{"id":134446,"date":"2020-09-26T18:32:55","date_gmt":"2020-09-26T21:32:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134446"},"modified":"2020-09-26T18:32:55","modified_gmt":"2020-09-26T21:32:55","slug":"populacoes-tradicionais-nao-sao-responsaveis-por-destruicao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/populacoes-tradicionais-nao-sao-responsaveis-por-destruicao-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00f5es tradicionais n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-desmatamento-madeira-ilegal-abre_0.jpg?w=1600&amp;h=1023\" alt=\"amazonia-queimadas-desmatamento\" width=\"639\" height=\"409\" \/><\/p>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"paragraph\">\n<p>\u201cO fogo est\u00e1 se tornando uma coisa perigosa, conta Pedro Pantoja, 69 anos, conhecido como Seu Pedrinho. \u201cSe tiver outro jeito para o pessoal fazer seu plantio sem queimadas, vai ser muito melhor&#8221;, explica o ribeirinho, um dos mais antigos moradores da comunidade de Jamaraqu\u00e1, na Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s, noroeste do Par\u00e1, onde cada produtor tem o seu pequeno ro\u00e7ado para plantar mandioca e uma data pr\u00f3pria para queimar a \u00e1rea. \u201cEm outubro ou novembro, mais perto da \u00e9poca de chuvas, o pessoal se organiza para a queima\u201d.<\/p>\n<p>A Flona do Tapaj\u00f3s \u00e9 uma das unidades de conserva\u00e7\u00e3o mais visitadas da Regi\u00e3o Norte e uma das mais pesquisadas da Amaz\u00f4nia. O rio que empresta o nome \u00e0 Flona \u00e9 o protagonista de uma das maiores e mais belas bacias fluviais de toda a Amaz\u00f4nia e \u00e9 conhecido pelas praias de areia branca \u2013 suas \u00e1guas tamb\u00e9m banham o mundialmente famoso distrito de Alter do Ch\u00e3o, no qual pousadas com ar-condicionado e restaurantes de comida t\u00edpica oferecem card\u00e1pios em ingl\u00eas. Na Flona, onde vivem mais de quatro mil pessoas distribu\u00eddas por 23 comunidades e tr\u00eas aldeias ind\u00edgenas, o turismo \u00e9 mais r\u00fastico, e o rio Tapaj\u00f3s \u00e9 o centro da vida comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em Jamaraqu\u00e1, uma das maiores comunidades da Flona, o turismo, ainda que incipiente, \u00e9 uma das principais fontes de trabalho e renda para as 40 fam\u00edlias que l\u00e1 vivem, juntamente com o seringal e o cultivo de frutas \u2013 al\u00e9m, \u00e9 claro, da mandioca. Cada fam\u00edlia ainda tem um pequeno ro\u00e7ado para a mandioca em seu terreno, que \u00e9 preparado com o uso do fogo \u2013 na aus\u00eancia de m\u00e9todos mecanizados, como o uso de tratores, os pequenos agricultores da Amaz\u00f4nia utilizam o fogo para a renova\u00e7\u00e3o do solo em seu sistema de altern\u00e2ncia de cultivos. Da mandioca, vem a farinha para consumo pr\u00f3prio, e o excedente \u00e9 vendido na feira de produtores familiares no munic\u00edpio de Santar\u00e9m. A mandioca \u2013 e, com ela, o fogo \u2013 faz parte da vida dos ribeirinhos h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-7.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-7.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"floresta amazonica queima\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-7.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"floresta amazonica queima\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Trecho de floresta queima no Par\u00e1. No primeiro semestre de 2020,\u00a0im\u00f3veis rurais de m\u00e9dio e grande portes registraram metade do focos de calor na Amaz\u00f4nia, os pequenos e assentamentos somaram 21%, de acordo com o Ipam.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-1.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-1.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-1.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Trecho de floresta desmatado e queimado no Par\u00e1.\u00a0O que o fogo n\u00e3o destr\u00f3i imediatamente, agoniza por muito tempo. Estudos estimam a morte lenta de at\u00e9 metade das \u00e1rvores tr\u00eas anos ap\u00f3s a ocorr\u00eancia de um inc\u00eandio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Seu Pedrinho conta que os comunit\u00e1rios conhecem outras t\u00e9cnicas de plantio sem fogo, como o sistema agroflorestal e o uso de tratores para preparar o solo, mas dependem de ajuda e conhecimento externo. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos suporte t\u00e9cnico. Se voc\u00ea quiser continuar a plantar mandioca, precisa limpar o mato&#8221;. O \u201cmato&#8221; \u00e9 a vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, ou capoeira. Depois de colher a mandioca, o agricultor deixa o terreno descansar durante anos, enquanto cultiva a \u00e1rea ao lado. Nesse tempo, chamado de pousio, a vegeta\u00e7\u00e3o daquele espa\u00e7o se regenera e contribui com servi\u00e7os ambientais, como manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, filtragem da \u00e1gua e preven\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o do solo. Quando chega o momento de reutilizar o terreno em descanso, seu Pedrinho corta a mata de capoeira (ou floresta secund\u00e1ria) e queima a biomassa para fertilizar a terra \u2013 as cinzas guardam nutrientes, como f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>fogo de manejo agropecu\u00e1rio<\/strong>, utilizado por pequenos produtores rurais \u2013 como seu<em>\u00a0<\/em>Pedrinho \u2013, povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es tradicionais na\u00a0<strong>agricultura de subsist\u00eancia,\u00a0<\/strong>\u00e9 caracterizado por inc\u00eandios em \u00e1reas j\u00e1 desmatadas anteriormente e utilizadas para fins agr\u00edcolas, o que tamb\u00e9m inclui a limpeza de pastagens e lavouras comerciais de grande porte. Os cientistas ainda classificam o fogo na Amaz\u00f4nia em mais dois tipos principais: o\u00a0<strong>fogo de desmatamento<\/strong>, que \u00e9 aquele utilizado na elimina\u00e7\u00e3o da biomassa ap\u00f3s o desmate (atividade quase sempre ilegal na Amaz\u00f4nia), e os\u00a0<strong>inc\u00eandios florestais,\u00a0<\/strong>que s\u00e3o ocasionados quando qualquer um dos tipos de fogo mencionados anteriormente invadem a floresta em p\u00e9. \u201cO manejo do fogo na Amaz\u00f4nia exige a compreens\u00e3o do que est\u00e1 queimando, quais fatores influenciam a extens\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios, e como diferentes aspectos se combinam para tornar as florestas mais inflam\u00e1veis&#8221;, detalha Jos Barlow, pesquisador da Universidade de Lancaster com duas d\u00e9cadas de experi\u00eancia na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Essa diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 importante por v\u00e1rias raz\u00f5es. Uma delas reside no fato de que representantes do governo Bolsonaro t\u00eam repetidamente atribu\u00eddo a responsabilidade pelos inc\u00eandios florestais ao uso tradicional do fogo pelos pequenos produtores rurais das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Mas os dados n\u00e3o sustentam essa narrativa:\u00a0<a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/NT5-V2.pdf\">segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais da Amaz\u00f4nia (Ipam)<\/a>, em 2019, dos 31% de focos de calor registrados em im\u00f3veis rurais (o restante se distribuiu por outras categorias fundi\u00e1rias), 22% estavam naqueles considerados m\u00e9dios ou grandes (maiores do que 440 hectares), enquanto 9% aconteceram em pequenos (menores do que 440 hectares). J\u00e1 no primeiro semestre de 2020, os im\u00f3veis de m\u00e9dio e grande portes registraram sozinhos a metade do n\u00famero de focos de calor na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-16.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-16.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Ibama desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-16.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Ibama desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Fiscais do Ibama localizam ponto de extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira no interior da floresta, com toras j\u00e1 cortadas em forma de t\u00e1bua para o transporte.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-3.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-3.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-3.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Brigadistas do ICMBio arriscam as pr\u00f3prias vidas ao entrar na Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s \u00e0 procura de focos de inc\u00eandio florestal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>An\u00e1lises complementares relacionam de maneira ainda mais direta o fogo ao desmatamento. Uma nova\u00a0<a href=\"https:\/\/globalfiredata.org\/pages\/amazon-dashboard\/\">ferramenta de mapeamento de queimadas<\/a>\u00a0desenvolvida pela Nasa, a ag\u00eancia espacial americana, aponta que 54% dos focos de fogo este ano na Amaz\u00f4nia t\u00eam origem no desmatamento. Uma forma mais efetiva de combater o fogo na regi\u00e3o, portanto, seria reduzir drasticamente o desmatamento. \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 fonte de igni\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem como o fogo escapar para a floresta em p\u00e9\u201d, explica a bi\u00f3loga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora nas Universidades de Oxford e Lancaster.<\/p>\n<h3><strong>A busca por alternativas<\/strong><\/h3>\n<p>No caso do fogo usado na agricultura de subsist\u00eancia, as pr\u00e1ticas de cultivo foram herdadas das popula\u00e7\u00f5es originais. Ainda hoje, ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia repetem os m\u00e9todos milenares usados por seus ancestrais. O fogo \u00e9 um recurso primordial para o preparo da mandioca e de outros alimentos; faz parte da forma\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica dos povos, estando presente em ritos de passagem e celebra\u00e7\u00f5es; e \u00e9 usado na obten\u00e7\u00e3o de materiais para moradia.<\/p>\n<p>Do papel na forma\u00e7\u00e3o da identidade cultural de diferentes povos ao uso como ferramenta de trabalho para o plantio no ro\u00e7ado, o fogo \u00e9 indispens\u00e1vel no dia a dia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Mas o modo de vida secular na Amaz\u00f4nia rural come\u00e7a a sentir de maneira mais direta os impactos da crise clim\u00e1tica provocada, em primeira inst\u00e2ncia, pela parcela industrializada da humanidade. O clima mudou a tal ponto, que a floresta, mais seca e inflam\u00e1vel, parece incompat\u00edvel com os velhos h\u00e1bitos. \u201cAntigamente&#8221;, conta seu Pedrinho, \u201co trabalho na ro\u00e7a era das 7 horas da manh\u00e3 at\u00e9 o meio dia, mas hoje se voc\u00ea for pro ro\u00e7ado \u00e0s 10 horas j\u00e1 n\u00e3o suporta mais. \u00c9 muito aquecimento&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart__side-col\">\n<div class=\"ngart__side-inner article-sticky\">\n<div class=\"ngart__ad-col\">\n<div class=\"ngart__side-ad\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--large\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-4.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-4.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-4.jpg?w=1280&amp;h=854\" media=\"(max-width: 1280px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"casa de ribeirinho na Amaz\u00f4nia\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-4.jpg?w=1600&amp;h=1067\" alt=\"casa de ribeirinho na Amaz\u00f4nia\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p dir=\"ltr\">Na cozinha simples da casa de madeira \u00e0 beira do rio Tapaj\u00f3s \u00e9 preparada a mandioca plantada com m\u00e9todos tradicionais, que envolvem o uso do fogo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gr-wrap ngart__group\">\n<div class=\"ngart__main-col\">\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-2.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-2.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"As palafitas da casa de Pedro Pantoja, o seu Pedrinho,&amp;nbsp;na Flona Tapaj\u00f3s, costumavam ficar embaixo d'\u00e1gua ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-2.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"As palafitas da casa de Pedro Pantoja, o seu Pedrinho,&amp;nbsp;na Flona Tapaj\u00f3s, costumavam ficar embaixo d'\u00e1gua ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>As palafitas da casa de Pedro Pantoja, o seu Pedrinho,\u00a0na Flona Tapaj\u00f3s, costumavam ficar embaixo d&#8217;\u00e1gua na esta\u00e7\u00e3o chuvosa, uma realidade alterada pelo clima mais seco.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-8.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-8.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-8.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>De caderno em m\u00e3os, a\u00a0soci\u00f3loga Angela Steward, da Universidade Federal do Par\u00e1, trabalha com ribeirinhas na comunidade Jamaraqu\u00e1, nas margens do Tapaj\u00f3s, em projeto que busca tecnologias alternativas ao fogo na agricultura de subsist\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Na ro\u00e7a, os pequenos produtores rurais t\u00eam suas t\u00e9cnicas para evitar que o fogo da agricultura de subsist\u00eancia escape. Seu Pedrinho conta que a fam\u00edlia e os vizinhos se re\u00fanem para fazer o aceiro, como \u00e9 chamado o processo de limpeza da vegeta\u00e7\u00e3o em volta do terreno para impedir que mais material combust\u00edvel esteja \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das chamas. Com at\u00e9 tr\u00eas metros de largura, e a uma dist\u00e2ncia de dez metros da faixa de plantio, os comunit\u00e1rios tentam controlar o fogo de ro\u00e7ado e impedir que ele se transforme em inc\u00eandio florestal.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m tomam outros cuidados, como acender o fogo nos per\u00edodos menos quentes do dia, contra o vento e da borda da \u00e1rea para dentro. \u201cQuanto mais pessoas, melhor, porque elas ajudam a apagar\u201d, explica. No passado, havia mais gente, mas hoje, por conta do \u00eaxodo de jovens que partem das comunidades no interior da Amaz\u00f4nia para buscar educa\u00e7\u00e3o ou sa\u00fade nas zonas urbanas, h\u00e1 menos m\u00e3os dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cOs comunit\u00e1rios t\u00eam uma percep\u00e7\u00e3o forte dos problemas que surgem com o aumento do escape do fogo, tanto os da Flona do Tapaj\u00f3s quanto os da Reserva Extrativista Tapaj\u00f3s-Arapiuns\u201d, conta Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental. A Resex Tapaj\u00f3s-Arapiuns, mencionada pela cientista, fica do outro lado do rio numa \u00e1rea de mais de 6 mil quil\u00f4metros quadrados. Nas 75 comunidades, 13 mil pessoas vivem principalmente da agricultura de subsist\u00eancia, da cria\u00e7\u00e3o de pequenos animais e do extrativismo. Por causa das suas atividades econ\u00f4micas, os moradores da Resex sentem bastante os impactos do fogo. Os inc\u00eandios diminuem a ca\u00e7a e os frutos para venda e consumo, al\u00e9m de destruir colmeias de abelha e produtos medicinais extra\u00eddos da floresta.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a recente \u00e9 o aumento de animais pe\u00e7onhentos, como escorpi\u00f5es e cobras, algo in\u00e9dito na literatura, de acordo com Joice Ferreira. A pesquisadora coordena um projeto na Resex e na Flona centrado na din\u00e2mica do fogo na agricultura familiar. Mais de 500 moradores das duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 participaram das oficinas do projeto, inclusive seu Pedrinho.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-11.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-11.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Em Porto Velho, Rond\u00f4nia, fogo intencional avan\u00e7a sobre uma \u00e1rea de pasto, colocando em risco a ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-11.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"Em Porto Velho, Rond\u00f4nia, fogo intencional avan\u00e7a sobre uma \u00e1rea de pasto, colocando em risco a ...\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Em Porto Velho, Rond\u00f4nia, fogo intencional avan\u00e7a sobre uma \u00e1rea de pasto, colocando em risco a floresta ao redor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-9.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-9.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-9.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A caminho da Terra Ind\u00edgena Uru-eu-wau-wau, em Rond\u00f4nia, onde vivem povos isolados, as marcas de um inc\u00eandio fora de controle em uma fazenda de gado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-10.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-10.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-10.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>A pecu\u00e1ria, uma das principais causas do desmatamento, pode gerar impactos negativos de longo prazo pelo uso do fogo na limpeza de pasto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Os encontros s\u00e3o feitos em uma comunidade de f\u00e1cil acesso, e todas as outras s\u00e3o convidadas a participar. Por meio de conversas e din\u00e2micas, os pesquisadores buscam entender como os comunit\u00e1rios veem o fogo, quais os riscos inerentes e sua percep\u00e7\u00e3o dos mesmos, quais fatores aumentaram os inc\u00eandios ao longo do tempo e quais as alternativas poss\u00edveis. O projeto, desenvolvido por profissionais de 12 institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa nacionais e internacionais, incluindo \u00f3rg\u00e3os federais, come\u00e7ou em abril de 2019 e vai at\u00e9 2022. Em abril deste ano, teria sido realizado um curso sobre biodiversidade, risco de fogo e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para professores da regi\u00e3o, mas, com a pandemia, o planejamento anual sofreu altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs comunit\u00e1rios t\u00eam interesse em reduzir o fogo e t\u00eam vontade de entender melhor como funcionam os sistemas de agricultura sem queima e os sistemas agroflorestais, mas se veem aprisionados na situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e3o\u201d, explica Joice Ferreira. \u201cFalar em proibir o fogo n\u00e3o \u00e9 fact\u00edvel, porque a mudan\u00e7a das pr\u00e1ticas depende de ferramentas que eles n\u00e3o t\u00eam.\u201d<\/p>\n<p>Em locais da Amaz\u00f4nia onde pequenos produtores t\u00eam acesso a maquin\u00e1rios cedidos pelo poder p\u00fablico, o agricultor paga o aluguel por hora e o combust\u00edvel, al\u00e9m de arcar com os custos do adubo em alguns casos. O fogo, por outro lado, \u00e9 barato e f\u00e1cil de adotar. \u201cDo ponto de vista ambiental e de diminui\u00e7\u00e3o de risco, seria importante acabar com o fogo, mas quando voc\u00ea pensa que as pr\u00e1ticas com fogo na agricultura s\u00e3o milenares, precisamos entender, junto com os produtores, como eles se adaptam a uma mudan\u00e7a de regime de clima\u201d, afirma a cientista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-13.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-13.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"BR-163 Flona Tapaj\u00f3s e \u00e1rea desmatada\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-13.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"BR-163 Flona Tapaj\u00f3s e \u00e1rea desmatada\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Nas proximidades de Santar\u00e9m, no Par\u00e1,\u00a0a BR-163 separa a Flona Tapaj\u00f3s de uma \u00e1rea rec\u00e9m-desmatada para a abertura de pasto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-6.jpg?w=768&amp;h=512\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-6.jpg?w=1024&amp;h=683\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento-6\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/amazonia-queimadas-e-desmatamento-6.jpg?w=710&amp;h=474\" alt=\"amazonia-queimadas-e-desmatamento-6\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Em Belterra, munic\u00edpio no oeste do Par\u00e1 conhecido pela produ\u00e7\u00e3o de soja, uma grande \u00e1rea de floresta \u00e9 desmatada e, ap\u00f3s algumas semanas, queimada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">FLAVIO FORNER<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Um dos principais objetivos do projeto, chamado Sem Flama, \u00e9 construir um sistema de alerta e previs\u00e3o de inc\u00eandios a partir dos dados coletados nos encontros. O sistema vai melhorar a visualiza\u00e7\u00e3o dos focos de fogo, evitar ou tornar a resposta aos inc\u00eandios mais r\u00e1pida na Resex e na Flona. O sistema, sob a coordena\u00e7\u00e3o do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, vai conter informa\u00e7\u00f5es sobre a localiza\u00e7\u00e3o das comunidades na regi\u00e3o, a densidade populacional de cada uma, onde h\u00e1 mais ro\u00e7ados e quais locais est\u00e3o mais perto de estradas ou de \u00e1reas desmatadas. \u201cA queda r\u00e1pida de umidade vai alimentar o sistema e gerar alertas em determinadas regi\u00f5es. Tanto o ICMBio quanto os comunit\u00e1rios ter\u00e3o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e poder\u00e3o responder rapidamente ao evento, com brigadistas externos e com pessoas da comunidade treinadas no combate a inc\u00eandios\u201d, explica Joice.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 da terra e do rio que tiramos o sustento. Se voc\u00ea acabar com a floresta e queimar, o que vai fazer depois? N\u00e3o vai ter fruta, n\u00e3o vai ter ca\u00e7a, n\u00e3o vai ter mais floresta\u201d, fala seu Pedrinho. Sua sabedoria rudimentar, talhada em ro\u00e7a e rio, em nada destoa das cobran\u00e7as vindas do mercado global ao Brasil. Em junho \u00faltimo, gerentes de fundos de investimento estrangeiros, avaliados em 4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, cobraram do governo Bolsonaro o fim do desmatamento, e o parlamento holand\u00eas rejeitou o acordo comercial entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia pelo mesmo motivo. Tal qual fogo e desmatamento na Amaz\u00f4nia, o futuro da floresta mais biodiversa do planeta e o da humanidade est\u00e3o atrelados. Esta realidade, n\u00e3o h\u00e1 cortina de fuma\u00e7a capaz de esconder.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO fogo est\u00e1 se tornando uma coisa perigosa, conta Pedro Pantoja, 69 anos, conhecido como<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cO fogo est\u00e1 se tornando uma coisa perigosa, conta Pedro Pantoja, 69 anos, conhecido como","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134446"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}