{"id":135454,"date":"2020-10-15T10:00:17","date_gmt":"2020-10-15T13:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135454"},"modified":"2020-10-15T08:02:26","modified_gmt":"2020-10-15T11:02:26","slug":"estudo-comprova-que-novo-coronavirus-afeta-o-cerebro-e-detalha-seus-efeitos-nas-celulas-nervosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-comprova-que-novo-coronavirus-afeta-o-cerebro-e-detalha-seus-efeitos-nas-celulas-nervosas\/","title":{"rendered":"Estudo comprova que novo coronav\u00edrus afeta o c\u00e9rebro e detalha seus efeitos nas c\u00e9lulas nervosas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerebro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135455\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerebro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerebro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerebro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estudo brasileiro <strong><a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.09.20207464v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">divulgado<\/a><\/strong> na \u00faltima ter\u00e7a-feira (13\/10) na plataforma <i>medRxiv<\/i>\u00a0comprova que o v\u00edrus SARS-CoV-2 \u00e9 capaz de infectar c\u00e9lulas do tecido cerebral, tendo como principal alvo os astr\u00f3citos. Os resultados revelam ainda que mesmo os indiv\u00edduos que tiveram a forma leve da COVID-19 podem apresentar altera\u00e7\u00f5es significativas na estrutura do c\u00f3rtex \u2013 regi\u00e3o do c\u00e9rebro mais rica em neur\u00f4nios e respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es complexas como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia e linguagem.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida por diversos grupos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) \u2013 todos financiados pela FAPESP. Tamb\u00e9m colaboraram pesquisadores do Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), do Instituto D&#8217;Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>\u201cDois trabalhos anteriores haviam detectado a presen\u00e7a do novo coronav\u00edrus no c\u00e9rebro, mas n\u00e3o se sabia ao certo se ele estava no sangue, nas c\u00e9lulas endoteliais [que recobrem os vasos sangu\u00edneos] ou dentro das c\u00e9lulas nervosas. N\u00f3s mostramos pela primeira vez que ele de fato infecta e se replica nos astr\u00f3citos e que isso pode diminuir a viabilidade dos neur\u00f4nios\u201d, conta \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/56072\/daniel-martins-de-souza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Daniel Martins-de-Souza<\/a><\/strong>, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, pesquisador do IDOR\u00a0e um dos coordenadores da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os astr\u00f3citos s\u00e3o as c\u00e9lulas mais abundantes do sistema nervoso central e desempenham fun\u00e7\u00f5es variadas: oferecem sustenta\u00e7\u00e3o e nutrientes para os neur\u00f4nios; regulam a concentra\u00e7\u00e3o de neurotransmissores e de outras subst\u00e2ncias com potencial de interferir no funcionamento neuronal, como o pot\u00e1ssio; integram a barreira hematoencef\u00e1lica, ajudando a proteger o c\u00e9rebro contra pat\u00f3genos e toxinas; e ajudam a manter a homeostase cerebral.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o desse tipo celular foi confirmada por meio de experimentos feitos com tecido cerebral de 26 pacientes que morreram de COVID-19. As amostras foram coletadas durante procedimentos de aut\u00f3psia minimamente invasiva conduzidos pelo patologista\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/669494\/alexandre-todorovic-fabro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alexandre Fabro<\/a><\/strong>, professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP). As an\u00e1lises foram coordenadas por\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/21168\/thiago-mattar-cunha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thiago Cunha<\/a><\/strong>, professor da FMRP-USP e integrante do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58581\/cpdi-centro-de-pesquisa-em-doencas-inflamatorias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"http:\/\/crid.fmrp.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CRID<\/a><\/strong>).<\/p>\n<p>Os pesquisadores adotaram uma t\u00e9cnica conhecida como imuno-histoqu\u00edmica, que consiste em usar anticorpos para marcar ant\u00edgenos virais ou componentes do tecido analisado, como explica Martins-de-Souza. \u201cPor exemplo, podemos colocar na amostra um anticorpo que ao se ligar no astr\u00f3cito faz a c\u00e9lula adquirir a colora\u00e7\u00e3o vermelha; outro que ao se ligar na prote\u00edna de esp\u00edcula do SARS-CoV-2 marca a mol\u00e9cula de verde; e, por \u00faltimo, um anticorpo para marcar de roxo o RNA viral de fita dupla, que s\u00f3 aparece durante o processo de replica\u00e7\u00e3o do microrganismo. Quando todas as imagens feitas durante o experimento foram colocadas em sobreposi\u00e7\u00e3o, notamos que as tr\u00eas cores aparecem simultaneamente apenas dentro dos astr\u00f3citos.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Cunha, a presen\u00e7a do v\u00edrus foi confirmada nas 26 amostras estudadas. Em cinco delas tamb\u00e9m foram encontradas altera\u00e7\u00f5es que sugeriam um poss\u00edvel preju\u00edzo ao sistema nervoso central.<\/p>\n<p>\u201cObservamos nesses cinco casos sinais de necrose e de inflama\u00e7\u00e3o, como edema [incha\u00e7o causado por ac\u00famulo de l\u00edquido], les\u00f5es neuronais e infiltrados de c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias. Mas s\u00f3 tivemos acesso a uma pequena parte do c\u00e9rebro dos pacientes, ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que sinais semelhantes tamb\u00e9m estivessem presentes nos outros 21 casos estudados, mas em regi\u00f5es diferentes do tecido\u201d, diz Cunha.<\/p>\n<p><b>Sintomas persistentes<\/b><\/p>\n<p>Em outro bra\u00e7o da pesquisa, conduzido na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp, exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica foram feitos em 81 volunt\u00e1rios que contra\u00edram a forma leve da COVID-19 e se recuperaram. Em m\u00e9dia, as avalia\u00e7\u00f5es presenciais ocorreram 60 dias ap\u00f3s a data do teste diagn\u00f3stico e um ter\u00e7o dos participantes ainda apresentava sintomas neurol\u00f3gicos ou neuropsiqui\u00e1tricos. As principais queixas foram dor de cabe\u00e7a (40%), fadiga (40%), altera\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria (30%), ansiedade (28%), perda de olfato (28%), depress\u00e3o (20%), sonol\u00eancia diurna (25%), perda de paladar (16%) e de libido (14%).<\/p>\n<p>\u201cDivulgamos um link para que interessados em participar da pesquisa pudessem se inscrever e, para nossa surpresa, em poucos dias j\u00e1 t\u00ednhamos mais de 200 volunt\u00e1rios, muitos deles polissintom\u00e1ticos e com queixas bem variadas. Al\u00e9m do exame de neuroimagem, eles est\u00e3o sendo avaliados por meio de exame neurol\u00f3gico e testes padronizados para mensurar o desempenho em fun\u00e7\u00f5es cognitivas, como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e flexibilidade de racioc\u00ednio. No artigo apresentamos os primeiros resultados\u201d, conta a professora\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/50722\/clarissa-lin-yasuda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clarissa Yasuda<\/a><\/strong>, integrante do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58565\/instituto-brasileiro-de-neurociencia-e-neurotecnologia-brainn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instituto de Pesquisa sobre Neuroci\u00eancias e Neurotecnologia<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"https:\/\/www.brainn.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BRAINN<\/a><\/strong>).<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddas na pesquisa somente pessoas que tiveram o diagn\u00f3stico de COVID-19 confirmado por RT-PCR e que n\u00e3o precisaram ser hospitalizadas. As avalia\u00e7\u00f5es foram feitas ap\u00f3s o t\u00e9rmino da fase aguda e os resultados foram comparados com dados de 145 indiv\u00edduos saud\u00e1veis e n\u00e3o infectados.<\/p>\n<p>Pela an\u00e1lise dos exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica foi poss\u00edvel perceber que algumas regi\u00f5es do c\u00f3rtex dos volunt\u00e1rios tinham espessura menor do que a m\u00e9dia observada nos controles, enquanto outras apresentavam aumento de tamanho \u2013 o que, segundo os autores, poderia indicar algum grau de edema.<\/p>\n<p>\u201cObservamos atrofia em \u00e1reas relacionadas, por exemplo, com a ansiedade \u2013 um dos sintomas mais frequentes no grupo estudado. Considerando que a preval\u00eancia m\u00e9dia de transtornos de ansiedade na popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 de 9%, os 28% que encontramos \u00e9 um n\u00famero elevado e alarmante. N\u00e3o esper\u00e1vamos esses resultados em pacientes que tiveram doen\u00e7a leve\u201d, afirma Yasuda.<\/p>\n<p>Nos testes neuropsicol\u00f3gicos \u2013 feitos para avaliar as fun\u00e7\u00f5es cognitivas \u2013 os volunt\u00e1rios do estudo tamb\u00e9m se sa\u00edram pior do que a m\u00e9dia dos indiv\u00edduos brasileiros em algumas tarefas. Os resultados foram ajustados de acordo com a idade, o sexo e a escolaridade de cada participante. Tamb\u00e9m foi considerado o grau de fadiga relatado pelo participante aos pesquisadores.<\/p>\n<p>\u201cA pergunta que fica agora \u00e9: ser\u00e3o esses sintomas passageiros ou permanentes? Para descobrir pretendemos continuar acompanhando esses volunt\u00e1rios por algum tempo\u201d, conta a pesquisadora.<\/p>\n<p><b>Metabolismo energ\u00e9tico afetado<\/b><\/p>\n<p>No Laborat\u00f3rio de Neuroprote\u00f4mica do IB-Unicamp, coordenado por Martins-de-Souza, foram realizados diversos experimentos com tecido cerebral de pessoas que morreram de COVID-19 e com culturas de astr\u00f3citos\u00a0<i>in vitro<\/i>\u00a0para descobrir, do ponto de vista bioqu\u00edmico, como a infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 afeta as c\u00e9lulas do sistema nervoso.<\/p>\n<p>As amostras de necr\u00f3psia foram obtidas por meio de colabora\u00e7\u00e3o com o grupo do professor da Faculdade de Medicina da USP\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/237\/paulo-hilario-nascimento-saldiva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Paulo Saldiva<\/a><\/strong>. Todo o conjunto de prote\u00ednas (proteoma) presente no tecido foi mapeado por espectrometria de massas \u2013 t\u00e9cnica que permite discriminar subst\u00e2ncias em amostras biol\u00f3gicas de acordo com a massa molecular.<\/p>\n<p>\u201cAo comparar com resultados de indiv\u00edduos n\u00e3o infectados, percebemos que diversas prote\u00ednas que estavam com a express\u00e3o alterada s\u00e3o abundantes em astr\u00f3citos, o que valida os achados obtidos por imuno-histoqu\u00edmica\u201d, diz Martins-de-Souza. \u201cNessas c\u00e9lulas, observamos altera\u00e7\u00f5es em diversas vias bioqu\u00edmicas, principalmente naquelas relacionadas ao metabolismo energ\u00e9tico\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi repetir a an\u00e1lise prote\u00f4mica em uma cultura de astr\u00f3citos infectada em laborat\u00f3rio. As c\u00e9lulas foram obtidas a partir de c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em ingl\u00eas), m\u00e9todo que consiste em reprogramar c\u00e9lulas adultas (provenientes da pele ou de outro tecido de f\u00e1cil acesso) para faz\u00ea-las assumir est\u00e1gio de pluripot\u00eancia semelhante ao de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias. Esta primeira parte foi realizada no laborat\u00f3rio do professor da UFRJ Stevens Rehen, no IDOR. Em seguida, o time de Martins-de-Souza induziu, por meio de est\u00edmulos qu\u00edmicos, as c\u00e9lulas IPS a se diferenciarem em c\u00e9lulas-tronco neurais e depois em astr\u00f3citos.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados foram parecidos com os da an\u00e1lise feita no tecido obtido por necr\u00f3psia, ou seja, indicaram disfun\u00e7\u00e3o no metabolismo energ\u00e9tico. Fizemos ent\u00e3o uma an\u00e1lise metabol\u00f4mica [do conjunto de metab\u00f3litos produzidos pelos astr\u00f3citos em cultura], que indicou altera\u00e7\u00e3o no metabolismo de glicose. Por algum motivo, o astr\u00f3cito infectado passa a consumir mais glicose do que o normal e, apesar disso, os n\u00edveis de piruvato e de lactato \u2013 os dois principais substratos energ\u00e9ticos \u2013 est\u00e3o bastante diminu\u00eddos na c\u00e9lula\u201d, conta.<\/p>\n<p>Como explica o pesquisador, lactato \u00e9 um dos subprodutos do metabolismo da glicose e o astr\u00f3cito exporta esse metab\u00f3lito para o neur\u00f4nio, que o utiliza como fonte de energia. As an\u00e1lises\u00a0<i>in vitro<\/i>\u00a0mostraram que a quantidade de lactato no meio de cultivo das c\u00e9lulas estava normal, embora estivesse reduzida em seu interior. \u201cAparentemente o astr\u00f3cito se esfor\u00e7a para manter o fornecimento do substrato energ\u00e9tico para o neur\u00f4nio em detrimento de seu pr\u00f3prio funcionamento\u201d, comenta Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Como resultado desse processo, as mitoc\u00f4ndrias dos astr\u00f3citos \u2013 organelas respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de energia \u2013 passaram a funcionar de forma alterada, o que pode influenciar os n\u00edveis cerebrais de neurotransmissores como o glutamato (que excita os neur\u00f4nios e est\u00e1 relacionado com a mem\u00f3ria e o aprendizado) e o \u00e1cido gama-aminobut\u00edrico (GABA, capaz de inibir o disparo neuronal excessivo e promover sensa\u00e7\u00e3o de calma e relaxamento).<\/p>\n<p>\u201cEm outro experimento, tentamos cultivar neur\u00f4nios nesse meio em que antes estavam sendo cultivados os astr\u00f3citos infectados e observamos que as c\u00e9lulas morrem mais do que o esperado. Ou seja, esse meio de cultivo \u2018condicionado pelos astr\u00f3citos infectados\u2019 diminuiu a viabilidade dos neur\u00f4nios\u201d, conta Martins-de-Souza.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, os achados descritos no artigo \u2013 ainda em processo de revis\u00e3o por pares \u2013 v\u00e3o ao encontro de diversos trabalhos j\u00e1 publicados, que apontaram poss\u00edveis manifesta\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e neuropsiqui\u00e1tricas da COVID-19, mas d\u00e1 um passo al\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cHavia ainda uma grande d\u00favida: a disfun\u00e7\u00e3o cerebral seria decorrente da inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica ou o v\u00edrus estaria prejudicando diretamente o funcionamento das c\u00e9lulas nervosas ao infect\u00e1-las? Nossos resultados indicam que o SARS-CoV-2 pode de fato entrar nas c\u00e9lulas cerebrais e afetar seu funcionamento\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Cunha, a pr\u00f3xima pergunta a ser respondida \u00e9 como o v\u00edrus chega ao sistema nervoso central e qual \u00e9 o mecanismo usado para entrar nos astr\u00f3citos \u2013 o que pode dar pistas para poss\u00edveis interven\u00e7\u00f5es capazes de barrar a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m pretendemos fazer experimentos com camundongos geneticamente modificados para expressar a ACE2 humana [principal prote\u00edna usada pelo v\u00edrus para infectar as c\u00e9lulas]. A ideia \u00e9 confirmar nesses animais se h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, ou seja, se a infec\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 \u00e9 capaz de induzir as altera\u00e7\u00f5es que observamos nos c\u00e9rebros dos pacientes\u201d, adianta Cunha.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/16888\/marcelo-alves-da-silva-mori\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Mori<\/a><\/strong>, professor do IB-Unicamp e integrante do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58567\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"https:\/\/www.ocrc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">OCRC<\/a><\/strong>), destaca que a pesquisa s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores com forma\u00e7\u00f5es e expertises variadas e complementares. \u201cEste \u00e9 um exemplo de que para fazer ci\u00eancia de qualidade e competitiva \u00e9 preciso aliar esfor\u00e7os interdisciplinares. \u00c9 dif\u00edcil competir internacionalmente se ficarmos apenas dentro do nosso laborat\u00f3rio, limitados \u00e0s t\u00e9cnicas que conhecemos e aos equipamentos que temos acesso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ao todo, o artigo tem 74 autores. Os experimentos foram conduzidos por quatro p\u00f3s-doutorandos:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/707375\/fernanda-crunfli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernanda Crunfli<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/710561\/flavio-protasio-veras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fl\u00e1vio P. Veras<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/74952\/victor-corasolla-carregari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Victor C. Carregari<\/a><\/strong>\u00a0e Pedro H. Vendramini.<\/p>\n<p>Tanto o OCRC quanto o CRID e o BRAINN s\u00e3o Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) financiados pela FAPESP. O apoio da Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se deu por meio de outros sete projetos:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106206\/compreensao-das-bases-moleculares-e-do-papel-dos-fatores-de-risco-na-infeccao-por-sars-cov-2-em-mode\/?q=20\/04746-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/04746-0<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/102687\/da-compreensao-basica-a-biomarcadores-clinicos-para-a-esquizofrenia-um-estudo-multidisciplinar-cent\/?q=17\/25588-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">17\/25588-1<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/103048\/emu-concedido-no-processo-201725588-1-cromatografo-acquity-uplc-i-class\/?q=19\/00098-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">19\/00098-7<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106212\/determinando-candidatos-moleculares-que-contribuem-para-o-risco-elevado-de-covid-19-em-individuos-id\/?q=20\/04919-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/04919-2<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106331\/neutrophil-extracelular-traps-nets-importancia-na-patogenese-e-potencial-alvo-terapeutico-na-covi\/?q=20\/05601-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/05601-6<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/106244\/rastreio-do-genoma-global-com-bibliotecas-de-crisprko-para-identificacao-de-fatores-essenciais-na-in\/?q=20\/04860-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">20\/04860-8<\/a><\/strong>\u00a0e\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/188610\/avaliacao-multifatorial-de-transtornos-de-ansiedade-e-depressao-em-pacientes-com-epilepsia-e-acompan\/?q=19\/11457-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">19\/11457-8<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>SARS-CoV-2 infects brain astrocytes of COVID-19 patients and impairs neuronal viability<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.09.20207464v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.10.09.20207464v1<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo brasileiro divulgado na \u00faltima ter\u00e7a-feira (13\/10) na plataforma medRxiv\u00a0comprova que o v\u00edrus SARS-CoV-2 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