{"id":136083,"date":"2020-10-27T13:59:06","date_gmt":"2020-10-27T16:59:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136083"},"modified":"2020-10-27T13:59:20","modified_gmt":"2020-10-27T16:59:20","slug":"estudo-pode-dar-origem-a-teste-capaz-de-prever-se-paciente-com-covid-19-precisara-ser-hospitalizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-pode-dar-origem-a-teste-capaz-de-prever-se-paciente-com-covid-19-precisara-ser-hospitalizado\/","title":{"rendered":"Estudo pode dar origem a teste capaz de prever se paciente com COVID-19 precisar\u00e1 ser hospitalizado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136101\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) permite prever, com um simples exame de sangue, o risco de um paciente diagnosticado com COVID-19 vir a desenvolver complica\u00e7\u00f5es e precisar ser hospitalizado.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica consiste em analisar o conjunto de prote\u00ednas presentes no plasma sangu\u00edneo para descobrir se corresponde a um padr\u00e3o classificado pelos autores como de \u201calto risco\u201d. Os detalhes do trabalho, que contou com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106438\/glicosilacao-do-sars-cov-2-para-identificacao-das-caracteristicas-estruturais-da-covid-19\/?q=20\/04923-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0da FAPESP, foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.01.20205310v1.full.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">divulgados<\/a><\/strong>\u00a0na plataforma\u00a0<i>medRxiv<\/i>, em artigo ainda sem revis\u00e3o por pares.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s identificamos um grupo de mol\u00e9culas cujo n\u00edvel est\u00e1 significativamente mais elevado no plasma de pacientes com a forma grave da COVID-19, com destaque para as prote\u00ednas SAA1 [prote\u00edna amiloide A1 s\u00e9rica] e a SAA2 [prote\u00edna amiloide A2 s\u00e9rica]. Nossa proposta \u00e9 que essa an\u00e1lise do plasma seja feita assim que a pessoa tiver o diagn\u00f3stico confirmado pelo teste de RT-PCR. E, caso ela apresente o perfil de alto risco, o m\u00e9dico j\u00e1 poderia adotar uma conduta mais direcionada\u201d, diz \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/678511\/giuseppe-palmisano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Giuseppe Palmisano<\/a><\/strong>, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB-USP) e coordenador do projeto.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta, por\u00e9m, que ainda \u00e9 preciso confirmar o poder progn\u00f3stico do m\u00e9todo e sua utilidade cl\u00ednica em estudos com grupos maiores de pacientes do Brasil e do exterior.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es apresentadas no artigo est\u00e3o baseadas em an\u00e1lises feitas com amostras de 117 pacientes com COVID-19 atendidos no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, gra\u00e7as a uma colabora\u00e7\u00e3o com os m\u00e9dicos\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/679554\/rinaldo-focaccia-siciliano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rinaldo Focaccia Siciliano<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8059\/jose-carlos-nicolau\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos\u00e9 Carlos Nicolau<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Os volunt\u00e1rios que tiveram amostras inclu\u00eddas no estudo foram pareados por idade, sexo e comorbidades (doen\u00e7as associadas, como diabetes, obesidade ou hipertens\u00e3o), para que os resultados fossem compar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para identificar o conjunto de prote\u00ednas existente nas amostras, os pesquisadores usaram um espectr\u00f4metro de massas do tipo MALDI-TOF (sigla em ingl\u00eas para tempo de voo por ioniza\u00e7\u00e3o e dessor\u00e7\u00e3o a laser assistida por matriz) \u2013 equipamento relativamente comum nos hospitais brasileiros e bastante usado em an\u00e1lises de microbiologia. Com ele \u00e9 poss\u00edvel identificar, por exemplo, a presen\u00e7a de fungos ou bact\u00e9rias em amostras de sangue ou de urina, al\u00e9m de determinar as esp\u00e9cies dos microrganismos.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma tecnologia barata e que j\u00e1 est\u00e1 presente na cl\u00ednica. Poderia, portanto, ter r\u00e1pida aplica\u00e7\u00e3o no progn\u00f3stico da COVID-19\u201d, avalia Palmisano. \u201cCom esse equipamento \u00e9 poss\u00edvel fazer a an\u00e1lise do perfil de prote\u00ednas com apenas 1 microlitro de plasma e o resultado sairia em menos de meia hora. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel automatizar o processo e avaliar amostras de v\u00e1rios indiv\u00edduos ao mesmo tempo.\u201d<\/p>\n<p><b>Intelig\u00eancia artificial<\/b><\/p>\n<p>Seis diferentes algoritmos de aprendizagem de m\u00e1quinas foram usados para determinar o padr\u00e3o de prote\u00ednas plasm\u00e1ticas correspondente a pacientes de alto e de baixo risco. Os pesquisadores usaram 88 das 117 amostras para treinar o software a identificar quais delas pertenciam a indiv\u00edduos hospitalizados (alto risco) e quais eram de pessoas que apresentavam apenas sintomas leves no momento da coleta (baixo risco). As outras 29 amostras foram usadas em um teste cego para validar o m\u00e9todo, ou seja, para confirmar se o programa estava fazendo a avalia\u00e7\u00e3o corretamente. Ao final, a metodologia apresentou 93,1% de acur\u00e1cia (probabilidade de oferecer um resultado correto), 87,5% de sensibilidade (probabilidade de um resultado positivo verdadeiro) e 100% de especificidade (probabilidade de um resultado negativo verdadeiro).<\/p>\n<p>\u201cObservamos que o perfil de prote\u00ednas do plasma era diferente o suficiente para separar os dois grupos de pacientes [hospitalizados e sintomas leves], o que nos deixou bem animados. Ent\u00e3o buscamos identificar quais eram as prote\u00ednas que estavam mais abundantes no grupo de alto risco e chegamos \u00e0 SAA1 e \u00e0 SAA2. Os n\u00edveis dessas prote\u00ednas no plasma de pacientes com alto risco tamb\u00e9m foram avaliados com outras t\u00e9cnicas, confirmando o resultado obtido\u201d, conta Palmisano.<\/p>\n<p>Como explica o pesquisador, tanto a SAA1 quanto a SAA2 s\u00e3o produzidas no f\u00edgado e t\u00eam potencial inflamat\u00f3rio. \u201cH\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel dessas prote\u00ednas e o de algumas citocinas [mol\u00e9culas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias liberadas por c\u00e9lulas de defesa]. J\u00e1 foi relatado que, quando aumenta o\u00a0n\u00edvel de interleucina 1 [IL-1] e de interleucina 6 [IL-6] no sangue, tamb\u00e9m aumenta o n\u00edvel dessas prote\u00ednas, que est\u00e3o envolvidas na resposta inflamat\u00f3ria de fase aguda\u201d, explica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de validar o teste em um n\u00famero maior de amostras, de pacientes do InCor e tamb\u00e9m de outros grupos, Palmisano acredita ser importante estudar como o n\u00edvel dessas prote\u00ednas inflamat\u00f3rias evolui ao longo da infec\u00e7\u00e3o. \u201cUma das coisas que pretendemos entender \u00e9 se a concentra\u00e7\u00e3o dessas mol\u00e9culas diminui nos pacientes que conseguem lidar com a doen\u00e7a e se recuperar\u201d, diz.<\/p>\n<p><b>Diferentes biomarcadores<\/b><\/p>\n<p>Em outro estudo conduzido por grupos da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP-USP) e da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) a prote\u00edna sTREM-1 foi identificada como um potencial biomarcador de gravidade da COVID-19. Nesse caso, o n\u00edvel da mol\u00e9cula na circula\u00e7\u00e3o dos pacientes foi medido por um teste conhecido como ELISA (sigla em ingl\u00eas para ensaio de imunoabsor\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica), que se baseia em intera\u00e7\u00f5es entre ant\u00edgeno e anticorpo detect\u00e1veis por meio de rea\u00e7\u00f5es enzim\u00e1ticas (<i>leia mais em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/34265\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/34265<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>Nas an\u00e1lises feitas por espectrometria de massas MALDI-TOF pelo grupo de Palmisano a sTREM-1 n\u00e3o apareceu entre as prote\u00ednas diferentemente reguladas nos pacientes de alto risco.<\/p>\n<p>\u201cTalvez n\u00e3o tenhamos encontrado os mesmos biomarcadores porque as tecnologias usadas nos estudos s\u00e3o diferentes. Mas seria interessante unir as duas metodologias para tentar chegar a um conjunto maior de biomarcadores, que poderia dar um resultado ainda mais preciso\u201d, diz Palmisano.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Prognostic accuracy of MALDI mass spectrometric analysis of plasma in COVID-19<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.01.20205310v1.full.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.01.20205310v1.full.pdf<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) permite prever, com um<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136101,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/exame.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) permite prever, com um","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136083"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136083\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}