{"id":134587,"date":"2020-09-29T12:00:10","date_gmt":"2020-09-29T15:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134587"},"modified":"2020-09-29T07:00:11","modified_gmt":"2020-09-29T10:00:11","slug":"pantanal-pode-levar-cerca-de-50-anos-para-se-regenerar-apos-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pantanal-pode-levar-cerca-de-50-anos-para-se-regenerar-apos-queimadas\/","title":{"rendered":"Pantanal pode levar cerca de 50 anos para se regenerar ap\u00f3s queimadas"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-header\">\n<header class=\"td-post-title\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134586\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>De janeiro a 20 de setembro deste ano, 21,2% do Pantanal foi destru\u00eddo pelas queimadas<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content tagdiv-type\">\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o causada pelo fogo no Pantanal \u00e9 tamanha que a regenera\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas do bioma pode levar cerca de 50 anos. A estimativa \u00e9 da professora C\u00e1tia Nunes da Cunha, p\u00f3s-doutora em Ecologia da Vegeta\u00e7\u00e3o pelo Instituto Max-Planck da Alemanha e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso.<\/p>\n<p>Um levantamento feito pela Pol\u00edcia Federal e pelo Instituto Centro de Vida (ICV), a partir do cruzamento de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Nasa, concluiu que 3.179.000 hectares foram queimados no Pantanal de janeiro a 20 de setembro deste ano \u2013 o equivalente a 21,2% do bioma.<\/p>\n<p>O n\u00famero de queimadas registradas em 2020 no Pantanal n\u00e3o tem precedentes e surpreende at\u00e9 mesmo os especialistas. Ao jornal O Estado de S. Paulo, C\u00e1tia Nunes refor\u00e7ou que essa \u00e9 a primeira vez que o bioma registra inc\u00eandios florestais t\u00e3o intensos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o atual e do longo per\u00edodo de regenera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, a pesquisadora aponta ainda mais um poss\u00edvel problema: o surgimento de \u201cesp\u00e9cies n\u00e3o desej\u00e1veis, daninhas e resistentes\u201d.<\/p>\n<p>Confira abaixo a \u00edntegra da entrevista que C\u00e1tia Nunes concedeu ao Estad\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os preju\u00edzos causados pelos inc\u00eandios na biodiversidade do Pantanal, j\u00e1 que o fogo atinge fauna e flora?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um fogo normal, \u00e9 um inc\u00eandio. Quando o fogo fica fora do controle e se torna inc\u00eandio, a temperatura atinge n\u00edveis t\u00e3o altos que ele torra as plantas, que se tornam p\u00f3. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o nova at\u00e9 para os pesquisadores. N\u00e3o registramos nada dessa intensidade em nossas pesquisas dentro do Pantanal. Tenho informa\u00e7\u00e3o de fogo dentro da regi\u00e3o, mas de forma mais branda. No momento atual ainda n\u00e3o temos dados para avaliar o dano total \u00e0 regi\u00e3o. \u00c9 preciso aguardar e ver como ser\u00e1 a resposta da natureza, com presen\u00e7a de chuvas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel para os pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n<p>Um dos cen\u00e1rios nos leva na dire\u00e7\u00e3o de que, em breve, teremos no Brasil os efeitos de La Ni\u00f1a, que j\u00e1 entrou em atividade. Demora a chegar ao Pantanal, mas suponho que teremos per\u00edodos futuros secos. \u00c9 poss\u00edvel ainda ter a paisagem do Pantanal come\u00e7ando a rebrotar, mas podem nascer ali esp\u00e9cies n\u00e3o desej\u00e1veis, daninhas e resistentes.<\/p>\n<p><strong>Na recupera\u00e7\u00e3o vegetal, o que mais preocupa no Pantanal?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o as florestas secas. Elas tiveram sua expans\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul nos per\u00edodos geol\u00f3gicos mais secos e entraram tamb\u00e9m no Pantanal. Suportam seca, mas n\u00e3o t\u00eam tanta habilidade para resistir aos inc\u00eandios.<\/p>\n<p><strong>O tipo de solo e de vegeta\u00e7\u00e3o influenciam a recupera\u00e7\u00e3o. O Cerrado, por exemplo, se regenera mais rapidamente do que a Amaz\u00f4nia. O que prever para a recupera\u00e7\u00e3o do Pantanal?<\/strong><\/p>\n<p>No Pantanal, a recupera\u00e7\u00e3o varia de acordo com as caracter\u00edsticas de cada macrohabitat. H\u00e1 aqueles com predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies do Cerrado, onde campos t\u00eam gram\u00edneas com folhagens duras e com sistemas de rizomas subterr\u00e2neos mais resistentes ao fogo. As \u00e1rvores t\u00eam estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o, cascas grossas e uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es adaptativas. Nesse tipo de ambiente, vejo regenera\u00e7\u00e3o promissora.<\/p>\n<p><strong>E para as outras \u00e1reas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1reas que passam constantemente por inc\u00eandios t\u00eam perda na composi\u00e7\u00e3o, na estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o e, consequentemente, significam perda de habitats para os animais. Se tivermos a cada ano uma chuva facilitadora, sem inc\u00eandios, acredito que em cerca de 30 anos \u00e9 poss\u00edvel restaurar. Mas pulando para outro conjunto de flora, as matas ciliares e floresta inund\u00e1vel, isso muda. Essas florestas t\u00eam baixa resili\u00eancia quanto a inc\u00eandios, e para elas s\u00e3o necess\u00e1rias novas avalia\u00e7\u00f5es. Acreditamos que a regenera\u00e7\u00e3o poder\u00e1 levar em torno de 50 anos \u2013 e, se a intensidade do inc\u00eandio for ainda mais grave do que estamos vendo, poder\u00e1 levar mais tempo.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De janeiro a 20 de setembro deste ano, 21,2% do Pantanal foi destru\u00eddo pelas queimadas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134586,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queimada-2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"De janeiro a 20 de setembro deste ano, 21,2% do Pantanal foi destru\u00eddo pelas queimadas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134587"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134587\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}