{"id":136150,"date":"2020-10-28T14:00:01","date_gmt":"2020-10-28T17:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136150"},"modified":"2020-10-28T12:01:35","modified_gmt":"2020-10-28T15:01:35","slug":"no-cerrado-topografia-explica-diversidade-genetica-de-anfibios-mais-do-que-cobertura-vegetal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/no-cerrado-topografia-explica-diversidade-genetica-de-anfibios-mais-do-que-cobertura-vegetal\/","title":{"rendered":"No Cerrado, topografia explica diversidade gen\u00e9tica de anf\u00edbios mais do que cobertura vegetal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136151\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A perereca <i>Bokermannohyla ibitiguara<\/i>\u00a0tem cerca de quatro cent\u00edmetros de comprimento e vive exclusivamente em riachos da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O anf\u00edbio, cujo nome significa \u201cmoradora da serra\u201d, habita as chamadas matas ciliares, caracter\u00edsticas de margens de rios e riachos. Nesse conjunto de floresta e \u00e1gua os animais podem crescer, se alimentar, encontrar parceiros e p\u00f4r seus ovos sem necessariamente irem muito longe durante todo o seu ciclo de vida. \u00c9 o que mostra um estudo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/ddi.13154\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na\u00a0<i>Diversity and Distributions<\/i>.<\/p>\n<p>Segundo os autores, a topografia, mais do que condi\u00e7\u00f5es da vegeta\u00e7\u00e3o, \u00e9 o fator preponderante para esses animais se dispersarem mais ou menos no territ\u00f3rio, a ponto de essa informa\u00e7\u00e3o ficar registrada em seu DNA.<\/p>\n<p>Ao analisar a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es da perereca dentro e fora do Parque Nacional da Serra da Canastra \u2013 uma \u00e1rea protegida dentro da regi\u00e3o \u2013 pesquisadores brasileiros e dos Estados Unidos descobriram que, quanto menos acidentado o terreno, mais diversa \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em locais com muita varia\u00e7\u00e3o de altitude, onde os terrenos s\u00e3o mais acidentados, os indiv\u00edduos s\u00e3o muito similares geneticamente, ou seja, mais aparentados. Evolutivamente, isso pode ser prejudicial para a esp\u00e9cie, gerando uma maior suscetibilidade a doen\u00e7as ou a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e de conserva\u00e7\u00e3o costumam levar em conta, entre outros fatores, a cobertura vegetal. Mas o Cerrado tem chapad\u00f5es, \u00e1reas de plat\u00f4, \u00e1reas mais acidentadas. Quer\u00edamos saber se essa topografia variada poderia ter algum papel na diversidade gen\u00e9tica dessa esp\u00e9cie. Descobrimos que sim. A vegeta\u00e7\u00e3o, sozinha, n\u00e3o explicou as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas encontradas entre os locais em que essa esp\u00e9cie ocorre e nem mesmo dentro do mesmo local. As condi\u00e7\u00f5es do relevo, sim\u201d, explica\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/77069\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renato Christensen Nali<\/a><\/strong>, primeiro autor do estudo e professor do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (ICB-UFJF).<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 um dos resultados do doutorado de Nali, realizado no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro, com\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/135944\/diversificacao-genetica-morfologica-e-acustica-em-populacoes-de-um-anuro-endemico-da-serra-da-canas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>bolsa da FAPESP<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>A pesquisa integra o projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/24299\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ecologia reprodutiva de anf\u00edbios anuros: uma abordagem evolutiva<\/a><\/strong>\u201d, coordenado por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/21202\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cynthia Peralta de Almeida Prado<\/a><\/strong>, coautora do trabalho e professora da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Veterin\u00e1rias da Unesp, em Jaboticabal, e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Zoologia do IB-Unesp, em Rio Claro.<\/p>\n<p><b>Diferentes no plano<\/b><\/p>\n<p>\u201cO resultado foi muito interessante, entre outros motivos, porque traz um elemento novo para a conserva\u00e7\u00e3o no Cerrado. Quando se fala em unidades de conserva\u00e7\u00e3o, pensa-se muito, e com raz\u00e3o, em corredores ecol\u00f3gicos e matas, mas n\u00e3o necessariamente se h\u00e1 uma topografia que possa permitir a dispers\u00e3o dos animais\u201d, diz Nali, que coordena o Laborat\u00f3rio de Ecologia Evolutiva de Anf\u00edbios (Lecean) na UFJF.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram 12 popula\u00e7\u00f5es de\u00a0<i>B. ibitiguara<\/i>, seis dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra e outras seis fora. Nas popula\u00e7\u00f5es da \u00e1rea protegida, havia uma diversidade gen\u00e9tica muito maior do que nas que vivem fora do parque. Ao cruzar informa\u00e7\u00f5es sobre o grau de prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas e a condi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, esses fatores n\u00e3o foram t\u00e3o decisivos para essa diversidade quanto o relevo.<\/p>\n<p>\u201cO terreno \u00e9 muito mais acidentado fora do parque, enquanto dentro dele h\u00e1 um grande plat\u00f4, muito uniforme. Nele, os anf\u00edbios conseguem se dispersar mais, encontrar parceiros em \u00e1reas mais distantes e aumentar sua diversidade gen\u00e9tica. Fora, o terreno acidentado e as diferentes altitudes aparentemente acabam restringindo as popula\u00e7\u00f5es a \u00e1reas menores\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia desses fatores ficou evidente nos testes gen\u00e9ticos. Usando a t\u00e9cnica de marcadores por microssat\u00e9lite, que localiza regi\u00f5es espec\u00edficas do genoma, os pesquisadores encontraram uma maior diversidade de alelos nas popula\u00e7\u00f5es dentro do parque. Esse \u00e9 um dos par\u00e2metros que determinam a integridade gen\u00e9tica e, consequentemente, um maior potencial adaptativo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as popula\u00e7\u00f5es fora do parque apresentaram maior perda de heterozigose, fen\u00f4meno relacionado com a perda de variabilidade gen\u00e9tica. Repetida ao longo das gera\u00e7\u00f5es, essa perda tamb\u00e9m amea\u00e7a a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de se levar em conta a topografia em estudos de conserva\u00e7\u00e3o, o trabalho mostra como a simples presen\u00e7a da esp\u00e9cie num local n\u00e3o garante que ela n\u00e3o esteja amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>\u201cRealizando an\u00e1lises moleculares, podemos verificar se as popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica favor\u00e1vel. Uma \u00e1rea pode ter um n\u00famero grande de indiv\u00edduos, mas, analisando o DNA, podemos descobrir que a sua constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 desfavor\u00e1vel, com poucos alelos e baixa heterozigose. Ent\u00e3o, na pr\u00e1tica, o tamanho efetivo da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pequeno\u201d, aponta.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que a pesquisa foi realizada com apenas uma esp\u00e9cie de anf\u00edbio anuro, mas acredita que o resultado possa valer para outras, uma vez que as caracter\u00edsticas f\u00edsicas para deslocamento s\u00e3o semelhantes para outros sapos, r\u00e3s e pererecas. No entanto, novas pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias com outras esp\u00e9cies para confirmar a aplicabilidade dos resultados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o grupo reafirma que a cobertura vegetal continua sendo um importante fator para a conserva\u00e7\u00e3o, inclusive do Cerrado, que j\u00e1 teve mais de 50% de sua \u00e1rea convertida em pastagens ou planta\u00e7\u00f5es e tem menos de 5% protegidos por unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Topography, more than land cover, explains genetic diversity in a Neotropical savanna tree frog<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/ddi.13154\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/ddi.13154<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perereca Bokermannohyla ibitiguara\u00a0tem cerca de quatro cent\u00edmetros de comprimento e vive exclusivamente em riachos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136151,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/perereca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A perereca Bokermannohyla ibitiguara\u00a0tem cerca de quatro cent\u00edmetros de comprimento e vive exclusivamente em riachos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136150"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136150\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}