{"id":136298,"date":"2020-11-01T11:32:50","date_gmt":"2020-11-01T14:32:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136298"},"modified":"2020-11-01T11:32:50","modified_gmt":"2020-11-01T14:32:50","slug":"promissor-sinal-de-vida-detectado-em-venus-talvez-nem-exista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/promissor-sinal-de-vida-detectado-em-venus-talvez-nem-exista\/","title":{"rendered":"Promissor sinal de vida detectado em V\u00eanus talvez nem exista"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136299\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Recentemente, astr\u00f4nomos encontraram ind\u00edcios animadores de que poderia haver vida flutuando nas nuvens que cobrem V\u00eanus. Contudo, ao que parece, a busca por vida extraterrestre est\u00e1 longe de acabar, pois novas pesquisas j\u00e1 est\u00e3o pondo em xeque essa descoberta.<\/p>\n<p>A detec\u00e7\u00e3o de g\u00e1s fosfina na atmosfera de V\u00eanus,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-020-1174-4\">anunciada no m\u00eas passado<\/a>, desencadeou uma profus\u00e3o de especula\u00e7\u00f5es sobre a possibilidade de que o g\u00e1s tenha sido produzido por micr\u00f3bios extraterrestres daquele planeta, para onde agora a Nasa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/press-release\/nasa-selects-four-possible-missions-to-study-the-secrets-of-the-solar-system\">cogita enviar uma sonda<\/a>. No entanto tr\u00eas novos estudos independentes n\u00e3o conseguiram encontrar evid\u00eancias de fosfina na atmosfera venusiana.<\/p>\n<p>Um dos grupos\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2010.07817.pdf\">utilizou imagens de arquivos anteriores para buscar sinais do g\u00e1s nas nuvens do planeta<\/a>\u00a0e n\u00e3o encontrou nada.<\/p>\n<p>\u201cDisseram que n\u00e3o encontraram fosfina. \u00c9 bastante perturbador\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/science.gsfc.nasa.gov\/sed\/bio\/conor.a.nixon\">Conor Nixon<\/a>, cientista planet\u00e1rio do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa que examinou o estudo, mas n\u00e3o participou da an\u00e1lise. O\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2010.07817.pdf\">estudo<\/a>\u00a0foi revisado por pares e aceito para publica\u00e7\u00e3o no peri\u00f3dico\u00a0<em>Astronomy &amp; Astrophysics<\/em>.<\/p>\n<p>Dois outros grupos\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2010.09761.pdf\">processaram novamente os dados originais da equipe de descoberta<\/a>\u00a0e tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiram encontrar evid\u00eancias de fosfina.<\/p>\n<p>Mas detectar um sinal t\u00eanue de uma mol\u00e9cula espec\u00edfica em outro planeta \u00e9 um processo complexo e os autores originais do estudo n\u00e3o est\u00e3o surpresos que outros cientistas estejam conduzindo uma an\u00e1lise mais aprofundada de sua pesquisa.<\/p>\n<p>\u00c9 normal. A ci\u00eancia \u00e9 assim. Se fosse poss\u00edvel observar fosfina a olho nu, teria sido descoberta h\u00e1 muito tempo\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/eapsweb.mit.edu\/people\/cssilva\">Clara Sousa-Silva<\/a>\u00a0do Centro de Astrof\u00edsica Smithsoniano de Harvard, uma autora do estudo. \u201c\u00c9 um grande al\u00edvio que esses dados estejam finalmente sendo analisados por outras pessoas.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Uma descoberta surpreendente<\/strong><\/h3>\n<p>A primeira detec\u00e7\u00e3o, publicada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-020-1174-4\">no peri\u00f3dico\u00a0\u00a0<em>Nature Astronomy<\/em><\/a>\u00a0em setembro, indicou a presen\u00e7a do g\u00e1s fosfina flutuando pelas espessas nuvens sulf\u00faricas de V\u00eanus em uma quantidade mais de mil vezes superior \u00e0 encontrada na atmosfera da Terra.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/abs\/10.1089\/ast.2018.1954?journalCode=ast\">Em planetas rochosos como V\u00eanus e a Terra<\/a>, as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o consideradas t\u00e3o extremas a ponto de produzir mol\u00e9culas de fosfina sem a presen\u00e7a de vida. Alguma esp\u00e9cie de metabolismo ou processo qu\u00edmico desconhecido seria necess\u00e1ria para explicar as elevadas quantidades de g\u00e1s fosfina na atmosfera venusiana (na Terra, v\u00e1rios micr\u00f3bios produzem fosfina. Os humanos tamb\u00e9m produzem, em laborat\u00f3rios de metanfetamina e na ind\u00fastria de semicondutores).<\/p>\n<p>A equipe identificou fosfina utilizando dois instrumentos que captam ondas de r\u00e1dio. Inicialmente, em 2017,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cardiff.ac.uk\/people\/view\/913804-greaves-jane\">Jane Greaves<\/a>,\u00a0da Universidade de Cardiff, e colegas encontraram o que poderia ser fosfina com o<a href=\"https:\/\/www.eaobservatory.org\/jcmt\/about-jcmt\/\">\u00a0Telesc\u00f3pio James Clerk Maxwell<\/a>\u00a0(Jcmt, na sigla em ingl\u00eas), no Hava\u00ed. Mas essa observa\u00e7\u00e3o precisava de confirma\u00e7\u00e3o e, em 2019, a equipe recorreu a um instrumento mais poderoso: o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/home\/\">Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array<\/a>\u00a0(\u201cGrande Conjunto Milim\u00e9trico e Submilim\u00e9trico do Atacama\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre, ou Alma, na sigla em ingl\u00eas), uma rede de 66 antenas de r\u00e1dio no alto do deserto chileno.<\/p>\n<p>Nos dados do Alma, a equipe encontrou um sinal fraco na frequ\u00eancia em que a energia seria absorvida por mol\u00e9culas de fosfina na atmosfera venusiana, conhecida como linha espectral. Se de fato houver fosfina em V\u00eanus nas grandes quantidades observadas, argumentou a equipe, sua presen\u00e7a seria dif\u00edcil de explicar se n\u00e3o fosse produzida biologicamente (uma\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2009.12758.pdf\">nova rean\u00e1lise de dados da sonda Pioneer-Venus<\/a>, que visitou V\u00eanus no fim da d\u00e9cada de 1970, refor\u00e7a, por ora, a possibilidade de exist\u00eancia de fosfina, embora n\u00e3o possa confirm\u00e1-la).<\/p>\n<p>No entanto alguns cientistas est\u00e3o incr\u00e9dulos. Na ocasi\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/team\/jcarpenter\/\">John Carpenter<\/a>,\u00a0cientista do Observat\u00f3rio Alma, questionou a forma de an\u00e1lise dos dados utilizada pelos cientistas da equipe original e sugere\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2020\/09\/possible-sign-of-life-found-on-venus-phosphine-gas\/\">que o procedimento pode ter gerado anomalias nos sinais<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os astr\u00f4nomos normalmente procuram diversas linhas espectrais produzidas pela mesma mol\u00e9cula para confirmar sua presen\u00e7a \u2014 imagens de que a equipe n\u00e3o disp\u00f5e.<\/p>\n<p>\u201cA linha espectral de fato existe e \u00e9 significativa?\u201d, indaga Nixon. \u201cSe houver uma linha, seria de fosfina? E se for, significaria a exist\u00eancia de vida?\u201d<\/p>\n<div style=\"width: 640px;\" class=\"wp-video\"><!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('video');<\/script><![endif]-->\n<video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-136298-1\" width=\"640\" height=\"360\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"https:\/\/flac-pmd-ngeo.akamaized.net\/video\/FLAC_FOD_BRA\/304\/663\/1457386051788_4056000.mp4?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/flac-pmd-ngeo.akamaized.net\/video\/FLAC_FOD_BRA\/304\/663\/1457386051788_4056000.mp4\">https:\/\/flac-pmd-ngeo.akamaized.net\/video\/FLAC_FOD_BRA\/304\/663\/1457386051788_4056000.mp4<\/a><\/video><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--video ngart-img--large\">\n<div id=\"sdk-video-player-4714263664168352\" class=\"sdk-video-player\">\n<div>\n<div id=\"player-holder\" class=\"player-holder\">\n<div id=\"player-1\" class=\"tpPlayer\">\n<div class=\"tpPlayerView tpMouseHover tpMuted tpActive tpLoading tpPlaying\">\n<div class=\"tpCards\">\n<div id=\"unmuteCard_player-1\" class=\"tpPlayerCard unmute tpPlayerArea\">101 | V\u00caNUS<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">Explore o planeta mais quente do sistema solar.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Verifica\u00e7\u00e3o com outro telesc\u00f3pio<\/strong><\/h3>\n<p>No momento do an\u00fancio, a equipe ainda buscava confirma\u00e7\u00e3o da detec\u00e7\u00e3o por meio de linhas espectrais identific\u00e1veis por telesc\u00f3pios infravermelhos \u2014 mas as observa\u00e7\u00f5es foram adiadas devido \u00e0 atual pandemia. Agora, outra equipe com Greaves e Sousa-Silva, da equipe de detec\u00e7\u00e3o original, fez uma an\u00e1lise de V\u00eanus utilizando dados de arquivos anteriores de outro telesc\u00f3pio, o\u00a0<a href=\"http:\/\/irtfweb.ifa.hawaii.edu\/\">Infrared Telescope Facility<\/a>\u00a0(\u201cInstala\u00e7\u00e3o de Telesc\u00f3pio Infravermelho\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre, ou Irtf, na sigla em ingl\u00eas), no Hava\u00ed.<\/p>\n<p>Essas imagens, obtidas em 2015,\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2010.07817.pdf\">n\u00e3o indicam nenhum sinal forte de fosfina<\/a>. Liderados por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iau.org\/administration\/membership\/individual\/4453\/\">Therese Encrenaz<\/a>, do Observat\u00f3rio de Paris, os autores do estudo concluem que os dados indicam que o limite m\u00e1ximo do poss\u00edvel teor de fosfina existente na atmosfera venusiana \u00e9 de um quarto da quantidade originalmente detectada. As imagens tamb\u00e9m sugerem que qualquer eventual fosfina precisaria estar em altitudes acima das nuvens do planeta, o que os astr\u00f4nomos consideram improv\u00e1vel devido \u00e0 r\u00e1pida degrada\u00e7\u00e3o do g\u00e1s.<\/p>\n<p>Sousa-Silva aponta v\u00e1rias poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para a aus\u00eancia de fosfina nas visualiza\u00e7\u00f5es infravermelhas. As quantidades de fosfina podem variar ao longo do tempo, ou ent\u00e3o as visualiza\u00e7\u00f5es infravermelhas podem n\u00e3o ter sido profundas o suficiente nas nuvens para detectar o g\u00e1s nos n\u00edveis informados. At\u00e9 agora, ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso entre a equipe sobre a altitude captada pelas visualiza\u00e7\u00f5es infravermelhas.<\/p>\n<p>\u201cAcredito no estudo de Encrenaz e que, portanto, n\u00e3o foi encontrada fosfina \u2014 no local observado\u201d, afirma Sousa-Silva. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 em que local? Qual foi a altitude observada? Ser\u00e1 que a explora\u00e7\u00e3o foi profunda o suficiente e n\u00e3o foi encontrada fosfina porque nunca existiu nessa altitude? Ser\u00e1 que a fosfina n\u00e3o foi encontrada porque \u00e9 vari\u00e1vel? Ou ser\u00e1 que a explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o profunda quanto imagin\u00e1vamos?<\/p>\n<h3><strong>Outro olhar sobre os dados<\/strong><\/h3>\n<p>Enquanto Encrenaz e os membros da equipe de descoberta analisavam os dados do Irtf, duas outras equipes processaram novamente os dados originais utilizados na detec\u00e7\u00e3o. Nenhuma das novas an\u00e1lises independentes desses dados conseguiu encontrar ind\u00edcios confi\u00e1veis do g\u00e1s.<\/p>\n<p>O primeiro grupo, composto por mais de vinte pesquisadores, n\u00e3o conseguiu encontrar evid\u00eancias de fosfina nos dados do Jcmt e do Alma. O Jcmt detectou uma linha espectral na frequ\u00eancia certa, mas a equipe sugere que pode ser explicada pela presen\u00e7a do g\u00e1s di\u00f3xido de enxofre na atmosfera de V\u00eanus, que, por acaso, gera uma linha espectral no mesmo local.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um g\u00e1s muito comum em V\u00eanus\u201d, afirma Nixon. \u201cN\u00e3o h\u00e1 pol\u00eamica sobre sua presen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Os dados do Alma, que produz imagens de alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o, passaram por uma an\u00e1lise mais complexa. Objetos brilhantes e pr\u00f3ximos, como V\u00eanus, podem causar perturba\u00e7\u00f5es em conjuntos de telesc\u00f3pios ultrassens\u00edveis como o Alma. Para obter um sinal a partir das imagens de V\u00eanus, os astr\u00f4nomos tiveram de eliminar o ru\u00eddo de r\u00e1dio produzido pela atmosfera da Terra, pelo pr\u00f3prio planeta V\u00eanus e at\u00e9 mesmo pelos equipamentos do observat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o de dados bastante complexa\u201d, afirma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aoc.nrao.edu\/~bbutler\/\">Bryan Butler<\/a>,\u00a0do Observat\u00f3rio Nacional de Radioastronomia, que estuda objetos do sistema solar utilizando o Alma e que participou da nova an\u00e1lise. \u201cV\u00eanus \u00e9 um objeto muito brilhante e grande e, ainda que tenha de fato sido detectada uma linha, \u00e9 somente uma linha t\u00eanue.\u201d<\/p>\n<p>Para piorar ainda mais a complexidade, o observat\u00f3rio Alma identificou recentemente um erro em seu sistema de calibragem que produziu um espectro de V\u00eanus com interfer\u00eancia demais para Greaves e seus colegas trabalharem. \u201cEsses dados s\u00e3o confusos, sens\u00edveis e repletos de interfer\u00eancias\u201d, explica Sousa-Silva (o Alma retirou os dados originais de V\u00eanus de seus arquivos e atualmente est\u00e1 reprocessando-os).<\/p>\n<p>Com o uso de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/michaelgreshko\/status\/1319504219053969409\">uma t\u00e9cnica denominada ajuste polinomial<\/a>, a equipe de descoberta original procurou a linha espectral da fosfina eliminando matematicamente o ru\u00eddo de fundo ao redor da regi\u00e3o do espectro onde haveria fosfina. Em tese, esse tipo de an\u00e1lise permite aos astr\u00f4nomos determinar quais regi\u00f5es das imagens s\u00e3o interfer\u00eancias e quais s\u00e3o sinais reais. Ap\u00f3s a homogeneiza\u00e7\u00e3o do espectro feita pela equipe para remover o excesso de interfer\u00eancias, os astr\u00f4nomos conclu\u00edram que o sinal de fosfina era significativo o suficiente para consider\u00e1-lo uma detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m outros astr\u00f4nomos est\u00e3o c\u00e9ticos quanto ao processamento de dados da equipe. Para extrair o sinal de fosfina de um conjunto de dados desorganizado, a equipe subtraiu o ru\u00eddo de fundo utilizando\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/jgreaves6\/status\/1319619640306393088\">um polin\u00f4mio de alta ordem<\/a>, o que significa que foram utilizadas mais vari\u00e1veis do que o normal para modelar os dados. Al\u00e9m disso, a equipe modelou o ru\u00eddo de fundo analisando regi\u00f5es do espectro fora da \u00e1rea onde seria esperado encontrar sinal de fosfina \u2014 um m\u00e9todo que normalmente impede que um poss\u00edvel sinal seja obscurecido por ru\u00eddos desconhecidos. No entanto a associa\u00e7\u00e3o entre um polin\u00f4mio de alta ordem e um conjunto de dados com interfer\u00eancias possibilita\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/michaelgreshko\/status\/1319635919478099969\">a cria\u00e7\u00e3o artificial de um sinal falso<\/a>\u00a0onde estaria a fosfina.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel melhorar o ajuste de um conjunto de dados adicionando mais vari\u00e1veis, mas \u00e9 preciso definir um par\u00e2metro que indique quando parar\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/casa\/meredith-macgregor\">Meredith MacGregor<\/a>, astr\u00f4noma da Universidade do Colorado, em Boulder. \u201cEm algum momento, ser\u00e3o ajustados ru\u00eddos e ampliados sinais que n\u00e3o s\u00e3o reais.\u201d<\/p>\n<p>Butler baixou os dados do Alma e come\u00e7ou do zero, refez algumas das calibragens iniciais e, em seguida, processou os dados como faria normalmente. N\u00e3o encontrou nenhuma evid\u00eancia de fosfina no espectro do planeta.<\/p>\n<p>\u201cApenas utilizei o que, em minha experi\u00eancia, s\u00e3o as melhores pr\u00e1ticas para reduzir esse tipo de dados\u201d, conta Butler. \u201cSe n\u00e3o for utilizado o mesmo procedimento deles, n\u00e3o fica vis\u00edvel nenhum tra\u00e7o [de fosfina].\u201d Al\u00e9m disso, ao processar os dados empregando os mesmos m\u00e9todos da equipe de descoberta original, ele verificou que o ajuste polinomial produzia linhas espectrais falsas.<\/p>\n<p>Outra an\u00e1lise dos dados do Alma, liderada por\u00a0<a href=\"https:\/\/home.strw.leidenuniv.nl\/~snellen\/\">Ignas Snellen<\/a>,\u00a0do Observat\u00f3rio de Leiden, e colegas, tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/2010.09761.pdf\">n\u00e3o conseguiu encontrar nenhum sinal de fosfina<\/a>. Essa equipe tamb\u00e9m informou que o ajuste polinomial de alta ordem poderia criar v\u00e1rias anomalias nas linhas espectrais.<\/p>\n<p>\u201cEles mostraram que esse processo de ajuste pode ser bastante problem\u00e1tico\u201d, afirma Nixon. \u201c\u00c9 muito inconstante e pode produzir elementos visuais com a mesma facilidade em que os elimina. No fim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter certeza do que est\u00e1 sendo observado.\u201d<\/p>\n<p>Greaves e sua equipe se recusam a comentar as novas an\u00e1lises das observa\u00e7\u00f5es do Alma at\u00e9 que o observat\u00f3rio tenha a possibilidade de processar novamente os dados.<\/p>\n<h3><strong>Uma busca cont\u00ednua<\/strong><\/h3>\n<p>Essas tentativas de confirmar a descoberta de fosfina s\u00e3o exatamente como a ci\u00eancia deve operar, alegam muitos astr\u00f4nomos. A replica\u00e7\u00e3o independente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/science\/archive\/2018\/11\/psychologys-replication-crisis-real\/576223\/\">n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum quanto deveria<\/a>, embora seja parte fundamental da confirma\u00e7\u00e3o de descobertas. A determina\u00e7\u00e3o definitiva da presen\u00e7a de fosfina em V\u00eanus ter\u00e1 de aguardar at\u00e9 que as novas an\u00e1lises sejam revisadas por pares e publicadas \u2014 e depois submetidas a escrut\u00ednio \u2014 e talvez por mais observa\u00e7\u00f5es do planeta.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de outras imagens para n\u00e3o depender de poucos conjuntos de dados repletos de interfer\u00eancias\u201d, afirma Sousa-Silva. \u201cO que se conclui \u00e9 que s\u00e3o necess\u00e1rios mais dados e mais an\u00e1lises.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o confiantes de que, com o tempo, desvendar\u00e3o o mist\u00e9rio da fosfina. \u201cA meu ver, a ci\u00eancia sempre corrige seus erros e, em condi\u00e7\u00f5es ideais, nos dias atuais, com a internet e as modernidades de hoje, n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rios anos para efetuar essas corre\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Nixon.<\/p>\n<p>Alega\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias requerem evid\u00eancias extraordin\u00e1rias. \u201cSe esse resultado n\u00e3o se confirmar\u201d, conta Butler, \u201cn\u00e3o seria o primeiro\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, astr\u00f4nomos encontraram ind\u00edcios animadores de que poderia haver vida flutuando nas nuvens que cobrem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136299,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/venus.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Recentemente, astr\u00f4nomos encontraram ind\u00edcios animadores de que poderia haver vida flutuando nas nuvens que cobrem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136298"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136298\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}