{"id":134567,"date":"2020-09-29T08:00:24","date_gmt":"2020-09-29T11:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134567"},"modified":"2020-09-28T19:04:44","modified_gmt":"2020-09-28T22:04:44","slug":"cratera-colossal-e-intrigante-e-encontrada-na-siberia-qual-sua-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cratera-colossal-e-intrigante-e-encontrada-na-siberia-qual-sua-origem\/","title":{"rendered":"Cratera colossal e intrigante \u00e9 encontrada na Sib\u00e9ria. Qual sua origem?"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134568\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao sobrevoar a vasta tundra siberiana recentemente, uma equipe de TV russa\u00a0<a href=\"https:\/\/siberiantimes.com\/other\/others\/news\/giant-new-50-metre-deep-crater-opens-up-in-arctic-tundra\/\">avistou uma forma\u00e7\u00e3o intrigante<\/a>: uma cratera com profundidade equivalente a mais da metade de um campo de futebol escavada no ch\u00e3o congelado. A centenas de metros da cratera, havia blocos de gelo e terra arremessados da cicatriz profunda e aparente na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 apenas a \u00faltima dentre uma s\u00e9rie de curiosas crateras descobertas no \u00c1rtico siberiano, ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o da primeira em 2014. Os cientistas acreditam que elas tenham se originado de explos\u00f5es de g\u00e1s metano e di\u00f3xido de carbono presos dentro de ac\u00famulos de terra e gelo \u2014 fen\u00f4meno que pode se tornar cada vez mais comum com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/global-warming\/global-warming-overview\/\">aquecimento global<\/a>. Mas ainda restam muitos mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>\u201cAinda n\u00e3o sabemos o que est\u00e1 ocorrendo\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.woodwellclimate.org\/staff\/susan-natali\/\">Sue Natali<\/a>, especialista em permafrost do Centro Woodwell de Pesquisas Clim\u00e1ticas, localizado em Falmouth, Massachusetts. \u201cSer\u00e1 que esse fen\u00f4meno se repetir\u00e1 em outro local?\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/6\/215\/htm\">Estudos<\/a>\u00a0recentes de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/5\/170\">outras<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/5\/195\">crateras<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ngeo1480\">indicam<\/a>\u00a0um mecanismo prov\u00e1vel: o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.org\/article\/cold-explosion\/\">criovulcanismo<\/a>, em que erup\u00e7\u00f5es assumem a forma de lama ou lodo congelado em vez de rochas incandescentes derretidas. Tais fen\u00f4menos s\u00e3o bastante conhecidos em outras partes do nosso sistema solar, como na lua aqu\u00e1tica de Saturno, Enc\u00e9lado. Contudo o criovulcanismo \u00e9 considerado incomum em nosso planeta. Estudar essas caracter\u00edsticas da Sib\u00e9ria pode fornecer pistas do que se passa nesses planetas distantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essa descoberta mostra que ainda h\u00e1 muito a se aprender sobre a nossa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2015\/07\/150721-pictures-earth-nasa-dscovr-spacex-space-science\/\">\u201cbola de gude azul\u201d<\/a>, especialmente com o constante trabalho dos cientistas para desvendar as consequ\u00eancias de um futuro mais quente. \u201cExistem processos de que nem sequer conhecemos\u201d, afirma Natali. \u201cPode haver mais fen\u00f4menos desconhecidos; s\u00f3 se sabe o que se conhece.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Destacando-se na paisagem do \u00c1rtico<\/strong><\/h3>\n<p>A primeira cratera siberiana foi descoberta em julho de 2014 \u2014 e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/news\/2015\/2\/150227-siberia-mystery-holes-craters-pingos-methane-hydrates-science\/\">rapidamente surgiu uma enxurrada de teorias sobre sua origem<\/a>. Queda de meteorito! Explos\u00e3o de m\u00edsseis! Extraterrestres!<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, pesquisadores identificaram mais 15 crateras suspeitas de explos\u00f5es naturais. A abertura rec\u00e9m-encontrada, de n\u00famero 17, pode ser o maior at\u00e9 agora, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/faculty.skoltech.ru\/people\/evgenychuvilin\">Evgeny Chuvilin<\/a>, especialista em permafrost do Centro Skoltech de Recupera\u00e7\u00e3o de Hidrocarbonetos da R\u00fassia. As crateras do \u00c1rtico n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de estudar, pois ficam preenchidas de \u00e1gua durante meses e anos ap\u00f3s a explos\u00e3o, sendo confundidas com um dos in\u00fameros lagos espalhados pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s essa \u00faltima descoberta, Chuvilin e seus colegas se apressaram para coletar amostras da g\u00e9lida cratera, localizada na Pen\u00ednsula de Yamal, no noroeste da Sib\u00e9ria. Sob o fundo cinza, amarelo e verde da tundra, a cratera se destaca como \u201calgo que n\u00e3o se encaixa na paisagem\u201d, afirma Chuvilin. \u201cAo ver de perto uma nova cratera pela primeira vez, seu tamanho surpreende.\u201d Ru\u00eddos s\u00e3o emitidos pelo derretimento lento dos solos de suas paredes quase verticais, que se despeda\u00e7am e caem nas profundezas \u2014 \u201cpassando a impress\u00e3o de estar viva\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>A equipe agora est\u00e1 \u201cprocessando com urg\u00eancia\u201d as amostras para publica\u00e7\u00e3o de um artigo em uma revista cient\u00edfica, explica ele por e-mail.<\/p>\n<p>Os pesquisadores esperam n\u00e3o apenas entender melhor o processo respons\u00e1vel pelas explos\u00f5es, mas tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uspermafrost.org\/reports\/Pushchino_Program&amp;Abstracts_2019.pdf\">prever onde<\/a>\u00a0poder\u00e3o ocorrer futuramente. As explos\u00f5es podem representar riscos aos moradores, que contaram ouvir explos\u00f5es ou ver chamas pr\u00f3ximas aos locais onde foram encontradas novas crateras, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Andrey_Bychkov\">Andrey Bychkov<\/a>, geoqu\u00edmica da Universidade Estadual Lomonosov de Moscou, que estudou outras crateras, mas ainda n\u00e3o visitou a rec\u00e9m-descoberta. Em 2017, houve relatos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/10\/nenets-yamal-herders-energy-development\/\">explos\u00e3o de uma cratera pr\u00f3xima a um campo de pastores de renas do povo nenet<\/a>. A amea\u00e7a tamb\u00e9m paira sobre a enorme\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/2019\/03\/sabetta-yamal-largest-gas-field\/\">infraestrutura de petr\u00f3leo e g\u00e1s<\/a>\u00a0da regi\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/siberian-crater-people.jpg?w=768&amp;h=513\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/siberian-crater-people.jpg?w=1024&amp;h=684\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pesquisadores visitaram a cratera logo ap\u00f3s sua descoberta na esperan\u00e7a de entender melhor a origem dessas ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/siberian-crater-people.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Pesquisadores visitaram a cratera logo ap\u00f3s sua descoberta na esperan\u00e7a de entender melhor a origem dessas ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Pesquisadores visitaram a cratera logo ap\u00f3s sua descoberta na esperan\u00e7a de entender melhor a origem dessas forma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">EVGENY CHUVILIN<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3><strong>Ingredientes para uma explos\u00e3o congelada<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/5\/170\/htm\">An\u00e1lises<\/a>\u00a0de outras<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/6\/215\/htm\">\u00a0crateras<\/a>, incluindo a amostragem de suas paredes congeladas, forneceram alguns ind\u00edcios do que est\u00e1 ocorrendo. Em 2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-018-31858-9\">Bychkov e seus colegas propuseram a hip\u00f3tese de que<\/a>\u00a0as explos\u00f5es eram uma forma de criovulcanismo que ocorre com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/5\/195\">combina\u00e7\u00e3o explosiva<\/a>\u00a0de g\u00e1s, gelo, \u00e1gua e lama.<\/p>\n<p>As crateras s\u00e3o formadas no interior do permafrost, solo que normalmente permanece congelado durante o ver\u00e3o e recobre\u00a0<a href=\"https:\/\/nsidc.org\/cryosphere\/frozenground\/whereis_fg.html#:~:text=Permafrost%20exists%20where%20the%20ground,(9%20million%20square%20miles).\">mais de 23 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados<\/a>\u00a0do Hemisf\u00e9rio Norte. Ao que parece, elas se originam em bols\u00f5es profundos de solo n\u00e3o congelado, conhecidos como taliks. Taliks s\u00e3o comumente formados embaixo de lagos onde a \u00e1gua da superf\u00edcie aquece e isola o solo embaixo. No entanto os lagos s\u00e3o forma\u00e7\u00f5es que sofrem altera\u00e7\u00f5es constantemente devido ao congelamento e derretimento do permafrost circundante e, assim, \u00e9 comum encherem ou<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/269040262_Thermokarst_Lakes_Drainage_and_Drained_Basins\">\u00a0esvaziarem inteiramente<\/a>. E, com o esvaziamento de um lago, o solo inicia o congelamento.<\/p>\n<p>\u201cO recongelamento pode ocorrer por baixo, nas laterais e no topo, dessa forma, congela em todas as dire\u00e7\u00f5es\u201d, afirma\u00a0<a href=\"http:\/\/ine.uaf.edu\/werc\/people\/faculty\/katey-walter-anthony\/\">Katey Walter Anthony<\/a>, ecologista da Universidade do Alasca em Fairbanks. Como o<strong>\u00a0<\/strong>gelo ocupa mais espa\u00e7o do que a \u00e1gua, a expans\u00e3o do gelo espreme o lodo descongelado, concentrando e pressurizando o g\u00e1s e a \u00e1gua, que acaba se projetando na superf\u00edcie em uma protuber\u00e2ncia denominada hidrolac\u00f3lito.<\/p>\n<p>Nem todas as crateras est\u00e3o associadas a lagos, observa Natali. Taliks podem se formar em outras situa\u00e7\u00f5es, como dentro de uma zona subterr\u00e2nea com alto teor de sal, o que reduz a temperatura de congelamento da \u00e1gua. Alguns hidrolac\u00f3litos s\u00e3o continuamente alimentados por baixo devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Hidrolac\u00f3litos s\u00e3o comuns em todo o \u00c1rtico, existindo\u00a0<a href=\"https:\/\/tc.copernicus.org\/articles\/5\/13\/2011\/tc-5-13-2011.html\">mais de 11 mil<\/a>\u00a0espalhados pelo Hemisf\u00e9rio Norte. Mas tudo indica que explos\u00f5es formadoras de crateras s\u00e3o muito mais raras, tendo sido observadas apenas nas Pen\u00ednsulas de Yamal e Guida, na Sib\u00e9ria. E essas explos\u00f5es requerem grande quantidade de um ingrediente espec\u00edfico: g\u00e1s.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/magazine\/2017\/10\/nenets-yamal-herders-energy-development\/\">O g\u00e1s natural \u00e9 abundante no oeste da Sib\u00e9ria\u00a0<\/a>e parte dele provavelmente se infiltra pelas rachaduras e zonas porosas no solo at\u00e9 chegar ao talik lodoso. Mas h\u00e1 outras poss\u00edveis fontes de g\u00e1s. Micr\u00f3bios se alimentam de mat\u00e9ria org\u00e2nica e expelem\u00a0<a href=\"https:\/\/climate.nasa.gov\/news\/2785\/unexpected-future-boost-of-methane-possible-from-arctic-permafrost\/\">metano ou di\u00f3xido de carbono<\/a>. Parte do g\u00e1s tamb\u00e9m pode ser proveniente da degrada\u00e7\u00e3o dos chamados hidratos de metano, uma estrutura cristalina.<\/p>\n<p>\u201cPode n\u00e3o haver um fator \u00fanico\u201d, pondera Natali. Diferentes ac\u00famulos de terra e gelo podem ter emissores de g\u00e1s discretamente distintos, mas todos os gases provavelmente servem a um prop\u00f3sito semelhante: pressurizar. Seja por causa da crescente press\u00e3o gasosa ou da desestabiliza\u00e7\u00e3o da calota de gelo na parte de cima, o sistema acaba produzindo uma poderosa explos\u00e3o capaz de expelir lodo at\u00e9 a superf\u00edcie e deixar uma cratera acentuada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como champanhe\u201d, afirma Bychkov.<\/p>\n<h3><strong>V\u00ednculos clim\u00e1ticos e outros<\/strong><\/h3>\n<p>Estudar as explos\u00f5es pode ajudar a entender algumas das explos\u00f5es geladas existentes em outros corpos celestes do sistema solar. Especificamente, as crateras siberianas podem ser um an\u00e1logo intrigante do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2018\/09\/news-ice-volcanoes-ceres-nasa-dawn-dwarf-planets-space\/\">vulcanismo de gelo no planeta-an\u00e3o Ceres<\/a>, que, ao contr\u00e1rio de muitos planetas gelados onde ocorre criovulcanismo, possui alguns dos mesmos ingredientes encontrados no \u00c1rtico, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/science.gsfc.nasa.gov\/sed\/bio\/lynnae.c.quick\">Lynnae Quick,<\/a>\u00a0geof\u00edsica planet\u00e1ria especializada em criovulcanismo do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa.<\/p>\n<p>\u201cCeres \u00e9 bastante interessante por ter um componente de solo rochoso que participa de processos n\u00e3o encontrados em luas geladas\u201d, conta Quick. \u201cAinda estamos tentando descobrir o significado das imagens obtidas do planeta-an\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Da mesma forma, ainda restam mist\u00e9rios sobre as crateras siberianas. Um deles \u00e9 seu v\u00ednculo com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O \u00c1rtico tem sofrido uma sucess\u00e3o de aumentos extraordin\u00e1rios nas temperaturas nos \u00faltimos anos. Apenas neste ver\u00e3o no Hemisf\u00e9rio Norte, em 20 de junho, a pequena cidade de Verkhoyansk, na R\u00fassia,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/2020\/06\/what-100-degree-day-siberia-means-climate-change\/\">atingiu causticantes 38<sup>o<\/sup>C<\/a>, a temperatura mais alta j\u00e1 registrada na regi\u00e3o desde o in\u00edcio dos levantamentos em 1885.<\/p>\n<p>Embora as crateras pare\u00e7am ter proliferado desde sua descoberta em 2014, o fen\u00f4meno pode existir h\u00e1 milhares de anos e s\u00f3 foi percebido recentemente, afirma Walter Anthony. Os voos sobre a regi\u00e3o tornaram-se mais comuns e houve um enorme crescimento da popula\u00e7\u00e3o de Yamal, em especial. \u201cAgora h\u00e1 uma ferrovia e cidades enormes\u201d, conta Bychkov.<\/p>\n<p>O clima mais quente, contudo, pode contribuir para explos\u00f5es mais frequentes, j\u00e1 que o derretimento pode desestabilizar a calota de gelo sobre os bols\u00f5es gasosos e provocar uma explos\u00e3o. O derretimento tamb\u00e9m poderia aumentar as conex\u00f5es entre o solo e a superf\u00edcie, criando \u201cchamin\u00e9s\u201d atrav\u00e9s das quais os gases profundos podem se infiltrar mais facilmente para cima at\u00e9 atingir os taliks, acrescenta Walter Anthony.<\/p>\n<p>Ao observar o quadro mais amplo de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, as emiss\u00f5es de metano e di\u00f3xido de carbono em cada explos\u00e3o provavelmente s\u00e3o insignificantes. Mas as explos\u00f5es podem fornecer um \u201cvislumbre em curto prazo de um fen\u00f4meno em longo prazo\u201d, afirma Walter Anthony.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 afetaram bastante o \u00c1rtico, que est\u00e1 aquecendo a um ritmo ao menos duas vezes mais acelerado do que o restante do planeta. Uma camada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/topics\/earth-and-planetary-sciences\/permafrost\">cada vez mais espessa<\/a>\u00a0de permafrost rico em carbono descongela a cada ano \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/environment\/2018\/08\/news-arctic-permafrost-may-thaw-faster-than-expected\/\">e, em alguns locais, o solo n\u00e3o est\u00e1 voltando a congelar, at\u00e9 mesmo nos meses de inverno<\/a>. Tal descongelamento permite que micr\u00f3bios se alimentem do material org\u00e2nico antes congelado e emitam di\u00f3xido de carbono ou metano. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es maiores. O permafrost atua como uma tampa sobre as reservas de g\u00e1s metano geol\u00f3gico nas profundezas do subsolo e assim reduz a dispers\u00e3o do g\u00e1s na atmosfera, explica Walter Anthony. Com o derretimento do permafrost, essa tampa pode ficar com cada vez mais orif\u00edcios que permitem que o metano escape \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Walter Anthony\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ngeo1480\">estuda<\/a>\u00a0esse fen\u00f4meno em\u00a0<a href=\"https:\/\/hess.copernicus.org\/preprints\/hess-2020-420\/\">lagos do \u00c1rtico<\/a>\u00a0e observa que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3263\/10\/5\/170\/htm\">estudos recentes<\/a>\u00a0sobre a forma\u00e7\u00e3o de crateras podem j\u00e1 ter mais evid\u00eancias das borbulhas do g\u00e1s profundo at\u00e9 a superf\u00edcie. \u201c\u00c0 medida que o permafrost se transforma de um peda\u00e7o de queijo\u00a0<em>cheddar<\/em>\u00a0para um queijo su\u00ed\u00e7o, esses fen\u00f4menos ser\u00e3o cada vez mais comuns\u201d, conta ela.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um mist\u00e9rio na hist\u00f3ria das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao sobrevoar a vasta tundra siberiana recentemente, uma equipe de TV russa\u00a0avistou uma forma\u00e7\u00e3o intrigante:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134568,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/cratera.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ao sobrevoar a vasta tundra siberiana recentemente, uma equipe de TV russa\u00a0avistou uma forma\u00e7\u00e3o intrigante:","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134567"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134567\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134568"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}