{"id":135943,"date":"2020-10-24T14:28:33","date_gmt":"2020-10-24T17:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135943"},"modified":"2020-10-24T14:28:33","modified_gmt":"2020-10-24T17:28:33","slug":"incendios-e-seca-nas-nascentes-do-pantanal-alertam-para-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/incendios-e-seca-nas-nascentes-do-pantanal-alertam-para-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandios e seca nas nascentes do Pantanal alertam para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.poder360.com.br\/2020\/10\/forca-nacional-pantanal-868x644.jpg\" width=\"639\" height=\"474\" \/><\/p>\n<p>Os inc\u00eandios cont\u00ednuos na Prov\u00edncia Serrana, uma regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre os biomas Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal, em Mato Grosso, s\u00e3o um exemplo da din\u00e2mica que relaciona as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao aumento das queimadas no Centro-Oeste do pa\u00eds. A regi\u00e3o, a 200 quil\u00f4metros da capital mato-grossense, abriga importantes nascentes do Pantanal, e, como o bioma, sofre com a seca e as queimadas\u00a0desde 2019.<\/p>\n<p>Nem as recentes chuvas conseguiram extinguir por completo as queimadas no Alto Paraguai. O alerta dos climatologistas \u00e9 de que o fogo veio para ficar. Para mitigar os impactos na biodiversidade e nas popula\u00e7\u00f5es afetadas, novas pol\u00edticas p\u00fablicas precisariam ser constru\u00eddas, segundos os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201c<em>A seca extrema e a propens\u00e3o aos inc\u00eandios ser\u00e3o o \u2018novo normal\u2019 da regi\u00e3o<\/em>\u201c, explica o climatologista Carlos Nobre.<\/p>\n<p>Pesquisador do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e presidente do Painel Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, Nobre conta que \u201c<em>por anos, quando colaboramos para os primeiros relat\u00f3rios t\u00e9cnicos do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, organizado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas), acredit\u00e1vamos que alguns desses eventos demorariam, talvez s\u00f3 ver\u00edamos certas situa\u00e7\u00f5es em 2040\u2033<\/em>. \u201c<em>Por\u00e9m, j\u00e1 est\u00e1 acontecendo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c<em>A seca sempre existiu nesses biomas. H\u00e1 tamb\u00e9m uma raz\u00e3o meteorol\u00f3gica para explicar a atual estiagem no Pantanal e no Brasil Central. J\u00e1 registramos isso antes. Mas, \u00e9 a frequ\u00eancia desses fen\u00f4menos naturais que nos aponta\u00a0para um planeta mais quente. S\u00e3o os extremos clim\u00e1ticos de mais intensidade e curta periodicidade a conex\u00e3o do cen\u00e1rio atual e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/em>\u201c, diz o climatologista.<\/p>\n<p>As morrarias da Prov\u00edncia Serrana integram um relevo residual, com montes de cumes arredondados, testemunhas de milh\u00f5es de anos de eros\u00e3o e formadores de um cintur\u00e3o de 400 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Essa coluna de terras altas abra\u00e7a a plan\u00edcie pantaneira, pelo norte, dando a peculiar forma de panela do bioma, com os rios do planalto correndo para as terras baixas inund\u00e1veis.<\/p>\n<p>A paisagem \u00e9 de uma beleza \u00edmpar. S\u00e3o centenas de morros intercalados como ondas, desenhadas assimetricamente em um horizonte azul cercado por verde. A topografia foi descrita pelo ge\u00f3grafo Aziz Ab\u2019S\u00e1ber durante o Projeto Radambrasil (1982). No livro\u00a0<em>Pantanal Paisagem de Exce\u00e7\u00e3o<\/em>, Ab\u2019Saber apontou o local como um divisor natural das bacias hidrogr\u00e1ficas Amaz\u00f4nica (rio Arinus e Teles Pires) e do Alto Paraguai (rios Cuiab\u00e1 e Paraguai). Essa conflu\u00eancia de biomas faz da serra ref\u00fagio de esp\u00e9cies de fauna e flora da Amaz\u00f4nia, Cerrado e Pantanal.<\/p>\n<h2>TERRIT\u00d3RIO QUILOMBOLA<\/h2>\n<p>Os v\u00e3os desses morros foram escolhidos como morada por quilombolas h\u00e1 quase 300 anos. S\u00e3o 8 assentamentos rurais e mais 21 comunidades tradicionais, entre pequenos produtores, quilombolas e morroquianos, como se autodenominam os pantaneiros que habitam essas regi\u00f5es, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Palmares. A luta contra os inc\u00eandios mudou a rotina de toda essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fogo nunca foi um inimigo para os quilombolas, mas um aliado.\u00a0<em>\u201cSempre usamos queimas pequenas na \u00e9poca da chuva pra fazer as ro\u00e7as de arroz, feij\u00e3o, mandioca e banana. Mas tem que ter cuidado. N\u00e3o \u00e9 de qualquer jeito. Temos que ser respons\u00e1veis pelo meio ambiente. J\u00e1 imaginou uma pessoa errada aqui, coloca a vida de 90 fam\u00edlias em risco\u201d<\/em>, diz Paulo Luiz Bento, 51 anos, descendente dos pioneiros da comunidade morroquiana do Baixio, na \u00e1rea do V\u00e3o Grande, em Barra do Bugres. Os inc\u00eandios florestais severos mudaram a rotina na morraria.<\/p>\n<p>\u201c<em>H\u00e1 10 anos n\u00e3o pegava fogo aqui. Mas, eu mesmo, nunca tinha visto isso na minha vida. Esse fogo bravo. Dormimos h\u00e1 15 dias, sempre olhando os focos e pensando: quando (o fogo) vai \u2018pular\u2019 o rio (Jauquara) e chegar aqui nas casas?\u201d<\/em>, diz Paulo Bento, enquanto o barulho do fogo estalando ao consumir a vegeta\u00e7\u00e3o reverbera na sua cozinha, distante 100 metros do inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Na comunidade, muitas moradias ainda s\u00e3o de taipa (barro e madeira) e cobertas com palha da palmeira do baba\u00e7u. A proximidade das chamas faz do risco uma constante na vida dos morroquianos.<\/p>\n<p>De janeiro a 20 de outubro, foram registrados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) 29.535 focos de calor nos 3 munic\u00edpios da regi\u00e3o (Barra do Bugres, Porto Estrela e C\u00e1ceres), segundo o sat\u00e9lite S-NPP da Nasa. Desde que as chuvas come\u00e7aram, em 12 de outubro, j\u00e1 foram mais de 800 focos entre as bacias do rio Jauquara e o c\u00f3rrego Salobra, importantes contribuintes do rio Paraguai, o principal formador do Pantanal.<\/p>\n<h2>SOLIDARIEDADE E FALTA DE RECURSOS<\/h2>\n<p>Sem treinamento e distantes das \u00e1reas urbanas, os quilombolas lutam contra os inc\u00eandios com folhas do baba\u00e7u e latas de \u00e1gua nas costas. O \u00fanico apoio que recebem vem da presen\u00e7a de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o federal localizada na Prov\u00edncia Serrana, a ESEC (Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica) da Serra das Araras, criada em 1982 (Decreto Federal n\u00ba 87.222) pelo ent\u00e3o secret\u00e1rio de Meio Ambiente nacional, Paulo Nogueira Neto.<\/p>\n<p>A UC \u00e9 uma das 25 federais dessa categoria no pa\u00eds e tem como finalidade a pesquisa e a preserva\u00e7\u00e3o, tendo sido criada para proteger um ambiente \u00fanico com um mosaico de diversas fitofisionomias de Cerrado e uma pequena Floresta Ombr\u00f3fila Densa, um enclave de Floresta Amaz\u00f4nica conhecido como Furna do Caf\u00e9. Imagens do sat\u00e9lite Sentinel-2, de 13 de outubro, revelaram que o fogo devastou a esta\u00e7\u00e3o quase que por completo, restando apenas a por\u00e7\u00e3o sul. H\u00e1 30 anos n\u00e3o era registrado um inc\u00eandio dessas propor\u00e7\u00f5es ali.<\/p>\n<p>As imagens de sat\u00e9lite revelam que a Serra das Araras foi v\u00edtima de inc\u00eandios vindos de propriedades rurais a oeste da unidade. Desde setembro, o local tornou-se base para equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate aos Inc\u00eandios Florestais), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis), e brigadistas do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela gest\u00e3o da UC. A trag\u00e9dia da esta\u00e7\u00e3o virou a salva\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente n\u00e3o respondeu aos questionamentos do InfoAmazonia sobre as a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, mas os moradores apontam que cerca de 70 homens atuam na morraria. Foram eles que socorreram e ainda ajudam os povos da Prov\u00edncia Serrana.<\/p>\n<p>\u201c<em>S\u00e3o anjos do fogo, se n\u00e3o fosse esse apoio, eu e os vizinhos ter\u00edamos perdido tudo. Entrei em desespero, quando vi o inc\u00eandio descer a serra. Por sorte o Marcelo Andrade (\u00fanico analista ambiental da esta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica) nos orientou sobre como fazer os aceiros (linhas de defesa) e trouxe sete brigadistas pra fazer a queima de controle (o contrafogo ou combate indireto \u00e0s queimadas)\u201d<\/em>, explica Maria Ivanilza Magalh\u00e3es Costa, professora e pequena produtora rural de Vila Aparecida, em C\u00e1ceres.<\/p>\n<p>\u201c<em>Eu sou vi\u00fava e preciso cuidar dessa terra sozinha. Aqui \u00e9 a \u00fanica heran\u00e7a da minha filha, menor de idade. Nem imagino o que teria sido de n\u00f3s. Foram dois dias de trabalho seguido sem dormir pra evitar que o fogo chegasse \u00e0s nossas casas ou \u00e0s estruturas constru\u00eddas com tanto sacrif\u00edcio, como as cercas e currais<\/em>\u201c, diz Maria Ivanilza.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o das linhas de defesa, os aceiros, realizadas no momento do combate nas propriedades foi uma das poucas vit\u00f3rias na batalha contra as queimadas na regi\u00e3o. \u201c<em>Fui com o meu trator e meus dois filhos com os abafadores e bombas [costais] que eles [ICMBio e Ibama] nos emprestaram. Chegamos a virar noite sem dormir. Se n\u00e3o fosse esse aux\u00edlio, principalmente com o contrafogo e combate indireto, umas dez propriedades, somente no Novo Oriente, teriam sido perdidas\u201d<\/em>, diz Natalino Dias de Carvalho, 61 anos, da comunidade Novo Oriente, em Porto Estrela.<\/p>\n<p>Na terra dos morroquianos, no Baixio, a equipe de brigadistas do Prevfogo e do ICMBio tamb\u00e9m prestou apoio dez dias antes do fogo ressurgir. Mesmo com um intenso trabalho de combate, o vento e a seca trouxeram o inc\u00eandio de volta ao local. Por sorte, o fogo que cercava a morraria e as casas acabou na primeira chuva intensa, em 12 de outubro, embora ainda circunde as regi\u00f5es vizinhas.<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o imagin\u00e1vamos que ter\u00edamos que enfrentar esse inc\u00eandio. O morro pega fogo sempre, mas apaga sozinho. Nossa mobiliza\u00e7\u00e3o aqui sempre foi pra proteger o rio Jauquara, amea\u00e7ado por hidrel\u00e9tricas. Lut\u00e1vamos pela \u00e1gua e agora precisamos combater o fogo que insiste em voltar o tempo todo\u201d<\/em>, diz Rafael Arcanjo Bento, de 36 anos, um dos l\u00edderes da comunidade Baixio.<\/p>\n<p>Na por\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia Serrana pr\u00f3xima a C\u00e1ceres, as queimadas seguem colocando em risco a fauna e a vida dos moradores. Em 9 de outubro, Sebasti\u00e3o Mendes, artista pl\u00e1stico que vivia na regi\u00e3o, sofreu um infarto e morreu, ap\u00f3s tentar apoiar sitiantes vizinhos no combate aos inc\u00eandios. Em setembro, outra fatalidade na Serra. O zootecnista Luciano Beijo, de 36 anos, faleceu ap\u00f3s ter 100% do corpo queimado em um combate no morro do Fac\u00e3o, uma das por\u00e7\u00f5es mais ao sul da Prov\u00edncia.<\/p>\n<p>Pegos de surpresa pela continuidade da seca e um per\u00edodo de queimadas intenso, s\u00f3 restou aos povos tradicionais constru\u00edrem novas estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>\u201c<em>Criamos um grupo de Whatsapp para falar dos inc\u00eandios. Unimos vizinhos, prefeitura de Porto Estrela e o pessoal da Esec das Araras nos orienta ali sempre. Sem essa corrente de apoio, esse inc\u00eandio teria sido uma barbaridade<\/em>\u201c, diz Air Dias de Carvalho, produtor familiar da comunidade Novo Oriente, de Porto Estrela.<\/p>\n<h2>FUTURO<\/h2>\n<p>Os climatologistas alertam que a mobiliza\u00e7\u00e3o nos locais afetados deve ser seguida por pol\u00edticas p\u00fablicas, em um mundo que precisa se adaptar \u00e0s queimadas e secas cada vez mais constantes.<\/p>\n<p>\u201c<em>Alguns ecossistemas j\u00e1 est\u00e3o vulner\u00e1veis. O ver\u00e3o de 2019 foi fraco, choveu pouco, e o de 2020 tamb\u00e9m. Foram esses dois ver\u00f5es fracos que aumentaram o risco de queimadas\u201d<\/em>, diz o climatologista Jos\u00e9 Antonio Marengo, colaborador do pr\u00f3ximo relat\u00f3rio do IPCC (a ser publicado em 2021) e coordenador do Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos (CPTEC) do Inpe.<\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c9 muito triste ver que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um processo de longo prazo. Esses ver\u00f5es relativamente fracos j\u00e1 s\u00e3o ingredientes que mostram como o clima mais quente afetar\u00e1 cada vez mais os ecossistemas e a popula\u00e7\u00e3o. Todos est\u00e3o vulner\u00e1veis\u201d<\/em>, explica Marengo.<\/p>\n<p>As chuvas da por\u00e7\u00e3o norte da Bacia do Alto Paraguai representam 70% da \u00e1gua que forma o Pantanal. Inc\u00eandios e seca na regi\u00e3o significam que as queimadas no bioma podem demorar para serem controladas. At\u00e9 18 de outubro, levantamento do Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais (LASA), da UFRJ, apontou que os inc\u00eandios atingiram 27% da por\u00e7\u00e3o brasileira do bioma.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 sequer a mensura\u00e7\u00e3o dos impactos na fauna e flora. Um estudo da Embrapa Pantanal, coordenado pelo pesquisador Walfrido Moraes Tomas, busca estimar o n\u00famero de animais que sucumbem \u00e0s queimadas. Em paralelo, os focos de inc\u00eandios subterr\u00e2neos ressurgem com intensidade em Porto Jofre, Pocon\u00e9, regi\u00e3o da rodovia Transpantaneira.<\/p>\n<p>Para os cientistas, esse fogo subterr\u00e2neo que persiste no Pantanal \u00e9 o pior. \u201c<em>\u00c9 necess\u00e1rio muita chuva nas cabeceiras para inundar o Pantanal e resolver. Estamos torcendo para todos os deuses para que isso aconte\u00e7a e o fogo acabe<\/em>\u201c, diz Jos\u00e9 Marengo.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios de 2020 j\u00e1 colocam o pa\u00eds em uma dif\u00edcil posi\u00e7\u00e3o internacional. \u201c<em>Tudo indica que, ao contr\u00e1rio do mundo, que reduziu emiss\u00f5es por conta da pandemia do novo coronav\u00edrus, o Brasil ir\u00e1 aumentar os seus \u00edndices de emiss\u00f5es de gases que aquecem o planeta. Se isso se comprovar, estaremos indo contra os compromissos assumidos na Confer\u00eancia Mundial do Clima de Paris<\/em>\u201c, diz Carlos Ritll, secret\u00e1rio-executivo de um grupo formado por entidades do Terceiro Setor, o Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>As comunidades da Prov\u00edncia Serrana tamb\u00e9m temem o futuro. \u201c<em>Penso muito em como fazer daqui pra frente. Precisamos de treinamento, equipamentos e apoio. Se n\u00e3o tiver o pessoal da esta\u00e7\u00e3o aqui no ano que vem, precisamos estar preparados<\/em>\u201c, diz Rafael Bento, do Baixio.<\/p>\n<p>Segundo a publica\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio Seis do IPCC,\u00a0<em>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es nos biomas da Am\u00e9rica do Sul<\/em>, de 2007, a previs\u00e3o para o Pantanal \u00e9 de um aumento de quase 2 graus na temperatura m\u00e9dia da regi\u00e3o, at\u00e9 2050. Os inc\u00eandios deste ano mostram que esses cen\u00e1rios podem chegar mais cedo.<\/p>\n<p>E a falta de chuvas prevista para a Amaz\u00f4nica acabar\u00e1 influenciando tamb\u00e9m o Pantanal que precisa das chuvas que est\u00e3o nas regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o, como a Prov\u00edncia Serrana, para ter suas \u00e1reas alagadas.<\/p>\n<p>\u201c<em>Hoje vemos os primeiros sintomas da doen\u00e7a. A hist\u00f3ria j\u00e1 mostrou que grandes culturas do passado colapsaram por seca. Mas, ainda, quando falamos de aumento e temperatura as pessoas dizem: ok, eu ligo o ar-condicionado! Ningu\u00e9m reflete que secas cont\u00ednuas, com extremos clim\u00e1ticos e falta de \u00e1gua, podem destruir a gera\u00e7\u00e3o de energia e colapsar biomas como o Pantanal. E os povos tradicionais e comunidades vulner\u00e1veis como sobreviver\u00e3o?<\/em>\u201c, questiona Marengo.<\/p>\n<p>*\u00a0<em>A viagem foi realizada com apoio do Programa Observa-MT.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta\u00a0<\/em><em>reportagem faz parte do Amaz\u00f4nia Sufocada<\/em>\u00a0<em>, projeto especial do InfoAmazonia com o apoio do Rainforest Journalism Fund\/Pulitzer Center.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os inc\u00eandios cont\u00ednuos na Prov\u00edncia Serrana, uma regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre os biomas Amaz\u00f4nia, Cerrado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os inc\u00eandios cont\u00ednuos na Prov\u00edncia Serrana, uma regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o entre os biomas Amaz\u00f4nia, Cerrado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135943"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}