{"id":134971,"date":"2020-10-06T12:00:39","date_gmt":"2020-10-06T15:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134971"},"modified":"2020-10-06T08:47:18","modified_gmt":"2020-10-06T11:47:18","slug":"pesquisadores-reconstituem-epidemia-de-febre-amarela-em-sao-paulo-por-meio-de-tecnicas-genomicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-reconstituem-epidemia-de-febre-amarela-em-sao-paulo-por-meio-de-tecnicas-genomicas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores reconstituem epidemia de febre amarela em SP por meio de t\u00e9cnicas gen\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134972\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Normalmente restrito \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o v\u00edrus da febre amarela circulou de forma at\u00edpica no Sudeste do pa\u00eds entre 2016 e 2018, causando as maiores epidemia e epizootia das \u00faltimas d\u00e9cadas. Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em todo o Brasil, foram confirmados no per\u00edodo ao menos 2.251 casos da doen\u00e7a em humanos e outros 1.567 em macacos.<\/p>\n<p>No Estado de S\u00e3o Paulo, de acordo com um estudo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1008699\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong>\u00a0na revista\u00a0<i>PLOS Pathogens<\/i>, ocorreram tr\u00eas ondas epid\u00eamicas\/epizo\u00f3ticas nesses anos, causadas por linhagens distintas do v\u00edrus. Na primeira, entre julho de 2016 e janeiro de 2017, o pat\u00f3geno entrou pelo norte do Estado, provavelmente vindo de Minas Gerais, e se disseminou principalmente em cidades como S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto e Ribeir\u00e3o Preto. A segunda, um pouco mais intensa, come\u00e7ou em fevereiro de 2017 e durou at\u00e9 junho do mesmo ano, abrangendo desde a fronteira de Minas Gerais com Po\u00e7os de Caldas at\u00e9 a regi\u00e3o de Campinas. O maior n\u00famero de casos, por\u00e9m, foi registrado durante a terceira onda: entre julho de 2017 e fevereiro de 2018. Depois de chegar \u00e0 capital, o v\u00edrus se disseminou para o Vale do Para\u00edba, ao norte, e para o Vale do Ribeira, ao sul, encontrando cidades com alta densidade populacional e baixo \u00edndice de vacina\u00e7\u00e3o, tornando-se um relevante problema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es, descritas no peri\u00f3dico por um grupo internacional de pesquisadores\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/https\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/103130\/centro-conjunto-brasil-reino-unido-para-descoberta-diagnostico-genomica-e-epidemiologia-de-arbovir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/strong>, se baseiam na an\u00e1lise gen\u00f4mica de 51 isolados virais extra\u00eddos tanto de mosquitos coletados nas \u00e1reas afetadas como de macacos que morreram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a e foram encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz (IAL) por equipes do Centro de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica (CVE).<\/p>\n<p>\u201cCom base na distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e temporal dos casos em primatas n\u00e3o humanos e tamb\u00e9m em an\u00e1lises filogen\u00e9ticas [estudo das muta\u00e7\u00f5es no genoma viral que levam ao surgimento de novas linhagens] e filogeogr\u00e1ficas [estudo dos processos que determinaram a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das diferentes linhagens], foi poss\u00edvel identificar os momentos em que o v\u00edrus entrou no Estado de S\u00e3o Paulo, a taxa e a dire\u00e7\u00e3o de propaga\u00e7\u00e3o e todos os desdobramentos dessa circula\u00e7\u00e3o\u201d, conta \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>\u00a0Renato de Souza, pesquisador do IAL e um dos autores principais do artigo.<\/p>\n<p>Tamanho grau de detalhamento na descri\u00e7\u00e3o de uma epidemia s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao uso de uma tecnologia de sequenciamento conhecida como MinION, explica Souza. Por ser port\u00e1til, r\u00e1pida e barata, a plataforma permite o monitoramento dos casos em tempo real, no local em que est\u00e3o ocorrendo.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia foi usada no Brasil pela primeira vez em 2016, para descrever a trajet\u00f3ria percorrida pelo v\u00edrus zika nas Am\u00e9ricas (<i>leia mais em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/25356\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agencia.fapesp.br\/25356\/<\/a><\/strong><\/i>). Mais recentemente, tem auxiliado pesquisadores do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagn\u00f3stico, Gen\u00f4mica e Epidemiologia de Arbov\u00edrus (CADDE) a monitorar a evolu\u00e7\u00e3o da COVID-19 no Brasil. O projeto \u00e9 coordenado pelos pesquisadores\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3785\/ester-cerdeira-sabino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ester Sabino<\/a><\/strong>\u00a0(Universidade de S\u00e3o Paulo) e Nuno Faria (Universidade de Oxford, Reino Unido) e tem apoio da FAPESP, do Medical Research Council e do Fundo Newton (os dois \u00faltimos do Reino Unido).<\/p>\n<p><b>Hospedeiro acidental<\/b><\/p>\n<p>O v\u00edrus da febre amarela circula de forma permanente na Amaz\u00f4nia e, eventualmente, encontra um conjunto de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis que lhe permite escapar. Para isso, explica Souza, \u00e9 preciso haver o encontro de uma popula\u00e7\u00e3o do mosquito vetor com uma popula\u00e7\u00e3o de primatas silvestres densa o suficiente para manter a cadeia de transmiss\u00e3o ao menos por um per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cEssa expans\u00e3o n\u00e3o \u00e9 permanente. Ap\u00f3s um tempo o v\u00edrus perde a capacidade de circular naquele ambiente e s\u00f3 volta se for reintroduzido. Entre 2016 e 2018 ocorreu uma expans\u00e3o sem precedentes da \u00e1rea de circula\u00e7\u00e3o. O v\u00edrus encontrou um momento \u00f3timo, conseguiu se disseminar entre os primatas silvestres da Serra da Mantiqueira e chegar \u00e0 regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Parque Zool\u00f3gico de S\u00e3o Paulo, na capital. Pode ser que isso aconte\u00e7a de novo daqui a alguns anos, quando as popula\u00e7\u00f5es de primatas nesses locais voltarem a alcan\u00e7ar um \u00f3timo populacional\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Do ponto de vista epidemiol\u00f3gico, explica Souza, o que ocorreu no per\u00edodo foi um surto de febre amarela silvestre. Isso porque, apesar do grande n\u00famero de casos entre humanos, a transmiss\u00e3o se deu exclusivamente por meio de mosquitos silvestres, como os g\u00eaneros\u00a0<i>Haemagogus<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Sabethes<\/i>, e fora do ambiente urbano.<\/p>\n<p>\u201cNesse caso, a exposi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 acidental. A penetra\u00e7\u00e3o cada vez maior do homem no ambiente silvestre foi um dos fatores que contribu\u00edram\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Caso fosse estabelecida uma estrutura de transmiss\u00e3o urbana, por meio de mosquitos\u00a0<i>Aedes aegypti<\/i>, a incid\u00eancia da doen\u00e7a seria ainda maior, equivalente \u00e0 que se observa nas epidemias de dengue, explica Souza.<\/p>\n<p>\u201cO grande problema \u00e9 que a estrutura de transmiss\u00e3o silvestre est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3xima das cidades. E isso aumenta o risco de ocorrer a introdu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no contexto urbano\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Monitorar a circula\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno em popula\u00e7\u00f5es de macacos tem sido apontada como uma estrat\u00e9gia eficaz de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, que permite identificar precocemente regi\u00f5es em risco e planejar estrat\u00e9gias de controle, como campanhas de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUma estrat\u00e9gia de vigil\u00e2ncia que se baseia somente no monitoramento de casos em humanos detecta apenas 20% dos infectados, que \u00e9 a parcela dos sintom\u00e1ticos. Haver\u00e1, portanto, muita subnotifica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 entre os macacos, h\u00e1 esp\u00e9cies em que 90% dos indiv\u00edduos desenvolvem sintomas e morrem ap\u00f3s contrair a doen\u00e7a. Monitor\u00e1-los permite identificar a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ainda em fase inicial, a tempo de implementar programas de combate\u201d, afirma Souza.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Genomic Surveillance of Yellow Fever Virus Epizootic in S\u00e3o Paulo, Brazil, 2016 \u2013 2018<\/i>\u00a0pode ser lido em\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1008699\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1008699<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente restrito \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o v\u00edrus da febre amarela circulou de forma at\u00edpica no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134972,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/macaco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Normalmente restrito \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o v\u00edrus da febre amarela circulou de forma at\u00edpica no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}