{"id":134267,"date":"2020-09-23T14:00:26","date_gmt":"2020-09-23T17:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134267"},"modified":"2020-09-23T07:04:37","modified_gmt":"2020-09-23T10:04:37","slug":"elefantes-mantidos-em-cativeiro-podem-transmitir-tuberculose-a-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/elefantes-mantidos-em-cativeiro-podem-transmitir-tuberculose-a-pessoas\/","title":{"rendered":"Elefantes mantidos em cativeiro podem transmitir tuberculose a pessoas"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134268\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>LOGO AP\u00d3S A\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o de Hattie, uma elefanta desnutrida mantida em cativeiro no Circo Vargas, no sul da Calif\u00f3rnia, nos EUA, ela morreu durante o transporte para uma fazenda de animais ex\u00f3ticos em Illinois. A causa de sua morte, em 6 de agosto de 1996, foi tuberculose. Exames revelaram que outro elefante do grupo do circo de Hattie tamb\u00e9m havia sido contaminado.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, ap\u00f3s as mortes de v\u00e1rios elefantes famosos mantidos em cativeiro nos Estados Unidos, veterin\u00e1rios constataram que os animais haviam contra\u00eddo a cepa humana da tuberculose. Desde ent\u00e3o, mais de 60 elefantes em cativeiro, alguns dos quais j\u00e1 morreram, tiveram a doen\u00e7a confirmada, afirma\u00a0<a href=\"http:\/\/elephantcare.org\/about\/\">Susan Mikota<\/a>, cofundadora da Elephant Care International, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos que presta atendimento de sa\u00fade a elefantes. No ano passado, um elefante foi diagnosticado com tuberculose no Zool\u00f3gico Point Defiance, no estado de Washington, e outro no Zool\u00f3gico de Oregon, em Portland. Atualmente, estima-se que entre\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/01652176.2013.772690\">5%<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/cvi.asm.org\/content\/13\/7\/722#:~:text=Elephant%20TB%20has%20recently%20emerged,are%20up%20to%206%25%20(S.%20K.\">6%<\/a>\u00a0 dos quase 400 elefantes mantidos em zool\u00f3gicos, santu\u00e1rios e circos dos Estados Unidos estejam contaminados com tuberculose.<\/p>\n<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que fiscaliza o cumprimento da Lei de Bem-Estar Animal, n\u00e3o exige exames de tuberculose.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/onehealth\/basics\/zoonotic-diseases.html\">Tr\u00eas em cada quatro<\/a>\u00a0doen\u00e7as infecciosas novas ou emergentes em pessoas s\u00e3o transmitidas por animais, segundo os Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC), o que ressalta a import\u00e2ncia de conter a transmiss\u00e3o de tuberculose entre os elefantes em cativeiro, afirma Fleur Dawes, diretora de comunica\u00e7\u00f5es da In Defense of Animals, organiza\u00e7\u00e3o de bem-estar animal que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.idausa.org\/campaign\/elephants\/\">faz campanhas<\/a>\u00a0para que os elefantes n\u00e3o sejam mais mantidos em cativeiro.<\/p>\n<p>Existem diversas cepas de tuberculose \u2014 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tballiance.org\/why-new-tb-drugs\/global-pandemic\">infec\u00e7\u00e3o bacteriana<\/a>\u00a0que pode ser transmitida pelo ar e por meio da tosse ou do espirro de pessoas. Acredita-se que os elefantes contaminados espalhem tuberculose ao expelir l\u00edquidos ou ar de suas trombas, embora nenhum estudo tenha confirmado esta hip\u00f3tese. Os elefantes podem contrair cepas humanas e bovinas. O tratamento indicado para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mayoclinic.org\/diseases-conditions\/tuberculosis\/diagnosis-treatment\/drc-20351256\">pessoas<\/a>\u00a0e tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC5382730\/\">elefantes\u00a0<\/a>\u00e9 medicamentoso e tem dura\u00e7\u00e3o de meses.<\/p>\n<p>Assim como os elefantes podem contrair a doen\u00e7a de pessoas, tamb\u00e9m podem transmiti-la de volta para os humanos. Ali\u00e1s, 11 dentre os 22 tratadores de elefantes na fazenda de animais ex\u00f3ticos de Illinois, para onde Hattie estava sendo transportada, tiveram rea\u00e7\u00f5es positivas a um teste cut\u00e2neo de tuberculose em 1996 \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC2640151\/pdf\/9621200.pdf\">os primeiros casos conhecidos<\/a>\u00a0de transmiss\u00e3o de tuberculose de elefantes para humanos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Adam Langer, chefe da divis\u00e3o de vigil\u00e2ncia, epidemiologia e investiga\u00e7\u00f5es de surtos do CDC, explica que a bact\u00e9ria da tuberculose pode permanecer no ar por v\u00e1rias horas, dependendo do ambiente. O risco de exposi\u00e7\u00e3o depende de fatores como a concentra\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias no ar, o tempo de exposi\u00e7\u00e3o da pessoa, o tamanho do recinto e o sistema de ventila\u00e7\u00e3o. Embora o contato prolongado apresente maior probabilidade de cont\u00e1gio, \u201co cont\u00e1gio \u00e9 poss\u00edvel ap\u00f3s uma breve exposi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Langer.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/w88n04.jpg?w=768&amp;h=558\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/w88n04.jpg?w=1024&amp;h=744\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Em 1996, dias ap\u00f3s sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o no circo, Hattie morreu de tuberculose. Ap\u00f3s a morte ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/w88n04.jpg?w=710&amp;h=516\" alt=\"Em 1996, dias ap\u00f3s sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o no circo, Hattie morreu de tuberculose. Ap\u00f3s a morte ...\" width=\"640\" height=\"465\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Em 1996, dias ap\u00f3s sua \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o no circo, Hattie morreu de tuberculose. Ap\u00f3s a morte de v\u00e1rios elefantes famosos mantidos em cativeiro nos Estados Unidos na d\u00e9cada de 1990, veterin\u00e1rios constataram que os animais podiam transmitir a cepa humana da tuberculose.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">ALPHA STOCK \/ ALAMY STOCK PHOTO<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<p>Devido ao imenso porte dos elefantes e a seus \u201cpulm\u00f5es especialmente grandes, esses animais podem expelir uma quantidade relativamente alta de bact\u00e9rias no ar em torno deles\u201d, afirma Langer. \u201cPor isso, respirar o mesmo ar de um elefante com tuberculose pode representar um risco de contamina\u00e7\u00e3o maior do que uma exposi\u00e7\u00e3o id\u00eantica a uma outra pessoa.\u201d As pessoas com o maior risco s\u00e3o aquelas que passam \u201ctempo consider\u00e1vel em ambientes fechados com um elefante com tuberculose infecciosa\u201d. Especialistas afirmam que o risco de cont\u00e1gio de visitantes de zool\u00f3gicos e circos \u00e9 baixo.<\/p>\n<p>Apesar das atuais preocupa\u00e7\u00f5es com a covid-19, 1,5 milh\u00e3o de pessoas morreram de tuberculose em todo o mundo em 2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/tuberculosis\">segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>, o que torna a doen\u00e7a a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tballiance.org\/why-new-tb-drugs\/global-pandemic\">principal causa de morte por infec\u00e7\u00e3o\u00a0<\/a>no mundo (em 3 de setembro, havia quase 860 mil mortes informadas em todo o mundo em decorr\u00eancia da covid-19).<\/p>\n<p>O risco de transmiss\u00e3o da tuberculose foi \u201cignorado por tempo demais\u201d, afirma Dawes. \u201cInfelizmente, um acontecimento como esta pandemia parece ter sido essencial para demonstrar a gravidade dos poss\u00edveis riscos.\u201d<\/p>\n<p>Passadas duas d\u00e9cadas ap\u00f3s os primeiros casos de transmiss\u00e3o de tuberculose de elefantes a pessoas, o cont\u00e1gio ainda persiste. No ano passado, no Zool\u00f3gico Point Defiance, no estado de Washington,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pdza.org\/connect\/newsroom\/press-releases\/staff-test-positive-for-latent-tuberculosis\/\">oito funcion\u00e1rios<\/a>\u00a0testaram positivo para uma forma latente ou inativa de tuberculose.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.king5.com\/article\/news\/local\/point-defiance-elephants-tb-tuberculosis-zoo\/281-79506627-5fab-45ab-9d50-bbc61f629893\">Provavelmente contra\u00edram<\/a>\u00a0a doen\u00e7a dos dois elefantes do zool\u00f3gico, Hanako e Suki, que testaram positivo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pdza.org\/connect\/newsroom\/press-releases\/elephants-test-positive-for-tuberculosis\/\">dois meses depois<\/a>. Em fevereiro, Hanako (que tamb\u00e9m teve c\u00e2ncer na pata dianteira esquerda e artrose avan\u00e7ada) foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pdza.org\/connect\/newsroom\/press-releases\/hanako-the-elephant-is-euthanized\/\">sacrificada<\/a>. Suki, uma elefanta idosa de 55 anos, ainda est\u00e1 viva, mas o zool\u00f3gico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.king5.com\/article\/news\/local\/point-defiance-elephants-tb-tuberculosis-zoo\/281-79506627-5fab-45ab-9d50-bbc61f629893\">anunciou em novembro passado<\/a>\u00a0que ela n\u00e3o receberia tratamento porque o medicamento poderia enfraquecer seu sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<h3>N\u00e3o existe um exame de tuberculose ideal para elefantes<\/h3>\n<p>Da mesma forma em que h\u00e1 tantas dificuldades em conduzir testes de covid-19 em humanos, testes de tuberculose em animais de grande porte como os elefantes tamb\u00e9m s\u00e3o um desafio descomunal. Existem diferentes opini\u00f5es sobre os melhores m\u00e9todos a serem utilizados.<\/p>\n<p>Para diagnosticar a tuberculose em humanos, s\u00e3o necess\u00e1rios exames de sangue e radiografias de t\u00f3rax, mas \u00e9 imposs\u00edvel obter imagens dos pulm\u00f5es de um elefante com peso superior a 4,5 toneladas. \u201cN\u00e3o temos raios x potentes o suficiente para obter imagens dos pulm\u00f5es desses animais\u201d, afirma Michele Miller, pesquisadora catedr\u00e1tica de tuberculose animal da Universidade de Stellenbosch, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Como a tuberculose pode permanecer em estado latente em elefantes (e pessoas), \u00e9 poss\u00edvel que animais aparentemente saud\u00e1veis estejam contaminados sem que seja poss\u00edvel notar, conta Miller.<\/p>\n<p>Para testar os elefantes, os veterin\u00e1rios t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es: um exame de sangue revela anticorpos contra tuberculose, mas n\u00e3o necessariamente confirma a presen\u00e7a de doen\u00e7a ativa \u2014 em vez disso, pode sinalizar que um elefante teve a doen\u00e7a no passado ou tem tuberculose latente. O outro m\u00e9todo \u00e9 o teste de lavagem da tromba, que isola o organismo causador da doen\u00e7a e consiste em esguichar soro fisiol\u00f3gico dentro da tromba do elefante e, em seguida, coletar o l\u00edquido expelido, analisando se cont\u00e9m a bact\u00e9ria da tuberculose.<\/p>\n<p>Nenhum dos testes \u00e9 perfeito e ambos podem produzir resultados falsos positivos ou negativos.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito em jogo quando um elefante est\u00e1 contaminado. Os veterin\u00e1rios fazem o juramento de Hip\u00f3crates e prometem proteger a sa\u00fade humana e animal, portanto, o \u00faltimo recurso \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o de eutan\u00e1sia devido ao poss\u00edvel risco de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a de um elefante a seus tratadores, explica Kay Backues, diretora de sa\u00fade animal do Zool\u00f3gico de Tulsa, em Oklahoma.<\/p>\n<p>O tratamento de tuberculose de um elefante n\u00e3o tem apenas um custo exorbitante, \u2014 at\u00e9 US$ 60 mil \u2014 mas tamb\u00e9m pode causar efeitos colaterais graves, como danos ao f\u00edgado e perda de apetite. Al\u00e9m disso, se o teste for um falso positivo, conta Miller, \u201co animal em quest\u00e3o passar\u00e1 por um tratamento desnecess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img ngart-img--medium\">\n<div class=\"ngart-img__cntr\" tabindex=\"0\" role=\"button\"><picture class=\"resp-img-cntr\"><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/ap_75615342710.jpg?w=768&amp;h=519\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/ap_75615342710.jpg?w=1024&amp;h=692\" media=\"(max-width: 1024px)\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Packy, no Zool\u00f3gico de Oregon, em Portland, toma seu banho matinal. Ele foi sacrificado em fevereiro ...\" src=\"https:\/\/static.nationalgeographicbrasil.com\/files\/styles\/image_3200\/public\/ap_75615342710.jpg?w=710&amp;h=480\" alt=\"Packy, no Zool\u00f3gico de Oregon, em Portland, toma seu banho matinal. Ele foi sacrificado em fevereiro ...\" width=\"640\" height=\"433\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont\">\n<div class=\"ngart-img__cont__copy\">\n<p>Packy, no Zool\u00f3gico de Oregon, em Portland, toma seu banho matinal. Ele foi sacrificado em fevereiro de 2017, ap\u00f3s desenvolver uma cepa de tuberculose resistente a medicamentos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ngart-img__cont__author\">FOTO DE\u00a0<span class=\"ngart-img__cont--strong\">RANDY L. RASMUSSEN, AP PHOTO<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"paragraph\">\n<div>\n<h3>Dois testes s\u00e3o melhores do que um<\/h3>\n<p>Em 2013, no Zool\u00f3gico de Oregon, em Portland, uma amostra de rotina coletada por meio de lavagem da tromba de um elefante asi\u00e1tico macho de 29 anos chamado Rama testou positivo para tuberculose, embora o elefante n\u00e3o tivesse manifestado nenhum sintoma.<\/p>\n<p>Elefantes em cativeiro fazem exames de sangue regularmente e, ap\u00f3s a an\u00e1lise de uma amostra conservada do sangue de Rama, coletada em maio de 2012, foram encontrados anticorpos de tuberculose \u2014 cerca de um ano antes do seu teste de lavagem de tromba ter apresentado resultado positivo pela primeira vez. Dois outros elefantes no zool\u00f3gico \u2014 o pai de Rama, Packy, e seu irm\u00e3o, Tusko \u2014 tamb\u00e9m continham anticorpos no sangue. \u00c9 poss\u00edvel que Tusko j\u00e1 tivesse anticorpos desde 2005.<\/p>\n<p>Packy foi sacrificado mais tarde porque desenvolveu uma cepa de tuberculose resistente aos medicamentos (Rama e Tusko tamb\u00e9m foram sacrificados, mas por motivos n\u00e3o relacionados \u00e0 tuberculose). Em maio de 2017, quatro anos ap\u00f3s o primeiro diagn\u00f3stico de Rama, uma amostra do teste de lavagem de tromba de uma elefanta chamada Shine testou positivo para tuberculose. O zool\u00f3gico anunciou que ela receberia tratamento. Posteriormente, em setembro de 2019,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oregonzoo.org\/news\/2019\/09\/zoo-cares-asian-elephant-chendra-after-miscarriage\">foi informado<\/a>\u00a0que outra elefanta contaminada, Chendra, iniciaria o tratamento logo ap\u00f3s ela ter sofrido um aborto (o zool\u00f3gico destacou que n\u00e3o houve rela\u00e7\u00e3o entre a tuberculose e o aborto). Nenhuma das elefantas manifestou sintomas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/preview\/mmwrhtml\/mm6452a2.htm\">Sete funcion\u00e1rios do Zool\u00f3gico de Oregon<\/a>\u00a0e um volunt\u00e1rio tamb\u00e9m testou positivo para uma infec\u00e7\u00e3o de tuberculose latente. Os funcion\u00e1rios, que passaram por tratamento, estiveram semanalmente no recinto dos elefantes ou a uma dist\u00e2ncia de at\u00e9 4,5 metros dos animais, ao menos durante o ano anterior;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oregonlive.com\/health\/2016\/01\/officials_identify_tuberculosi.html#:~:text=Oregon%20Zoo%20staff%20infected%20by%20tuberculosis%20after%20exposure%20to%20infected%20elephants,-Updated%20Jan%2009&amp;text=Seven%20staff%20at%20the%20Oregon,his%20son%20Rama%20and%20Tusko.\">o volunt\u00e1rio<\/a>, entretanto, havia passado apenas uma hora no recinto dos elefantes em todo o ano (o volunt\u00e1rio j\u00e1 havia recebido tratamento quando a not\u00edcia do surto foi veiculada).<\/p>\n<p>Se o zool\u00f3gico tivesse efetuado mais exames de sangue nos elefantes, Mikota se indaga, \u201cteriam sido diagnosticados antes?\u201d<\/p>\n<p>Kelly Flaminio, veterin\u00e1ria do Zool\u00f3gico de Oregon, afirma que essa conclus\u00e3o poderia ser v\u00e1lida \u201cse os exames de diagn\u00f3stico dispon\u00edveis em 2012 e 2013 fossem t\u00e3o eficazes quanto os atuais\u201d. A detec\u00e7\u00e3o precoce da tuberculose em elefantes est\u00e1 aprimorando, conta ela, mas \u201cainda \u00e9 extremamente dif\u00edcil chegar a um diagn\u00f3stico definitivo\u201d.<\/p>\n<h3>Exames: uma quest\u00e3o de escolha<\/h3>\n<p>O que aconteceu no Zool\u00f3gico de Oregon demonstra por que faz sentido utilizar os dois m\u00e9todos dispon\u00edveis, explica Michele Miller, coautora de um estudo sobre o epis\u00f3dio no Zool\u00f3gico de Oregon em 2013. \u201cQuando uma pessoa vai a uma consulta m\u00e9dica por n\u00e3o estar se sentindo bem, passa por uma bateria de exames\u201d, explica ela. \u201cAs informa\u00e7\u00f5es fornecidas por um conjunto de diferentes exames oferecem um quadro da sa\u00fade do animal ou da pessoa mais completo do que um \u00fanico exame.\u201d<\/p>\n<p>Mas os exames de tuberculose em elefantes mantidos em cativeiro nos Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o obrigat\u00f3rios desde 2015, quando o USDA suspendeu a pol\u00edtica que exigia exames de tuberculose como parte do tratamento veterin\u00e1rio padr\u00e3o de elefantes.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, cabe \u00e0s pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es e veterin\u00e1rios decidir quais exames devem ser feitos. As autoridades de sa\u00fade estaduais regulamentam as transfer\u00eancias de elefantes entre fronteiras estaduais e o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.baltimoresun.com\/entertainment\/bs-ae-elephant-tuberculosis-20110406-story.html\">rigor e exig\u00eancias<\/a>\u00a0referentes aos exames de tuberculose variam.<\/p>\n<p>Adam Langer, funcion\u00e1rio do CDC, se recusou a comentar a decis\u00e3o do USDA de 2015, acrescentando que as regulamenta\u00e7\u00f5es estaduais e federais \u201cexigem que as instala\u00e7\u00f5es que abrigam animais (incluindo elefantes) tomem as medidas cab\u00edveis para proteger os funcion\u00e1rios e o p\u00fablico contra qualquer poss\u00edvel risco \u00e0 sa\u00fade ou \u00e0 seguran\u00e7a representado pelos animais sob seus cuidados\u201d. Essa exig\u00eancia inclui a tuberculose, segundo ele.<\/p>\n<p>De acordo com Andre Bell, porta-voz do USDA, o \u00f3rg\u00e3o suspendeu sua exig\u00eancia de exames depois que a United States Animal Health Association, f\u00f3rum de sa\u00fade animal sem fins lucrativos dos Estados Unidos, a que o USDA \u00e9 filiado, \u201cn\u00e3o conseguiu chegar a um acordo sobre uma vers\u00e3o atualizada\u201d das diretrizes sobre exames de tuberculose empregadas pelo USDA. Embora muitas instala\u00e7\u00f5es ainda utilizem as diretrizes anteriores, \u201cn\u00e3o s\u00e3o mais obrigadas a cumpri-las nem a divulgar os resultados\u201d, conta ele. Se um elefante for diagnosticado com a doen\u00e7a, a recomenda\u00e7\u00e3o do USDA \u00e9 evitar que \u201cseja transferido e tenha contato com o p\u00fablico\u201d at\u00e9 a conclus\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<h3>Qual \u00e9 o risco ao p\u00fablico?<\/h3>\n<p>Ningu\u00e9m soube explicar como ocorreu o cont\u00e1gio do volunt\u00e1rio do Zool\u00f3gico de Oregon, afirma Kay Backues, do Zool\u00f3gico de Tulsa, j\u00e1 que a tuberculose \u201c\u00e9 transmitida por contato pr\u00f3ximo, prolongado e aerossol\u201d. Com base em nossos conhecimentos atuais sobre a tuberculose em humanos, observar um elefante a seis metros de dist\u00e2ncia apresenta um risco extremamente baixo, explica Backues \u2014 assim como andar ao lado de um elefante ou at\u00e9 mesmo montar nele. \u201cN\u00e3o considero arriscado em termos de cont\u00e1gio de tuberculose subir nas costas de um elefante, dar uma volta e descer \u2014 em um cercado amplo ou em um grande centro de exposi\u00e7\u00f5es.\u201d \u00c9 diferente de permanecer na frente de um elefante \u201csoprando ar no rosto de uma pessoa\u201d (a maioria das instala\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos parou de oferecer passeios de elefante, mas alguns circos e zool\u00f3gicos n\u00e3o credenciados prosseguem com essas atividades).<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o existe nenhum caso documentado de transmiss\u00e3o de tuberculose de um elefante de circo, zool\u00f3gico ou santu\u00e1rio aos visitantes.<\/p>\n<p>Mas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.smh.com.au\/environment\/conservation\/fears-for-zookeepers-after-tb-spreads-to-chimp-20111118-1nnd7.html\">um incidente<\/a>\u00a0no Zool\u00f3gico de Taronga, em Sydney, na Austr\u00e1lia, serve de alerta sobre como a tuberculose pode ser transmitida de forma f\u00e1cil e misteriosa, afirma Mikota. Em 2011, um chimpanz\u00e9 no zool\u00f3gico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/services\/aop-cambridge-core\/content\/view\/812DDD4AEEE629B1969DE4B390099956\/S095026881300068Xa.pdf\/transmission_of_mycobacterium_tuberculosis_from_an_asian_elephant_elephas_maximus_to_a_chimpanzee_pan_troglodytes_and_humans_in_an_australian_zoo.pdf\">foi diagnosticado com tuberculose<\/a>, menos de um ano ap\u00f3s um teste de lavagem de tromba revelar que um elefante do zool\u00f3gico havia sido contaminado com tuberculose. O recinto dos chimpanz\u00e9s ficava a mais de 100 metros do recinto dos elefantes. \u00c9 \u201cuma dist\u00e2ncia muito maior do que alguns elefantes ficam do p\u00fablico\u201d, conta Mikota.<\/p>\n<p>\u201cVisitar zool\u00f3gicos ou circos n\u00e3o representa risco de contrair tuberculose\u201d, reitera Backues.<\/p>\n<p>Mikota reconhece que ainda n\u00e3o houve transmiss\u00f5es conhecidas de tuberculose de elefantes mantidos em cativeiro ao p\u00fablico. Contudo, como o cont\u00e1gio ainda n\u00e3o \u00e9 muito compreendido ou estudado, ela acredita que essa possibilidade \u00e9 bastante preocupante. Ela conta que foi conduzido apenas um pequeno estudo sobre a transmiss\u00e3o do Zool\u00f3gico de Oregon \u2014 \u201cn\u00e3o foram obtidas evid\u00eancias suficientes para poder afirmar que a transmiss\u00e3o de tuberculose de elefantes para pessoas seja uma mera preocupa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade ocupacional e n\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa comprova\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia do risco&#8230; Os elefantes sopram o ar pela tromba \u2014 e o vento pode espalh\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOGO AP\u00d3S A\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o de Hattie, uma elefanta desnutrida mantida em cativeiro no Circo Vargas, no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/elefantes-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"LOGO AP\u00d3S A\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o de Hattie, uma elefanta desnutrida mantida em cativeiro no Circo Vargas, no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134267\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}