{"id":135570,"date":"2020-10-17T12:30:00","date_gmt":"2020-10-17T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135570"},"modified":"2020-10-16T21:28:52","modified_gmt":"2020-10-17T00:28:52","slug":"indios-xavantes-vivem-epidemia-de-diabetes-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indios-xavantes-vivem-epidemia-de-diabetes-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"\u00cdndios xavantes vivem epidemia de diabetes, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/xavante.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135571\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/xavante-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/xavante-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/xavante.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas mais vulner\u00e1veis ao SARS-CoV-2 no Brasil, os xavantes vivem uma epidemia de outra doen\u00e7a silenciosa, considerada fator de risco para o agravamento da COVID-19: o diabetes.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM-Unifesp) e da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP) constatou, por meio de exames da retina de 157 \u00edndios da etnia, realizados antes da pandemia do novo coronav\u00edrus, uma alta preval\u00eancia de diabetes tipo 2 e de uma disfun\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica causada pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo,\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/28693\/diabetes-mellitus-e-doencas-associadas-na-populacao-adulta-xavantes-da-reserva-indigena-de-sao-marco\/?q=2010\/05634-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoiado<\/a><\/b>\u00a0pela FAPESP, foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168822720306331\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>Diabetes Research and Clinical Practice<\/i>, da International Diabetes Federation.<\/p>\n<p>\u201cDentre os 157 \u00edndios xavantes que examinamos, 95 [60,5%] tinham diagn\u00f3stico de diabetes\u201d, diz \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/47115\/fernando-korn-malerbi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Korn Malerbi<\/a><\/b>, p\u00f3s-doutorando no Departamento de Oftalmologia da EPM-Unifesp e primeiro autor do estudo.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, o diabetes pode desencadear problemas oftalmol\u00f3gicos como a retinopatia diab\u00e9tica \u2013 danos nos vasos sangu\u00edneos na retina causados pelo excesso de glicose no sangue. Se n\u00e3o for detectada e tratada adequadamente essa altera\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica pode levar \u00e0 cegueira.<\/p>\n<p>A fim de diagnosticar casos de retinopatia diab\u00e9tica e de outras poss\u00edveis disfun\u00e7\u00f5es oftalmol\u00f3gicas em popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, os pesquisadores fizeram exames de retinografia em \u00edndios xavantes das reservas Volta Grande e S\u00e3o Marcos, situadas no Mato Grosso. Para isso, usaram um retin\u00f3grafo port\u00e1til desenvolvido pela empresa\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.phelcom.com.br\/en\/empresa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Phelcom Technologies<\/a><\/b>\u00a0por meio de um\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/105359\/desenvolvimento-industrial-e-comercial-para-equipamento-portatil-para-diagnostico-em-retina-controla\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">projeto<\/a><\/b>\u00a0apoiado pelo Programa\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/3\/pesquisa-inovativa-em-pequenas-empresas-pipe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas<\/a><\/b>\u00a0(<b><a href=\"https:\/\/www.fapesp.br\/pipe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PIPE<\/a><\/b>).<\/p>\n<p>Batizado de Eyer, o retin\u00f3grafo port\u00e1til \u00e9 composto por um aparelho que, acoplado a um\u00a0<i>smartphone<\/i>, faz imagens precisas da retina, permitindo detectar doen\u00e7as do fundo do olho a um custo bem mais baixo do que os m\u00e9todos convencionais. Al\u00e9m disso, tem a vantagem de possibilitar o diagn\u00f3stico por telemedicina, a quil\u00f4metros de um m\u00e9dico oftalmologista.<\/p>\n<p>Quando as imagens s\u00e3o produzidas, o aplicativo que opera o aparelho para ilumina\u00e7\u00e3o e imageamento da retina as envia pela internet para um sistema web \u2013 chamado Eyer Cloud \u2013 que permite armazenar e gerenciar os exames dos pacientes.<\/p>\n<p>Caso n\u00e3o haja acesso a wi-fi ou rede 3G ou 4G no momento do exame, as imagens ficam salvas no aparelho e s\u00e3o enviadas para a nuvem assim que houver conex\u00e3o com a internet\u00a0<i>(<\/i><em>leia\u00a0<\/em><i>mais em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/aparelho-portatil-permite-diagnosticar-doencas-oculares-a-distancia\/30646\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/30646\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>No caso dos exames com os \u00edndios xavantes, como Malerbi conduziu os procedimentos, o diagn\u00f3stico foi feito instantaneamente, na presen\u00e7a dos pacientes.<\/p>\n<p>\u201cQuando as les\u00f5es na retina observadas por meio do retin\u00f3grafo port\u00e1til indicavam risco de cegueira orient\u00e1vamos o paciente, por meio de int\u00e9rpretes, e encaminh\u00e1vamos para as equipes de atendimento \u00e0 sa\u00fade ind\u00edgena para acompanhamento e tratamento\u201d, afirma Malerbi.<\/p>\n<p>Dos 95 pacientes diagnosticados com diabetes n\u00e3o foi poss\u00edvel avaliar se 23 deles (24,2%) apresentavam retinopatia diab\u00e9tica devido \u00e0 opacidade de tecidos transparentes dos olhos, como o cristalino, causada por catarata.<\/p>\n<p>Nos 72 \u00edndios cujas imagens obtidas da retina permitiram o diagn\u00f3stico de retinopatia diab\u00e9tica, os pesquisadores constataram que 16 apresentavam a doen\u00e7a e sete deles tinham risco de cegueira.<\/p>\n<p>\u201cComprovamos que o retin\u00f3grafo port\u00e1til \u00e9 um m\u00e9todo vi\u00e1vel para o rastreamento de retinopatia diab\u00e9tica, por ser uma tecnologia de baixo custo e que pode ser utilizada em comunidades remotas, como reservas ind\u00edgenas, onde a popula\u00e7\u00e3o geralmente est\u00e1 dispersa por v\u00e1rias aldeias\u201d, diz Malerbi.<\/p>\n<p><b>Piora da sa\u00fade<\/b><\/p>\n<p>Um estudo anterior j\u00e1 havia relatado uma preval\u00eancia de 19,3% de retinopatia diab\u00e9tica em \u00edndios xavantes das mesmas reservas visitadas agora pelos pesquisadores.<\/p>\n<p>O aumento da preval\u00eancia de casos dessa disfun\u00e7\u00e3o oftalmol\u00f3gica nessa popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, agora, pode ser devido a maior sensibilidade das imagens de fundo de olho obtidas por meio do retin\u00f3grafo port\u00e1til em compara\u00e7\u00e3o com a metodologia usada no estudo anterior, por oftalmoscopia indireta.<\/p>\n<p>Outra hip\u00f3tese \u00e9 que o estado de sa\u00fade dessa popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, que \u00e9 uma das maiores do pa\u00eds com, aproximadamente, 17 mil \u00edndios, distribu\u00eddos em nove reservas, piorou ao longo dos \u00faltimos anos, avaliam os autores do estudo.<\/p>\n<p>Um estudo anterior com 932 \u00edndios da etnia indicou que 66,1% apresentavam s\u00edndrome metab\u00f3lica, definida como uma condi\u00e7\u00e3o na qual os fatores de risco para doen\u00e7as cardiovasculares e diabetes mellitus ocorrem ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no perfil de sa\u00fade e na dieta deles nas \u00faltimas d\u00e9cadas, caracterizadas pelo consumo de alimentos industrializados e o sedentarismo, levaram a esse quadro, avaliaram os pesquisadores (<i>leia mais em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/66-dos-indios-em-reserva-xavante-sofrem-de-obesidade-diabetes-e-doenca-coronariana\/22504\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/22504\/<\/a><\/strong><\/i>).<\/p>\n<p>\u201cEsse grupo ind\u00edgena que tradicionalmente era ca\u00e7ador-coletor tornou-se mais sedent\u00e1rio e modificou sua dieta tradicional nas \u00faltimas d\u00e9cadas, incorporando novos alimentos com alto teor de a\u00e7\u00facar\u201d, explica Malerbi.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos xavantes, os pesquisadores tamb\u00e9m fizeram exames de retina em 33 \u00edndios bororos \u2013 outra etnia amea\u00e7ada tanto pela COVID-19 como pelos inc\u00eandios que atingem o Pantanal.<\/p>\n<p>Os resultados dos exames revelaram que sete \u00edndios bororos tinham diabetes, dos quais um foi diagnosticado com retinopatia diab\u00e9tica grave e foi encaminhado para tratamento.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>The feasibility of smartphone based retinal photography for diabetic retinopathy screening among Brazilian Xavante Indians<\/i>\u00a0(DOI: 10.1016\/j.diabres.2020.108380), de Fernando Korn Malerbi, Amaury Lelis Dal Fabbro, Jo\u00e3o Paulo Botelho Vieira Filho e Laercio Joel Franco, pode ser lido por assinantes da revista\u00a0<i>Diabetes Research and Clinical Practice em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168822720306331\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168822720306331<\/a><\/strong>.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas mais vulner\u00e1veis ao SARS-CoV-2 no Brasil, os xavantes vivem uma 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