{"id":13600,"date":"2015-01-06T15:00:44","date_gmt":"2015-01-06T15:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13600"},"modified":"2015-01-06T00:47:52","modified_gmt":"2015-01-06T00:47:52","slug":"tempestades-podem-aumentar-mas-nao-significam-fim-da-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tempestades-podem-aumentar-mas-nao-significam-fim-da-seca\/","title":{"rendered":"Tempestades podem aumentar, mas n\u00e3o significam fim da seca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sao_paulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13601\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sao_paulo-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sao_paulo-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/sao_paulo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A previs\u00e3o \u00e9 a mais sombria poss\u00edvel. Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, informam que tempestades com a que est\u00e3o desabando sobre S\u00e3o Paulo ser\u00e3o constantes, mas n\u00e3o resolvem o problema h\u00eddrico do Estado. Os alertas para os extremos clim\u00e1ticos, feito pelos cientistas do Centro de Ci\u00eancias do Sistema Terrestre, tem se apresentado de maneira grave desde o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuva no Sudeste.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno est\u00e1 ligado as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas oriundas do aquecimento global e atinge principalmente as \u00e1reas urbanas, onde existem grandes ilhas de calor. A m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o das chuvas no territ\u00f3rio paulista, apesar das tempestades pontuais, est\u00e3o longe de decretar o fim da estiagem em v\u00e1rias regi\u00f5es e do d\u00e9ficit h\u00eddrico do Estado.<\/p>\n<p>V\u00e1rias cidades est\u00e3o sofrendo com extremos clim\u00e1ticos, como previsto pelos cientistas do INPE. Nas \u00faltimas semanas, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, onde se encontra boa parte da represa do Jaguari, sofreu com uma forte tormenta que alagou o centro da cidade e diversas regi\u00f5es urbanas, interditou vias e ainda provocou a morte de um casal que se encontravam num carro, que desgovernado caiu no Rio Para\u00edba do Sul.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia das \u00e1guas n\u00e3o alterou os n\u00edveis da represa, principalmente pelas chuvas terem atingido a zona urbana e pouco a rural, onde se encontram os limites da represa e todas as vertentes que abastecem o reservat\u00f3rio. O caso renova os alertas dos pelo meio cient\u00edfico sobre\u00a0as\u00a0 mudan\u00e7as clim\u00e1ticas originadas dos\u00a0efeitos do aquecimento global na regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m da altern\u00e2ncia entre tempestades e per\u00edodos de estiagem, o volume h\u00eddrico continuaria o mesmo dos registros hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Divulgado no final de outubro \u00faltimo, o relat\u00f3rio do cientista Antonio Donato Nobre, integrante do Centro de Ci\u00eancias do Sistema Terrestre, do INPE\/INPA, sobre o Futuro Clim\u00e1tico da Amaz\u00f4nia, revelou a gravidade do quadro Amaz\u00f4nico e como isso afeta em cheio o clima no Sudeste e Sul do pa\u00eds. Essas regi\u00f5es concentram 72% do PIB brasileiro, al\u00e9m de serem os grandes polos industriais e tecnol\u00f3gicos da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cCom a remo\u00e7\u00e3o de 40% da floresta \u2018oceano verde\u2019 poder\u00e1 deflagrar a transi\u00e7\u00e3o de larga escala para o equil\u00edbrio da savana, liquidando com o tempo at\u00e9 das \u00e1reas de florestas que n\u00e3o tenham sido desmatadas. Hoje, a degrada\u00e7\u00e3o florestal j\u00e1 teria perturbado a floresta remanescente em variados graus, afetando adicionalmente mais de 20% da cobertura original\u201d, salientou o pesquisador.<\/p>\n<p>O cientista alerta que os extremos clim\u00e1ticos alternam per\u00edodos de intensa chuva e de grandes estiagens numa mesma regi\u00e3o.\u00a0 Os estudos alertam que mesmo com o fen\u00f4meno das tempestades, quando a viol\u00eancia do evento \u00e9 muito superior a uma chuva comum para a \u00e9poca, h\u00e1 uma descarga h\u00eddrica imensa, por\u00e9m em um determinado ponto. Em outros, a regi\u00e3o continua de seca e com \u00edndices pluviom\u00e9tricos abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Essas tempestades podem levar a falsa sensa\u00e7\u00e3o que o problema da falta de \u00e1gua est\u00e1 sanado. Na tempestade que caiu sobre a capital paulista nos \u00faltimos dias de dezembro, ca\u00edram mais de 3 mil raios, cerca de 200 \u00e1rvores tombaram e ocorreram diversos pontos de alagamento. Os ventos atingiram em alguns locais cerca de 100 quil\u00f4metros, o impacto s\u00f3 n\u00e3o foi maior do vendaval pela cordilheira de pr\u00e9dios existentes em S\u00e3o Paulo que cria uma barreira artificial para o deslocamento de grandes massas de ar. Entretanto, a regi\u00e3o da Cantareira n\u00e3o recebeu o mesmo volume h\u00eddrico.<\/p>\n<p>O Sudeste brasileiro, principalmente S\u00e3o Paulo, \u00e9 marcado por uma falha na distribui\u00e7\u00e3o das chuvas, que s\u00e3o muito irregulares. Isso s\u00f3 agrava a possibilidade de um processo de desertifica\u00e7\u00e3o, que pode ser acionado naturalmente caso se mantenha a quest\u00e3o do desmatamento fora das agendas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_0667.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-127274\" title=\"Tempestades podem aumentar, mas n\u00e3o significam fim da seca\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_0667-1024x768.jpg\" alt=\"IMG 0667 1024x768 Tempestades podem aumentar, mas n\u00e3o significam fim da seca\" width=\"623\" height=\"467\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cAs tempestades n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o do problema, mas uma parte crucial dele. As chuvas est\u00e3o cada vez mais concentradas e violentas, mas o volume pluviom\u00e9trico continua o mesmo. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima e as pessoas que n\u00e3o se iludam com o volume de \u00e1gua que cai em uma destas tormentas, pois \u00e9 algo pontual, se n\u00e3o chover de maneira mais homog\u00eanea em toda regi\u00e3o, principalmente nas \u00e1reas de reservat\u00f3rios, as chances de um desastre continuam exatamente as mesmas\u201d, observou o cientista.<\/p>\n<p>Alguns estudos preliminares apontam que os reservat\u00f3rios paulistas com a vaz\u00e3o mantida e o n\u00edvel de recarga pelas chuvas for constante, eles demoraram, no m\u00ednimo, 5 anos para atingir n\u00edveis de normalidade. H\u00e1 tamb\u00e9m um grande risco da ocorr\u00eancia de um per\u00edodo de estiagem prolongada no meio do ver\u00e3o de 2015 at\u00e9 o in\u00edcio da meia esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em><strong>* J\u00falio Ottoboni\u00a0<\/strong>\u00e9\u00a0jornalista diploma e p\u00f3s graduado em jornalismo cient\u00edfico.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A previs\u00e3o \u00e9 a mais sombria poss\u00edvel. 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