{"id":135162,"date":"2020-10-10T10:30:57","date_gmt":"2020-10-10T13:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=135162"},"modified":"2020-10-10T07:50:33","modified_gmt":"2020-10-10T10:50:33","slug":"plantas-forrageiras-desenvolvidas-nos-ultimos-anos-trazem-mais-ganhos-para-a-pecuaria-de-corte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantas-forrageiras-desenvolvidas-nos-ultimos-anos-trazem-mais-ganhos-para-a-pecuaria-de-corte\/","title":{"rendered":"Plantas forrageiras desenvolvidas nos \u00faltimos anos trazem mais ganhos para a pecu\u00e1ria de corte"},"content":{"rendered":"<div class=\"conteudo-noticia\">\n<div class=\"noticia-detalhe\">\n<div class=\"texto-noticia\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerrado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-135164\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A pecu\u00e1ria bovina no Cerrado evoluiu para o uso predominante de pastagens cultivadas e hoje o produtor tem acesso a um maior leque de esp\u00e9cies forrageiras adaptadas aos diversos ambientes e recomendadas para diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, quando comparado o potencial produtivo das cultivares lan\u00e7adas h\u00e1 mais tempo com aquelas mais recentes desenvolvidas pela Embrapa, o resultado em ganho de peso de bovinos em recria pode ser muito diferente. Por exemplo, a BRS Paiagu\u00e1s, lan\u00e7ada em 2013, proporcionou um ganho de peso por animal 63% superior ao conseguido pela BRS Piat\u00e3 (2006) no per\u00edodo da seca, ambas cultivares de\u00a0<em>Brachiaria brizantha<\/em>. Entre cultivares de\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>, o h\u00edbrido BRS Qu\u00eania (2017) propiciou aumento de at\u00e9 18% no ganho de peso dos animais em rela\u00e7\u00e3o ao Momba\u00e7a (1993).<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados por\u00a0Gustavo Braga,\u00a0pesquisador da Embrapa Cerrados, durante uma palestra virtual. Segundo o pesquisador, os ensaios experimentais comparativos entre as cultivares foram conduzidos entre dois e tr\u00eas anos e por isso s\u00e3o dados bastante consistentes.<\/p>\n<p>Em mais uma compara\u00e7\u00e3o entre cultivares de\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>, bovinos da ra\u00e7a Nelore mantidos em pastagens de BRS Tamani apresentaram melhor desempenho (11%) em rela\u00e7\u00e3o ao capim Massai durante o per\u00edodo das \u00e1guas. Ao longo do ano, a BRS Tamani propiciou 9% a mais em ganho de peso vivo por hectare.<\/p>\n<p>Entre os novos materiais, Braga destacou as caracter\u00edsticas de cinco esp\u00e9cies desenvolvidas pela Embrapa: as cultivares de gram\u00ednea BRS Paiagu\u00e1s, BRS Ipypor\u00e3, BRS Zuri, BRS Tamani e BRS Qu\u00eania e a cultivar de leguminosa BRS Bela (<em>Stylosanthes guianensis<\/em>).<\/p>\n<p>Braga tamb\u00e9m mostrou duas \u00e1reas \u2013 uma cultivada com BRS Paiagu\u00e1s solteiro e outra com a cultivar consorciada com a BRS Bela. O ganho de peso dos bovinos em recria mantidos no cons\u00f3rcio foi cerca de 88% superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pastagem solteira durante o per\u00edodo da seca (maio a setembro). A BRS Bela \u00e9 indicada para cons\u00f3rcios com gram\u00edneas e, dentre os seus maiores benef\u00edcios, o pesquisador cita o aumento do valor nutritivo da dieta animal no per\u00edodo de d\u00e9ficit de forragem, o que impacta positivamente no desempenho animal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele explica que durante a pesquisa para o desenvolvimento de uma nova esp\u00e9cie forrageira, busca-se uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas gerais, como produ\u00e7\u00e3o, qualidade, resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as, adapta\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia, al\u00e9m de facilidade de manejo. Em casos mais espec\u00edficos, o desenvolvimento de novas forrageiras \u00e9 direcionado para caracter\u00edsticas desej\u00e1veis que incluem seu uso como capineira, silagem, sistemas agr\u00edcolas, pastagens consorciadas, bancos de prote\u00edna, entre outros.<\/p>\n<p>Dessa forma, a ado\u00e7\u00e3o de cultivares mais novas n\u00e3o traz grande impacto no custo da atividade, mas pode trazer uma grande diferen\u00e7a no desempenho do rebanho. O pesquisador explica: \u201cO custo das sementes na forma\u00e7\u00e3o ou renova\u00e7\u00e3o da pastagem \u00e9 relativamente baixo em rela\u00e7\u00e3o ao custo total, que envolve maquin\u00e1rio, m\u00e3o-de-obra, corretivos, fertilizantes, entre outros. Custo de 10% a 15% no m\u00e1ximo. Portanto, mesmo se considerarmos um maior pre\u00e7o da semente das cultivares mais novas, os ganhos produtivos com o uso dos novos materiais no decorrer dos anos compensam muito em rela\u00e7\u00e3o aos materiais mais antigos\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>As novas cultivares v\u00e3o acumulando tecnologia em suas sementes, o que pode garantir maiores ganhos para os pecuaristas. \u201cAs novas cultivares podem proporcionar um benef\u00edcio fant\u00e1stico para o setor, e foram lan\u00e7adas para atender as diferentes demandas do setor produtivo. Por outro lado, trazem mais desafios para os t\u00e9cnicos e profissionais do setor, na recomenda\u00e7\u00e3o acertada de cada cultivar para as diferentes condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias existentes\u201d, ressalta.<\/p>\n<table style=\"height: 487px;\" border=\"0\" width=\"640\" cellspacing=\"11\" cellpadding=\"11\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Conhe\u00e7a as \u00faltimas cultivares de forrageiras para pastejo desenvolvidas para o Cerrado<\/strong><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/892\/brachiaria-brizantha---brs-paiaguas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BRS Paiagu\u00e1s\u00a0<\/strong><\/a>(2013,\u00a0<em>Brachiaria bizantha<\/em>) \u2013 alta produ\u00e7\u00e3o de forragem no per\u00edodo da transi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas para a seca. \u00c9\u00a0menos exigente em fertilidade do solo, comparada \u00e0s demais cultivares da esp\u00e9cie. Pode ser cultivada em \u00e1reas com m\u00e9dia a baixa fertilidade. Uma desvantagem \u00e9 sua pouca resist\u00eancia \u00e0s cigarrinhas da pastagem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/4583\/brs-rb331-ipypora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BRS Ipypor\u00e3\u00a0<\/strong><\/a>(2017,\u00a0h\u00edbrida de\u00a0<em>Brachiaria ruziziensis\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Brachiaria brizantha<\/em>) \u2013 alta resist\u00eancia \u00e0s diferentes esp\u00e9cies de cigarrinhas da pastagem, incluindo as do g\u00eanero\u00a0<em>Mahanarva<\/em>. De porte baixo, seu estabelecimento \u00e9 mais lento, mas seu valor nutritivo \u00e9 muito elevado. \u00c9 mais exigente em fertilidade do solo comparada \u00e0s cultivares de\u00a0<em>B. brizantha<\/em>. Recomendada para solos de m\u00e9dia \u00e0\u00a0alta fertilidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/1309\/panicum-maximum---brs-zuri\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BRS Zuri<\/strong><\/a>\u00a0(2014,\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>) \u2013 excepcional em produ\u00e7\u00e3o de forragem e de alta qualidade. Supera o Tanz\u00e2nia e o Momba\u00e7a em capacidade produtiva. \u00c9 altamente responsiva a fertilizantes, apresentando um crescimento vigoroso. Recomendada para solos de m\u00e9dia \u00e0\u00a0alta fertilidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/2000\/panicum-maximum---hibrido-brs-tamani\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BRS Tamani<\/strong>\u00a0<\/a>(2015,\u00a0h\u00edbrida de\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>) \u2013 de porte baixo,\u00a0tem como principal caracter\u00edstica a facilidade de manejo, podendo ser manejada em lota\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Apresenta produ\u00e7\u00e3o de forragem mais baixa que as demais cultivares de\u00a0<em>P. maximum<\/em>, mas compensa com elevado valor nutritivo. Tamb\u00e9m \u00e9 recomendada para ovinos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/4046\/panicum-maximum---brs-quenia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>BRS Qu\u00eania<\/strong><\/a>\u00a0(2017,\u00a0h\u00edbrida de\u00a0<em>Panicum maximum<\/em>) \u2013 \u00faltima cultivar de\u00a0<em>P. maximum\u00a0<\/em>lan\u00e7ada pela Embrapa. Apresenta elevada quantidade de perfilhos e uma rela\u00e7\u00e3o folha\/haste bastante favor\u00e1vel. De porte m\u00e9dio-alto, oferece maior facilidade de manejo do que a BRS Zuri. Possui alta capacidade produtiva e elevada qualidade.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Contexto da pecu\u00e1ria no Cerrado<\/h2>\n<p>O pesquisador Gustavo Braga lembra que durante muitos anos a pecu\u00e1ria de corte no Brasil foi em parte dependente de pastagens nativas de baixa capacidade de suporte e baixo valor nutritivo. \u201cUm dos grandes motores para o aumento da produtividade foi o uso de forrageiras em pastagens cultivadas. Por isso a<\/p>\n<p>import\u00e2ncia dos programas de melhoramento gen\u00e9tico de plantas forrageiras, que d\u00e3o seguran\u00e7a ao setor\u201d, explica.<\/p>\n<p>Apesar desse aumento de produtividade, atualmente entre 5 a 6 arrobas de carca\u00e7a por hectare por ano, ela ainda \u00e9 muito baixa em rela\u00e7\u00e3o ao elevado potencial de produ\u00e7\u00e3o das cultivares de gram\u00edneas tropicais utilizadas no Pa\u00eds. Nesse sentido, o pesquisador tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia do manejo, que definir\u00e1 a qualidade da produ\u00e7\u00e3o de forragem e pode influenciar na adapta\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia do capim e at\u00e9 mesmo na sua resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O gerente-executivo da Unipasto, Marcos Roveri, que tamb\u00e9m\u00a0 participou do evento, destacou o cen\u00e1rio dos atuais 120 milh\u00f5es de hectares de pastagens cultivadas no Pa\u00eds, as quais apresentam baixa diversidade de esp\u00e9cies, sendo uma das maiores monoculturas do mundo. \u201cHoje isso traz preju\u00edzos para o Pa\u00eds, comprometendo nossa soberania quanto ao fornecimento de carne. Praticamente 90% de toda carne produzida no Pa\u00eds prov\u00e9m desses sistemas de produ\u00e7\u00e3o a pasto, com taxas vari\u00e1veis de degrada\u00e7\u00e3o\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Ele lembra que o Brasil tem o terceiro maior banco de germoplasma do planeta, com uma ampla variedade de esp\u00e9cies. Para fortalecer a agropecu\u00e1ria nacional e levar inova\u00e7\u00e3o ao setor por meio da inova\u00e7\u00e3o, Roveri destaca o papel da pesquisa para a pecu\u00e1ria brasileira: \u201cHoje temos materiais forrageiros com caracter\u00edsticas desej\u00e1veis e de excelente valor\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto que deve ser ressaltado \u00e9 o papel do melhoramento das forrageiras no contexto da mitiga\u00e7\u00e3o dos gases de efeito estufa, uma vez que a maior taxa de lota\u00e7\u00e3o, bem como o maior ganho de peso, que possibilita encurtar o tempo para o abate, e o desenvolvimento de cultivares de maior qualidade por meio da biotecnologia influenciam na quantidade de gases emitidos pela atividade pecu\u00e1ria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"unidade\">\n<p class=\"autor\"><span class=\"autor negrito\">Juliana Miura\u00a0<\/span><span class=\"codigo negrito\">(MTb 8570\/DF)<\/span><br \/>\n<span class=\"unidade\">Embrapa Cerrados<\/span><\/p>\n<p><span class=\"label\">Contatos para a imprensa<\/span><br \/>\n<span class=\"email\">cerrados.imprensa@embrapa.br<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o tema<\/strong><br \/>\nServi\u00e7o de Atendimento ao Cidad\u00e3o (SAC)<br \/>\n<a title=\"Servi\u00e7o de Atendimento ao Cidad\u00e3o (SAC)\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/fale-conosco\/sac\/\">www.embrapa.br\/fale-conosco\/sac\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"tags\">\n<h3 class=\"titulo-tags\">Encontre mais not\u00edcias sobre:<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-geral\/-\/busca\/tag\/forrageiras\/noticia\">forrageiras<\/a>,\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-geral\/-\/busca\/tag\/cultivares\/noticia\">cultivares<\/a>,\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-geral\/-\/busca\/tag\/pecuaria-no-cerrado\/noticia\">pecuaria-no-cerrado<\/a>,\u00a0\u00a0<a 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