{"id":135998,"date":"2020-10-25T11:44:47","date_gmt":"2020-10-25T14:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135998"},"modified":"2020-10-25T11:51:19","modified_gmt":"2020-10-25T14:51:19","slug":"a-agua-queima-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-agua-queima-na-amazonia\/","title":{"rendered":"A \u00e1gua queima na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Amaz%C3%B4nia-floresta.png\" width=\"639\" height=\"355\" \/><\/p>\n<p>Pouco mais de 12% de toda a \u00e1gua doce de superf\u00edcie escorre pela Amaz\u00f4nia. H\u00e1 ainda aqu\u00edferos subterr\u00e2neos de grandes dimens\u00f5es que se escondem sob suas matas, e sobre elas os rios voadores, que crescem sobre suas \u00e1rvores e s\u00e3o bombeados para encher o pantanal brasileiro e o chaco boliviano e paraguaio, para depois fazer chover no Sul\/Sudeste Brasileiro. Gra\u00e7as \u00e0 combina\u00e7\u00e3o da imensa bomba d\u2019\u00e1gua amaz\u00f4nica e a cordilheira do Andes a regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo\/Paran\u00e1 \u00e9 uma das mais f\u00e9rteis do mundo. Em outros pontos do planeta, na mesma latitude de S\u00e3o Paulo\/Paran\u00e1 floresceram desertos. \u00c9 o caso do Atacama, no Chile, o Kalahari, na \u00c1frica do Sul e o Deserto de Vit\u00f3ria na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>A floresta tropical da Amaz\u00f4nia \u00e9 uma imensa bomba d\u2019\u00e1gua que puxa umidade do Atl\u00e2ntico, circula essa umidade atrav\u00e9s da evapotranspira\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e empurra a \u00e1gua em dire\u00e7\u00e3o ao Sul atrav\u00e9s de Rios voadores. O desmatamento e o fogo retiram for\u00e7a dessa bomba d\u2019\u00e1gua, reduzindo sua capacidade de oferecer os volumes de \u00e1gua necess\u00e1rios para o Pantanal e para o agroneg\u00f3cio pujante do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Desertos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-237674\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Desertos.jpg\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Desertos.jpg 400w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Desertos-300x182.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"387\" \/><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_237674\" class=\"wp-caption alignnone\" aria-describedby=\"caption-attachment-237674\"><figcaption id=\"caption-attachment-237674\" class=\"wp-caption-text\">Os grandes desertos do planeta<\/figcaption><\/figure>\n<p>O que o Brasil, governo e sociedade precisam compreender \u00e9 que o papel da Amaz\u00f4nia no desenvolvimento do pa\u00eds \u00e9 muito maior atrav\u00e9s de seus servi\u00e7os ambientais do que como terra de pecu\u00e1ria ou de madeira barata. O pa\u00eds se beneficia diretamente atrav\u00e9s do clima ameno e da rica economia das regi\u00f5es ao Sul da Amaz\u00f4nia, onde se produz mais de 75% do Produto Interno Bruto do Brasil.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) oito unidades da federa\u00e7\u00e3o concentram 77,8% da gera\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro: S\u00e3o Paulo (33,1%), Rio de Janeiro (10,8%), Minas Gerais (9,3%), Rio Grande do Sul (6,7%), Paran\u00e1 (5,8%), Bahia (4,1%), Santa Catarina (4,0%) e Distrito Federal (4,0%). S\u00e3o justamente esses os Estados que recebem da Amaz\u00f4nia os servi\u00e7os ambientais necess\u00e1rios para essa produ\u00e7\u00e3o de riquezas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-237673 alignnone\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE.png\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE.png 539w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE-242x300.png 242w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE-403x500.png 403w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/PIB-IBGE-444x550.png 444w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"794\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em contrapartida os estados da Amaz\u00f4nia Legal respondem por apenas 8,6% do PIB. Esse \u00e9 um dado preocupante sob o ponto de vista do desenvolvimento social e da desigualdade. No entanto mostra, tamb\u00e9m, que os esfor\u00e7os para melhorar o desempenho econ\u00f4mico da regi\u00e3o passam necessariamente por mais pesquisas e inova\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao melhor aproveitamento da biodiversidade da regi\u00e3o, considerada uma das mais importantes do mundo.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas tradicionais de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio atrav\u00e9s do desmatamento, da cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado e da minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixaram grandes dividendos. H\u00e1, sem d\u00favida experi\u00eancias de sucesso, como o Polo Industrial de Manaus, que \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis pelo crescimento da grande metr\u00f3pole manauara, e pol\u00edticas p\u00fablicas de desenvolvimento sustent\u00e1vel, principalmente no Par\u00e1, onde o Programa Munic\u00edpios Verdes v\u00eam dando bons resultados.<\/p>\n<p>O economista Ignacy Sachs, um dos grandes pensadores de uma economia baseada na Biodiversidade afirmou quando da descoberta do petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal, que o Brasil tinha recebido mais um presente do planeta e que os recursos da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo poderiam ser a grande alavanca de desenvolvimento para uma economia amaz\u00f4nica baseada em ci\u00eancia e biotecnologias. \u00a0O investimento \u00e9 necess\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o de cientistas e pesquisadores que se dediquem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma base de conhecimentos em biotecnologia e biodiversidade capaz de rivalizar com centros de excel\u00eancia em outras \u00e1reas do conhecimento, como a NASA em quest\u00f5es espaciais e MIT em temas de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_237675\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 637px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-237675\"><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Rios-Voadores.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-237675\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Rios-Voadores.jpg\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Rios-Voadores.jpg 500w, https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Rios-Voadores-300x212.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"450\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-237675\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Planeta Sustent\u00e1vel<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desmatar e queimar \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pelo atraso que pode a curto prazo abrir espa\u00e7o para barreiras ao com\u00e9rcio global brasileiro, mas a m\u00e9dio e longo prazos o dano ser\u00e1 ainda maior, com reflexos no tempo de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o. A destrui\u00e7\u00e3o da capacidade de ofertar servi\u00e7os ambientais pela floresta tropical da Amaz\u00f4nia vai impactar diretamente a economia do Sul\/Sudeste, e de quebra, do Centro-Oeste, que sobrevivem gra\u00e7as \u00e0s chuvas regulares e ao regime clim\u00e1tico que os rios voadores garantem.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia tem um papel global na discuss\u00e3o clim\u00e1tica, no entanto quem vai pagar o maior pre\u00e7o por sua devasta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o Brasil e suas futuras gera\u00e7\u00f5es, com a perda da oportunidade hist\u00f3rica de ascender ao clube dos pa\u00edses desenvolvidos a partir de uma nova vis\u00e3o econ\u00f4mica e social baseada em ci\u00eancia, biodiversidade e conhecimentos de popula\u00e7\u00f5es tradicionais.<\/p>\n<p>A economia tem uma vis\u00e3o de curto prazo, por isso cabe aos governos estabelecer compromissos com o futuro. (#Envolverde)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Dal-pq-50.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-215687 size-thumbnail alignleft\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Dal-pq-50-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><em><strong>O jornalista Dal Marcondes \u00e9 especialista em Ci\u00eancia Ambiental pelo Procam\/USP e mestre em produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica pela ESPM\/SP. foi reporter e editor de economia nas revistas Isto\u00c9, Exame e Dirigente Industrial, nas ag\u00eancias Estado, France Presse e Dinheiro Vivo e nos jornais Terram\u00e9rica, DCI e Gazeta Mercantil. Desde 1995 dedica-se \u00e0 pauta socioambiental em uma parceria com a ag\u00eancia Inter Press Service (IPS).<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco mais de 12% de toda a \u00e1gua doce de superf\u00edcie escorre pela Amaz\u00f4nia. 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