e9 poss\u00edvel ver desenhos de p\u00e9s achatados, sem a curva lateral com a qual o homem atual est\u00e1 acostumado.<\/p>\n<p>Assim como fazia o pai, morto h\u00e1 dois anos, os herdeiros da propriedade mant\u00eam as porteiras sempre fechadas. Visita, s\u00f3 com autoriza\u00e7\u00e3o. Algumas pessoas v\u00e3o para fazer rapel nos pared\u00f5es. Mas h\u00e1 quem deixe seu rastro de destrui\u00e7\u00e3o. Mesmo diante da tentativa de preservar o meio ambiente e a hist\u00f3ria, invasores picham o pr\u00f3prio nome ou arrancam peda\u00e7os de estalactites e estalagmites.<\/p>\n<p>No Brasil, desenhos como os das grutas de Formosa foram encontrados apenas em Sete Cidades, no Piau\u00ed. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o em outros continentes, o que intriga os pesquisadores, pois na pr\u00e9-hist\u00f3ria n\u00e3o havia meios de comunica\u00e7\u00e3o e de transporte.<\/p>\n<p>\u201cAs figuras mais curiosas dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de Formosa est\u00e3o na Pedra Pintada, na Toca da On\u00e7a, onde fica a \u00c1rvore da Vida, bem semelhante a representa\u00e7\u00f5es encontradas na \u00c1frica e na Austr\u00e1lia\u201d, escreveu o historiador Paulo Bertran (1948-2005), em seu livro\u00a0<em>Hist\u00f3ria da Terra e do Homem no Planalto Central<\/em>, um dos poucos que trata da pr\u00e9-hist\u00f3ria do Distrito Federal e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es de Bertran s\u00e3o embasadas por vest\u00edgios deixados pelos primeiros habitantes do Centro-Oeste nas grutas de Formosa. Muitas delas sofreram altera\u00e7\u00f5es antigas. H\u00e1 sinais de camas artesanais e jaulas, onde animais de pequeno e m\u00e9dio porte, capturados no ver\u00e3o, eram trancados para servir de comida aos homens no inverno.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a do homem aqui \u00e9 t\u00e3o antiga quanto nas demais partes da Am\u00e9rica do Sul. O solo e as grutas do Distrito Federal e de cidades goianas pr\u00f3ximas guardam uma grande quantidade de pinturas rupestres e f\u00f3sseis. \u00c9 um acervo t\u00e3o rico quanto o da regi\u00e3o de Lagoa Santa (MG), por exemplo\u201d, ensinou o historiador goiano que escolheu morar em Bras\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2682.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2682.jpg?w=1024&amp;h=682\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Os desenhos rupestres deixados nos&amp;nbsp;pared\u00f5es de pedra da Toca da On\u00e7a mostram animais, retratos r\u00fasticos do ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2682.jpg?w=710&amp;h=473\" alt=\"Os desenhos rupestres deixados nos&amp;nbsp;pared\u00f5es de pedra da Toca da On\u00e7a mostram animais, retratos r\u00fasticos do ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Os desenhos rupestres deixados nos\u00a0pared\u00f5es de pedra da Toca da On\u00e7a mostram animais, retratos r\u00fasticos do ser humano e representa\u00e7\u00f5es do c\u00e9u.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2711.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2711.jpg?w=1024&amp;h=682\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Os propriet\u00e1rios deixam as porteiras da Toca da On\u00e7a&amp;nbsp;fechadas \u2013 visitas precisam de autoriza\u00e7\u00e3o. O local ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2711.jpg?w=710&amp;h=473\" alt=\"Os propriet\u00e1rios deixam as porteiras da Toca da On\u00e7a&amp;nbsp;fechadas \u2013 visitas precisam de autoriza\u00e7\u00e3o. O local ...\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Os propriet\u00e1rios deixam as porteiras da Toca da On\u00e7a\u00a0fechadas \u2013 visitas precisam de autoriza\u00e7\u00e3o. O local \u00e9 procurado por praticantes de rapel, que nem sempre entendem a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o\u00a0dos vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Pistas de um cotidiano remoto<\/strong><\/h3>\n<p>Formosa abriga outra raridade. No S\u00edtio Arqueol\u00f3gico do Bisnau, que tamb\u00e9m tem sinaliza\u00e7\u00e3o adequada, mas acesso limitado, os primeiros habitantes do Planalto Central deixaram pistas de seu cotidiano em diversos pared\u00f5es. Mas, em vez de tintas, eles usaram ferramentas para desenhar em um tipo de rocha fr\u00e1gil, chamada de arenito. As gravuras em baixo-relevo, classificadas como petr\u00f3glifos no meio cient\u00edfico, t\u00eam as mesmas formas das encontradas nas grutas.<\/p>\n<p>Para ver essa preciosidade, saindo de Bras\u00edlia, \u00e9 preciso seguir pela BR-020 na dire\u00e7\u00e3o de Fortaleza (CE), at\u00e9 o Km 46. O s\u00edtio arqueol\u00f3gico fica em uma das fazendas leiteiras, com o Cerrado muito bem preservado, da comunidade de Bisnau, distante 50km da \u00e1rea urbana de Formosa. O acesso \u00e9 repleto\u00a0de animais silvestres \u2014 muitas cobras e at\u00e9 on\u00e7as \u2014 e s\u00f3 deve ser feito com guias.<\/p>\n<p>Mas alguns dos poucos turistas que visitam o Bisnau n\u00e3o ajudam a preserv\u00e1-lo. Para aumentar a visibilidade do desenho, eles riscam o baixo-relevo com giz, tinta e outras pedras. Desnecess\u00e1rio. A pr\u00f3pria natureza d\u00e1 destaque \u00e0 obra pr\u00e9-hist\u00f3rica. No fim da tarde, com o sol se pondo, a sombra produzida no baixo-relevo destaca a forma da gravura com o contraste da pedra.<\/p>\n<p>Humanos n\u00e3o conviveram com dinossauros em nenhuma parte do mundo. Os dinossauros foram extintos milh\u00f5es de anos antes do surgimento da humanidade. Mas o primeiro registro da presen\u00e7a humana no Planalto Central coincide com a fase de extin\u00e7\u00e3o dos primeiros animais que habitaram a regi\u00e3o que se t\u00eam registro. Bichos grandes e ferozes, como o tigre dente-de-sabre.<\/p>\n<p>Os homens da caverna tamb\u00e9m tinham a companhia de outros animais enormes, como o megat\u00e9rio \u2014 uma esp\u00e9cie de pregui\u00e7a \u2014 e o gliptodonte, um tatu gigante de at\u00e9 um metro de altura. De uma faixa de terra, onde hoje \u00e9 a Am\u00e9rica Central, animais do Norte chegaram ao Sul. Entre eles, o mastodonte, c\u00e3es-ursos e ancestrais dos cavalos. Todos antigos moradores do cerrado brasileiro.<\/p>\n<p>Apesar da longa coexist\u00eancia cerca de 11 mil anos atr\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia confi\u00e1vel de que o homem ca\u00e7ou os animais gigantes de forma sistem\u00e1tica no territ\u00f3rio nacional ou mesmo na Am\u00e9rica do Sul, ao contr\u00e1rio do que ocorreu na Am\u00e9rica do Norte, onde mamutes e mastodontes eram presas constantes das popula\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2384.jpg?w=768&amp;h=1154\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2384.jpg?w=1024&amp;h=1539\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Para aumentar a visibilidade dos petr\u00f3glifos do Bisnau, alguns turistas&amp;nbsp;riscam o baixo-relevo com giz, tinta e ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/EDI_2384.jpg?w=710&amp;h=1067\" alt=\"Para aumentar a visibilidade dos petr\u00f3glifos do Bisnau, alguns turistas&amp;nbsp;riscam o baixo-relevo com giz, tinta e ...\" width=\"640\" height=\"962\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Para aumentar a visibilidade dos petr\u00f3glifos do Bisnau, alguns turistas\u00a0riscam o baixo-relevo com giz, tinta e outras pedras, o que acaba por deteriorar o registro hist\u00f3rico.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EDILSON RODRIGUES<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Tesouro pouco explorado<\/strong><\/h3>\n<p>Os costumes da antiga civiliza\u00e7\u00e3o do Planalto Central s\u00e3o um tesouro pouco explorado. A Universidade de Bras\u00edlia engatinha nas pesquisas da pr\u00e9-hist\u00f3ria do DF. Cientistas da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG) e da Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (UCG) realizaram a maioria dos estudos sobre os antigos animais e os primeiros homens do Planalto Central.<\/p>\n<p>Em conv\u00eanio com a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), no Projeto Anhanguera de Pesquisas Pr\u00e9-Hist\u00f3ricas, a UFG fez algumas pesquisas no Planalto Central. O estudo envolveu as \u00e1reas ao redor do Distrito Federal, entre elas Planaltina de Goi\u00e1s, \u00fanico s\u00edtio arqueol\u00f3gico estudado a fundo nas proximidades de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Em levantamentos iniciados em 1979 na cidade goiana distante 56km da capital do pa\u00eds, a professora Dilamar C\u00e2ndida Martins, da UFG, encontrou uma \u201cind\u00fastria pr\u00e9-hist\u00f3rica\u201d de instrumentos de pedra. Mais de 4 mil pe\u00e7as \u2014 cunhas, machados, raspadores \u2014 ainda n\u00e3o escavadas. Tudo est\u00e1 na beira do C\u00f3rrego Rico.<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos da professora, esses instrumentos t\u00eam cerca de 8 mil anos. \u201cH\u00e1 evid\u00eancias na regi\u00e3o de outros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, como o do Barreiro, escavado em 1985 por uma equipe da professora Margarida Andreatta, do Museu Paulista\u201d, ressalta Dilamar.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo Eurico Theofilo Miller (1932-2018) encontrou as primeiras pistas de s\u00edtios pr\u00e9-hist\u00f3ricos no DF. Em 1991, no Gama, uma das cidades-sat\u00e9lites da capital, ele se deparou com dois s\u00edtios em antiga regi\u00e3o de mata densa, derrubada em 1960, na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Neles, havia restos de cer\u00e2mica e artefatos de pedra, espalhados nas cabeceiras do c\u00f3rrego Ip\u00ea, onde hoje h\u00e1 uma universidade.<\/p>\n<p>No ribeir\u00e3o Ponte Alta, Miller e um grupo de exploradores encontraram\u00a0vest\u00edgios de quatro s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Segundo Miller, o achado indica que ali havia uma aldeia ind\u00edgena, de formato circular, caracter\u00edstica de um povo conhecido como J\u00ea. Ainda na Ponte Alta, foram localizados outros dois s\u00edtios, com artefatos de cer\u00e2mica feita pelos homens, um deles bem maior e tamb\u00e9m de formato circular.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 1993, Miller descobriu cinco s\u00edtios em Taguatinga, outra cidade-sat\u00e9lite de Bras\u00edlia, \u00e0s margens do c\u00f3rrego Melchior. O lugar tinha caracter\u00edsticas de acampamento de ca\u00e7a. Um ano depois, uma equipe liderada por Miller localizou 16 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos na \u00e1rea do rio Descoberto, tamb\u00e9m nas terras do DF.<\/p>\n<p>Cinco eram taperas de fazendas coloniais. Uma das ru\u00ednas de fazenda estava sobre um s\u00edtio ind\u00edgena milenar. Pelos c\u00e1lculos de Miller, alguns desses s\u00edtios teriam de 7 mil a 7,5 mil anos. Ningu\u00e9m, no entanto, escavou as \u00e1reas. A falta de explora\u00e7\u00e3o impede conclus\u00f5es precisas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arque\u00f3logos afirmam que humanos pisaram em solo brasiliense h\u00e1 pelo menos 8 mil anos. 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