{"id":13505,"date":"2015-01-05T11:00:57","date_gmt":"2015-01-05T11:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13505"},"modified":"2015-01-05T00:05:40","modified_gmt":"2015-01-05T00:05:40","slug":"temporal-em-sao-paulo-registra-359-raios-e-3-913-relampagos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/temporal-em-sao-paulo-registra-359-raios-e-3-913-relampagos\/","title":{"rendered":"Temporal em S\u00e3o Paulo registra 359 raios e 3.913 rel\u00e2mpagos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/raio.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13506\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/raio-300x191.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/raio-300x191.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/raio.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Baixada Santista, litoral sul de S\u00e3o Paulo. Sol de rachar e quase nenhum espa\u00e7o na areia. Um dia normal de ver\u00e3o, com grandes chances de terminar com um temporal.<\/p>\n<p>E os bombeiros precisaram ser r\u00e1pidos: &#8220;Pessoal, voc\u00eas sabem que tem uma tempestade de raios e que \u00e9 perigoso ficar aqui?\u201d, orienta a tenente Karoline Burunsizian, Corpo de Bombeiros de Guaruj\u00e1 &#8211; SP.<\/p>\n<p>\u201cEstou saindo para evitar o pior\u201d, diz um frequentador da praia.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que s\u00f3 por causa desses \u00f3bitos que deu esses dias que o pessoal saiu. Porque sen\u00e3o, eles n\u00e3o respeitariam. Eles ficaram com medo\u201d, diz a tenente.<\/p>\n<p>As mortes que assustaram os banhistas foram na \u00faltima segunda-feira (29) em Praia Grande, a 50 quil\u00f4metros do Guaruj\u00e1. Quatro pessoas da mesma fam\u00edlia foram atingidas por um raio: Zenildo, coronel aposentado da Pol\u00edcia Militar; a mulher dele, Andrea, a sobrinha do casal, K\u00e1tia, e o marido dela, Luciano.<\/p>\n<p>Era um dia de sol e praia lotada. No meio da tarde, come\u00e7ou a ventar muito e o tempo mudou. As pessoas come\u00e7aram a sair da praia, mas a fam\u00edlia do coronel aposentado ainda estava na areia e tentou se abrigar debaixo do guarda-sol. Foi nesse momento que o raio caiu. As v\u00edtimas estavam a 100 metros dos pr\u00e9dios da orla, que tem para-raios.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o de Zenildo tamb\u00e9m estava na praia: \u201cN\u00e3o escutei nada. N\u00e3o vi clar\u00e3o nenhum e os quatro ca\u00edram. Eu pensei que eles estavam brincando comigo\u201d, lembra Zacarias Peixoto, irm\u00e3o de Zenildo.<\/p>\n<p>Outras pessoas correram para ajudar, at\u00e9 a chegada do resgate mas n\u00e3o havia o que fazer.<\/p>\n<p>\u201cIsso que foi o mais assustador. Voc\u00ea est\u00e1 aqui para passar o Ano Novo, para se divertir e n\u00e3o sei o que, e voc\u00ea morre\u201d, diz Ira Costa, testemunha.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia poderia ter sido ainda maior. \u201cN\u00f3s est\u00e1vamos separados por uns quatro, mais ou menos, dessa fam\u00edlia\u201d, conta a dona de casa Jovanete Souza.<\/p>\n<p>Jovanete e a fam\u00edlia estavam na praia desde cedo e n\u00e3o queriam ir embora. \u201cQuando chovia a gente continuava na praia. Porque eu, pessoalmente, prefiro. \u00c9 muito melhor na praia sem aquele calor\u00e3o\u201d, diz Milena Garrido Souza, de 14 anos.<\/p>\n<p>S\u00f3 que naquele dia tinha alguma coisa estranha: \u201cO temporal que fechou foi muito diferente do que a gente j\u00e1 estava acostumado a ver\u201d, lembra Jovanete.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a chover dentro do guarda-sol e a fam\u00edlia resolveu ir para casa. O pai ainda esperou a m\u00e3e e as meninas irem at\u00e9 o mar tirar a areia do corpo. \u201cFoi nesse momento que o raio caiu, um barulho ensurdecedor, coisa absurda. E a sensa\u00e7\u00e3o que eu tive \u00e9 que desceu um risco de fogo neles\u201d, conta o pai L\u00e1zaro Aparecido de Souza.<\/p>\n<p>\u201cEu apaguei, eu n\u00e3o ouvi barulho, n\u00e3o ouvi clar\u00e3o, n\u00e3o ouvi nada\u201d, diz Jovanete.<\/p>\n<p>A m\u00e3e e as duas meninas foram atingidas pelo raio. Escaparam por pouco. S\u00f3 tiveram ferimentos no rosto ou maxilar. \u201c2014 pra mim, vai ser um ano a ser celebrado eternamente. Enquanto vida eu tiver, vai ser um ano em que Deus me deu a condi\u00e7\u00e3o de reviver\u201d, destaca Jovanete.<\/p>\n<p>Na madrugada daquela segunda-feira, um violento temporal j\u00e1 tinha causado destrui\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Ventos de at\u00e9 96 km\/h arrancaram 326 \u00e1rvores. Foram 359 raios e 3.913 rel\u00e2mpagos riscando os c\u00e9us, como mostram imagens in\u00e9ditas do temporal que voc\u00ea v\u00ea no v\u00eddeo acima.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o cerca de 50 milh\u00f5es de raios por ano, o que coloca nosso pa\u00eds no primeiro lugar do mundo na quantidade de raios. Ent\u00e3o, as pessoas t\u00eam que estar atentas, principalmente, no ver\u00e3o\u201d, alerta Osmar Pinto Junior, coordenador ELAT &#8211; Grupo de Eletricidade Atmosf\u00e9rica\/Inpe.<\/p>\n<p>Na praia, a tenente do Corpo de Bombeiros diz o que fazer quando o tempo fecha: \u201cSaia da praia, saia do mar. N\u00e3o s\u00f3 da \u00e1gua, mas saia da praia tamb\u00e9m e procure um lugar seguro\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Nunca debaixo de um guarda-sol, como fez a fam\u00edlia que morreu em Praia Grande.<\/p>\n<p>\u201cO guarda-sol \u00e9 uma coisa pontiaguda e que tem uma estrutura met\u00e1lica em geral. Ent\u00e3o, o raio vinha caindo pr\u00f3ximo ao local e desviou em rela\u00e7\u00e3o ao guarda-sol. Outra coisa tamb\u00e9m importante nesse caso \u00e9: por que aconteceu uma trag\u00e9dia? Porque as pessoas estavam agrupadas. Evite de ficar em grupos\u201d, orienta Osmar.<\/p>\n<p>Alexandre Piantini, professor da Universidade De s\u00e3o Paulo, explica por que os para-raios da orla n\u00e3o protegeram as fam\u00edlias. \u201cO objetivo dos para-raios \u00e9 proteger as instala\u00e7\u00f5es onde eles est\u00e3o instalados. N\u00e3o \u00e9 que o para-raios falhou, a fun\u00e7\u00e3o dele n\u00e3o \u00e9 proteger o que est\u00e1 fora\u201d, avalia o professor de Engenharia El\u00e9trica &#8211; POLI\/USP.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, qual \u00e9 o jeito mais seguro de se proteger dos raios? \u201cBuscar abrigo em um lugar seguro, um shopping center, um pr\u00e9dio grande, escola\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>Ficar dentro do carro \u00e9 seguro? \u201cSim, as pessoas devem ficar com os vidros fechados e sem tocar nas partes met\u00e1licas do carro\u201d, ensina Piantini.<\/p>\n<p>E cal\u00e7ado de borracha, protege mesmo? \u201cSe a pessoa estiver de chinelo, ou sapato de borracha, a corrente que vai passar atrav\u00e9s do corpo, vai ser menor. Ou seja, vai diminuir o risco de um acidente mais grave\u201d, explica o professor.<\/p>\n<p>E dentro de casa? \u201cDentro de uma resid\u00eancia ainda existem riscos. N\u00e3o fale ao telefone com fio, n\u00e3o fique conectado ou tocando nenhum objeto ligado \u00e0 rede el\u00e9trica.\u201d, explica Osmar Pinto Junior.<\/p>\n<p>\u201cEvitar ficar pr\u00f3ximo a janelas, tomadas, l\u00e2mpadas, torneiras, n\u00e3o lavar prato quando est\u00e1 chovendo. S\u00e3o dicas para diminuir o n\u00famero de acidentes\u201d, orienta Piantini.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que a gente escuta todo tipo de gra\u00e7a, inclusive: \u2018se eu tiver que morrer vou morrer, e eu n\u00e3o vou sair daqui\u2019&#8221;, diz a tenente do Corpo de Bombeiros.<\/p>\n<p>\u201cAntes de come\u00e7ar a chover a gente n\u00e3o vai sair n\u00e3o\u201d, avisou o jovem Bruno \u00e0 tenente na praia.<\/p>\n<p>Era o que pensavam m\u00e3e e filhas atingidas pelo raio na segunda-feira.<\/p>\n<p>\u201cIsso mesmo que a gente pensa, fala: \u2018um raio pode atingir qualquer lugar, imagina que vai cair em cima de mim?\u2019 Ent\u00e3o hoje a gente j\u00e1 pensa diferente: um raio pode cair em cima de mim, como pode cair em cima de qualquer uma pessoa\u201d, diz Jovanete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baixada Santista, litoral sul de S\u00e3o Paulo. 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