{"id":134818,"date":"2020-10-03T13:30:40","date_gmt":"2020-10-03T16:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134818"},"modified":"2020-10-03T10:38:16","modified_gmt":"2020-10-03T13:38:16","slug":"por-que-nao-e-possivel-saber-precisamente-quantos-leoes-vivem-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-nao-e-possivel-saber-precisamente-quantos-leoes-vivem-na-africa\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber precisamente quantos le\u00f5es vivem na \u00c1frica?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-1psdhlm\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134819\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Contar le\u00f5es \u00e9 uma tarefa para l\u00e1 de complicada, mas um novo m\u00e9todo promete informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas e precisas, segundo cientistas.<\/h2>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de le\u00f5es est\u00e1 passando por um decl\u00ednio impressionante. Nos \u00faltimos 120 anos, eles desapareceram de mais de 90%\u00a0de sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia hist\u00f3rica na \u00c1frica. E,\u00a0somente nos \u00faltimos quinze anos, a popula\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/animais\/2019\/07\/o-leao-ainda-e-rei-numero-desses-felinos-reduziu-pela-metade-em-25-anos\">caiu quase pela metade.<\/a><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, fica a pergunta: quantos le\u00f5es ainda existem no continente africano? A resposta \u00e9 incrivelmente confusa. A estimativa mais difundida \u00e9 a de 20 mil indiv\u00edduos, por\u00e9m diversos pesquisadores especializados n\u00e3o se sentem muito confort\u00e1veis com esse n\u00famero.<\/p>\n<p>Ele se \u201cbaseia principalmente em palpites, n\u00e3o no trabalho cient\u00edfico\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.zoo.ox.ac.uk\/people\/dr-nic-elliot\">Nic Elliot<\/a>, pesquisador especializado em le\u00f5es da Universidade de Oxford. \u201cN\u00f3s n\u00e3o sabemos quantos le\u00f5es existem na \u00c1frica.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-2.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-2.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pesquisadores e guardas florestais instalam um colar de rastreamento em um le\u00e3o do Parque Nacional Rainha ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-2.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Pesquisadores e guardas florestais instalam um colar de rastreamento em um le\u00e3o do Parque Nacional Rainha ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Pesquisadores e guardas florestais instalam um colar de rastreamento em um le\u00e3o do Parque Nacional Rainha Elizabeth. Os colares transmitem informa\u00e7\u00f5es da movimenta\u00e7\u00e3o dos le\u00f5es, ajudando a evitar conflitos com os pecuaristas; esses dados tamb\u00e9m orientam outras pesquisas de monitoramento das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>A contagem dos le\u00f5es \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil: por serem popula\u00e7\u00f5es de baixa densidade, s\u00e3o animais ativos principalmente \u00e0 noite, camuflam-se no ambiente e, \u00e0s vezes, escondem-se dos humanos, principalmente nas \u00e1reas onde a ca\u00e7a ilegal \u00e9 comum.<\/p>\n<p>Cont\u00e1-los com precis\u00e3o, contudo, \u00e9 algo essencial. Para que a conserva\u00e7\u00e3o seja eficaz, s\u00e3o necess\u00e1rias estimativas confi\u00e1veis e frequentes da popula\u00e7\u00e3o, porque esses n\u00fameros oferecem dimens\u00e3o da extens\u00e3o, urg\u00eancia e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do decl\u00ednio de uma esp\u00e9cie \u2014 e suas poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso saber se h\u00e1 um problema e qual seria esse problema antes que possamos solucion\u00e1-lo, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.alexanderbraczkowski.com\/\">Alexander Braczkowski<\/a>, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Resili\u00eancia na Conserva\u00e7\u00e3o da Griffith University, em Queensland, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Existe uma t\u00e9cnica relativamente nova que pode indicar os sinais de risco com mais efic\u00e1cia e estimar as popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es de forma mais precisa, argumentam Elliot, Braczkowski e outros cientistas em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fevo.2020.00138\/full\">artigo publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Frontiers in Ecology and Evolution.<\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>A t\u00e9cnica denominada\u00a0<em>modelo espacialmente expl\u00edcito de captura-recaptura\u00a0<\/em>(SECR) j\u00e1 \u00e9 utilizada de forma rotineira na contagem de outras esp\u00e9cies de grandes felinos. Essa t\u00e9cnica utiliza observa\u00e7\u00f5es de campo para gerar um retrato detalhado da dimens\u00e3o estimada, densidade e padr\u00f5es de movimento de uma popula\u00e7\u00e3o, afirma Braczkowski. Al\u00e9m disso, ela pode permitir que os cientistas acompanhem os trajetos das popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es com um n\u00edvel de detalhes que n\u00e3o costuma ser poss\u00edvel com m\u00e9todos mais antigos.<\/p>\n<p>Sua populariza\u00e7\u00e3o entre os pesquisadores, contudo, tem sido lenta. O m\u00e9todo demanda mais tempo e somente funciona com popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es distintas que possam ser fotografadas, segundo pesquisadores cr\u00edticos do m\u00e9todo.<\/p>\n<p>N\u00e3o utilizar o SECR, no entanto, \u00e9 uma \u201coportunidade perdida\u201d, afirmam Baczkowski, Elliot e outros colegas no artigo. Os m\u00e9todos mais tradicionais \u201ccostumam produzir tend\u00eancias falsas da din\u00e2mica das popula\u00e7\u00f5es de le\u00f5es, podendo atrapalhar os investimentos em conserva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-5.jpg?w=768&amp;h=533\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-5.jpg?w=1024&amp;h=710\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Um jovem le\u00e3o devorando um inhacoso aciona uma c\u00e2mera camuflada remota. Com a coleta de fotos ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-5.jpg?w=710&amp;h=492\" alt=\"Um jovem le\u00e3o devorando um inhacoso aciona uma c\u00e2mera camuflada remota. Com a coleta de fotos ...\" width=\"639\" height=\"443\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Um jovem le\u00e3o devorando um inhacoso aciona uma c\u00e2mera camuflada remota. Com a coleta de fotos em alta resolu\u00e7\u00e3o dos rostos dos le\u00f5es, cada um deles com vibrissas \u00fanicas, os pesquisadores podem construir um banco de dados que lhes permita identificar le\u00f5es individuais \u2014 algo crucial ao bom funcionamento do SECR.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-6.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-6.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Filhotes de seis meses descansam em uma \u00e1rvore. Embora os cientistas discordem em rela\u00e7\u00e3o aos melhores ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-6.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Filhotes de seis meses descansam em uma \u00e1rvore. Embora os cientistas discordem em rela\u00e7\u00e3o aos melhores ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Filhotes de seis meses descansam em uma \u00e1rvore. Embora os cientistas discordem em rela\u00e7\u00e3o aos melhores m\u00e9todos de contagem dos le\u00f5es, todos concordam em uma coisa \u2014 h\u00e1 um decl\u00ednio desses animais e n\u00e3o podemos permitir isso.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Trilhas sonoras e pegadas<\/strong><\/h3>\n<p>Nos anos 1970 e 1980, era pr\u00e1tica comum dos pesquisadores atrair os le\u00f5es com iscas para depois imobiliz\u00e1-los com dardos tranquilizantes e marc\u00e1-los a ferro quente, para indicar a contagem do indiv\u00edduo e monitor\u00e1-lo no futuro.<\/p>\n<p>\u201cEssa t\u00e9cnica continua sendo uma das melhores para o levantamento em uma \u00e1rea relativamente limitada, por\u00e9m, atualmente, ela tende a ser rejeitada\u201d, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Paul_Funston\">Paul Funston<\/a>, que realiza pesquisas em le\u00f5es pela Panthera, organiza\u00e7\u00e3o global de conserva\u00e7\u00e3o de felinos selvagens.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos mais comuns hoje em dia s\u00e3o levantamentos realizados por chamadas sonoras e a contagem de pegadas. O primeiro consiste em dirigir at\u00e9 a mata e, por meio de um alto-falante, executar sons de uma esp\u00e9cie que seja uma presa, como o b\u00fafalo\u2011africano \u2014 e anotar quantos le\u00f5es aparecem. O segundo consiste em contar as pegadas de le\u00f5es ao longo de um conjunto de transectos.<\/p>\n<p>Embora ambas as t\u00e9cnicas sejam baratas e possam ser utilizadas em uma \u00e1rea ampla, s\u00e3o \u201c<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/ece3.6065\">bastante imprecisas<\/a>,\u201d declara\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wildcru.org\/members\/dr-andrew-loveridge\/\">Andrew Loveridge<\/a>, especialista em le\u00f5es da Unidade de Pesquisa em Conserva\u00e7\u00e3o da Fauna de Oxford.<\/p>\n<p>\u201cAmbos os m\u00e9todos apresentam graves falhas metodol\u00f3gicas e, do ponto de vista estat\u00edstico, s\u00e3o bem inconsistentes\u201d, diz Elliot. Com esses m\u00e9todos, pode haver contagens duplicadas de le\u00f5es, sendo necess\u00e1rio realizar suposi\u00e7\u00f5es, afirma ele, como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia de alcance do som e \u00e0 probabilidade de resposta dos le\u00f5es, ou sobre a movimenta\u00e7\u00e3o dos le\u00f5es em seu\u00a0<em>habitat<\/em>.<\/p>\n<p>Por outro lado, Frans Radloff, ecologista da Universidade de Tecnologia da Pen\u00ednsula do Cabo, na \u00c1frica do Sul, defende seu uso em determinadas circunst\u00e2ncias \u2014 assim como Funston. Quando realizados de forma correta, por exemplo, em \u00e1reas de ocorr\u00eancia frequente de pegadas de le\u00f5es,\u00a0<a href=\"https:\/\/bioone.org\/journals\/African-Journal-of-Wildlife-Research\/volume-47\/issue-1\/056.047.0010\/Estimating-African-Lion-Abundance-in-the-Southwestern-Kgalagadi-Transfrontier-Park\/10.3957\/056.047.0010.short\">eles permitem estimativas razo\u00e1veis da ocorr\u00eancia desses animais<\/a>, afirma Radloff.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-3.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-3.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Filhote de le\u00e3o sentado em um galho de candelabro (Euphorbia), no Parque Nacional Rainha Elizabeth. A ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-3.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Filhote de le\u00e3o sentado em um galho de candelabro (Euphorbia), no Parque Nacional Rainha Elizabeth. A ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Filhote de le\u00e3o sentado em um galho de candelabro (<em>Euphorbia<\/em>), no Parque Nacional Rainha Elizabeth. A partir de 2017, utilizando um m\u00e9todo relativamente novo de contagem de le\u00f5es denominado\u00a0<em>modelo espacialmente expl\u00edcito de captura-recaptura<\/em>\u00a0(ou, na sigla em ingl\u00eas, SECR), os pesquisadores calcularam que a popula\u00e7\u00e3o da \u00e1rea era de 71 indiv\u00edduos \u2014 mais baixa que as estimativas anteriores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-4.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-4.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Uma leoa observa uma poss\u00edvel presa. Com os dados fornecidos pelo m\u00e9todo SECR, os pesquisadores agora ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/lions-uganda-4.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Uma leoa observa uma poss\u00edvel presa. Com os dados fornecidos pelo m\u00e9todo SECR, os pesquisadores agora ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Uma leoa observa uma poss\u00edvel presa. Com os dados fornecidos pelo m\u00e9todo SECR, os pesquisadores agora sabem que os le\u00f5es e leoas do parque precisam deslocar-se mais para encontrar alimentos, dada a redu\u00e7\u00e3o da base de presas desses animais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Reconhecimento individual<\/strong><\/h3>\n<p>Elliot e Braczkowski alegam que o SECR \u00e9 melhor por ser mais preciso e menos propenso \u00e0 super ou subestima\u00e7\u00e3o, e por permitir que os cientistas construam um quadro fluido e progressivo de uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que ele funcione bem, contudo, os cientistas precisam de uma maneira de reconhecer animais individuais, afirma Braczkowski, que tamb\u00e9m \u00e9 Explorador da National Geographic. Com os tigres, por exemplo, cada um tem um padr\u00e3o \u00fanico de listras, o que permite aos pesquisadores diferenci\u00e1-los com mais rapidez. No caso dos le\u00f5es, os pesquisadores fotografam indiv\u00edduos \u2014 seja com um ve\u00edculo ou por meio de c\u00e2meras camufladas \u2014 e estudam seus rostos em busca de marcas que os distingam.<\/p>\n<p>Depois que os pesquisadores montarem um grande cat\u00e1logo de imagens de GPS com o passar do tempo, a t\u00e9cnica de modelagem do SECR utiliza essas informa\u00e7\u00f5es para estimar de forma matem\u00e1tica a densidade populacional, a popula\u00e7\u00e3o total e outros par\u00e2metros.<\/p>\n<p>O SECR foi utilizado com sucesso in\u00fameras vezes na contagem de le\u00f5es. Por exemplo, em 2017 e 2018, Braczkowski juntou-se a Musta Nsubuga, bi\u00f3logo da Wildlife Conservation Society, e outros para estimarem os n\u00fameros de le\u00f5es da \u00c1rea de Conserva\u00e7\u00e3o Rainha Elizabeth, em Uganda. Ao longo de tr\u00eas meses, eles percorreram cerca de oito mil quil\u00f4metros da \u00e1rea, tirando fotos dos rostos dos le\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o registro cient\u00edfico da localiza\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo em um momento espec\u00edfico, o SECR permitiu que fosse calculada a popula\u00e7\u00e3o total \u2014 71 indiv\u00edduos. Essa pesquisa, publicada na metade deste ano no peri\u00f3dico\u00a0<a href=\"https:\/\/besjournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1002\/2688-8319.12015\"><em>Ecological Solutions and Evidence<\/em><\/a>, tamb\u00e9m traz novas informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00e1rea de ocorr\u00eancia dos animais. Os\u00a0machos, por exemplo, percorrem hoje uma \u00e1rea cinco vezes maior que a de uma d\u00e9cada atr\u00e1s, provavelmente porque precisam deslocar-se mais para encontrar alimentos. O n\u00famero de presas provavelmente diminuiu por conta do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/animals\/2018\/11\/lions-snaring-threatens-wildlife-bushmeat-africa\/\">aumento da ca\u00e7a de animais selvagens para consumo na \u00e1rea<\/a>, segundo Braczkowski. Essa informa\u00e7\u00e3o provavelmente n\u00e3o teria sido poss\u00edvel com outras t\u00e9cnicas, diz ele.<\/p>\n<p>Alguns pesquisadores afirmam que as t\u00e9cnicas tradicionais ainda s\u00e3o \u00fateis quando executadas de forma correta, e que as mais recentes n\u00e3o s\u00e3o adequadas em todas as situa\u00e7\u00f5es. De fato, o SECR \u00e9 mais bem empregado quando \u00e9 poss\u00edvel chegar perto de animais individuais com c\u00e2meras ou fotograf\u00e1-los a partir de equipamentos camuflados.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter uma t\u00e9cnica universal. A contagem dos le\u00f5es n\u00e3o pode ser feita da mesma forma em todo o continente africano, porque cada \u00e1rea \u00e9 \u00fanica&#8221;, diz Radloff. \u201cA \u00fanica maneira de obter uma estimativa do n\u00famero de le\u00f5es restantes na \u00c1frica \u00e9 abra\u00e7ar todas as t\u00e9cnicas [v\u00e1lidas do ponto de vista cient\u00edfico].\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao total da popula\u00e7\u00e3o de le\u00f5es, os pesquisadores concordam que uma contagem integralmente precisa \u00e9 menos importante do que avaliar se os n\u00fameros est\u00e3o subindo ou descendo. E, no geral, ningu\u00e9m acha que os n\u00fameros estejam crescendo. \u201cQuanto \u00e0 sua pergunta sobre o n\u00famero de le\u00f5es que ainda habitam a \u00c1frica \u2014 s\u00f3 posso dizer que n\u00e3o h\u00e1 animais o suficiente\u201d, afirma Radloff.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contar le\u00f5es \u00e9 uma tarefa para l\u00e1 de complicada, mas um novo m\u00e9todo promete informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/leao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Contar le\u00f5es \u00e9 uma tarefa para l\u00e1 de complicada, mas um novo m\u00e9todo promete informa\u00e7\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134818"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134818\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}