{"id":135515,"date":"2020-10-16T12:30:00","date_gmt":"2020-10-16T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135515"},"modified":"2020-10-15T23:11:55","modified_gmt":"2020-10-16T02:11:55","slug":"artigo-aponta-que-restaurar-30-em-areas-prioritarias-evitaria-71-das-extincoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/artigo-aponta-que-restaurar-30-em-areas-prioritarias-evitaria-71-das-extincoes\/","title":{"rendered":"Artigo aponta que restaurar 30% em \u00e1reas priorit\u00e1rias evitaria 71% das extin\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135516\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As Na\u00e7\u00f5es Unidas e os cientistas v\u00eam alertando desde muito tempo que o mundo est\u00e1 prestes a perder um milh\u00e3o de esp\u00e9cies nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e que os esfor\u00e7os para atingir as metas mundiais de biodiversidade definidas para 2020, incluindo a de restaurar 15% dos ecossistemas do planeta, falharam em grande parte. Por isso, com a proximidade da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica em Kunming, na China, em 2021, os pa\u00edses est\u00e3o refor\u00e7ando seus planejamentos. O resultado de um desses esfor\u00e7os foi um relat\u00f3rio publicado nesta quarta-feira (14) assinado por 27 pesquisadores de 12 pa\u00edses. O artigo conclui que a restaura\u00e7\u00e3o de 30% de \u00e1reas priorit\u00e1rias espec\u00edficas como florestas, pastagens, estepes, p\u00e2ntanos e ecossistemas \u00e1ridos que foram substitu\u00eddos por cultivos agr\u00edcolas, al\u00e9m dos ecossistemas ainda em seu estado natural, absorveria o equivalente a 49% de todo o carbono acumulado na atmosfera nos \u00faltimos dois s\u00e9culos \u2013 465 bilh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono \u2013 e salvaria a maioria das esp\u00e9cies terrestres amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o (71%).<\/p>\n<p>\u201cFomentar os planos de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas naturais significativos \u00e9 fundamental para evitar que as presentes crises clim\u00e1ticas e as amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade saiam do controle\u201d, afirma Bernardo Strassburg, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e autor principal do estudo intitulado Global priority areas for ecosystem restoration, publicado na revista Nature.<\/p>\n<p>\u201cAs urg\u00eancias mundiais relacionadas ao clima, \u00e0 biodiversidade e \u00e0s quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias exigem solu\u00e7\u00f5es que possam lidar com todos esses aspectos, e nosso relat\u00f3rio as oferece\u201d.<\/p>\n<p>Ao identificar, no mundo inteiro e de forma precisa, quais ecossistemas devem ser restaurados a fim de beneficiar a biodiversidade e o clima a um custo baixo e sem maiores impactos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, esse estudo \u00e9 o primeiro a demonstrar evid\u00eancias de abrang\u00eancia mundial de que a localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o fator mais importante para os esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o que almejem resultados profundos em prol das metas de biodiversidade, clima e seguran\u00e7a alimentar. De acordo com o estudo, a restaura\u00e7\u00e3o pode ser treze vezes mais eficaz quando feita em locais de maior prioridade.<\/p>\n<p>O estudo enfoca primeiramente os potenciais benef\u00edcios da restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas tanto florestais como n\u00e3o florestais no mundo inteiro. \u201cPesquisas anteriores deram destaque \u00e0s florestas e \u00e0 refloresta\u00e7\u00e3o e quase n\u00e3o abordaram o papel da restaura\u00e7\u00e3o de pastagens nativas e outros ecossistemas, cuja destrui\u00e7\u00e3o seria extremamente prejudicial para a biodiversidade e deve ser evitada. Nossa pesquisa mostra que, embora a repara\u00e7\u00e3o de florestas seja fundamental para mitigar o aquecimento global e proteger a biodiversidade, outros ecossistemas tamb\u00e9m desempenham um papel importante\u201d, explicou Strassburg.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87272\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-87272\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87272\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal.png\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal.png 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal-300x170.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal-1024x579.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal-600x339.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Figura-principal-Estudo-Nature-restauracao-florestal-640x362.png 640w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"361\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87272\" class=\"wp-caption-text\">Mapa produzido no estudo com as \u00e1reas priorit\u00e1rias para a restaura\u00e7\u00e3o. Fonte:\u00a0<em>Global priority areas for ecosystem restoration<\/em>\/Nature<\/figcaption><\/figure>\n<p>Atrav\u00e9s da PLANGEA \u2013 uma plataforma sofisticada de otimiza\u00e7\u00e3o que aplica uma multiplicidade de crit\u00e9rios e oferece uma abordagem matem\u00e1tica para encontrar solu\u00e7\u00f5es certeiras a uma variedade de problemas \u2013 e das tecnologias de mapeamento, os pesquisadores avaliaram 2,87 bilh\u00f5es de hectares de ecossistemas convertidos em terras agr\u00edcolas no mundo inteiro. Dessas \u00e1reas, 54% era originalmente floresta, 25% pastagens, 14% estepes, 4% terras \u00e1ridas e 2% p\u00e2ntanos. Em seguida, as terras foram avaliadas com base em tr\u00eas fatores ou objetivos \u2013 habitats dos animais, armazenamento de carbono e custo-benef\u00edcio \u2013 para determinar que porcentagem (se 15 % ou 30%) de restaura\u00e7\u00e3o traria mais benef\u00edcios em termos de biodiversidade e absor\u00e7\u00e3o de carbono com menos custos associados.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram uma solu\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a, de alcance mundial e capaz de gerar m\u00faltiplos benef\u00edcios. Essa solu\u00e7\u00e3o responderia por 91% dos potenciais benef\u00edcios para a biodiversidade, 82% dos benef\u00edcios de mitiga\u00e7\u00e3o do clima e reduziria os custos em 27% ao se concentrar em \u00e1reas com baixos custos de implementa\u00e7\u00e3o e de oportunidade. Ao projetar os benef\u00edcios de uma restaura\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional, ou seja, que todos os pa\u00edses restaurem 15% de suas florestas, os pesquisadores notaram uma redu\u00e7\u00e3o de 28% dos benef\u00edcios ligados \u00e0 biodiversidade, 29% dos benef\u00edcios clim\u00e1ticos e um aumento de 52% nos custos. \u201cEsses resultados destacam a import\u00e2ncia primordial da coopera\u00e7\u00e3o internacional para alcan\u00e7ar esses objetivos. Cada pa\u00eds desempenha um papel diferente e complementar no cumprimento das metas globais de biodiversidade e clima\u201d, afirma Strassburg.<\/p>\n<p>O estudo descobriu que a restaura\u00e7\u00e3o de diferentes ecossistemas gera benef\u00edcios diferentes e complementares. A restaura\u00e7\u00e3o de florestas e p\u00e2ntanos, por exemplo, proporciona mais benef\u00edcios para o clima e a biodiversidade. Por outro lado, a restaura\u00e7\u00e3o de pastagens e ecossistemas \u00e1ridos \u00e9 mais barata. J\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o de estepes na Am\u00e9rica do Sul e na \u00c1frica traz benef\u00edcios importantes para sua t\u00e3o particular biodiversidade. Em geral, a coordena\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o em diferentes ecossistemas produzir\u00e1, ao todo, mais benef\u00edcios. \u201cA restaura\u00e7\u00e3o de florestas gera benef\u00edcios extremamente importantes e comprovados, por\u00e9m, nosso estudo mostra que restaurar uma variedade maior de ecossistemas pode beneficiar ainda mais a biodiversidade e contribuir mais para os objetivos clim\u00e1ticos\u201d, explica Strassburg.<\/p>\n<p>Diante do receio de que a restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas perturbaria a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ao reduzir as \u00e1reas de lavoura, os pesquisadores calcularam quantos ecossistemas poderiam ser restaurados sem que o suprimento de alimentos seja afetado. Descobriram que 55% dos ecossistemas transformados em \u00e1reas agr\u00edcolas \u2013 1.578 bilh\u00f5es de hectares \u2013 poderiam ser restaurados sem interromper a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Isso seria poss\u00edvel por meio de uma produ\u00e7\u00e3o de alimentos sustent\u00e1vel e bem planejada, baseada em uma agricultura mais intensiva, na redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos e na diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de carne e queijo, que exigem grandes quantidades de terra e que, portanto, geram emiss\u00f5es excessivas de gases de efeito estufa. \u201c\u00c0 medida que os governos voltam a se concentrar nas metas globais de clima e biodiversidade, nosso estudo fornece informa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas precisas e necess\u00e1rias para fazer escolhas bem informadas sobre quais ecossistemas restaurar\u201d, afirmou Robin Chazdon, um dos autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87271\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-87271\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87271\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal.png\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal.png 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal-300x242.png 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal-1024x826.png 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal-600x484.png 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Infografico-estudo-Nature-restauracao-florestal-640x516.png 640w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"516\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87271\" class=\"wp-caption-text\">Infogr\u00e1fico\u00a0<em>Global priority areas for ecosystem restoration<\/em>\/Nature<\/figcaption><\/figure>\n<p>A abordagem desenvolvida j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel para ajudar na implementa\u00e7\u00e3o em escala nacional e local e tem atra\u00eddo formuladores de pol\u00edticas, ONGs e representantes do setor privado interessados em um melhor custo-benef\u00edcio para suas iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o. \u201cPretendemos colaborar para a restaura\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de ecossistemas, alinhando interesses socioecol\u00f3gicos e financeiros, aumentando os impactos tanto para a natureza quanto para as pessoas, melhorando os retornos e reduzindo os riscos para os investidores\u201d, esclareceu Strassburg.<\/p>\n<p>Em geral, o estudo fornece provas convincentes para os formuladores de pol\u00edticas interessados em formas eficientes e acess\u00edveis de atingir as metas de biodiversidade clima e desertifica\u00e7\u00e3o. De acordo com os dados, a restaura\u00e7\u00e3o, quando bem coordenada e realizada junto com a prote\u00e7\u00e3o de ecossistemas intactos e um melhor uso das terras agr\u00edcolas, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o incomparavelmente melhor, embora pouco utilizada at\u00e9 hoje. \u201cNossos resultados oferecem evid\u00eancias muito claras dos benef\u00edcios de um planejamento e uma implementa\u00e7\u00e3o conjunta de solu\u00e7\u00f5es pertinentes ao clima e \u00e0 biodiversidade, o que \u00e9 particularmente oportuno devido aos destacados encontros planejados para 2021 no marco das conven\u00e7\u00f5es da ONU sobre biodiversidade clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o da terra\u201d, declarou Strassburg.<\/p>\n<p>\u201cO estudo tamb\u00e9m demonstra uma aplica\u00e7\u00e3o crucial, mas at\u00e9 ent\u00e3o inexplorada, da Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas da IUCN\u201d, observou Thomas Brooks, cientista-chefe da Uni\u00e3o Internacional para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e coautor do estudo. \u201cEle servir\u00e1 de insumo para as discuss\u00f5es do pr\u00f3ximo ano no Congresso Mundial de Conserva\u00e7\u00e3o da IUCN e na 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da CDB [Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica] sobre a implementa\u00e7\u00e3o de compromissos pol\u00edticos, incluindo o Desafio de Bonn, a D\u00e9cada de Restaura\u00e7\u00e3o da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio adotar uma nova perspectiva, em que a prioridade seja a obten\u00e7\u00e3o de resultados em m\u00faltiplos n\u00edveis, para al\u00e9m das \u00e1reas de floresta e das metas baseadas em \u00e1reas do territ\u00f3rio nacional, e isso exige uma coopera\u00e7\u00e3o internacional mais intensa a fim de obter benef\u00edcios mundialmente relevantes advindos da restaura\u00e7\u00e3o de valiosos ecossistemas. Precisamos fomentar a\u00e7\u00f5es em prol de um planeta saud\u00e1vel\u201d, disse Chazdon.<\/p>\n<p>Em entrevista para ((o))eco, Bernardo Strassburg esclarece algumas quest\u00f5es relacionadas ao artigo.<\/p>\n<p><strong>((o))eco: De acordo com o estudo, a restaura\u00e7\u00e3o de alguns ecossistemas poderia salvar a maioria das esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o. Quais seriam esses ecossistemas e por que s\u00e3o t\u00e3o importantes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bernardo Strassburg:<\/strong>\u00a0Um dos diferenciais do nosso estudo foi ter desenvolvido uma abordagem global que cobriu todos os tipos de ecossistemas. Os estudos anteriores focavam apenas em florestas tropicais, por exemplo, enquanto que n\u00f3s realmente cobrimos todos os tipos de ecossistemas. O resultado importante que encontramos foi que todos eles t\u00eam um papel. As florestas tropicais, naturalmente, s\u00e3o grandes \u00e1reas priorit\u00e1rias para restaura\u00e7\u00e3o, seja do ponto de vista da biodiversidade ou do carbono. Mas as \u00e1reas alagadas ou wetlands, como o nosso Pantanal, por exemplo, s\u00e3o ainda mais importantes do que florestas por hectare, tanto para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas quanto para a biodiversidade. Biomas de savana, por exemplo, como parte do nosso Cerrado, tamb\u00e9m s\u00e3o cruciais para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Em termos de biodiversidade, encontramos que \u00e1reas alagadas mundo afora, savanas e florestas tropicais, principalmente as que perderam grande parte de sua \u00e1rea, como a nossa Mata Atl\u00e2ntica \u2013 que est\u00e1 entre os top 5% das \u00e1reas de prioridade global do mundo para restaura\u00e7\u00e3o florestal \u2013 al\u00e9m de ilhas mundo afora, como as do mar B\u00e1ltico at\u00e9 o sul da Terra do Fogo. Em geral, para a biodiversidade, estes s\u00e3o os grandes padr\u00f5es e tipos de ecossistemas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87274\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-87274\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87274\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Pantanal_Flavio-Andre-MTur.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Pantanal_Flavio-Andre-MTur.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Pantanal_Flavio-Andre-MTur-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Pantanal_Flavio-Andre-MTur-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Pantanal_Flavio-Andre-MTur-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87274\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1reas \u00famidas como o Pantanal tamb\u00e9m s\u00e3o priorit\u00e1rias para restaura\u00e7\u00e3o. Foto: Flavio Andr\u00e9-MTur<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como a restaura\u00e7\u00e3o de somente 30% dessas \u00e1reas priorit\u00e1rias, al\u00e9m dos ecossistemas em estado natural, absorveria at\u00e9 49% de todo o carbono acumulado na atmosfera nos \u00faltimos dois s\u00e9culos?<\/strong><\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o de 30% dos ecossistemas convertidos, se ocorrer em \u00e1reas priorit\u00e1rias, pode sequestrar at\u00e9 49% de todo o CO2 acumulado na atmosfera desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. O crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o acumula biomassa e absorve o g\u00e1s carb\u00f4nico, mas o ac\u00famulo no solo tamb\u00e9m \u00e9 importante, em especial nas \u00e1reas alagadas. As florestas tropicais s\u00e3o o tipo de vegeta\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria, como vemos tanto no sudeste asi\u00e1tico como na \u00c1frica ou nas nossas Amaz\u00f4nia e Mata Atl\u00e2ntica. Essas s\u00e3o as \u00e1reas priorit\u00e1rias. Existem outras florestas tamb\u00e9m \u00famidas, mas temperadas, como na Nova Zel\u00e2ndia ou na Calif\u00f3rnia, que tamb\u00e9m t\u00eam um potencial interessante, mas realmente a concentra\u00e7\u00e3o de carbono ocorre em florestas tropicais e \u00e1reas alagadas mundo afora. Claro que isso leva um tempo e esse tempo varia. As florestas tropicais s\u00e3o relativamente muito r\u00e1pidas, recuperando boa parte do carbono de uma floresta prim\u00e1ria em poucas d\u00e9cadas, cerca de 20-30 anos. \u00c1reas temperadas levam um ciclo mais longo, assim como o ac\u00famulo de carbono em \u00e1reas alagadas.<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o pode ser considerada uma grande forma de absorver carbono da atmosfera. Dentre as chamadas Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9, de longe, a com maior potencial de absor\u00e7\u00e3o de CO2. Estimativas anteriores apontaram que essas Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza somam cerca de 30% das solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para atingirmos as metas do Acordo de Paris. Mas infelizmente elas s\u00f3 recebem 3% da aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e 1% do financiamento. Ent\u00e3o esperamos que, com esse estudo e outros mais, a aten\u00e7\u00e3o para essas Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Solu\u00e7\u00f5es Tecnol\u00f3gicas, cres\u00e7a e tenha o papel proporcional que deva ter em fun\u00e7\u00e3o desses m\u00faltiplos benef\u00edcios, que v\u00e3o muito al\u00e9m do clima.<\/p>\n<p><strong>Poderia nos explicar por que a localiza\u00e7\u00e3o seria o fator mais importante para os esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o? Como se daria a solu\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a proposta no artigo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s encontramos que os custos e benef\u00edcios da restaura\u00e7\u00e3o variam enormemente no espa\u00e7o e de formas bem diferentes. Quando essa situa\u00e7\u00e3o ocorre, a import\u00e2ncia de se promover a restaura\u00e7\u00e3o em \u00e1reas priorit\u00e1rias cresce, pois o mesmo total de restaura\u00e7\u00e3o, de 15 a 30% do mundo ou 100 milh\u00f5es de hectares, pode gerar benef\u00edcios completamente diferentes, dependendo de onde voc\u00ea as realiza. Um dos resultados mais importantes \u00e9 o aumento em at\u00e9 13 vezes no custo-efetividade da restaura\u00e7\u00e3o, dependendo da localiza\u00e7\u00e3o, ou seja, uma mesma quantidade de \u00e1rea restaurada pode ser at\u00e9 13 vezes mais custo-efetiva, dependendo de onde voc\u00ea a implementa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87275\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"width: 640px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-87275\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87275\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Tolypeutes_tricinctus_LianaMaraMendesdeSena-ICMBio.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Tolypeutes_tricinctus_LianaMaraMendesdeSena-ICMBio.jpg 400w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Tolypeutes_tricinctus_LianaMaraMendesdeSena-ICMBio-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Tolypeutes_tricinctus_LianaMaraMendesdeSena-ICMBio-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/MiniOeco_Tolypeutes_tricinctus_LianaMaraMendesdeSena-ICMBio-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87275\" class=\"wp-caption-text\">Restaura\u00e7\u00e3o ajudaria a salvar quase dois ter\u00e7os das esp\u00e9cies amea\u00e7adas. Foto: Liana de Sena\/ICMBio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ligado a isso est\u00e1 o fato de que uma parte razo\u00e1vel est\u00e1 concentrada em pa\u00edses em desenvolvimento. Por um lado isso \u00e9 um desafio, mas por outro abre espa\u00e7o para a colabora\u00e7\u00e3o internacional. A restaura\u00e7\u00e3o em pa\u00edses ricos \u00e9 em geral muito cara e traz benef\u00edcios muito limitados para o planeta, para a biodiversidade e para o clima. \u00c9 muito mais ben\u00e9fico, do ponto de vista econ\u00f4mico, do clima e da biodiversidade, que pa\u00edses ricos financiem processos de restaura\u00e7\u00e3o em pa\u00edses em desenvolvimento que se interessem por isso, onde h\u00e1 espa\u00e7o para isso e onde n\u00e3o haja competi\u00e7\u00e3o com produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Isso, inclusive, j\u00e1 \u00e9 previsto em acordos internacionais, como o Acordo do Clima de Paris, e essa colabora\u00e7\u00e3o j\u00e1 vem ocorrendo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. A expectativa \u00e9 que essas colabora\u00e7\u00f5es aumentem ao longo da pr\u00f3xima d\u00e9cada, \u00e0 medida que esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ganhem escala, assim como a busca por solu\u00e7\u00f5es custo-efetivas. Nesse momento, buscar solu\u00e7\u00f5es que beneficiem tanto o clima quanto a biodiversidade e os pa\u00edses em desenvolvimento, e que seja mais economicamente vi\u00e1veis para os pa\u00edses desenvolvidos, \u00e9 um potencial de ganha-ganha para todo mundo, se bem planejado e supervisionado.<\/p>\n<p><strong>O estudo afirma que a restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas n\u00e3o afetaria o suprimento de alimentos, j\u00e1 que 55% dos ecossistemas transformados em \u00e1reas agr\u00edcolas poderiam ser restaurados sem interromper a produ\u00e7\u00e3o. Como isso seria realizado? Seria fact\u00edvel engajar o agroneg\u00f3cio nessa meta?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bem importante esse resultado no qual conseguimos conciliar a conserva\u00e7\u00e3o de tudo o que sobrou de \u00e1reas naturais no mundo [desmatamento zero global] com a restaura\u00e7\u00e3o em larga escala e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Hoje isso se d\u00e1 basicamente porque muitas \u00e1reas j\u00e1 convertidas ou j\u00e1 desmatadas, principalmente aquelas para pecu\u00e1ria, t\u00eam uma produtividade muito baixa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 que poderiam ter de forma sustent\u00e1vel. Encontramos que o aumento de produtividade, se realizado nas \u00e1reas priorit\u00e1rias para isso, pode liberar \u00e1reas para restaura\u00e7\u00e3o sem impactar a produ\u00e7\u00e3o. No Brasil vemos isso de forma muito clara. O pa\u00eds tem 75% [ou \u00be] das \u00e1reas desmatadas dedicadas \u00e0 pecu\u00e1ria, e essas \u00e1reas t\u00eam produtividade muito baixa. Embora o Brasil seja top em produtividade especialmente na agricultura de gr\u00e3os, a pecu\u00e1ria fica muito aqu\u00e9m, na m\u00e9dia. Temos, em n\u00fameros redondos, um boi por hectare de pastagem onde poder\u00edamos ter tr\u00eas \u2013 n\u00f3s medimos isso. Ent\u00e3o, basicamente, poder\u00edamos concentrar a \u00e1rea de pecu\u00e1ria em um ter\u00e7o do que ela ocupa hoje e manter a mesma produ\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos liberar \u00e1rea para expans\u00e3o da agricultura, ou seja, expans\u00e3o da soja, da cana e demais cultivos, para essas \u00e1reas de pastagem de baixa produtividade, incrementar a produtividade da pecu\u00e1ria em \u00e1reas menores e ainda liberar bastante \u00e1rea para restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu acho bem fact\u00edvel o engajamento do setor agr\u00edcola nisso, porque j\u00e1 fizemos, em outros estudos aqui no Brasil, essa compara\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o que se poderia se receber de cr\u00e9ditos de carbono em um mercado de carbono bem modesto, em virtude da restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica ou da Amaz\u00f4nia, por exemplo, \u00e9 muito superior \u00e0 renda da pecu\u00e1ria. A pecu\u00e1ria tem uma renda muito baixa. Ent\u00e3o, para os pr\u00f3prios produtores, um esquema desse tipo onde eles concentram a produ\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea menor, liberam \u00e1rea para restaura\u00e7\u00e3o e recebem pagamentos por esses servi\u00e7os ambientais, em especial do carbono, pode ser bem atraentes.<\/p>\n<p>No Brasil, de forma geral, estimamos em dezenas de bilh\u00f5es de reais por ano o quanto o Brasil poderia receber num mercado internacional desse tipo, se resolver colaborar e participar. O Brasil \u00e9 o primeiro pa\u00eds do mundo, o \u201cG1\u201d, nesse mercado potencial de incentivos, se fizer isso com o devido cuidado, nas \u00e1reas priorit\u00e1rias para a biodiversidade e para o clima, e tamb\u00e9m para conciliar com a expans\u00e3o da agricultura. Assim, conseguir\u00edamos atingir essas metas e ainda gerar mais renda no campo. Ent\u00e3o eu acredito que h\u00e1 um potencial, e isso ficando mais claro e sendo melhor comunicado, com ferramentas que desenvolvemos para ajudar nesse planejamento, h\u00e1 uma tend\u00eancia de crescimento, principalmente se conseguirmos quebrar a narrativa de que essas s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es opostas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_87277\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 639px;\" aria-describedby=\"caption-attachment-87277\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-87277\" src=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur.jpg\" sizes=\"(max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" srcset=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur.jpg 1152w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-640x427.jpg 640w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-223x150.jpg 223w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-790x527.jpg 790w, https:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Oeco_Chapada-dos-Veadeiros-Augusto-Miranda_MTur-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-87277\" class=\"wp-caption-text\">O Brasil concentra diversas \u00e1reas priorit\u00e1rias para restaura\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o poderia ser um bom neg\u00f3cio para os produtores rurais. Foto: Augusto Miranda\/MTur<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como pesquisador, o que voc\u00ea espera das conven\u00e7\u00f5es da ONU sobre biodiversidade clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o da terra em 2021? Conseguiremos atingir as metas da \u201cD\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho me engajado ativamente no processo de constru\u00e7\u00e3o dos novos acordos globais, principalmente na Conven\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, que, ali\u00e1s, foi quem pediu para que a gente desenvolvesse esse estudo. Alguns dos resultados e das mensagens-chave j\u00e1 fazem parte do rascunho atual do potencial acordo, o que \u00e9 muito legal. Ent\u00e3o eu estou \u201ccautelosamente otimista\u201d de que \u00e9 fact\u00edvel, mas muito depende de como o mundo vai resolver sair da crise atual de Covid-19 e da crise econ\u00f4mica resultante: se vamos, como foi depois da crise de 2008, escolher estimular atividades econ\u00f4micas do s\u00e9culo passado ou se vamos dar uma guinada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o verde.<\/p>\n<p>H\u00e1 sinais dessa guinada na Europa, como o chamado\u00a0<em>Green New Deal<\/em>, e o [candidato \u00e0 presid\u00eancia] Biden, nos Estados Unidos, tamb\u00e9m est\u00e1 sinalizando nessa dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, de repente, se houver um \u00edmpeto de estimular as economias incentivando as atividade mais \u201cverdes\u201d, a restaura\u00e7\u00e3o salta bastante nas prioridades, pois ela gera empregos, renda e todos esses benef\u00edcios de forma bastante custo-efetiva. Se a escolha for por um caminho mais verde nessa recupera\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu estou cautelosamente otimista. Em rela\u00e7\u00e3o aos acordos em particular, a gente espera ver refletido nesses acordos a import\u00e2ncia de se implementar metas em \u00e1reas priorit\u00e1rias, como est\u00e1 hoje.<\/p>\n<p>Desenvolvemos essa metodologia para, uma vez os acordos celebrados, seja o que for acordado, estarmos prontos j\u00e1 no dia seguinte para oferecer uma ferramenta de suporte de decis\u00e3o para subsidiar o planejamento e a implementa\u00e7\u00e3o das metas acordadas. Um dos problemas da \u00faltima d\u00e9cada da CBD foi que alguns pa\u00edses levaram at\u00e9 sete anos para desenvolver os seus planos de a\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada, enquanto 70% da d\u00e9cada j\u00e1 havia passado. Ent\u00e3o n\u00f3s criamos essa ferramenta de suporte de decis\u00e3o esperando dar uma modesta contribui\u00e7\u00e3o ao planejamento e implementa\u00e7\u00e3o das metas que sejam acordadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas e os cientistas v\u00eam alertando desde muito tempo que o mundo est\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135516,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/floresta-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As Na\u00e7\u00f5es Unidas e os cientistas v\u00eam alertando desde muito tempo que o mundo est\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135515"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135515\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}