{"id":135703,"date":"2020-10-20T10:00:17","date_gmt":"2020-10-20T13:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135703"},"modified":"2020-10-20T05:46:57","modified_gmt":"2020-10-20T08:46:57","slug":"queimada-traz-morte-por-milhares-de-agulhadas-para-as-oncas-do-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/queimada-traz-morte-por-milhares-de-agulhadas-para-as-oncas-do-pantanal\/","title":{"rendered":"Queimada traz \u201cmorte por milhares de agulhadas\u201d para as on\u00e7as do Pantanal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135704\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Fernando Tortato normalmente gasta o seu tempo olhando as imagens das c\u00e2meras escondidas que monitoram as on\u00e7as no Pantanal, a maior \u00e1rea tropical inundada do mundo, uma regi\u00e3o que se espalha pelo Brasil, Bol\u00edvia e Paraguai. Mas nos \u00faltimos 45 dias, ele tem trabalhado em um novo papel como bombeiro, as vezes trabalhando extenuantes turnos de 24h para ajudar a extinguir as chamas que veem devastando o Pantanal desde o fim de 2016, situa\u00e7\u00e3o essa que s\u00f3 piorou em Junho e Julho. Tortato descreve que os inc\u00eandios t\u00eam sido como \u201cuma onda que vai queimando tudo em seu caminho\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo Pantanal, que \u00e9 uma \u00e1rea inundada, n\u00f3s normalmente temos rios, hidrovias, lagoas, p\u00e2ntanos, que s\u00e3o barreiras naturais para o fogo\u201d, disse Tortato ao Mongabay, que \u00e9 um dos cientistas do programa de conserva\u00e7\u00e3o da Panthera, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional para a conserva\u00e7\u00e3o dos felinos selvagens. \u201cMas esse ano, com estas condi\u00e7\u00f5es \u2013 totalmente seco \u2013 essas barreiras n\u00e3o funcionam\u2026 e com isso \u00e9 criado fogo em uma escala que nunca vimos antes.\u201d<\/p>\n<p>Apenas neste ano, \u00e9 estimado que inc\u00eandios tenham queimado aproximadamente 3.3 milh\u00f5es de hectares do Pantanal, de acordo com dados compilados pelo Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio Janeiro (LASA). Isso \u00e9 cerca de 22% de toda a regi\u00e3o, o que equivale aproximadamente ao tamanho de seis Grand Canyon National Park e meio. Acredita-se que muitos inc\u00eandios foram deliberados com o prop\u00f3sito de limpar o terreno para fins de agricultura, mas a dissemina\u00e7\u00e3o da praga da seca fez o Pantanal arder em chamas.<\/p>\n<p>Muitas esp\u00e9cies tem sido afetadas pelo fogo, particularmente pequenos vertebrados como r\u00e9pteis e anf\u00edbios, os quais n\u00e3o conseguem fugir facilmente dos chamas. Conservacionistas tamb\u00e9m est\u00e3o preocupados com a on\u00e7a-pintada (panthera onca), uma esp\u00e9cie que atrai todos os anos muitos turistas para regi\u00e3o. Por ser uma esp\u00e9cie quase amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de on\u00e7as j\u00e1 tem uma tend\u00eancia a diminuir devido a perda de habitat e a fragmenta\u00e7\u00e3o, assim tamb\u00e9m como conflitos entre os humanos e os animais selvagens, e o fogo coloca ainda mais press\u00e3o nesta esp\u00e9cie que luta para sobreviver.<\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o total de on\u00e7as nas Am\u00e9ricas do Sul e Central \u00e9 estimada entre 65.000 e 170.000, o corredor das on\u00e7as do Pantanal abriga uma popula\u00e7\u00e3o pequena e vital de 2.000 animais, de acordo com Howard Quigley, cientista conservacionista e diretor executivo do Panthera, al\u00e9m de ser mebro da Grupo de Especilistas em Felinos da IUCN.<\/p>\n<p>Baseado na quantidade de terra que j\u00e1 queimou no Pantanal, acredita-se que aproximadamente 600 on\u00e7as tiveram o seu habitat impactado pelo fogo, o que pode levar a problemas de seguran\u00e7a alimentar para a esp\u00e9cie, disse Quigley ao Mongabay por email. \u00c9 muito provavel tamb\u00e9m que muitas on\u00e7as tenham sido machucadas ou mortas pelo fogo. At\u00e9 agora, o time da Panthera e seus parceiros encontraram uma on\u00e7a morta e quatro individuos com queimaduras.<\/p>\n<p>\u201cNo quadro geral da ampla gama de viabilidade das on\u00e7as, isso porde ser visto apenas como outro \u2018bip\u2019 no radar de sobreviv\u00eancia delas, causando muito pouco dano no final das contas\u201d, disse Quigley. \u201cPor outro lado, as on\u00e7as est\u00e3o vivendo a met\u00e1fora da morte por milhares de agulhadas, e s\u00e3o muitas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA sobreviv\u00eancia desses felinos est\u00e1 fortemente atrelada a duas coisas: a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es centrais\u2026 e o movimento das on\u00e7as pelas terras que formam os centros, ou corredores, tudo que faz parte do que \u00e9 o Corredor das On\u00e7as-Pintadas\u201d, adicionou Quigley. \u201cOlhando apenas para o Pantanal, essas queimadas certamente n\u00e3o causam perigo a seguran\u00e7a populacional das on\u00e7as no Pantanal.\u201d<\/p>\n<p>As maiores popula\u00e7\u00f5es de on\u00e7as no Pantanal est\u00e3o perto de Gran Chaco, Paraguai, e no Parque Nacional Noel Kempff Mercado na Bol\u00edvia, de acordo com Quigley. Se o fogo impactar severamente estas popula\u00e7\u00f5es a esp\u00e9cie pode experimentar instabilidade gen\u00e9tica no futuro, ele diz.<\/p>\n<p>\u201cCom os inc\u00eandios na Bol\u00edvia ano passado, isso pode ser como um segundo golpe que a popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as da regi\u00e3o t\u00eam que enfrentar, mas ainda n\u00e3o \u00e9 um golpe de knockout pelo que podemos ver\u201d, disse Quigley.<\/p>\n<p>Para as on\u00e7as-pintadas, escapar das chamas n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil. Muitos inc\u00eandios ocorrem de baixo da terra e s\u00e3o visualmente indetectiveis, tornando dificil a detec\u00e7\u00e3o disso por parte do animal\u201d, disse Tortato.<\/p>\n<p>\u201cEles podem queimar as patas porque eles n\u00e3o conseguem ver o fogo\u201d, ele disse. \u201c\u00c9 dificil para os animais, e \u00e9 dificil pra gente, identificar esses lugares [onde o fogo esta queimando].\u201d<\/p>\n<p>A equipe Panthera tem trabalhado com o governo, comunidades locais e outras organiza\u00e7\u00f5es para tentar salvar o m\u00e1ximo de animais selvagens que for poss\u00edvel. At\u00e9 o momento, eles ajudaram uma tartaruga, duas anacondas, v\u00e1rias iguanas e duas on\u00e7as-pintadas, incluindo uma f\u00eamea de 4 anos, chamada Gloria, que foi resgatada por membros da comunidade ap\u00f3s ter as suas patas severamente queimadas.<\/p>\n<p>\u201cQuando as pessoas perceberam que ela estava procurando abrigo ao redor da comunidade, imediatamente eles agiram para salv\u00e1-la, disse Rafael Hoogesteijn, diretor do programa de conflitos do Panthera, em uma postagem no blog. \u201cEm outras partes da Am\u00e9rica Latina, ela poderia ter sido imediatamente morta. Mas nesta regi\u00e3o do Pantanal, a rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas e a vida selvagem \u00e9 t\u00e3o profunda que a comunidade fez tudo o que pode para salv\u00e1-la. Eles mantiveram essa felina de 4 anos de idade viva at\u00e9 que ela pudesse ser encaminha para um centro de resgate para receber tratamento m\u00e9dico. Gloria tem se recuperado bem e os veterin\u00e1rios continuam a monitor\u00e1-la com esperan\u00e7a de futuramente solt\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p>A equipe tamb\u00e9m trabalha para ajudar as pessoas que moram na regi\u00e3o, dos quais muitos deles t\u00eam sofrido devido a pandemia da Covid-19, que acabou com o faturamento do per\u00edodo de turismo desse ano.<\/p>\n<p>Essa semana, come\u00e7ou a chover no Pantanal. Enquanto na regi\u00e3o sul tem acontecido um dil\u00favio, a regi\u00e3o norte tem apenas recebido uma chuva fina at\u00e9 agora. \u201c[Isso n\u00e3o \u00e9] suficiente para apagar as chamas\u201d, disse Tortato. Ainda assim ele diz que ele e seus colegas est\u00e3o esperan\u00e7osos que a regi\u00e3o vai se recuperar ecologicamente, pelo menos at\u00e9 um certo ponto, assim que a chuva finalmente chegar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTalvez o Pantanal n\u00e3o seja mais o mesmo\u2026.mas ele [deve] criar uma nova composi\u00e7\u00e3o de vida selvagem\u201d, diz Tortato. \u201cN\u00f3s n\u00e3o sabemos. Normalmente, os pesquisadores t\u00eam mais quest\u00f5es a responder. Esse \u00e9 o problema\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto permanece incerto como as queimadas ir\u00e3o influenciar a popula\u00e7\u00e3o das on\u00e7as-pintadas no futuro, h\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel para as esp\u00e9cies. No Pantanal, as on\u00e7as s\u00e3o predadores de capivaras e jacar\u00e9s, e nessa \u00e9poca do ano eles tendem a viver nas \u00e1guas, o que provavelmente ajudou a sobreviv\u00eancia deles. A abund\u00e2ncia desses animais pode criar uma fonte f\u00e1cil de comida para qualquer on\u00e7a sobrevivente.<\/p>\n<p>\u201cAs on\u00e7as teriam muito alimento dispon\u00edvel nos pr\u00f3ximos meses se elas assumirem ou mantiverem territ\u00f3rios que ultrapassem \u00e1reas inundadas\u201d, disse Quigley. \u201cA quest\u00e3o da sobreviv\u00eancia se torna como as on\u00e7as v\u00e3o superar a esta\u00e7\u00e3o de enchentes quando a sua principal presa est\u00e1 dispersa no grande volume de \u00e1gua que \u00e9 o Pantanal de janeiro a maio.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Tortato normalmente gasta o seu tempo olhando as imagens das c\u00e2meras escondidas que monitoram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135704,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/onca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Fernando Tortato normalmente gasta o seu tempo olhando as imagens das c\u00e2meras escondidas que monitoram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135703"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135703\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}