{"id":136294,"date":"2020-11-01T11:09:03","date_gmt":"2020-11-01T14:09:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136294"},"modified":"2020-11-01T11:09:03","modified_gmt":"2020-11-01T14:09:03","slug":"viadutos-para-animais-silvestres-novidade-que-chegou-para-ficar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/viadutos-para-animais-silvestres-novidade-que-chegou-para-ficar-no-brasil\/","title":{"rendered":"Viadutos para animais silvestres: novidade que chegou para ficar no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/macacos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136295\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/macacos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/macacos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/macacos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por\u00a0Dimas Marques*, Fauna News<\/p>\n<p>Viadutos projetados para animais silvestres. N\u00e3o s\u00e3o simples passarelas, mas estruturas de concreto, largas e com vegeta\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 reduzir o impacto da fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat e o risco de atropelamentos, fatores respons\u00e1veis por extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e alta mortandade da fauna.<\/p>\n<p>O rec\u00e9m-inaugurado viaduto vegetado (em ingl\u00eas,\u00a0<i>overpass<\/i>) sobre a BR-101, na \u00e1rea de ocorr\u00eancia do amea\u00e7ado mico-le\u00e3o-dourado (<i>Leontopithecus rosalia<\/i>) no estado do Rio de Janeiro, chamou a aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade do aumento da implanta\u00e7\u00e3o dessas estruturas no Brasil. Somente outros tr\u00eas desses viadutos, sendo dois em uma mesma linha f\u00e9rrea, existem em territ\u00f3rio nacional. \u201cA fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria dos viadutos vegetados \u00e9 restabelecer a conex\u00e3o entre os ambientes dos dois lados da rodovia ou ferrovia e aumentar a possibilidade de travessias seguras, sobretudo para animais que de outra forma evitariam cruzar a via\u201d, explica o bi\u00f3logo e coordenador do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/nerf\/?view=featured\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00facleo de Ecologia de Rodovias e Ferrovias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NERF-UFRGS), Andreas Kindel<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244150\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244150\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244150\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD.jpg\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD.jpg 1200w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD-300x175.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD-1024x596.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD-600x349.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/1-viaduto-mico-leao-Wanderson-Chan-AMLD-946x550.jpg 946w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"372\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244150\" class=\"wp-caption-text\">Viaduto vegetado conclu\u00eddo em agosto na BR-101, na regi\u00e3o de ocorr\u00eancia do mico-le\u00e3o-dourado (RJ) \u2013 Foto: Wanderson Chan\/AMLD<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das principais consequ\u00eancias da constru\u00e7\u00e3o de rodovias e ferrovias para a fauna \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o de seu habitat, gerando o chamado \u201cefeito barreira\u201d. Para algumas esp\u00e9cies, a clareira gerada pela estrada, o ru\u00eddo, a polui\u00e7\u00e3o e o movimento de ve\u00edculos inibem e at\u00e9 impedem a circula\u00e7\u00e3o dos animais por um ambiente que j\u00e1 foi uma paisagem \u00fanica, n\u00e3o dividida. \u00c9 o que acontece com algumas esp\u00e9cies de aves que vivem no sub-bosque de florestas (regi\u00e3o logo abaixo das copas das \u00e1rvores maiores), anf\u00edbios que habitam solo forrado com folhas e alguns pequenos mam\u00edferos que frequentam as copas das \u00e1rvores (dossel), como roedores e marsupiais. \u201cEsses animais evitam as estradas. Rar\u00edssimos s\u00e3o os registros de atropelamentos desses grupos\u201d, explica Kindel.<\/p>\n<p>Essa barreira pode isolar popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies, gerando cruzamentos entre animais aparentados (consanguinidade) e uma consequente dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as ambientais. O chamado fluxo g\u00eanico que possibilita haver varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dentro da popula\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie \u00e9 fundamental para sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 a possibilidade de separar os animais de fontes de \u00e1gua e alimento, bem como causar problemas para processos migrat\u00f3rios. Popula\u00e7\u00f5es de determinadas esp\u00e9cies tamb\u00e9m podem ficar restritas em \u00e1reas que n\u00e3o t\u00eam a capacidade de sustent\u00e1-las, gerando uma disputa interna entre os animais.<\/p>\n<p>Evitar atropelamentos, que segundo o Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE) s\u00e3o respons\u00e1veis pela morte de 475 milh\u00f5es de animais silvestres no Brasil todos os anos, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria dos viadutos vegetados. Kindel afirma que as cercas s\u00e3o ferramentas mais efetivas, pois impedem a intera\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos e animais. \u201cViadutos vegetados e outros tipos de passagens de fauna, sozinhos, n\u00e3o reduzem a mortalidade ou reduzem muito pouco\u201d, salienta o pesquisador.<\/p>\n<p>De acordo com Kindel, os viadutos s\u00e3o constru\u00eddos em contextos bastante espec\u00edficos, em geral quando a implanta\u00e7\u00e3o da rodovia ou ferrovia envolve corte do relevo, como os morros. O projeto dessas estruturas deve levar em considera\u00e7\u00e3o a sua proximidade das forma\u00e7\u00f5es vegetais remanescentes a serem conectadas, a garantia da manuten\u00e7\u00e3o dessa cobertura vegetal nativa das \u00e1reas ligadas, evitando o risco da expans\u00e3o agr\u00edcola, da urbaniza\u00e7\u00e3o ou de outras infraestruturas inviabilizarem o ganho das \u00e1reas religadas, al\u00e9m de preferencialmente desfragmentar corredores de vegeta\u00e7\u00e3o de abrang\u00eancia regional e n\u00e3o somente local.<\/p>\n<p>Mas para que os viadutos vegetados realmente funcionem, \u00e9 necess\u00e1ria a instala\u00e7\u00e3o de um sistema com cercas para guiarem os animais at\u00e9 a estrutura. Elas impedem o acesso da fauna \u00e0 rodovia ou aos trilhos e direcionam o deslocamento at\u00e9 o ponto de travessia. Se o trecho superior do viaduto tiver uma cobertura vegetal com as mesmas caracter\u00edsticas de vegeta\u00e7\u00e3o do entorno, h\u00e1 grande chance de ele ser utilizado.<\/p>\n<h3><b>Ajudando os micos-le\u00f5es-dourados<\/b><\/h3>\n<p>O viaduto vegetado constru\u00eddo na altura do km 218 da BR-101, em Silva Jardim (RJ), foi conclu\u00eddo no in\u00edcio de agosto. Ele \u00e9 resultado de intensa mobiliza\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Mico-Le\u00e3o-Dourado (AMLD), que a partir de 2012 se empenhou para conseguir a implanta\u00e7\u00e3o de medidas que reduzissem os impactos da duplica\u00e7\u00e3o da rodovia ao amea\u00e7ado mico-le\u00e3o-dourado e demais esp\u00e9cies da fauna da regi\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244143\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244143\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244143\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/4-viaduto-mico-leao-Arteris-Fluminense-1024x576-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/4-viaduto-mico-leao-Arteris-Fluminense-1024x576-1.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/4-viaduto-mico-leao-Arteris-Fluminense-1024x576-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/4-viaduto-mico-leao-Arteris-Fluminense-1024x576-1-600x338.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/4-viaduto-mico-leao-Arteris-Fluminense-1024x576-1-978x550.jpg 978w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244143\" class=\"wp-caption-text\">Oper\u00e1rio plantando as \u00e1rvores no viaduto vegetado conclu\u00eddo em agosto na BR-101 \u2013 Foto: Arteris Fluminense<\/figcaption><\/figure>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da BR-101 na d\u00e9cada de 1950 ajudou no processo de fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat dos micos-le\u00f5es-dourados. Atualmente, na altura de Silva Jardim, por exemplo, de um lado da pista est\u00e1 a Reserva Biol\u00f3gica de Po\u00e7o das Antas e do outro v\u00e1rios fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica conservados em fazendas, reservas particulares do patrim\u00f4nio natural (RPPNs) e o Parque Estadual dos Tr\u00eas Picos. Se para os micos, primatas que preferencialmente se deslocam pelas \u00e1rvores, j\u00e1 era dif\u00edcil atravessar a rodovia estreita, imagine ap\u00f3s a duplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-executivo da AMLD, Luis Paulo Ferraz, lembra que o contrato de concess\u00e3o para a iniciativa privada do trecho da rodovia onde foi constru\u00eddo o viaduto, que inclu\u00eda a duplica\u00e7\u00e3o da via, n\u00e3o incorporou os custos ambientais da obra. Ainda segundo o ambientalista, os estudos de impacto ambiental n\u00e3o levaram em considera\u00e7\u00e3o a realidade local e sequer citaram o mico-le\u00e3o-dourado, esp\u00e9cie s\u00edmbolo da Mata Atl\u00e2ntica que s\u00f3 existe naquela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta de constru\u00e7\u00e3o de um viaduto vegetado surgiu em 2014, quando a AMLD organizou um encontro t\u00e9cnico com pesquisadores, gestores das unidades de conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e da Arteris Fluminense, concession\u00e1ria respons\u00e1vel pela rodovia. A duplica\u00e7\u00e3o terminou antes mesmo que qualquer estrutura para a fauna fosse constru\u00edda.<\/p>\n<p>\u201cO principal problema foi a resist\u00eancia da concession\u00e1ria \u00e0 ideia do viaduto face aos custos envolvidos\u201d, afirma Ferraz. A Arteris Fluminense teria contratado consultorias para pesquisar alternativas e questionar a efici\u00eancia de um viaduto vegetado para aquele contexto. A Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) teria sido outro foco de resist\u00eancia pois, segundo o ambientalista, demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com a possiblidade de que esse tipo de estrutura, considerada cara, passe a ser exigida com mais frequ\u00eancias pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<p>O viaduto vegetado saiu do campo das ideias somente ap\u00f3s o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ingressar, em 2016, com uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica para exigir que as condicionantes ambientais do processo de licenciamento da duplica\u00e7\u00e3o da rodovia fossem efetivamente executadas. A obra come\u00e7ou em 2018 e, de acordo com a Arteris Fluminense, nela foram investidos R$ 9 milh\u00f5es. Um outro viaduto, na altura do km 240, est\u00e1 previsto para ser constru\u00eddo ap\u00f3s serem feitos monitoramentos para verificar os resultados do primeiro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do viaduto, a Arteris Fluminense construiu em um trecho de 72 quil\u00f4metros da BR-101, entre Rio Bonito e Casimiro de Abreu, 15 passagens de fauna subterr\u00e2neas (que passam por baixo da rodovia), 10 estruturas que ligam copas de \u00e1rvores situadas em lados opostos da estrada, nove passagens sob pontes, mais de 30 quil\u00f4metros de cercas e um sistema de sinaliza\u00e7\u00e3o para motoristas indicando a presen\u00e7a de animais silvestres na regi\u00e3o. Ou seja, todas as estruturas fazem parte de um planejamento maior que busca minimizar os impactos da rodovia duplicada e do tr\u00e1fego di\u00e1rio de cerca de 20 mil ve\u00edculos.<\/p>\n<p>O viaduto possui 54 metros de comprimento e 20 metros de largura. Nele foram plantadas mudas de \u00e1rvores nativas da regi\u00e3o, que ainda t\u00eam de crescer para criar o ambiente prop\u00edcio \u00e0s travessias. Al\u00e9m do mico-le\u00e3o-dourado, a pregui\u00e7a-de-coleira (<i>Bradypus torquatus<\/i>), a on\u00e7a-parda (<i>Puma concolor<\/i>), tatus, cachorros-do-mato e tamandu\u00e1s-mirins (<i>Tamandua tetradactyla<\/i>) est\u00e3o entre as esp\u00e9cies que dever\u00e3o ser beneficiadas pela obra.<\/p>\n<p>Atualmente, a popula\u00e7\u00e3o estimada de micos-le\u00f5es-dourados \u00e9 de 2.500 animais. A AMLD defende que para a esp\u00e9cie deixar de correr risco de extin\u00e7\u00e3o, sua popula\u00e7\u00e3o deve ser de pelo menos dois mil animais vivendo livremente em 25 mil hectares de florestas protegidas e conectadas. O viaduto vegetado \u00e9 parte da estrat\u00e9gia de conex\u00e3o de fragmentos de matas. \u201cA consolida\u00e7\u00e3o da conex\u00e3o florestal em Po\u00e7o das Antas era fundamental\u201d, afirma Ferraz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244144\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244144\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244144\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/7-mico-Andreia-Martns-AMLD-1024x603-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/7-mico-Andreia-Martns-AMLD-1024x603-1.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/7-mico-Andreia-Martns-AMLD-1024x603-1-300x177.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/7-mico-Andreia-Martns-AMLD-1024x603-1-600x353.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/7-mico-Andreia-Martns-AMLD-1024x603-1-934x550.jpg 934w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"377\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244144\" class=\"wp-caption-text\">O viaduto \u00e9 essencial para evitar o isolamento de grupos de micos-le\u00f5s-dourados \u2013 Foto: Andreia Martins\/AMLD<\/figcaption><\/figure>\n<h3><b>Na Serra do Mar paulista<\/b><\/h3>\n<p>O outro viaduto vegetado em rodovia existente no Brasil foi constru\u00eddo na altura do quil\u00f4metro 25,8 da SP-99 (rodovia dos Tamoios), que liga S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos a Caraguatatuba, no estado de S\u00e3o Paulo. A estrutura, conclu\u00edda em junho de 2018, foi erguida durante a duplica\u00e7\u00e3o da estrada, em um local chamado Serrinha, exatamente onde houve o corte de um morro.<\/p>\n<p>De acordo com a empresa do governo paulista Dersa (Desenvolvimento Rodovi\u00e1rio S\/A), respons\u00e1vel pelo projeto de duplica\u00e7\u00e3o da estrada, o viaduto vegetado, sete passagens de fauna inferiores (que passam por baixo da pista) e uma passagem feita com cabos entre copas de \u00e1rvores foram projetados para reduzir atropelamentos ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de campanhas de monitoramento de fauna na regi\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10620\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-10620\">\n<figure id=\"attachment_244145\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244145\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244145\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/10-rodovia-dos-Tamios-Concessionaria-Tamoios-1024x576-1.png\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/10-rodovia-dos-Tamios-Concessionaria-Tamoios-1024x576-1.png 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/10-rodovia-dos-Tamios-Concessionaria-Tamoios-1024x576-1-300x169.png 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/10-rodovia-dos-Tamios-Concessionaria-Tamoios-1024x576-1-600x338.png 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/10-rodovia-dos-Tamios-Concessionaria-Tamoios-1024x576-1-978x550.png 978w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244145\" class=\"wp-caption-text\">Conclu\u00eddo em 2018, o viaduto da rodovia dos Tamoios, em S\u00e3o Paulo, foi o primeiro em estrada do Brasil \u2013 Foto: Concession\u00e1ria Tamoios<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>A Concession\u00e1ria Tamoios, que administra a rodovia, n\u00e3o informou dados sobre a utiliza\u00e7\u00e3o pelos animais da estrutura, que custou R$ 2,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<h3><b>Em Santa Catarina, ainda \u00e9 projeto<\/b><\/h3>\n<p>Al\u00e9m do segundo viaduto vegetado planejado para a BR-101 na regi\u00e3o do mico-le\u00e3o-dourado, no Rio de Janeiro, outra estrutura dessa dever\u00e1 ser constru\u00edda em breve no Brasil. Com projeto pronto, mas sem contrato de execu\u00e7\u00e3o, ele ser\u00e1 implantado na altura do quil\u00f4metro 54,5 da rodovia BR-280, em Santa Catarina.<\/p>\n<p>De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o viaduto reconectar\u00e1 um fragmento de floresta atl\u00e2ntica de cerca de 10 km\u00b2 junto \u00e0 cidade de Guaramirim com outro bem maior que chega at\u00e9 as proximidades de S\u00e3o Bento do Sul e ao trecho paranaense da Serra do Mar. Ele ter\u00e1 40 metros de comprimento e 11 metros de largura. No local, onde passar\u00e1 a nova pista duplicada da rodovia, hoje existe uma pequena rua.<\/p>\n<p>O viaduto vegetado, que n\u00e3o tem data para in\u00edcio ou conclus\u00e3o das obras, \u00e9 parte do projeto de redu\u00e7\u00e3o de impactos para a regi\u00e3o que prev\u00ea tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de passagens de fauna subterr\u00e2neas com cercas para guiar os animais at\u00e9 elas. Nas matas pr\u00f3ximas foram registrados animais vertebrados de 101 esp\u00e9cies, como gato-do-mato-pequeno (<i>Leopardus guttulus<\/i>), cachorro-do-mato (<i>Cerdocyon thous<\/i>), v\u00e1rios morcegos, corujas, tatus, p\u00e1ssaros, cobras e anf\u00edbios.<\/p>\n<h3><b>Na ferrovia, os primeiros do Brasil<\/b><\/h3>\n<p>No Par\u00e1, dois viadutos vegetados foram implantados no ramal ferrovi\u00e1rio de 101 quil\u00f4metros que liga uma das minas de min\u00e9rio de ferro da Vale, em Cana\u00e3 dos Caraj\u00e1s, \u00e0 estrada de ferro Caraj\u00e1s, em Parauapebas. Eles foram conclu\u00eddos em 2017 por exig\u00eancia do processo de licenciamento ambiental, sendo os primeiros instalados no pa\u00eds. As duas estruturas foram cobertas com gram\u00edneas e receberam pequenos arbustos de esp\u00e9cies da regi\u00e3o para reproduzir o ambiente do entorno, al\u00e9m de cercas direcionadoras.<\/p>\n<p>Os dois viadutos integram um conjunto de estruturas que inclui tamb\u00e9m 30 passagens de fauna de outros tipos, como as subterr\u00e2neas. A Vale informou ter registrado 2.194 ocorr\u00eancias de travessias de animais nesse sistema de passagens entre 2016 e 2019.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244146\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244146\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244146\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-1.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-1-300x164.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-1-600x328.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-1-1000x547.jpg 1000w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"350\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244146\" class=\"wp-caption-text\">Um dos viadutos vegetados sobre linha f\u00e9rrea no Par\u00e1 \u2013 Foto: Vale<\/figcaption><\/figure>\n<p>O bi\u00f3logo e pesquisador em impactos de ferrovias sobre a fauna, Rubem Dornas, lembra que as linhas f\u00e9rreas podem ter um efeito barreira ainda maior para animais de pequeno porte. Al\u00e9m da clareira ser um inibidor para animais de algumas esp\u00e9cies, os trilhos s\u00e3o obst\u00e1culos verticais que podem ser intranspon\u00edveis para c\u00e1gados, jabutis e alguns anf\u00edbios, por exemplo. \u201cOs animais encontram os trilhos e, na tentativa de atravessar, podem ter que percorrer v\u00e1rios quil\u00f4metros at\u00e9 descobrirem um local com espa\u00e7o entre a brita e trilho ou uma passagem de n\u00edvel, que geralmente \u00e9 para carros. Nesse trajeto, suspeita-se que um grande n\u00famero deles morra por inani\u00e7\u00e3o ou superaquecimento\u201d, explica.<\/p>\n<p>Dornas, que faz parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/reetbrasil.wixsite.com\/reetbrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rede Brasileira de Especialistas em Ecologia de Transportes (REET Brasil)<\/a>, afirma que a malha ferrovi\u00e1ria brasileira \u00e9 antiga, sendo raras as linhas com sistema de redu\u00e7\u00e3o de impactos como o efeito barreira e os atropelamentos.<\/p>\n<h3><b>No Exterior<\/b><\/h3>\n<p>Novidades no Brasil, os viadutos vegetados j\u00e1 s\u00e3o constru\u00eddos h\u00e1 d\u00e9cadas em diversos pa\u00edses da Europa, nos Estados Unidos, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia. Na Am\u00e9rica Latina, a primeira experi\u00eancia com esse tipo de estrutura \u00e9 da Argentina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244147\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244147\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244147\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1-600x361.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1-914x550.jpg 914w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/17-viaduto-na-alemanha-foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x616-1-750x450.jpg 750w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"385\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244147\" class=\"wp-caption-text\">Viaduto na Motorway 9, perto de Niemegk, Alemanha \u2013 Foto: Igor Pfeifer Coelho<\/figcaption><\/figure>\n<p>O viaduto vegetado argentino foi constru\u00eddo entre 2008 e 2010 sobre a rodovia RN-101, na prov\u00edncia de Missiones \u2013 Estado onde situa-se as cataratas do Igua\u00e7u, na divisa com o Brasil. A estrada localiza-se ao lado de um grande bloco de mata atl\u00e2ntica bem conservada que inclui o Parque Nacional Iguaz\u00fa e o Parque Provincial Urugua-\u00ed. \u201cOs motivos que motivaram a sua constru\u00e7\u00e3o foi a localiza\u00e7\u00e3o em um corredor biol\u00f3gico no qual, desde 2002, trabalhamos na sua restaura\u00e7\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de reservas naturais privadas\u201d, explica o pesquisador do Instituto de Biologia Subtropical da Universidade Nacional de Misiones (IBS\/CONICE) e da ONG Centro de Investigaciones del Bosque Atl\u00e1ntico (CeIBA), Diego Varela.<\/p>\n<p>A iniciativa tem resultado positivo. Varela, que avalia a efici\u00eancia do viaduto desde 2011, afirma que ano ap\u00f3s ano o n\u00famero de esp\u00e9cies utilizando a estrutura tem aumentado, sendo 24 de mam\u00edferos de m\u00e9dio e grande porte j\u00e1 foram registradas nela. Na regi\u00e3o h\u00e1 on\u00e7as-pintadas (<i>Panthera onca<\/i>), on\u00e7as-pardas (<i>Puma concolor<\/i>), jaguatiricas (<i>Leopardus pardalis<\/i>), antas (<i>Tapirus terrestres<\/i>), queixadas (<i>Tayassu pecari<\/i>), catetos (<i>Tayassu tajacu<\/i>), veados-m\u00e3o-curta (<i>Mazama nana<\/i>) e veados-mateiros (<i>Mazama americana<\/i>).<\/p>\n<p>Dois novos viadutos est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o na rodovia RP-19, que corta ao meio o Parque Provincial Urugua-\u00ed.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10627\" class=\"wp-caption aligncenter\" aria-describedby=\"caption-attachment-10627\"><figcaption id=\"caption-attachment-10627\" class=\"wp-caption-text\">\n<figure id=\"attachment_244148\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244148\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244148\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-2.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-2-300x164.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-2-600x328.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Viadutodefauna-1024x560-2-1000x547.jpg 1000w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"350\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244148\" class=\"wp-caption-text\">O viaduto vegetado da Argentina foi o primeiro da Am\u00e9rica Latina \u2013 Foto: Diego Varela<\/figcaption><\/figure>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em unidades de conserva\u00e7\u00e3o e envolvendo uma \u00fanica rodovia, a experi\u00eancia canadense no Parque Nacional Banff \u00e9 considerada uma refer\u00eancia. S\u00e3o 44 passagens de fauna selvagem, sendo seis viadutos vegetados e 38 passagens subterr\u00e2neas, e 82 quil\u00f4metros de cercas na rodovia Trans-Canada que corta a \u00e1rea protegida. Esse conjunto de medidas come\u00e7ou a ser planejado em 1981, quando o governo canadense resolveu duplicar a estrada, e foi pensado principalmente para atender animais de grande porte, como alces, cervos e ursos. Pesquisas indicaram ter ocorrido uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 80% de atropelamentos de fauna quando consideradas todas as esp\u00e9cies afetadas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_244149\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-244149\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-244149\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/16-viaduto-em-banff-canada-Foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x602-1.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/16-viaduto-em-banff-canada-Foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x602-1.jpg 1024w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/16-viaduto-em-banff-canada-Foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x602-1-300x176.jpg 300w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/16-viaduto-em-banff-canada-Foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x602-1-600x353.jpg 600w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/16-viaduto-em-banff-canada-Foto-Igor-Pfeifer-Coelho-1024x602-1-936x550.jpg 936w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"376\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-244149\" class=\"wp-caption-text\">Viaduto vegetado no Parque Nacional Banff, no Canad\u00e1 \u2013 Foto: Igor Pfeifer Coelho<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na Holanda, um grande programa de reconex\u00e3o de fragmentos de \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, que inclui viadutos vegetados, foi iniciado em 1990. O trabalho identificou 1.126 pontos de desfragmenta\u00e7\u00e3o em rodovias, ferrovias e canais hidrovi\u00e1rios. Entre 2005 e 2018, 175 desses locais foram alvo de interven\u00e7\u00f5es v\u00e1rias. Atualmente, h\u00e1 30 viadutos vegetados e outros 20 planejados.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10980-020-01047-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo publicado em julho na revista cient\u00edfica Landscape Ecology<\/a>, pesquisadores holandeses afirmam que a redu\u00e7\u00e3o do tamanho dos fragmentos com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, bem como a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade desses habitat, aumenta as extin\u00e7\u00f5es locais de pequenas popula\u00e7\u00f5es de animais. Outro problema causado pelo isolamento dessas \u00e1reas \u00e9 a dificuldade dessas esp\u00e9cies colonizarem novos fragmentos.<\/p>\n<p>Esse problema motivou a implanta\u00e7\u00e3o do programa de desfragmenta\u00e7\u00e3o holand\u00eas. Por outro lado, os autores do artigo citam pesquisas que destacam uma aus\u00eancia de an\u00e1lises de custo-benef\u00edcio das medidas de desfragmenta\u00e7\u00e3o de estradas, bem como dos efeitos delas sobre as popula\u00e7\u00f5es de animais silvestres.<\/p>\n<p>Kindel afirma que os viadutos vegetados associados a cercas s\u00e3o adequados para minimizar danos de rodovias em opera\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o devem ser utilizados para viabilizar estradas em planejamento. \u201cSe a estrada n\u00e3o se justifica, e isso tem de ser avaliado com indicadores s\u00f3lidos, ela nem deveria ser cogitada. Essa virada de mesa ainda n\u00e3o foi feita no Brasil, embora v\u00e1rios mecanismos, inclusive de financiamento, j\u00e1 demandem essas informa\u00e7\u00f5es\u201d, explica o coordenador do NERF. O ideal \u00e9 evitar a fragmenta\u00e7\u00e3o e quando for necess\u00e1ria a implanta\u00e7\u00e3o de estruturas que reduzam os impactos negativos sobre a fauna, que sejam parte de um planejamento amplo para toda uma regi\u00e3o e n\u00e3o interven\u00e7\u00f5es pontuais.<\/p>\n<p><em>*Dimas Marques \u2013 Editor-chefe do Fauna News<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"mailto:dimasmarques@faunanews.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dimasmarques@faunanews.com.br<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/faunanews.com.br\/\">https:\/\/faunanews.com.br\/<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Dimas Marques*, Fauna News Viadutos projetados para animais silvestres. 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