{"id":136794,"date":"2020-11-10T07:55:08","date_gmt":"2020-11-10T10:55:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136794"},"modified":"2020-11-10T07:55:09","modified_gmt":"2020-11-10T10:55:09","slug":"novo-metodo-usa-cristais-para-prever-potencial-destrutivo-de-vulcoes-adormecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/novo-metodo-usa-cristais-para-prever-potencial-destrutivo-de-vulcoes-adormecidos\/","title":{"rendered":"Novo m\u00e9todo usa cristais para prever potencial destrutivo de vulc\u00f5es adormecidos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136795\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Terra est\u00e1 repleta de vulc\u00f5es \u2013 s\u00e3o tantos que nem \u00e9 poss\u00edvel ter uma estimativa confi\u00e1vel do total. Felizmente, a maioria est\u00e1 em estado dormente, ou seja, n\u00e3o entraram em erup\u00e7\u00e3o por s\u00e9culos ou mesmo mil\u00eanios. Por outro lado, estudar esses vulc\u00f5es inativos \u00e9 relativamente dif\u00edcil, j\u00e1 que n\u00e3o emitem muitos sinais que possibilitem prever uma poss\u00edvel volta \u00e0 atividade. Isso significa que, numa eventual erup\u00e7\u00e3o, estar\u00edamos pouco preparados para a cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Agora, uma equipe de cientistas europeus desenvolveu um novo m\u00e9todo para calcular a quantidade de magma armazenada em vulc\u00f5es inativos. Ele se baseia no estudo de cristais presentes nas rochas vulc\u00e2nicas. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel prever qual seria o impacto de poss\u00edveis erup\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas a \u00e1reas urbanas. O estudo foi publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-020-19084-2#Sec2\"><i>Nature<\/i><\/a>.<\/p>\n<p>Estima-se que cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas vivam hoje em \u00e1reas pr\u00f3ximas a vulc\u00f5es dormentes. \u00c9 dif\u00edcil calcular o n\u00famero exato, pois isso depende do que se considera como \u201cpr\u00f3ximo\u201d. A abrang\u00eancia das erup\u00e7\u00f5es varia bastante, sendo que algumas s\u00e3o (bem) maiores que outras. \u00c9 por isso que grandes trag\u00e9dias do \u00faltimo s\u00e9culo envolvendo vulc\u00f5es foram t\u00e3o chocantes \u2013 os cientistas n\u00e3o tinham como prever o impacto delas.<\/p>\n<p>\u00c9 comum que o magma fique estocado a uma profundidade que passa dos dez quil\u00f4metros da superf\u00edcie, o que \u00e9 praticamente inacess\u00edvel para a maioria dos estudos. Calcular a quantidade de material que poderia ser ejetado em uma erup\u00e7\u00e3o, por sua vez, seria uma m\u00e9trica importante para se preparar contra novas trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>Pensando nisso, pesquisadores da Universidade de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, criaram uma nova t\u00e9cnica para analisar o potencial destrutivo de vulc\u00f5es dormentes. Ela se baseia na an\u00e1lise da zirconita (ou zirc\u00e3o), um cristal presente em rochas vulc\u00e2nicas. A grande vantagem desse mineral \u00e9 que ele cont\u00e9m ur\u00e2nio e t\u00f3rio. Esse primeiro elemento qu\u00edmico sofre decaimento radioativo, ou seja, libera radia\u00e7\u00e3o at\u00e9 se transformar no segundo. O t\u00f3rio, por sua vez, tamb\u00e9m sofre decaimento ao longo dos anos. O tempo que demora para metade de uma amostra decair e se tornar outro elemento qu\u00edmico \u00e9 chamado de meia-vida.<\/p>\n<p>O decaimento radioativo de elementos nos permite fazer a\u00a0<strong>data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9trica<\/strong>\u00a0dele \u2013 ou seja, calcular a sua idade com base na sua meia-vida. Cada elemento qu\u00edmico possui um tempo de meia-vida espec\u00edfico \u2013 no caso do ur\u00e2nio-238, s\u00e3o 4,5 bilh\u00f5es de anos.\u00a0Esse processo tamb\u00e9m acontece com o carbono-14, por exemplo, que \u00e9 utilizado para calcular a idade de materiais org\u00e2nicos muito antigos.<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel calcular com precis\u00e3o o quando a zirconita se cristalizou dentro do vulc\u00e3o. E a\u00ed que vem o pulo do gato: esse mineral s\u00f3 se forma em uma faixa de temperatura espec\u00edfica. Ou seja, analisar o cristal permite descobrir qual era a temperatura no interior do vulc\u00e3o em determinada \u00e9poca.<\/p>\n<p>Estudando v\u00e1rias amostras diferentes, \u00e9 poss\u00edvel reconstruir uma linha do tempo da temperatura do interior do vulc\u00e3o. \u201cEsses cristais s\u00e3o algo como um rel\u00f3gio combinado com term\u00f4metro\u201d, explica Gregor Weber, autor do estudo, em entrevista \u00e0 SUPER.<\/p>\n<p>Com essas duas m\u00e9tricas, ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel calcular a velocidade de resfriamento do magma do vulc\u00e3o. E a\u00ed entra a segunda grande sacada: existe uma rela\u00e7\u00e3o entre o volume do material e a progress\u00e3o de sua temperatura. Uma bacia cheia de \u00e1gua quente, por exemplo, leva mais tempo para esfriar do que um pequeno copo. Usando modelos matem\u00e1ticos que relacionem essas duas vari\u00e1veis, \u00e9 poss\u00edvel descobrir, pela velocidade de resfriamento, se o vulc\u00e3o em quest\u00e3o \u00e9 uma x\u00edcara de magma ou uma piscina ol\u00edmpica.<\/p>\n<p>A metodologia dos pesquisadores foi testada em um dos maiores vulc\u00f5es inativos que conhecemos: o Nevado de Toluca, tamb\u00e9m conhecido como Xinant\u00e9catl, localizado no M\u00e9xico, a apenas 80 km de sua capital densamente povoada. A equipe calculou que existem 350 km\u00b3 de magma armazenado na barriga do gigante, mais do que suficiente para causar uma trag\u00e9dia. Por sorte, o vulc\u00e3o est\u00e1 inativo h\u00e1 mil\u00eanios e n\u00e3o d\u00e1 sinais de que causar\u00e1 problemas.<\/p>\n<p>A grande vantagem desse novo m\u00e9todo \u00e9 que ele \u00e9 relativamente simples e pode ser aplicado tanto em vulc\u00f5es dormentes quanto em ativos. At\u00e9 existem m\u00e9todos atuais que estimam a quantidade de magma estocada \u2013 como o m\u00e9todo magnetotel\u00farico, a tomografia s\u00edsmica e a gravimetria \u2013, mas, segundo Weber, s\u00e3o processos complexos e elaborados que geralmente s\u00f3 s\u00e3o aplicados para vulc\u00f5es ativos. Al\u00e9m disso, a zirconita \u00e9 relativamente comum em rochas vulc\u00e2nicas (outros mineiras, como a\u00a0allanita e titanita, tamb\u00e9m poderiam funcionar ajustando a metodologia; no entanto, s\u00e3o bem menos abundantes).<\/p>\n<p>Estimar as propor\u00e7\u00f5es da cat\u00e1strofe pode ajudar a nos preparar para reduzir danos, mas a pesquisa ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para saber\u00a0<i>quando\u00a0<\/i>um vulc\u00e3o vai entrar em erup\u00e7\u00e3o. Infelizmente, nesse caso, n\u00e3o h\u00e1 um m\u00e9todo 100% confi\u00e1vel para se calcular a data da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u201cEm muitos casos, vulc\u00f5es produzem sinais mensur\u00e1veis antes das erup\u00e7\u00f5es, como deforma\u00e7\u00f5es do solo, terremotos, perda de g\u00e1s elevada ou mudan\u00e7as na gravidade\u201d, explica Weber. \u201cPrever uma erup\u00e7\u00e3o depende da magnitude e do tempo de tais sinais. No entanto, ambos podem variar drasticamente, e, \u00e0s vezes, nenhum sinal \u00e9 detectado.\u201d<\/p>\n<p>Nesse caso, nos resta torcer para que tais vulc\u00f5es continuem no estado que ficaram por mil\u00eanios: dormindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terra est\u00e1 repleta de vulc\u00f5es \u2013 s\u00e3o tantos que nem \u00e9 poss\u00edvel ter uma<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/zirconita.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Terra est\u00e1 repleta de vulc\u00f5es \u2013 s\u00e3o tantos que nem \u00e9 poss\u00edvel ter uma","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136794"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}