{"id":134420,"date":"2020-09-26T14:53:16","date_gmt":"2020-09-26T17:53:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134420"},"modified":"2020-09-26T14:53:16","modified_gmt":"2020-09-26T17:53:16","slug":"perda-da-biodiversidade-marinha-passa-de-80-em-praias-da-bahia-um-ano-apos-vazamento-de-oleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/perda-da-biodiversidade-marinha-passa-de-80-em-praias-da-bahia-um-ano-apos-vazamento-de-oleo\/","title":{"rendered":"Perda da biodiversidade marinha passa de 80% em praias da Bahia um ano ap\u00f3s vazamento de \u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134421\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao completar um ano de uma das maiores trag\u00e9dias ambientais do Brasil, o vazamento de \u00f3leo que atingiu mais de 1 mil praias em toda a costa da regi\u00e3o Nordeste, o\u00a0<a href=\"https:\/\/biologia.ufba.br\/\">Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA)<\/a>\u00a0fez um novo levantamento sobre o impacto da subst\u00e2ncia sobre corais e invertebrados marinhos em quatro localidades do estado: Praia do Forte, Guarajuba, Ganipabu e Itacimirim. Todas elas v\u00eam sendo monitoradas em per\u00edodos frequentes, desde outubro do ano passado, quando as primeiras manchas chegaram ali.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a coleta de amostras, a equipe da UFBA constatou que a situa\u00e7\u00e3o piorou muito depois de doze meses. Em outubro de 2019, na fase aguda da contamina\u00e7\u00e3o, havia 88 esp\u00e9cies de organismos vivos a cada 35 m2 de praia, um n\u00famero que j\u00e1 representava uma perda de 47% da biodiversidade em rela\u00e7\u00e3o a pesquisas anteriores.<\/p>\n<p>Todavia, com o passar do tempo, em vez de melhora, houve uma degrada\u00e7\u00e3o ainda maior nas condi\u00e7\u00f5es analisadas. Em mar\u00e7o deste ano, a queda de esp\u00e9cies chegou a 80% e em julho \u00faltimo, a 83%.<\/p>\n<p>Outros par\u00e2metros analisados tamb\u00e9m apresentaram p\u00e9ssimos resultados. A quantidade de organismos vivos presentes nessas praias (densidade populacional) antes da chegada das manchas de \u00f3leo era de 446 invertebrados nos mesmos 35 m2. Em outubro de 2019, foi registrada uma diminui\u00e7\u00e3o de 65,9% e tanto em mar\u00e7o, maio e julho de 2020, essa porcentagem atingiu 83%.<\/p>\n<p>Outro dado alarmante \u00e9 o que se refere aos corais. Antes da contamina\u00e7\u00e3o pelo petr\u00f3leo, a taxa anual de branqueamento* desses organismos, desde 1995, variava entre 5 e 6%. Em outubro, ela chegou a 51%. Em mar\u00e7o de 2020 saltou para 76%, em maio para 83% e hoje, est\u00e1 em 88%.<\/p>\n<p>\u201cO \u00f3leo que atingiu o litoral do Nordeste era de alta densidade. Apesar da limpeza feita nas praias, durante a noite, essa subst\u00e2ncia foi para o fundo do mar, perto das estruturas dos recifes de corais\u201d, explica o professor Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo esclarece que al\u00e9m da coleta das amostras, o time da UFBA sempre avalia outras condi\u00e7\u00f5es locais, como temperatura, acidez e salinidade da \u00e1gua, por exemplo. Nada foi alterado. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a perda de biodiversidade nessas praias foi ocasionada pelo \u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cComo a limpeza feita nessas \u00e1reas foi incompleta, o veneno continuou presente\u201d, afirma. \u201cEstimo pelo menos uma d\u00e9cada para que a recupera\u00e7\u00e3o seja completa. Isso se n\u00e3o houver nenhuma outra altera\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Kelmo, o \u00f3leo afetou a regi\u00e3o justamente no per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies, que acontece de setembro a mar\u00e7o, e com isso, prejudicou todo esse processo.<\/p>\n<p>\u201cHouve perda de patrim\u00f4nio natural, de esp\u00e9cies e o maior branqueamento j\u00e1 observado at\u00e9 hoje\u201d, denuncia. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito s\u00e9ria e certamente, h\u00e1 um impacto na cadeia alimentar\u201d.<\/p>\n<p>Kelmo ressalta que ainda \u00e9 poss\u00edvel fazer a limpeza nesses locais. \u00c9 um trabalho dif\u00edcil e \u00e1rduo, mas plaus\u00edvel. Segundo o grupo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/guardioes_do_litoral\/\">Guardi\u00f5es do Litoral<\/a>, que atua na regi\u00e3o, ainda existem de 4 a 5 toneladas presentes no litoral baiano.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, n\u00e3o s\u00f3 na Bahia, como em outros estados tamb\u00e9m, como Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, foram relatados avistamentos de pequenas manchas de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Vale lembrar que at\u00e9 hoje ningu\u00e9m foi responsabilizado criminalmente pelo desastre ambiental. A Marinha do Brasil\u00a0finalizou a primeira etapa da investiga\u00e7\u00e3o e afirma que \u201co \u00f3leo \u00e9 de origem venezuelana, o que n\u00e3o significa que ele tenha sido lan\u00e7ado por navios ou empresas daquele pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>*O branqueamento de corais ocorre quando acontece algum\u00a0estresse, normalmente t\u00e9rmico, que faz com que esse organismo expulse as algas microsc\u00f3picas que vivem em simbiose com ele. Essas algas, chamadas zooxantelas, s\u00e3o a principal fonte de\u00a0alimento\u00a0do coral e lhe d\u00e3o cor. Quando isso acontece, o coral passa fome e fica mais suscet\u00edvel a doen\u00e7as. Em muitos casos, acaba morrendo.<\/p>\n<p>Fotos: divulga\u00e7\u00e3o Projeto Conserva\u00e7\u00e3o Recifal<\/p>\n<p>22 de setembro de 2020<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-236269 alignleft\" src=\"https:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/suzana-camargo-conex%C3%A3o-planeta.jpeg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><a href=\"https:\/\/conexaoplaneta.com.br\/blog\/author\/scamargo\/\">Suzana Camargo<\/a><br \/>\nJornalista, j\u00e1 passou por r\u00e1dio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Su\u00ed\u00e7a, de onde colaborou para publica\u00e7\u00f5es brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustent\u00e1vel. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, energias renov\u00e1veis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao completar um ano de uma das maiores trag\u00e9dias ambientais do Brasil, o vazamento de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/oleo-bahia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ao completar um ano de uma das maiores trag\u00e9dias ambientais do Brasil, o vazamento de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134420"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134420\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}