{"id":135226,"date":"2020-10-11T10:42:31","date_gmt":"2020-10-11T13:42:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135226"},"modified":"2020-10-11T10:42:31","modified_gmt":"2020-10-11T13:42:31","slug":"populacao-de-anfibio-raro-e-em-risco-de-extincao-e-descoberta-no-sul-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/populacao-de-anfibio-raro-e-em-risco-de-extincao-e-descoberta-no-sul-da-bahia\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o de anf\u00edbio raro e em risco de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 descoberta no sul da Bahia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135227\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Lista Vermelha da IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) \u00e9 a principal refer\u00eancia do planeta no que diz respeito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. Em seu banco de registros online, que voc\u00ea pode acessar clicando aqui, h\u00e1 dados sobre uma infinidade de esp\u00e9cies que correm o risco de sumir do mapa \u2013 como a localiza\u00e7\u00e3o mais comum, os artigos cient\u00edficos que as descrevem e a quantidade estimada de indiv\u00edduos que ainda restam na natureza.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, \u00e9 poss\u00edvel puxar a ficha de esp\u00e9cies brasileiras quase desconhecidas, como o saium de coleira (Saguinus bicolor), sagui albino que vive na regi\u00e3o de Manaus, ou o pato-mergulh\u00e3o (Mergus octosetaceus), ave aqu\u00e1tica end\u00eamica do Brasil e que est\u00e1 entre as mais raras do mundo \u2013 e cuja exist\u00eancia \u00e9 considerada \u201ccriticamente amea\u00e7ada\u201d pela IUCN.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, por vezes, o sistema esbarra na falta de dados: h\u00e1 esp\u00e9cies que, de t\u00e3o raras, n\u00e3o possuem informa\u00e7\u00f5es organizadas. \u00c9 o que acontece com a Leptodactylus viridis, r\u00e3 nativa do sul da Bahia e que j\u00e1 foi encontrada tamb\u00e9m no norte de Minas Gerais. Em seu perfil no banco da IUCN, n\u00e3o d\u00e1 para saber, por exemplo, quantos exemplares ainda restam na natureza. N\u00e3o \u00e0 toa, a IUCN se limita a classificar o anf\u00edbio na categoria \u201cdados deficientes\u201d.<\/p>\n<p>Um projeto organizado por pesquisadores da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) em parceria com uma empresa da regi\u00e3o, por\u00e9m, pode ser uma chance de diminuir essa car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s um levantamento da fauna de vertebrados na regi\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica ao redor da f\u00e1brica da Avantim, companhia de cosm\u00e9ticos com sede em Ilh\u00e9us, no sul da Bahia, cientistas encontraram a maior popula\u00e7\u00e3o de L. viridis de que se tem not\u00edcia atualmente.<\/p>\n<p>Bastou uma expedi\u00e7\u00e3o de campo para que o grupo, que conta com tr\u00eas professores e dois pesquisadores da UESC, encontrasse 18 esp\u00e9cies de anf\u00edbios na \u00e1rea da f\u00e1brica. Na segunda visita, foram mais duas \u2013 e, de acordo com estimativas dos pesquisadores, h\u00e1 chances de que pelo menos 40 morem na regi\u00e3o, que soma 17 hectares.<\/p>\n<p>Nesse balaio havia desde esp\u00e9cies conhecidas, como o sapo ferreiro (Boana faber), a perereca-de-moldura (Dendropsophus elegans) ou a perereca-de-folhagem (Phyllomedusa burmeisteri), mas tamb\u00e9m bichos com distribui\u00e7\u00e3o mais restrita \u2013 como Adenomera thomei, Scinax juncae e Sphaenorhynchus prasinus, por exemplo, que n\u00e3o t\u00eam nome popular. Mas um dos barulhos que os cientistas ouviram destoava completamente do produzido por todas essas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 na primeira sa\u00edda, ficamos intrigados com um canto que n\u00e3o conhec\u00edamos. Logo descobrimos que quem o produzia era a L. viridis. Na primeira noite, conseguimos encontrar tr\u00eas indiv\u00edduos e, na segunda, mais dois\u201d, diz em entrevista \u00e0 SUPER Mirco Sol\u00e9, professor da UESC que coordena o projeto. Alem\u00e3o de nascimento, Sol\u00e9 pesquisa sapos, r\u00e3s e pererecas no Brasil h\u00e1 22 anos \u2013 e, desde ent\u00e3o, assinou a descoberta de seis novas esp\u00e9cies de anf\u00edbios nacionais in\u00e9ditas.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea, leitor da SUPER, talvez se lembre, esse trabalho come\u00e7a quando cientistas se deparam com um exemplar ex\u00f3tico durante uma visita de campo. No caso de anf\u00edbios, explica Sol\u00e9, po\u00e7as e riachos costumam ser os ambientes mais promissores.<\/p>\n<p>\u201c[Na expedi\u00e7\u00e3o ao redor da f\u00e1brica] procuramos em po\u00e7as, claro, pois \u00e9 nelas que se reproduzem a maioria dos anf\u00edbios brasileiros, mas tamb\u00e9m investigamos a serrapilheira das cabrucas (planta\u00e7\u00f5es de cacau sombreadas por \u00e1rvores nativas da Mata Atl\u00e2ntica), pois algumas esp\u00e9cies colocam ovos diretamente no ch\u00e3o da floresta\u201d, conta. Outra t\u00e9cnica comum \u00e9 o uso de gravadores para captar o canto das esp\u00e9cies \u2013 cada anf\u00edbio tem uma voz \u00fanica \u2013 forma como a L. viridis se revelou ao grupo.<\/p>\n<p>Encontrada em 1973 e descrita pela primeira vez num artigo cient\u00edfico publicado em 1979, a L. viridis costumava dar as caras na regi\u00e3o de Itagib\u00e1, sul da Bahia. Mas existe a suspeita de que a esp\u00e9cie esteja desaparecida por l\u00e1 tamb\u00e9m. \u201cEla precisa de um tipo de ambiente que est\u00e1 sumindo: po\u00e7as abertas em \u00e1reas bem pr\u00f3ximas de florestas. Inclusive, diversos especialistas t\u00eam visitado as po\u00e7as na localidade tipo em Itagib\u00e1 durante as \u00faltimas d\u00e9cadas e n\u00e3o t\u00eam mais encontrado a esp\u00e9cie por l\u00e1\u201d, diz Sol\u00e9. \u201cA po\u00e7a na Fazenda Avantim pode representar uma das \u00faltimas popula\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que que os dados reunidos ao longo do projeto permitam aos cientistas recomendar uma categoria de amea\u00e7a [da Lista Vermelha da IUCN] para esp\u00e9cie. E tamb\u00e9m colocar a L. viridis de vez no mapa de pesquisadores e ambientalistas. Para isso, um passo importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um nome popular, que aproxime o bicho ao local de onde ele vem \u2013 e facilite a comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade sobre a import\u00e2ncia de sua conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ser natural do Brasil, a L. viridis \u00e9 mais conhecida entre a comunidade cient\u00edfica como \u201cJim\u2019s white-lipped frog\u201d (r\u00e3-de-l\u00e1bios-brancos de Jim, em tradu\u00e7\u00e3o livre do ingl\u00eas). Trata-se de uma homenagem ao cientista Jorge Jim, falecido em 2011, que estava no grupo que primeiro identificou a esp\u00e9cie na natureza e teve grande contribui\u00e7\u00e3o para a herpetologia \u2013 ramo dedicado ao estudo de r\u00e9pteis e anf\u00edbios \u2013 brasileira.<\/p>\n<p>O objetivo dos pesquisadores, agora, \u00e9 que um novo nome popular, mais simples, seja escolhido por um concurso de taxonomia cidad\u00e3 \u201cno qual pessoas da regi\u00e3o participam da sugest\u00e3o de nome via redes sociais, por exemplo, e posteriormente da vota\u00e7\u00e3o\u201d, explica Sol\u00e9. Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma data para a realiza\u00e7\u00e3o do concurso, mas n\u00f3s, da SUPER, j\u00e1 temos uma dica: por que n\u00e3o aproveitar a regi\u00e3o de origem da r\u00e3 e fazer uma homenagem \u00e0 obra de Jorge Amado? Ou, ainda, uma refer\u00eancia ao cacau, fruto que gerou d\u00e9cadas de fartura ao sul da Bahia, quem sabe? Refer\u00eancias n\u00e3o faltam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lista Vermelha da IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) \u00e9 a principal<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":135227,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/anfibio.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Lista Vermelha da IUCN (Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza) \u00e9 a principal","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135226"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135226"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135226\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/135227"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}