{"id":134170,"date":"2020-09-21T12:30:07","date_gmt":"2020-09-21T15:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=134170"},"modified":"2020-09-21T07:28:11","modified_gmt":"2020-09-21T10:28:11","slug":"cresce-o-interesse-de-jovens-brasileiros-em-temas-de-conservacao-e-biodiversidade-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cresce-o-interesse-de-jovens-brasileiros-em-temas-de-conservacao-e-biodiversidade-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Cresce o interesse de jovens brasileiros em temas de conserva\u00e7\u00e3o e biodiversidade, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-134171\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Temas como biodiversidade, conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e ci\u00eancias s\u00e3o de interesse crescente entre estudantes brasileiros que est\u00e3o ingressando no ensino m\u00e9dio. A disposi\u00e7\u00e3o para aprender sobre a fauna e a flora local ocorre, no entanto, de forma desigual: jovens da regi\u00e3o Norte do pa\u00eds t\u00eam maior interesse do que aqueles situados no Sudeste.<\/p>\n<p>\u00c9 o que afirma artigo publicado na revista\u00a0<b><a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Science Advances\u00a0<\/a><\/b>, primeiro fruto de um Projeto Tem\u00e1tico\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/101349\/o-programa-biota-fapesp-na-educacao-basica-possibilidades-de-integracao-curricular\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/b>, que analisou dados obtidos por cinco estudos de doutoramento e resultados da pesquisa internacional\u00a0<i>The Relevance of Science Education<\/i>\u00a0(Rose). Os autores defendem a necessidade de maior inclus\u00e3o de estudos sobre plantas e animais regionais no curr\u00edculo escolar nacional. O projeto integra o Programa BIOTA-FAPESP e envolve cinco institui\u00e7\u00f5es paulistas: Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Municipal de S\u00e3o Caetano do Sul (USCS) e Instituto Butantan.<\/p>\n<p>Aplicado em mais de 40 pa\u00edses desde 2004, o projeto Rose procurou identificar qual \u00e9 o grau de interesse de jovens de 15 anos sobre temas relacionados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, tecnologia e biodiversidade. \u201cOs alunos brasileiros demostraram alto interesse em estudar mais profundamente plantas e animais nativos, muito mais do que ingleses, noruegueses e suecos, por exemplo. No Brasil, realizamos esse estudo tr\u00eas vezes entre 2007 e 2014, de modo que possibilita a identifica\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias: uma delas \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que pode propagar o senso comum, o interesse dos jovens por esses temas \u00e9 crescente\u201d, diz\u00a0<b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/87511\/nelio-marco-vincenzo-bizzo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00e9lio Bizzo<\/a><\/b>, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP e do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Unifesp e tamb\u00e9m coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Os estudantes foram motivados a opinar livremente sobre ci\u00eancia, tecnologia e interesses sobre biodiversidade. A pesquisa foi realizada em tr\u00eas diferentes momentos: em 2007 (apenas em algumas cidades), 2010 e 2014 (com representa\u00e7\u00e3o nacional). Nesta \u00faltima pesquisa, 788 alunos (43,7%) de escolas p\u00fablicas e privadas do pa\u00eds demonstraram interesse em estudar a flora e a fauna local, enquanto 1.015 alunos (56,3%) se mostraram desinteressados.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o regional, entre os alunos que vivem na regi\u00e3o Norte, onde est\u00e1 a floresta amaz\u00f4nica, 50,4% tinham interesse em ampliar os conhecimentos sobre a biodiversidade local, enquanto no Sudeste apenas 33,1%.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Nordeste tamb\u00e9m se destaca com o segundo maior n\u00famero relativo de entrevistados motivados (46,9%) a conhecer a biodiversidade de sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse resultado \u00e9 surpreendente, pois o esperado \u00e9 que, quanto maior o IDH [\u00cdndice de Desenvolvimento Humano] e o acesso a equipamentos como museus, por exemplo, maior seja o interesse em educa\u00e7\u00e3o. No entanto, foi justamente o contr\u00e1rio que a pesquisa mostrou. Os motivos dessa desigualdade de interesses precisam ser investigados mais a fundo, entender o alto interesse de uns e encontrar formas de estimular a aten\u00e7\u00e3o de outros. \u00c9 na regi\u00e3o Norte e Nordeste que est\u00e3o os menores IDHs do pa\u00eds. Com isso, sugerimos que a cultura ind\u00edgena seja, de certa maneira, um componente importante para essa atitude positiva dos jovens da regi\u00e3o Norte em rela\u00e7\u00e3o ao interesse pelo estudo de conserva\u00e7\u00e3o e biodiversidade da floresta\u201d, explica Bizzo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam no artigo que a biodiversidade da floresta amaz\u00f4nica e o conhecimento ancestral dos povos ind\u00edgenas quase inexistem no curr\u00edculo escolar nacional, que \u00e9 unificado para todo o pa\u00eds. Um exemplo claro est\u00e1 nos livros did\u00e1ticos. Neles, a tend\u00eancia \u00e9 valorizar a abordagem da fauna ex\u00f3tica \u2013 como ursos polares, elefantes, girafas e le\u00f5es \u2013 em detrimento da diversidade local formada pelo boto-vermelho, quati, pregui\u00e7a, guar\u00e1, carapan\u00e3 (mosquito) e a jaguatirica.<\/p>\n<p>\u201cFica evidente a necessidade de que os estudantes brasileiros conhe\u00e7am a Amaz\u00f4nia. Por\u00e9m, o que aprendemos na escola e nos livros did\u00e1ticos se refere a uma floresta impenetr\u00e1vel, apenas recentemente ocupada por ind\u00edgenas. E n\u00e3o \u00e9 bem assim, sabe-se que a floresta amaz\u00f4nica estava muito longe de ser um vazio populacional quando aqui chegaram os portugueses\u201d, afirma Bizzo \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1 bem estabelecido que a Amaz\u00f4nia pr\u00e9-colombiana abrigava uma popula\u00e7\u00e3o grande, complexa e que, inclusive, alterou a floresta. \u201cPopula\u00e7\u00f5es locais intervinham na distribui\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e domesticaram mais de 80 esp\u00e9cies vegetais. Isso foi comprovado em um estudo muito interessante que associou arqueologia e lingu\u00edstica. No entanto, esses saberes tradicionais v\u00eam sendo silenciados at\u00e9 hoje, mesmo que os estudantes estejam \u00e1vidos por conhec\u00ea-los nas escolas\u201d, diz.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que o caso mais conhecido da domestica\u00e7\u00e3o de plantas \u00e9 o da mandioca, mas entre essas 80 esp\u00e9cies tamb\u00e9m est\u00e3o a batata-doce, o abacaxi, o mam\u00e3o e muitas outras que fazem parte da dieta alimentar de muitas pessoas no mundo. \u201cA pr\u00f3pria cloroquina, utilizada para o tratamento da mal\u00e1ria, t\u00e3o em voga e controversa atualmente, tem o princ\u00edpio ativo oriundo da uma casca de \u00e1rvore descoberto por ind\u00edgenas\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o interesse ainda carrega um forte aspecto cultural: o fato de as popula\u00e7\u00f5es locais e ind\u00edgenas da regi\u00e3o Norte contribu\u00edrem para a difus\u00e3o do conhecimento sobre a biodiversidade. \u00c9 o caso do boto, do curupira ou do mapinguari \u2013 criatura gigantesca que ainda habitaria a floresta. Presentes na cultura rural e urbana da Amaz\u00f4nia, essas hist\u00f3rias e personagens fazem com que mesmo os jovens de \u00e1reas urbanas do Norte do Brasil tenham um contato distinto com a natureza em compara\u00e7\u00e3o com alunos urbanos ou de \u00e1reas rurais no Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>\u201cDificilmente se encontra algo semelhante no Sul do Brasil, mesmo no oeste catarinense, onde \u00e9 importante a presen\u00e7a de ind\u00edgenas, principalmente das culturas Guarani e Kaingang\u201d, conta Bizzo.<\/p>\n<p>Dessa forma, segundo o pesquisador, h\u00e1 uma necessidade urgente de fornecer uma abordagem diferente da biodiversidade local e da conserva\u00e7\u00e3o para estudantes e p\u00fablico no Brasil, especialmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o abordada no programa (em 2014) ilustra bem a desconex\u00e3o existente entre os interesses dos estudantes brasileiros e as pol\u00edticas ambientais e de conserva\u00e7\u00e3o. Ela pedia aos estudantes que se posicionassem sobre o dever de pa\u00edses ricos arcarem com indeniza\u00e7\u00f5es de problemas ambientais. \u201cNossos dados objetivos mostram que a maioria dos estudantes brasileiros foi contr\u00e1ria ao posicionamento de cobrar indeniza\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses ricos por problemas ambientais. Obviamente, os jovens n\u00e3o podiam prever que, cinco anos depois de serem questionados sobre esse tema, nosso ministro do Meio Ambiente cobraria a responsabilidade dos pa\u00edses ricos na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP-25, em Madri), em dezembro do ano passado\u201d, diz.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Amazon conservation and students\u2019 interests for biodiversity: The need to boost science education in Brazil<\/i>\u00a0(doi: 10.1126\/sciadv.abb0110), de Fernanda Franzolin, Paulo S. Garcia e Nelio Bizzo, pode ser lido em\u00a0<b><a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temas como biodiversidade, conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e ci\u00eancias s\u00e3o de interesse crescente entre estudantes brasileiros<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":134171,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/biodiversidade.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Temas como biodiversidade, conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e ci\u00eancias s\u00e3o de interesse crescente entre estudantes brasileiros","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134170"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134170\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/134171"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}