{"id":135291,"date":"2020-10-12T09:00:18","date_gmt":"2020-10-12T12:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135291"},"modified":"2020-10-12T08:37:39","modified_gmt":"2020-10-12T11:37:39","slug":"energia-eolica-investimentos-bilionarios-para-o-produtivo-vento-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/energia-eolica-investimentos-bilionarios-para-o-produtivo-vento-do-brasil\/","title":{"rendered":"Energia e\u00f3lica: investimentos bilion\u00e1rios para o produtivo vento do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/energia-renovaveis.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135292\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/energia-renovaveis-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/energia-renovaveis-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/energia-renovaveis.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Brasil n\u00e3o pode se queixar da abund\u00e2ncia de recursos naturais que disp\u00f5e. Na gera\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/energia\/\"><strong>energia<\/strong><\/a>, o pa\u00eds sempre desfrutou das \u00e1guas, uma matriz renov\u00e1vel, com as\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/hidreletrica\/\"><strong>hidrel\u00e9tricas<\/strong><\/a>, por terem sido as mais vi\u00e1veis \u2014 e tamb\u00e9m as mais baratas \u2014 por d\u00e9cadas. Apesar da fartura, o Brasil j\u00e1 enfrentou graves crises de energia em sua hist\u00f3ria recente, afinal, os recursos h\u00eddricos s\u00e3o finitos, ou seja, sem planejamento e boa gest\u00e3o, em algum momento a fonte, literalmente, pode secar, como ocorreu entre 2001 e 2002, em um dos per\u00edodos mais ca\u00f3ticos de gera\u00e7\u00e3o de energia no Brasil: a crise do apag\u00e3o. A escassez de chuvas somada \u00e0 falta de organiza\u00e7\u00e3o das autoridades brasileiras deixaram o pa\u00eds completamente exposto e de m\u00e3os atadas ao iminente colapso energ\u00e9tico. \u00c0 \u00e9poca, o governo de Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a cortar 20% do consumo de eletricidade em todo pa\u00eds, e fez isso estipulando metas, aplicando puni\u00e7\u00f5es e, claro, por meio do racionamento. Sete anos depois, uma auditoria do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/tcu\/\">Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU)<\/a><\/strong>\u00a0concluiu que os apag\u00f5es el\u00e9tricos de 2001 e 2002 custaram 45,2 bilh\u00f5es de reais aos cofres p\u00fablicos. A p\u00e9ssima gest\u00e3o de energia do in\u00edcio do mil\u00eanio escancarou a necessidade de se investir em outras fontes renov\u00e1veis, abrindo um leque maior de possibilidades ao pa\u00eds para obter uma matriz energ\u00e9tica mais equilibrada, reduzindo, assim, as chances de novos apag\u00f5es. Os novos investimentos abriram espa\u00e7o para uma s\u00e9rie de alternativas, como a energia solar e a de biomassa, mas foi a\u00a0<strong>e\u00f3lica<\/strong>\u00a0que mais surpreendeu, seja pela alta efici\u00eancia, ou por tamb\u00e9m se mostrar uma op\u00e7\u00e3o economicamente bastante acess\u00edvel. Hoje, ela j\u00e1 \u00e9 a energia de menor custo no pa\u00eds e os investimentos ajudam a desenvolver regi\u00f5es mais carentes.<\/p>\n<p>Para acelerar o processo, em mar\u00e7o de 2004, a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) instituiu o Programa de Incentivo \u00e0s Fontes Alternativas de Energia El\u00e9trica (Proinfa), em que foram contratados 1,4 gigawatts (GW) de energia e\u00f3lica. Naquela \u00e9poca, a fonte ainda era cinco vezes mais cara na compara\u00e7\u00e3o com as hidrel\u00e9tricas, panorama que sofreria mudan\u00e7as significativas nos anos seguintes. Apesar do contrato ter sido considerado apenas um ponto de partida, o Brasil rapidamente alcan\u00e7ou o chamado\u00a0<em>know-how\u00a0<\/em>de energia e\u00f3lica, o que facilitou a entrada de novos investimentos e barateou o processo de instala\u00e7\u00e3o. Outro fator importante para o crescimento do setor foi a exig\u00eancia, desde a primeira contrata\u00e7\u00e3o feita com incentivos p\u00fablicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), da produ\u00e7\u00e3o ser, no m\u00ednimo, 60% nacionalizada.<\/p>\n<p>A alta produtividade do vento brasileiro aliada \u00e0 exig\u00eancia do banco de fomento atra\u00edram dezenas de empresas estrangeiras, que se instalaram definitivamente no pa\u00eds para atender a demanda pelos aerogeradores. A partir desse momento, uma s\u00e9rie de acontecimentos marcaram o crescimento do setor no pa\u00eds. Em 2009, ocorreu o primeiro leil\u00e3o de energia e\u00f3lica, que captou 9,4 bilh\u00f5es de reais em investimentos, desde ent\u00e3o, todas as contrata\u00e7\u00f5es desse tipo de fonte superaram a marca de 2 GW por ano. Dois anos depois, em meados de 2011, os aerogeradores passaram a ostentar a marca de segunda fonte de energia mais acess\u00edvel no Brasil. Em 2013, a exig\u00eancia de nacionaliza\u00e7\u00e3o passou de 60% para 80%, aumentando a gera\u00e7\u00e3o de empregos, sobretudo na regi\u00e3o Nordeste, o que barateou ainda mais a constru\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos, que, em 2017, ultrapassaram as hidrel\u00e9tricas e alcan\u00e7aram o posto de energia mais barata do pa\u00eds. A queda no pre\u00e7o \u00e9 resultado do investimento em tecnologia, todas as fontes renov\u00e1veis t\u00eam ficado mais competitivas no mercado, sobretudo a e\u00f3lica, por causa da natureza do vento brasileiro, que possui quase o dobro de produtividade em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses. Ou seja, podemos esperar fortes investimentos nos ventos brasileiros para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas das constru\u00e7\u00f5es de energia e\u00f3lica no pa\u00eds \u00e9 o arrendamento de terrenos, o que acaba elevando a renda dos pequenos propriet\u00e1rios, em vista que a atividade econ\u00f4mica no Nordeste, onde est\u00e1 instalada a maior parte dos parques e\u00f3licos, \u00e9 menor em rela\u00e7\u00e3o aos grandes centros urbanos. Com o arrendamento, esses pequenos propriet\u00e1rios passam a ter garantias durante toda a extens\u00e3o dos contratos, que duram, em m\u00e9dia, 20 anos. \u201cS\u00e3o fam\u00edlias que estavam acostumadas a receber o Bolsa Fam\u00edlia e que, agora, com o crescimento da energia e\u00f3lica, acabam se fixando nessas regi\u00f5es, gerando um efeito socioecon\u00f4mico muito relevante\u201d, explica Elbia Gannoun, presidente da\u00a0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (Abee\u00f3lica).<\/p>\n<p>A Statkraft, por exemplo, considerada a maior geradora de energia renov\u00e1vel na Europa, anunciou no \u00faltimo dia 28 a constru\u00e7\u00e3o de um novo parque e\u00f3lico em Ibipeba (BA), com previs\u00e3o de entrega at\u00e9 o final de 2023. O Ventos de Santa Eug\u00eania receber\u00e1 um investimento de 2,5 bilh\u00f5es de reais e mais que dobrar\u00e1 a capacidade instalada da empresa no Brasil, atingindo 987 megawatts (MW).\u00a0\u201cO Brasil \u00e9 provavelmente um dos pa\u00edses mais competitivos do mundo no que diz respeito a energias renov\u00e1veis. Nesse sentido, estou muito satisfeito em ver que a Statkraft \u00e9 capaz de produzir um projeto de alto n\u00edvel como este\u201d, ressalta o CEO da Statkraft no Brasil, Fernando De Lapuerta.<\/p>\n<p>Saiba logo no in\u00edcio da manh\u00e3 as not\u00edcias mais importantes sobre a pandemia do coronavirus e seus desdobramentos.\u00a0<strong>Inscreva-se aqui\u00a0<\/strong>para receber a nossa newsletter<\/p>\n<p><strong>Demanda global<\/strong><\/p>\n<p>Assim como em praticamente todos os setores da economia mundial, a pandemia de coronav\u00edrus trouxe efeitos negativos para o setor, sobretudo na demanda por energia, afinal, o mercado despencou aproximadamente 20% em meados de abril, segundo o Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), mas vem se recuperando gradualmente desde ent\u00e3o. No entanto, o momento de instabilidade certamente fez alguns investidores se retra\u00edrem e postergarem importantes decis\u00f5es. De toda forma, an\u00fancios como o da Statkraft Brasil j\u00e1 indicam uma retomada da constru\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos no pa\u00eds. \u201cA pandemia trouxe impactos de curto e m\u00e9dio prazo, que v\u00e3o se dissipar em um ou dois anos. No curto, at\u00e9 interromperam algumas obras, que agora j\u00e1 foram retomadas. A redu\u00e7\u00e3o da demanda por energia impactou os leil\u00f5es, que neste ano ser\u00e3o cancelados, porque s\u00f3 s\u00e3o realizados de acordo com a necessidade de energia, que diminuiu em 2020\u201d, analisa Gannoun. \u201cEsperamos que a partir do terceiro e do quarto ano esse fator se modifique, at\u00e9 porque a carga por energia j\u00e1 est\u00e1 nos mesmos patamares de 2019. O maior desafio do setor n\u00e3o est\u00e1 propriamente no setor, mas sim na economia brasileira, \u00e9 muito importante que o pa\u00eds volte a crescer.\u201d<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica em 2019 representou 9,7% de toda gera\u00e7\u00e3o injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN), e ampliou uma das vantagens da matriz brasileira, que, ap\u00f3s as graves crises de energia, passou a ter novas e variadas alternativas. Ou seja, quando uma fonte estiver escassa, outras poder\u00e3o compensar as eventuais perdas, equilibrando o sistema. O n\u00famero de resid\u00eancias abastecidas por energia e\u00f3lica em 2019 foi de 28,8 milh\u00f5es \u2014 ou 86,3 milh\u00f5es de habitantes. Estima-se que 22,9 milh\u00f5es de toneladas de CO2 foram evitadas, o equivalente \u00e0 emiss\u00e3o de cerca de 21,7 milh\u00f5es de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o 653 parques e\u00f3licos e 7.920 aerogeradores operando no pa\u00eds. Em setembro de 2020, a capacidade instalada era de\u00a016,68 GW, com previs\u00e3o de que at\u00e9 2024 esse n\u00famero alcance impressionantes 25,5 GW, de acordo com o InfoVento, um levantamento da Abee\u00f3lica. \u201c\u00c9 um Brasil que d\u00e1 certo\u201d, finaliza Gannoun. A empregabilidade do setor est\u00e1 fortemente associada \u00e0 expans\u00e3o da pr\u00f3pria ind\u00fastria. Os investimentos devem atingir a marca de 7 bilh\u00f5es de reais por ano, que v\u00e3o gerar energia limpa para o pa\u00eds, melhorar a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es locais e contribuir para o desenvolvimento econ\u00f4mico das regi\u00f5es em que os parques s\u00e3o constru\u00eddos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil n\u00e3o pode se queixar da abund\u00e2ncia de recursos naturais que disp\u00f5e. 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