{"id":135487,"date":"2020-10-16T07:00:18","date_gmt":"2020-10-16T10:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135487"},"modified":"2020-10-15T22:11:26","modified_gmt":"2020-10-16T01:11:26","slug":"como-pontes-de-cordas-podem-salvar-o-primata-mais-raro-do-mundo-da-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-pontes-de-cordas-podem-salvar-o-primata-mais-raro-do-mundo-da-extincao\/","title":{"rendered":"Como pontes de cordas podem salvar o primata mais raro do mundo da extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135488\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para os gib\u00f5es, primatas que habitam o sul da \u00c1sia, escalar e viver nas copas das \u00e1rvores \u00e9 t\u00e3o natural quanto caminhar para os humanos. Mas a simples miss\u00e3o de se deslocar de um ponto ao outro pode virar um desafio quando h\u00e1 lacunas abertas no meio de florestas em que simplesmente n\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvores. Talvez isso fosse apenas um detalhe, se n\u00e3o fosse por um problema: s\u00f3 h\u00e1 30 gib\u00f5es-de-hainan (<em>Nomascus hainan<\/em>) vivos em todo o mundo. \u00c9 a esp\u00e9cie de primata mais rara e amea\u00e7ada do mundo.<\/p>\n<p>Na tentativa de salv\u00e1-los, cientistas criaram um novo m\u00e9todo para ajudar os gib\u00f5es-de-hainan a se locomover. E ele n\u00e3o \u00e9 nada complicado ou caro: consiste apenas em amarrar cordas entre \u00e1rvores distantes, criando uma ponte entre florestas isoladas.<\/p>\n<p>Todos os 30 gib\u00f5es-de-hainan existentes vivem na Reserva Natural Nacional Bawangling, na ilha de Hainan, China. Apesar de atualmente preservada, as florestas da regi\u00e3o possuem lacunas entre si, seja por clareiras naturais, desastres clim\u00e1ticos (como um tuf\u00e3o que atingiu o local em 2014) ou por resqu\u00edcios de desmatamento do passado. Os gib\u00f5es, por sua vez, n\u00e3o gostam de se aventurar por terra firme, e a maioria passa quase toda a vida nos galhos das \u00e1rvores, saltando entre elas. Os machos adultos conseguem saltar dist\u00e2ncias maiores e vencer obst\u00e1culos desafiadores, mas as f\u00eameas e os filhotes geralmente vivem isolados quando h\u00e1 trechos sem \u00e1rvores para se locomover.<\/p>\n<p>Limita\u00e7\u00f5es no ambiente de deslocamento, por sua vez, restringem as op\u00e7\u00f5es de se conseguir comida e at\u00e9 de achar um parceiro sexual \u2013 dois fatores essenciais para se manter uma esp\u00e9cie que t\u00eam apenas tr\u00eas dezenas de representantes. Por isso, cientistas de Hong Kong respons\u00e1veis pela conserva\u00e7\u00e3o dos gib\u00f5es querem reflorestar toda a regi\u00e3o com fartura de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 um objetivo a longo prazo. At\u00e9 l\u00e1, eles tiveram outra ideia: amarrar cordas entre trechos distantes das florestas, separados por lacunas sem \u00e1rvores, para permitir que os primatas se locomovam. A estrutura de locomo\u00e7\u00e3o constru\u00edda se estende por mais de 15 metros e \u00e9 formada por v\u00e1rias cordas, uma pr\u00f3xima da outra.<\/p>\n<p>Pode parecer uma ideia boba ou at\u00e9 \u00f3bvia, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Alguns primatas simplesmente nunca se acostumam com constru\u00e7\u00f5es artificias, como pontes feitas de cordas, e por isso ningu\u00e9m sabia se os gib\u00f5es as atravessariam. De fato, demorou seis meses at\u00e9 que os primatas come\u00e7assem a experimentar a nova conex\u00e3o \u2013 mas deu certo.<\/p>\n<p>Os cientistas filmaram e fotografaram 52 situa\u00e7\u00f5es em que gib\u00f5es cruzaram as pontes. Na maioria das vezes, os primatas andavam sobre uma das cordas enquanto apoiavam as m\u00e3os em outra. Em algumas ocasi\u00f5es, eles apenas se penduravam com os bra\u00e7os em uma das cordas, ou se agarravam com os quatros membros a ela, como um bicho-pregui\u00e7a faz. O mais ousado deles foi avistado atravessando andando, como em uma corda-bamba.<\/p>\n<p>No passado, estrat\u00e9gias parecidas foram usadas para ajudar outros animais a se locomover por florestas com lacunas, como orangotangos e l\u00f3ris (um outro tipo de primata). No estudo descrevendo sua interven\u00e7\u00e3o, a equipe sugere que o uso dessas pontes \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o bastante vi\u00e1vel para ajudar esp\u00e9cies que vivem em \u00e1reas de florestas fragmentadas, desde que seja aplicada juntamente \u00e0 refloresta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem 20 esp\u00e9cies de gib\u00e3o no mundo, e todas est\u00e3o amea\u00e7adas em algum grau, devido \u00e0 ca\u00e7a, desmatamento e tr\u00e1fico de animais. No caso dos gib\u00f5es-de-hainan, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente, mas h\u00e1 esperan\u00e7as: em 2003, s\u00f3 havia 13 desses animais vivendo na ilha chinesa. Agora, gra\u00e7as \u00e0 ci\u00eancia e aos esfor\u00e7os dos grupos de conserva\u00e7\u00e3o, esse n\u00famero subiu para 30, e espera-se que continue aumentando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para os gib\u00f5es, primatas que habitam o sul da \u00c1sia, escalar e viver nas copas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135488,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/primata.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para os gib\u00f5es, primatas que habitam o sul da \u00c1sia, escalar e viver nas copas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135487"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135487"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135487\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}