{"id":134791,"date":"2020-10-03T08:57:26","date_gmt":"2020-10-03T11:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134791"},"modified":"2020-10-03T08:57:26","modified_gmt":"2020-10-03T11:57:26","slug":"algum-dia-voltaremos-a-nos-sentir-confortaveis-nas-multidoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/algum-dia-voltaremos-a-nos-sentir-confortaveis-nas-multidoes\/","title":{"rendered":"Algum dia voltaremos a nos sentir confort\u00e1veis nas multid\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"css-1psdhlm\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/multidao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-134792 size-medium\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/multidao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/multidao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/multidao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Se voc\u00ea estremece s\u00f3 de pensar em socializar, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Cientistas dizem que a pandemia est\u00e1 mudando nossa forma de perceber o medo e a repulsa, e n\u00e3o est\u00e1 claro quanto tempo ir\u00e1 durar essa mudan\u00e7a.<\/h2>\n<p>QUANDO ASSISTI RECENTEMENTE \u00e0\u00a0<em>Seinfeld,<\/em>\u00a0uma s\u00e9rie da d\u00e9cada de 1990, percebi que a covid-19 talvez estivesse mudando minha maneira de pensar de forma definitiva. Na cena, os personagens se sentaram \u00e0 mesa, em frente uns aos outros no Monk\u2019s Caf\u00e9. Kramer apareceu, apoiando seu bra\u00e7o sobre outra cadeira ocupada. Quando seu bra\u00e7o tocou outra pessoa, me contorci fisicamente.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, minha cidade natal, Nova Orleans, nos EUA, tinha sido atingida pela pandemia havia algumas semanas, e eu j\u00e1 evitava cruzar com desconhecidos na cal\u00e7ada. Em meus momentos de paranoia, se algu\u00e9m me pegasse desprevenido na rua, eu prendia a respira\u00e7\u00e3o e revirava os olhos at\u00e9 a pessoa passar.<\/p>\n<p>Esses comportamentos pareciam naturais, embora em meados de mar\u00e7o os cientistas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wired.com\/story\/they-say-coronavirus-isnt-airborne-but-its-definitely-borne-by-air\/\">j\u00e1 falassem sobre o baixo risco de transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus em ambientes externos<\/a>. Todos os meus amigos relataram ter sentido algo semelhante e um deles me disse que precisava desligar a TV quando via uma cena de metr\u00f4. N\u00e3o estamos sozinhos. De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pela Morning Consult, a maioria dos norte-americanos \u2014 independentemente de sua filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/morningconsult.com\/2020\/09\/21\/tracking-consumer-comfort-with-dining-out-and-other-leisure-activities\/\">diz que se sente desconfort\u00e1vel<\/a>\u00a0em meio a multid\u00f5es, em ambientes internos e externos, mesmo com a reabertura em alguns estados.<\/p>\n<p>Neurocientistas e psic\u00f3logos sugerem que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o evitando desconhecidos e multid\u00f5es devido a sentimentos pr\u00e9-existentes de medo ou repulsa. Em vez disso, muita gente est\u00e1 aprendendo uma nova experi\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>O nosso c\u00e9rebro contextualiza as experi\u00eancias viscerais que temos do mundo real por meio da constru\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es para que possamos categorizar melhor diferentes tipos de ansiedade ao nosso redor. Essas rea\u00e7\u00f5es mentais nem precisam envolver um contato direto com o coronav\u00edrus, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/cos.northeastern.edu\/people\/lisa-barrett\/\">Lisa Barrett<\/a>, neurocientista e psic\u00f3loga da Northeastern University, em Boston. \u201c\u00c9 poss\u00edvel ter rea\u00e7\u00f5es desse tipo simplesmente ao ler um jornal ou ouvir algu\u00e9m comentar sobre o assunto\u201d, acrescenta ela. Depois de \u201cficar sabendo que algu\u00e9m pegou covid e morreu porque esteve em um ambiente com aglomera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 preciso muito para o seu c\u00e9rebro aprender essa conting\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Para entender por que as pessoas est\u00e3o desenvolvendo forte avers\u00e3o a multid\u00f5es, pode ser necess\u00e1rio compreender a diferen\u00e7a entre sentir uma emo\u00e7\u00e3o e um desconforto reflexivo. E, conforme mostram os fatos hist\u00f3ricos, \u00e9 poss\u00edvel que as pessoas simplesmente \u201cdesaprendam\u201d a sentir avers\u00e3o a aglomera\u00e7\u00f5es quando a pandemia terminar.<\/p>\n<h3><strong>Quando um reflexo instintivo se transforma em emo\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>S\u00f3 porque algu\u00e9m se arrepia ao avistar muitas pessoas juntas n\u00e3o significa necessariamente que ela sinta um medo instintivo da situa\u00e7\u00e3o. Uma rea\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica se transforma em emo\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e mediante repeti\u00e7\u00e3o, \u00e0 medida que o c\u00e9rebro aprende a classificar o novo cen\u00e1rio e a sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO nosso organismo est\u00e1 sempre enviando ao c\u00e9rebro informa\u00e7\u00f5es sobre o estado dos sistemas corporais. Isso se traduz em um sentimento de calma e conforto ou de nervosismo ou ang\u00fastia\u201d, explica Barrett. \u201cA maioria das pessoas chama isso de sentimento instintivo \u2014 os cientistas chamam de afeto.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa de Barrett constatou que as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o iguais em todas as pessoas, e tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o as mesmas em uma mesma pessoa ao longo do tempo. O conceito de medo \u00e9 um conjunto de inst\u00e2ncias que o c\u00e9rebro consegue nomear da mesma forma. H\u00e1 a n\u00e1usea que acompanha o medo de altura, mas tamb\u00e9m a emo\u00e7\u00e3o de andar em uma montanha-russa ou o pavor causado pelo ranger do assoalho em uma casa vazia. Nosso c\u00e9rebro conecta todas essas experi\u00eancias, rotulando-as como medo. \u00c9 por isso que temos a impress\u00e3o de que o medo pode se manifestar como qualquer coisa, desde um vazio no est\u00f4mago e uma sensa\u00e7\u00e3o de paralisa\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade de gritar e correr.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 pandemia e \u00e0 amea\u00e7a invis\u00edvel daqueles que est\u00e3o infectados mas s\u00e3o assintom\u00e1ticos, as pessoas est\u00e3o aprendendo a categorizar a sensa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de estar em meio a uma multid\u00e3o ou de ver algu\u00e9m descumprindo as normas sociais relacionadas \u00e0 covid-19, afirma Barrett. A mente das pessoas est\u00e1 em busca do r\u00f3tulo correto.<\/p>\n<p>Assim como eu comecei a sentir medo ou repulsa ao assistir cenas de multid\u00f5es na televis\u00e3o, outra pessoa pode manifestar o mesmo sentindo raiva. Uma terceira pessoa pode simplesmente querer alertar a multid\u00e3o sobre o distanciamento social e n\u00e3o pensaria nisso como algo emocional.<\/p>\n<h3><strong>Uma variedade de reflexos instintivos<\/strong><\/h3>\n<p>Os animais podem oferecer algumas pistas sobre o motivo de esses diferentes reflexos instintivos terem se desenvolvido. Uma pesquisa do neurocientista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embl.it\/research\/unit\/gross\/\">Cornelius Gross<\/a>\u00a0sobre o c\u00e9rebro de camundongos e macacos sugere que diferentes rea\u00e7\u00f5es ao perigo operam por meio de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nrn3301\">vias independentes<\/a>\u00a0no c\u00e9rebro dos animais. Ele afirma ser razo\u00e1vel acreditar que uma situa\u00e7\u00e3o semelhante se aplicaria aos humanos, considerando que parte da arquitetura cerebral permanece a mesma ao longo da evolu\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos.<\/p>\n<p>\u201cSentir medo de tocar no fog\u00e3o quente ou medo de algu\u00e9m que est\u00e1 lhe dirigindo um olhar amea\u00e7ador \u00e9 muito diferente de sentir medo de um predador\u201d, explica Gross, que dirige uma unidade do Laborat\u00f3rio Europeu de Biologia Molecular em Roma.<\/p>\n<p>Ele acredita que essas diversas vias de resposta existam porque as amea\u00e7as \u00e0 nossa exist\u00eancia v\u00eam com diferentes n\u00edveis de risco e as nossas mentes tentam se adaptar a cada uma delas. Segundo Gross, assim que seu c\u00e9rebro definir que uma pessoa sem m\u00e1scara representa um perigo f\u00edsico, ele vai soar um alarme toda vez que virmos ou encontrarmos uma pessoa assim. \u201cAcredito que o motivo seja porque a ideia de cont\u00e1gio e amea\u00e7a tenha sido recentemente imposta \u00e0s pessoas\u201d, explica ele. Algumas pessoas entendem que a amea\u00e7a est\u00e1 relacionada ao corpo de outras pessoas e sentem o perigo fisicamente.<\/p>\n<p>Esse tipo de aprendizado acontece o tempo todo. Sentir-se nauseado ao pensar em um prato que lhe causou intoxica\u00e7\u00e3o alimentar \u00e9 basicamente a mesma coisa que sentir uma certa repulsa quando algu\u00e9m se aproxima demais em meio a uma multid\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.erikahsiegel.com\/\">Erika Siegel<\/a>, psic\u00f3loga cognitiva da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco que estuda a rela\u00e7\u00e3o entre fisiologia e emo\u00e7\u00e3o, os humanos adaptaram essas rea\u00e7\u00f5es instintivas que protegem nossa seguran\u00e7a f\u00edsica e, nos Estados Unidos, elas tendem a ser utilizadas para entender como as pessoas absorvem estruturas culturais e sociais. Na cultura norte-americana, diz Siegel, muitas vezes falamos sobre tabus sociais utilizando uma linguagem de repulsa: o assassinato mais s\u00f3rdido e moralmente repugnante. \u201cAs pessoas normalmente descrevem outras pessoas que consideram question\u00e1veis do ponto de vista moral como se elas dessem vontade de vomitar.\u201d Durante a pandemia, aglomera\u00e7\u00f5es n\u00e3o necessariamente precisam ser perigosas para provocar uma dessas respostas \u2014 a rea\u00e7\u00e3o pode ser desencadeada apenas pelo fato de parecer ser a escolha errada.<\/p>\n<p>Atualmente, a repulsa a multid\u00f5es pode se manifestar at\u00e9 mesmo em pessoas que n\u00e3o conhecem amigos ou familiares que contra\u00edram o v\u00edrus, tudo isso devido \u00e0 capacidade de empatia. Gross aponta para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(19)30322-7?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0960982219303227%3Fshowall%3Dtrue\">pesquisas sobre \u201cneur\u00f4nios-espelho\u201d<\/a>\u00a0que parecem permitir que ratos sintam dor quando veem outro rato ser atacado. Al\u00e9m disso,\u00a0<a href=\"https:\/\/webfiles.uci.edu\/rsilver\/Thompson%20et%20al%20Clinical%20Psych%20Science%20Online%20First.pdf\">estudos psicol\u00f3gicos<\/a>\u00a0refor\u00e7am a ideia de que a ansiedade ap\u00f3s um desastre \u2014 como\u00a0<a href=\"https:\/\/webfiles.uci.edu\/rsilver\/Thompson%20et%20al%20Clinical%20Psych%20Science%20Online%20First.pdf\">surtos<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pbs.org\/newshour\/science\/coverage-of-mass-killings-is-bad-for-mental-health-yet-makes-people-seek-more\">tiroteios em massa<\/a>\u00a0\u2014 est\u00e1 intimamente ligada a ler ou assistir not\u00edcias sobre o evento. \u00c9 por isso que imagens de multid\u00f5es ou de pessoas esbarrando umas nas outras na televis\u00e3o acabam sendo perturbadoras. Imagine, diz Gross, observar algu\u00e9m tocar em um fog\u00e3o quente e o reflexo imediato que acompanha a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs humanos t\u00eam essa capacidade incr\u00edvel de se colocar no lugar de outras pessoas\u201d, explica Gross.<\/p>\n<h3><strong>Para onde vamos?<\/strong><\/h3>\n<p>Apesar da intensidade emocional da pandemia, pesquisas sobre outros momentos de estresse e ansiedade coletivos sugerem que o \u00edmpeto instintivo de se distanciar socialmente pode ser tempor\u00e1rio. Isso pode ocorrer porque a mem\u00f3ria \u00e9 passageira ou porque a maioria das pessoas se adapta de maneiras que nem sequer percebem. De qualquer forma, o precedente hist\u00f3rico \u00e9 categ\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 incr\u00edvel como as pessoas se esqueceram da gripe espanhola t\u00e3o rapidamente\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/historyarthistory.gmu.edu\/people\/pstearns\">Peter Stearns<\/a>, historiador especializado em emo\u00e7\u00f5es da George Mason University. \u201cH\u00e1 um estudo sobre as rea\u00e7\u00f5es dos norte-americanos \u00e0 gripe espanhola que argumenta que a \u00fanica mudan\u00e7a permanente resultante foi que as escolas pararam de compartilhar copos de bebidas.\u201d<\/p>\n<p>Esse\u00a0<a href=\"https:\/\/www.kshs.org\/publicat\/history\/1992spring_johnson.pdf#:~:text=Kansas%20in%20the%20%22Grippe%20The%20Spanish%20Influenza%20Epidemic,forces%20began%20to%20drive%20the%20Germans%20to%20defeat.\">estudo<\/a>, da historiadora local Judith Johnson, \u00e9 baseado na resposta do estado do Kansas \u00e0 pandemia de gripe de 1918. Johnson observou que as autoridades sanit\u00e1rias tentaram fazer com que os governos locais investissem em hospitais p\u00fablicos para atendimento \u00e0s v\u00edtimas da gripe, mas que a proposta foi arquivada quando a pandemia acabou. Durante o pico da doen\u00e7a, ela observa, as crian\u00e7as \u201cdesviavam do quintal de algu\u00e9m para evitar passar por uma casa onde havia uma pessoa com gripe\u201d e milhares de empresas foram fechadas para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Contudo, quando as determina\u00e7\u00f5es foram suspensas, essas medidas rapidamente desapareceram da mem\u00f3ria. Tudo o que restou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/arts-culture\/the-unnatural-history-of-the-dixie-cup-119828457\/\">foram os copos de papel<\/a>\u00a0que substitu\u00edram os copos compartilhados nas escolas.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m pode ter ocorrido porque a gripe de 1918 foi a \u00faltima \u201cpandemia cl\u00e1ssica\u201d a atingir todas as classes da sociedade norte-americana \u2014 at\u00e9 a chegada da covid-19. Agora, Stearns se pergunta se a atual pandemia poder\u00e1 deixar uma marca ps\u00edquica maior devido \u00e0 m\u00eddia moderna. Nossa exposi\u00e7\u00e3o ao grande volume de not\u00edcias e dados sobre a pandemia \u00e9 completamente diferente da exposi\u00e7\u00e3o gerada pela m\u00eddia que noticiou a gripe de 1918.<\/p>\n<p>Alguns estudos realizados por Stearns sugerem que, conforme o tempo passa, as pessoas ficam mais propensas a reagir a eventos semelhantes com medo. Com base em seu livro de 2006,\u00a0<em>American Fear<\/em>\u00a0(Medo americano, em tradu\u00e7\u00e3o livre), no qual ele comparou mat\u00e9rias de jornal e outros relatos hist\u00f3ricos sobre Pearl Harbor e os ataques terroristas de 11 de setembro, Stearns afirma que \u201c\u00e9 poss\u00edvel alegar que o medo se intensificou ap\u00f3s o 11 de setembro\u201d. Em relatos escritos e verbais sobre as consequ\u00eancias de Pearl Harbor, a tend\u00eancia dos entrevistados foi reconhecer que \u201cos tempos seriam dif\u00edceis\u201d, mas disseram estar confiantes de que a lideran\u00e7a norte-americana ajudaria o pa\u00eds. Por outro lado, os entrevistados ap\u00f3s o 11 de setembro estavam mais inclinados a descrever um sentimento de medo e ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.tc.columbia.edu\/LTElab\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">George Bonanno<\/a>\u00a0\u00e9 professor de psicologia cl\u00ednica na Universidade de Columbia e estuda pessoas que se recuperaram de traumas e luto sem sintomas permanentes. Ele diz que os efeitos em longo prazo da covid-19 ser\u00e3o mais dif\u00edceis de prever porque ele acredita que a pandemia representa um estresse cr\u00f4nico e n\u00e3o um trauma agudo.<\/p>\n<p>Ele constatou que a maioria das pessoas se recupera do estresse agudo \u2014 ataques terroristas, hospitaliza\u00e7\u00f5es pela doen\u00e7a SRAG, morte de um parente pr\u00f3ximo \u2014 com poucos sintomas de trauma em longo prazo. Mas \u201cnormalmente n\u00e3o encaramos o estresse cr\u00f4nico t\u00e3o bem.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJM199108293250903\">Ficamos desnorteados<\/a>\u201d. Esse tipo de estresse n\u00e3o se apresenta da mesma forma para todos. Pessoas que sentem um leve p\u00e2nico ao se aproximarem de outras em p\u00fablico n\u00e3o sentem a mesma press\u00e3o constante que aquelas que perderam um ente querido ou um emprego \u2014 ou das pessoas que s\u00e3o obrigadas a continuar trabalhando em sal\u00f5es de beleza ou restaurantes para sobreviver.<\/p>\n<p>Ainda assim, diz ele, a maioria das pessoas mostra caracter\u00edsticas que ele\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tc.columbia.edu\/media\/centers\/lte-lab\/peered-review-journals\/2013\/28662_2013_Bonanno_Burton_REGULATORY_FLEXIBLITY.pdf\">descreve como \u201cflexibilidade regulat\u00f3ria\u201d<\/a>, que lhes permite reconhecer o contexto de suas preocupa\u00e7\u00f5es, desenvolver estrat\u00e9gias de enfrentamento e monitorar suas pr\u00f3prias respostas. \u201cConstatamos que a maioria das pessoas \u00e9 razoavelmente boa em todas essas tr\u00eas a\u00e7\u00f5es e que algumas apresentam d\u00e9ficits percept\u00edveis em uma ou mais delas.\u201d<\/p>\n<p>A neurocientista Barrett acredita que mesmo que nos lembremos claramente da covid-19 d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim da pandemia, os medos relacionados \u00e0 doen\u00e7a n\u00e3o persistir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea nunca tenha pensado duas vezes sobre uma aglomera\u00e7\u00e3o, mas \u201cagora aprendeu que multid\u00f5es onde as pessoas n\u00e3o usam m\u00e1scaras s\u00e3o perigosas\u201d, afirma ela. \u201cContudo, assim que o v\u00edrus estiver sob controle, seu c\u00e9rebro recalibrar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea estremece s\u00f3 de pensar em socializar, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho. 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