{"id":136058,"date":"2020-10-26T14:00:16","date_gmt":"2020-10-26T17:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=136058"},"modified":"2020-10-26T12:00:17","modified_gmt":"2020-10-26T15:00:17","slug":"reducao-da-vida-util-das-arvores-em-florestas-podera-neutralizar-ganhos-com-sequestro-de-co2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reducao-da-vida-util-das-arvores-em-florestas-podera-neutralizar-ganhos-com-sequestro-de-co2\/","title":{"rendered":"Redu\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil das \u00e1rvores em florestas poder\u00e1 neutralizar ganhos com sequestro de CO2"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-136059\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A acelera\u00e7\u00e3o do crescimento das \u00e1rvores registrada nos \u00faltimos anos vem sendo acompanhada de uma redu\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil dessas plantas. No futuro, isso pode parcialmente neutralizar ganhos obtidos com o sequestro de di\u00f3xido de carbono (CO2). Essa rela\u00e7\u00e3o entre crescimento e expectativa de vida das \u00e1rvores vale para florestas do mundo todo, incluindo as tropicais, como a Amaz\u00f4nica, at\u00e9 as temperadas e \u00e1rticas.<\/p>\n<p>Com isso, resultados esperados para modelos e proje\u00e7\u00f5es de capta\u00e7\u00e3o de CO2 estruturados com base no sistema atual podem estar superestimando a capacidade de absor\u00e7\u00e3o dos gases de efeito estufa pelas florestas no futuro. Ou seja, plantar \u00e1rvores \u00e9 importante para ajudar a reduzir a concentra\u00e7\u00e3o desses gases na atmosfera, mas n\u00e3o o suficiente \u2013 ainda \u00e9 essencial a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o do carbono.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os principais pontos de discuss\u00e3o da pesquisa\u00a0<i>Forest carbon sink neutralized by pervasive growth-lifespan trade-offs<\/i>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-020-17966-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicada<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>Nature Communications<\/i>, por um grupo de pesquisadores internacionais. Entre eles est\u00e3o o professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP)\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8286\/gregorio-cardoso-tapias-ceccantini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Greg\u00f3rio Ceccantini<\/a><\/strong>\u00a0e o pesquisador\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/70049\/giuliano-maselli-locosselli\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Giuliano Locosselli<\/a><\/strong>. Ambos t\u00eam o apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre a taxa de crescimento das \u00e1rvores e a longevidade. Mostramos de maneira consistente que isso est\u00e1 presente independentemente da esp\u00e9cie e do local onde se encontram. Se as \u00e1rvores crescem mais r\u00e1pido, tamb\u00e9m assimilam o carbono mais rapidamente. O problema \u00e9 que v\u00e3o viver menos, e o carbono ficar\u00e1 menos tempo estocado\u201d, explica Locosselli \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Na fase de crescimento, as \u00e1rvores precisam de uma grande quantidade de CO2 para se desenvolver. Por isso, esse processo de acelera\u00e7\u00e3o tem levado a uma grande absor\u00e7\u00e3o de carbono. Tanto que estudos realizados recentemente mostram que cerca de um ter\u00e7o das emiss\u00f5es de gases estufa resultantes da a\u00e7\u00e3o do homem nos \u00faltimos 50 anos foi absorvido por ecossistemas terrestres, gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o de novas \u00e1rvores e a expans\u00e3o de florestas secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>A pesquisa publicada na\u00a0<i>Nature Communications<\/i>, no entanto, coloca em discuss\u00e3o o grau em que as florestas continuar\u00e3o a absorver o excesso de CO2 no futuro. E problematiza, dizendo que essa capta\u00e7\u00e3o \u201cdepende n\u00e3o apenas da resposta do crescimento das \u00e1rvores \u00e0s mudan\u00e7as no clima e na composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, mas tamb\u00e9m \u00e0s altera\u00e7\u00f5es nas taxas de mortalidade que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, liberam carbono de volta para a atmosfera\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste\u00a0<i>feedback<\/i>\u00a0negativo sobre o armazenamento de carbono via aumento da mortalidade ir\u00e1 compensar \u2013 pelo menos em certa medida \u2013 os efeitos ben\u00e9ficos do aumento do crescimento no armazenamento total de CO2 das florestas. Nosso conhecimento atual e incompleto da universalidade e das causas do\u00a0<i>feedback<\/i>\u00a0dificulta sua representa\u00e7\u00e3o nos Modelos do Sistema Terrestre e, portanto, \u00e9 uma importante incerteza nas previs\u00f5es da futura absor\u00e7\u00e3o de carbono da floresta em resposta \u00e0 mudan\u00e7a global\u201d, ressalta, na pesquisa, o grupo do qual Ceccantini e Locosselli s\u00e3o integrantes.<\/p>\n<p>Segundo Locosselli, a maior parte dos modelos clim\u00e1ticos e de din\u00e2mica de biomassa nas florestas tem levado em considera\u00e7\u00e3o a taxa de crescimento, mas n\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o negativa com a longevidade. Os motivos para a acelera\u00e7\u00e3o desse crescimento ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente claros, mas entre os que podem contribuir est\u00e3o a temperatura, o CO2 na atmosfera e at\u00e9 mesmo o uso de fertilizantes em diferentes locais, que aumenta a concentra\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio no ambiente.<\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/b><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio divulgado em 2019 pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontou que as emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas em pelo menos 7,6% ao ano, at\u00e9 2030, para o planeta atingir a meta estabelecida no Acordo de Paris de limitar a alta da temperatura m\u00e9dia em 1,5\u00b0C.<\/p>\n<p>Se a temperatura ultrapassar esse limite, o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) j\u00e1 alertou que entre os impactos que podem ser registrados no planeta est\u00e3o, por exemplo, o aumento da intensidade de ondas de calor e a frequ\u00eancia de tempestades.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa cresceram 1,5% ao ano, em grande parte provocadas por fontes f\u00f3sseis de energia e por mudan\u00e7as no uso da terra, como o desmatamento.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do G20 respondem por cerca de 75% de todas essas emiss\u00f5es, sendo China e Estados Unidos os campe\u00f5es. O Brasil aparece em 14\u00ba lugar no ranking feito pelo Atlas Global de Carbono, com emiss\u00f5es significativas associadas ao desmatamento. No Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu a reduzir suas emiss\u00f5es em 37% at\u00e9 2025 e em 43% at\u00e9 2030 em rela\u00e7\u00e3o ao \u00edndice de 2005.<\/p>\n<p>Estudo mais recente da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (WMO, na sigla em ingl\u00eas) mostrou que as emiss\u00f5es globais de CO2 f\u00f3ssil registraram no ano passado recorde de 36,7 gigatoneladas (Gt), 62% a mais do que em 1990, quando come\u00e7aram as negocia\u00e7\u00f5es internacionais sobre clima.<\/p>\n<p>Com a pandemia de COVID-19, que obrigou v\u00e1rios pa\u00edses a adotar medidas de isolamento social durante meses, as emiss\u00f5es de CO2 devem diminuir entre 4% e 7% neste ano em compara\u00e7\u00e3o a 2019, segundo a WMO. Mas, mesmo em abril, quando houve o n\u00edvel mais baixo entre janeiro e agosto de 2020, as emiss\u00f5es di\u00e1rias de carbono eram equivalentes \u00e0s de 2006, per\u00edodo em que j\u00e1 havia um crescimento acentuado.<\/p>\n<p>Caminhos para mitigar essa alta de CO2 incluem a amplia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas visando ao aumento do uso de energias renov\u00e1veis, meios de transporte de baixo carbono e elimina\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e das queimadas de florestas no mundo todo.<\/p>\n<p>No ano passado, um grupo de 66 pa\u00edses, empresas e investidores fecharam um acordo para zerar suas emiss\u00f5es de gases poluentes at\u00e9 2050. Tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o sendo discutidos mecanismos para precificar o carbono, seja por meio da taxa\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es ou da cria\u00e7\u00e3o de sistemas de compra e venda de cr\u00e9ditos, em que o \u201cpoluidor\u201d paga caso a mitiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja feita internamente. O objetivo \u00e9 tornar mais vantajosos modelos de produ\u00e7\u00e3o que busquem a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Metodologia<\/b><\/p>\n<p>Para mostrar a rela\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o e longevidade das \u00e1rvores com a capta\u00e7\u00e3o de CO2, Locosselli explica que a pesquisa teve como base a an\u00e1lise de an\u00e9is de crescimento localizados nos troncos das plantas. Foram avaliados registros de mais de 210 mil \u00e1rvores de 110 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Se o anel de crescimento \u00e9 largo, indica que a \u00e1rvore cresceu r\u00e1pido, mas, caso seja estreito, aponta baixo crescimento. Cada um deles representa um ano de vida da planta. Fazendo a contagem de todos os an\u00e9is, \u00e9 poss\u00edvel ter uma estimativa de idade da \u00e1rvore.<\/p>\n<p>\u201cPor isso conseguimos medir a din\u00e2mica para \u00e1rvores com 500, 600 anos de idade. Foi poss\u00edvel extrapolar o tempo para al\u00e9m do que outros trabalhos j\u00e1 analisaram com parcelas permanentes\u201d, afirma Locosselli, que est\u00e1 no programa Jovem Pesquisador da FAPESP com o estudo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106687\/florestas-funcionais-biodiversidade-a-favor-das-cidades\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Florestas funcionais: biodiversidade a favor das cidades<\/i><\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, as queimadas tamb\u00e9m aceleram a mortalidade das \u00e1rvores, mas esse fator n\u00e3o foi inclu\u00eddo na pesquisa. Outros estudos j\u00e1 mostraram que, uma vez queimadas, florestas tropicais como a Amaz\u00f4nica, por exemplo, ret\u00eam 25% menos carbono do que as n\u00e3o queimadas, mesmo ap\u00f3s tr\u00eas d\u00e9cadas de crescimento.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Forest carbon sink neutralized by pervasive growth-lifespan trade-offs<\/i>\u00a0pode ser lido em:<strong><a href=\"http:\/\/https\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-020-17966-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0www.nature.com\/articles\/s41467-020-17966-z<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A acelera\u00e7\u00e3o do crescimento das \u00e1rvores registrada nos \u00faltimos anos vem sendo acompanhada de uma<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136059,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/arvore.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A acelera\u00e7\u00e3o do crescimento das \u00e1rvores registrada nos \u00faltimos anos vem sendo acompanhada de uma","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136058"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136058"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136058\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136059"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}