{"id":134992,"date":"2020-10-06T15:00:18","date_gmt":"2020-10-06T18:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134992"},"modified":"2020-10-06T10:59:43","modified_gmt":"2020-10-06T13:59:43","slug":"exclusiva-retamane-uniao-pela-conservacao-de-tartarugas-marinhas-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/exclusiva-retamane-uniao-pela-conservacao-de-tartarugas-marinhas-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Exclusiva &#8211; Retamane, uni\u00e3o pela conserva\u00e7\u00e3o de tartarugas marinhas no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-4836\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"192\" \/><\/a>Por Rita Mascarenhas*<\/p>\n<p>Tartarugas marinhas ocupam o litoral brasileiro como \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e abrigo. De norte a sul, nos 8 mil quil\u00f4metros de costa, encontram-se cinco das sete esp\u00e9cies viventes de tartarugas marinhas no mundo.<\/p>\n<p>Esses animais encontram-se em v\u00e1rias categorias de amea\u00e7as antr\u00f3picas \u00e0 sua sobreviv\u00eancia, de acordo com a uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN) e em listas nacional e regionais \u2013 Livro Vermelho de Fauna Amea\u00e7ada (IBAMA).<\/p>\n<p>Os primeiros trabalhos para prote\u00e7\u00e3o desses animais em territ\u00f3rio brasileiro datam dos finais dos anos de 1980 com a funda\u00e7\u00e3o do Centro TAMAR &#8211; de Conserva\u00e7\u00e3o de Tartarugas Marinhas, um dos centros de prote\u00e7\u00e3o de fauna do ICMBio. Ocupando cerca de mil quil\u00f4metros de costa em pontos chave do litoral, pelo TAMAR, restam, todavia, muitos quil\u00f4metros para serem monitorados e refor\u00e7ar as a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s tartarugas marinhas e seus ambientes.<\/p>\n<p>As atividades reprodutivas s\u00e3o vinculadas \u00e0s praias onde os ver\u00f5es s\u00e3o calorosos, com praias formadas por enseadas abertas e pr\u00f3ximas a arrecifes de corrais. Sendo assim, o Nordeste brasileiro, somado ao litoral do Esp\u00edrito Santo e parte do litoral fluminense, \u00e9 o grande bols\u00e3o de reprodutivo dessas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, surgem novas iniciativas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s tartarugas marinhas na costa nordestina, organiza\u00e7\u00f5es civis, centros de pesquisa e universidades, geralmente\u00a0 baseadas no trabalho volunt\u00e1rio, em praticamente todos os estados da regi\u00e3o passaram a ampliar e fortalecer a conserva\u00e7\u00e3o e conhecimento da biologia e distribui\u00e7\u00e3o das cinco esp\u00e9cies presentes no Brasil.<\/p>\n<p>Novas praias identificadas como de desovas, resultam em conhecimento de novas popula\u00e7\u00f5es ou subpopula\u00e7\u00f5es de cada esp\u00e9cie, maior n\u00famero de neonatos nascidos a cada esta\u00e7\u00e3o reprodutiva, dando uma dimens\u00e3o mais real da import\u00e2ncia do Brasil para a continuidade da exist\u00eancia de tartarugas marinhas no planeta.<\/p>\n<p>Dada essa import\u00e2ncia, essas institui\u00e7\u00f5es ao longo da costa do Nordeste se unem em forma de rede, de modo a trabalhar em constante interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es, t\u00e9cnicas de manejo e pesquisas, fortalecendo o objetivo comum de manuten\u00e7\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o como \u00e1rea de reprodu\u00e7\u00e3o de tartarugas marinhas.<\/p>\n<p>Essa rede fundada em 2012, recebe o nome de RETAMANE \u2013 Rede de Conserva\u00e7\u00e3o de Tartarugas Marinhas do Nordeste.\u00a0 A REDE possui uma coordena\u00e7\u00e3o bianual. A forma\u00e7\u00e3o inicial conta com nove institui\u00e7\u00f5es (Mapa 1), onde se pode observar que mais que o dobro de territ\u00f3rio passou a ser monitorado \u00e0 partir de 2012.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/retamane.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-134993\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/retamane.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/retamane.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/retamane-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Atualmente s\u00e3o 13 institui\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e a Rede e, portanto, o espa\u00e7o territorial do litoral do Nordeste brasileiro protegido no que tange \u00e0s tartarugas marinhas \u00e9 aproximadamente 4 vezes maior que os anteriores mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>1- Associa\u00e7\u00e3o Guajiru &#8211; Para\u00edba<\/p>\n<p>2- APC Cabo de S\u00e3o Roque &#8211; Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>3- Ecoassociados &#8211; Pernambuco<\/p>\n<p>4-Funda\u00e7\u00e3o Centro Brasileiro de Prote\u00e7\u00e3o e Pesquisa das Tartarugas Marinhas \u2013 Pr\u00f3-Tamar \u2013 Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Cear\u00e1, e Fernando de Noronha<\/p>\n<p>5-ICMBio &#8211; Reserva Biol\u00f3gica do Atol das Rocas \u2013 Arquip\u00e9lago\u00a0 de Atol das Rocas<\/p>\n<p>6-Instituto Biota de Conserva\u00e7\u00e3o &#8211; Alagoas<\/p>\n<p>7-Instituto Tartarugas do Delta &#8211; Piau\u00ed<\/p>\n<p>8-NUMAR \u2013 Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>9-Oce\u00e2nica \u2013 Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>10- PAT- Ecosmar &#8211; Sul da Bahia<\/p>\n<p>11-UFAL \/ Laborat\u00f3rio de Ictiologia e Conserva\u00e7\u00e3o e Laborat\u00f3rio de Biologia Marinha e Conserva\u00e7\u00e3o UFRN \/ Laborat\u00f3rio de Morfofisiologia de Vertebrados &#8211; Alagoas<\/p>\n<p>12-UERN \/ PCCB \u2013 Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>13-UFRPE \/ Laborat\u00f3rio Interdisciplinar de Anf\u00edbios e R\u00e9pteis e Laborat\u00f3rio de Estudos Herpetol\u00f3gicos e Paleoherpetol\u00f3gicos \u2013 Pernambuco<\/p>\n<p>Com as atividades coordenadas da RETAMANE, podemos listar os seguintes resultados de forma geral:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tartaruga.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-134994\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tartaruga.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tartaruga.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/tartaruga-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>1- a tartaruga de pente apresenta desovas em abund\u00e2ncia em 5 estados do Nordeste (Bahia, Alagoas, Pernambuco, Para\u00edba e Rio Grande do Norte, destacando que na Para\u00edba s\u00e3o atividades registradas em praias urbanizadas o que requer manejo diferenciado e suma import\u00e2ncia para entender o comportamento desses animais face a altera\u00e7\u00f5es de seu ambiente natural, podendo ainda ser uma popula\u00e7\u00e3o distinta nessa regi\u00e3o sem a presen\u00e7a de h\u00edbridos;<\/p>\n<p>2- A tartaruga oliva tem Sergipe como bols\u00e3o principal de desova, mas apresenta um n\u00famero significativo de desovas em Alagoas, o que amplia sua \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o e assim compreende-se que a popula\u00e7\u00e3o reprodutiva no Brasil \u00e9 maior que o anteriormente conhecido;<\/p>\n<p>3- A tartaruga de couro s\u00f3 apresentava registro de desovas para o Esp\u00edrito Santo e com as atividades do Grupo Tartarugas do Delta no Piaui, revela-se uma outra popula\u00e7\u00e3o desses animais extremamente raros em territ\u00f3rio brasileiro. O que significa que h\u00e1 popula\u00e7\u00f5es distintas dessa esp\u00e9cie em atividade reprodutiva.<\/p>\n<p>4- A tartaruga cabe\u00e7uda segue com seu principal local de reprodu\u00e7\u00e3o o litoral da Bahia, entretanto apresenta desovas em n\u00famero menor, mas constantes em outros locais do litoral.<\/p>\n<p>5- A tartaruga verde provavelmente \u00e9 a esp\u00e9cie mais conhecida ao longo de toda a costa nordestina, bastante costeira, alimenta-se de bancos de algas muito pr\u00f3ximos das praias, s\u00e3o bastante avistadas e t\u00eam, no Nordeste, importantes locais em atividades n\u00e3o reprodutivas e seus registros reprodutivos seguem sendo as ilhas oce\u00e2nicas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A RETAMANE \u00e9 um exemplo de que esfor\u00e7os conjuntos e podem trazer, em m\u00e9dio e longo prazo, resultados bastante positivos pra a conserva\u00e7\u00e3o, seja diretamente pela atua\u00e7\u00e3o em monitoramentos de praias e oceanos, seja pela produ\u00e7\u00e3o de documentos, publica\u00e7\u00f5es, reinvindica\u00e7\u00f5es de medidas legais e produtos t\u00e9cnicos elaborados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Rita Mascarenhas \u00e9 doutora em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, presidente Retamane 2019-2021 e coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas &#8211; Ong Guajiru<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rita Mascarenhas* Tartarugas marinhas ocupam o litoral brasileiro como \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4836,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rita_mascarenhas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Rita Mascarenhas* Tartarugas marinhas ocupam o litoral brasileiro como \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134992"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134992\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}