{"id":134630,"date":"2020-09-30T09:00:54","date_gmt":"2020-09-30T12:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134630"},"modified":"2020-09-30T07:22:58","modified_gmt":"2020-09-30T10:22:58","slug":"pesquisadores-descobrem-como-o-musculo-se-regenera-apos-o-exercicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-descobrem-como-o-musculo-se-regenera-apos-o-exercicio\/","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem como o m\u00fasculo se regenera ap\u00f3s o exerc\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134631\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) descobriram que a regenera\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos promovida pelo exerc\u00edcio f\u00edsico aer\u00f3bio \u00e9 mediada por mudan\u00e7as no consumo de oxig\u00eanio das c\u00e9lulas sat\u00e9lite \u2013 um tipo de c\u00e9lula-tronco do tecido muscular. O achado pode ajudar na recupera\u00e7\u00e3o de les\u00f5es e no combate \u00e0 perda de massa muscular associada \u00e0 idade.<\/p>\n<p>Trabalhos anteriores j\u00e1 mostravam que o exerc\u00edcio com sobrecarga, como a muscula\u00e7\u00e3o, era capaz de induzir o aumento no n\u00famero de c\u00e9lulas sat\u00e9lite. No treinamento f\u00edsico aer\u00f3bio, contudo, o tecido conhecidamente aprimora sua capacidade, mas mecanismos de reparo associados \u00e0s c\u00e9lulas sat\u00e9lite n\u00e3o haviam sido estudados.<\/p>\n<p>O grupo da USP observou que as atividades aer\u00f3bias promovem uma desejada expans\u00e3o das c\u00e9lulas sat\u00e9lite e desvendou importantes altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas por tr\u00e1s do fen\u00f4meno. A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida durante o p\u00f3s-doutorado de\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/104756\/phablo-savio-abreu-teixeira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Phablo S\u00e1vio Abreu Teixeira<\/a><\/strong>, com\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/168343\/expansao-do-pool-de-celulas-satelites-no-musculo-esqueletico-adulto-papel-das-alteracoes-bioenerget\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio<\/a><\/strong>\u00a0de bolsa da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o do consumo de oxig\u00eanio nas c\u00e9lulas sat\u00e9lite, diferentemente do que ocorre no restante do tecido muscular, onde o exerc\u00edcio eleva a demanda de oxig\u00eanio. \u00c9 a primeira vez que se consegue observar como o exerc\u00edcio aer\u00f3bio influencia o metabolismo das mitoc\u00f4ndrias dessas c\u00e9lulas, e o efeito disso na regenera\u00e7\u00e3o muscular\u201d, explica Abreu \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Para entender o mecanismo, o p\u00f3s-doutorando conduziu uma s\u00e9rie de experimentos com animais no Instituto de Qu\u00edmica da USP, sob supervis\u00e3o da professora\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/28\/alicia-juliana-kowaltowski\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alicia Kowaltowski<\/a><\/strong>, que se dedica ao estudo das mitoc\u00f4ndrias desde os anos 1990 e integra a equipe do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58576\/redoxoma\/?q=13\/07937-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina<\/a><\/strong>\u00a0(<strong><a href=\"http:\/\/redoxoma.iq.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Redoxoma<\/a><\/strong>). Os achados foram\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/jcsm.12601\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicados<\/a><\/strong>\u00a0no\u00a0<i>Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos ao menos parte dos mecanismos que levam ao aprimoramento da regenera\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo, e conhec\u00ea-los \u00e9 o primeiro passo para um dia conseguir interferir nesse processo\u201d, comenta Kowaltowski.<\/p>\n<p><b>V\u00e1rias etapas<\/b><\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada em fases, a partir de experimentos com camundongos divididos em dois grupos. Parte deles foi submetida a uma bateria de exerc\u00edcios aer\u00f3bios, na esteira, por um per\u00edodo de cinco semanas, e parte permaneceu sedent\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ao fim do per\u00edodo de treinamento, os pesquisadores fizeram testes para verificar se os animais submetidos ao programa de exerc\u00edcios haviam de fato aprimorado sua capacidade aer\u00f3bia. Depois, os tecidos musculares de ambos os grupos foram lesionados, etapa em que se observou que os m\u00fasculos exercitados haviam aprimorado sua capacidade regenerativa.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, observamos que os animais treinados tinham mais fibras musculares recentemente formadas, al\u00e9m de menor deposi\u00e7\u00e3o de tecido fibroso e menos sinais de inflama\u00e7\u00e3o. Assim, confirmamos que o tecido muscular dos animais exercitados era de fato mais bem reparado\u201d, conta Abreu.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s identificar que os m\u00fasculos haviam aprimorado sua capacidade de reparo, o pr\u00f3ximo passo foi investigar as altera\u00e7\u00f5es ocorridas em c\u00e9lulas sat\u00e9lites isoladas desses animais exercitados. Prote\u00ednas que regulam a progress\u00e3o da c\u00e9lula quiescente (adormecida) e a sua ativa\u00e7\u00e3o, para que ocorra a autorrenova\u00e7\u00e3o ou a diferencia\u00e7\u00e3o, estavam aumentadas nessas c\u00e9lulas. \u201cAl\u00e9m disso, elas demonstraram retardo na diferencia\u00e7\u00e3o, o que confirmou nossos achados\u201d, continua Abreu.<\/p>\n<p>Como explica o pesquisador, as c\u00e9lulas sat\u00e9lite no indiv\u00edduo adulto s\u00e3o respons\u00e1veis por regenerar e preservar o tecido muscular. Para isso, permanecem em quiesc\u00eancia, um estado de dorm\u00eancia que mant\u00e9m a homeostase do tecido. Durante toda a vida, elas ser\u00e3o ativadas frente a alguma les\u00e3o ou desgaste, como no exerc\u00edcio f\u00edsico ou na les\u00e3o induzida por Abreu nos camundongos de laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, parte delas se diferencia para formar c\u00e9lulas que v\u00e3o compor o tecido, parte inicia um processo de autorrenova\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 origem a novas c\u00e9lulas sat\u00e9lite para que esse ciclo continue acontecendo.<\/p>\n<p>\u201cEssas c\u00e9lulas se ativam constantemente, mas\u00a0com o passar do tempo podem entrar em fadiga e parar de se autorrenovar \u2013 fen\u00f4meno observado nas distrofias e quando h\u00e1 perda de massa muscular, como na caquexia e na sarcopenia\u201d, comenta Abreu. \u201cSe temos mais c\u00e9lulas renovadas, significa que temos mais c\u00e9lulas aptas a regenerar o tecido\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Portanto, Abreu verificou que o exerc\u00edcio mant\u00e9m a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o do tecido muscular e contribui para a recupera\u00e7\u00e3o das les\u00f5es. E, por fim, mediu o gasto de oxig\u00eanio nas c\u00e9lulas sat\u00e9lite dos roedores submetidos ao treinamento, em busca de respostas sobre o que levava \u00e0quele comportamento. \u201cO surpreendente \u00e9 que elas consomem menos oxig\u00eanio, como se ficassem mais econ\u00f4micas\u201d, conta Abreu.<\/p>\n<p>A descoberta contradiz a hip\u00f3tese inicial dos pesquisadores, que acreditavam que, uma vez que o m\u00fasculo aprimora sua capacidade oxidativa com o exerc\u00edcio aer\u00f3bico, e as c\u00e9lulas sat\u00e9lite ficam ancoradas na superf\u00edcie do tecido musculoesquel\u00e9tico (da\u00ed o nome sat\u00e9lite), elas tamb\u00e9m aprimorariam sua capacidade aer\u00f3bia.<\/p>\n<p><b>O papel das mitoc\u00f4ndrias<\/b><\/p>\n<p>O processo de respira\u00e7\u00e3o celular ocorre nas mitoc\u00f4ndrias, estruturas celulares que, h\u00e1 at\u00e9 pouco tempo, se imaginava serem apenas respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de energia para o organismo. \u201cNos \u00faltimos anos, descobrimos cada vez mais como elas est\u00e3o envolvidas em diversos processos\u201d, destaca Kowaltowski.<\/p>\n<p>Para confirmar se o consumo de oxig\u00eanio das mitoc\u00f4ndrias realmente era o causador da autorrenova\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas sat\u00e9lite, Kowaltowski e Abreu fizeram mais dois testes: mimetizaram o efeito de diminui\u00e7\u00e3o do consumo do oxig\u00eanio com medicamentos em culturas\u00a0<i>in vitro<\/i>\u00a0e, num segundo momento, transplantaram as c\u00e9lulas exercitadas em animais sedent\u00e1rios.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de consumo de oxig\u00eanio nas c\u00e9lulas estudadas\u00a0<i>in vitro<\/i>\u00a0foi capaz de melhorar a autorrenova\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco. No transplante, n\u00e3o houve mudan\u00e7a no n\u00famero de c\u00e9lulas reparadas, mas aconteceu uma diminui\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o, um achado sugestivo de melhor recupera\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo.<\/p>\n<p>A ideia agora \u00e9 investigar os efeitos da diminui\u00e7\u00e3o do consumo de oxig\u00eanio mitocondrial e as vias envolvidas na autorrenova\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas sat\u00e9lite. \u201cEm suma, precisamos entender por que ao inibir a respira\u00e7\u00e3o celular aumentamos a recupera\u00e7\u00e3o muscular\u201d, comenta a cientista.<\/p>\n<p>Pode ser que, no futuro, seja poss\u00edvel replicar esse fen\u00f4meno para tratar a perda de massa muscular relacionada \u00e0 idade e a problemas como o c\u00e2ncer e envelhecimento, um processo que ainda \u00e9, muitas vezes, irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Satellite cell self-renewal in endurance exercise is mediated by inhibition of mitochondrial oxygen consumption<\/i>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/jcsm.12601\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/jcsm.12601<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) descobriram que a regenera\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos promovida pelo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134631,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/atividade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) descobriram que a regenera\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos promovida pelo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134630"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134630"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134630\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}