{"id":13416,"date":"2015-01-03T16:32:28","date_gmt":"2015-01-03T16:32:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=13416"},"modified":"2015-01-03T23:13:39","modified_gmt":"2015-01-03T23:13:39","slug":"alfazema-do-mar-esta-em-risco-de-extincao-no-cabo-raso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/alfazema-do-mar-esta-em-risco-de-extincao-no-cabo-raso\/","title":{"rendered":"Alfazema-do-mar est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o no Cabo Raso"},"content":{"rendered":"<p>Uma esp\u00e9cie do g\u00e9nero <i>Limonium<\/i>, um grupo de plantas conhecidas como alfazemas-do-mar, est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o no Cabo Raso, no concelho de Cascais, alertam investigadores do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa, na sequ\u00eancia dos estudos que t\u00eam feito na zona.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-13417 size-medium\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar1-300x225.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"SubCaixaContainer\">As popula\u00e7\u00f5es dessa esp\u00e9cie, <em>Limonium multiflorum<\/em>, s\u00f3 existem na costa portuguesa, entre Cascais e a Nazar\u00e9. Trata-se de um endemismo lusitano que ocorre nas primeiras manchas de vegeta\u00e7\u00e3o das arribas costeiras. Resistentes a ambientes salinos, estas plantas perenes apresentam folhas que crescem, em forma de roseta, junto ao ch\u00e3o preferencialmente rochoso. A partir da Primavera exibem flores lil\u00e1ceas, tornando a sua observa\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil no terreno. A esp\u00e9cie possui popula\u00e7\u00f5es muito antigas com indiv\u00edduos que podem atingir uma longevidade at\u00e9 30 anos.<\/p>\n<p class=\"SubCaixaContainer\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-13418\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar2-300x200.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/alfazema_mar2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apresentam uma variabilidade gen\u00e9tica muito baixa, porque na maior parte das vezes se reproduzem assexuadamente. Ana Caperta, investigadora do Centro de Biologia Aplicada \u00e0 Agricultura do ISA, salienta outra particularidade desta esp\u00e9cie que contribui para a sua vulnerabilidade: \u201cAs plantas que conseguimos obter a partir das sementes recolhidas no local revelaram-se est\u00e9reis do ponto de vista masculino.\u201d Mas na popula\u00e7\u00e3o ainda existem indiv\u00edduos com reprodu\u00e7\u00e3o sexuada. \u201cPor isso, ainda se poderia esperar que a variabilidade fosse restaurada desse modo, mas, sendo est\u00e9ril do ponto de vista masculino, a variabilidade desta popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda mais comprometida.\u201d<\/p>\n<p>Este tra\u00e7o \u00e9 comum n\u00e3o s\u00f3 para esta popula\u00e7\u00e3o do Cabo Raso, com apenas cerca de 1000 indiv\u00edduos, como tamb\u00e9m para as plantas de outros locais, nomeadamente na foz do rio Lizandro e em Peniche. Embora a popula\u00e7\u00e3o com o maior n\u00famero de indiv\u00edduos se encontre na zona de Cascais, a investigadora considera que esta popula\u00e7\u00e3o \u201cest\u00e1 muito fragmentada e trata-se, na realidade, de v\u00e1rias subpopula\u00e7\u00f5es da mesma esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<p>Para um artigo cient\u00edfico sobre as alfazemas-do-mar, publicado na revista <em>AoB Plants<\/em>, em Junho \u00faltimo, a equipa voltou a estudar a popula\u00e7\u00e3o do Cabo Raso: uma vez que j\u00e1 era conhecida a gen\u00e9tica da esp\u00e9cie atrav\u00e9s de estudos anteriores, os investigadores consideraram ent\u00e3o importante perceber se a Limonium multiflorum estaria amea\u00e7ada no local.<\/p>\n<p>O objectivo inicial dos cientistas envolvidos neste projecto desde 2010, em parceria com os t\u00e9cnicos do Parque Natural Sintra-Cascais e da empresa municipal Cascais Ambiente, foi conhecer as esp\u00e9cies da costa portuguesa do g\u00e9nero <em>Limonium<\/em>, devido \u00e0s dificuldades existentes na identifica\u00e7\u00e3o de grupos muito pr\u00f3ximos. Ana Caperta conta que, quando iniciaram o trabalho, estavam \u201cinteressados em distinguir as diferen\u00e7as entre grupos e clarificar taxonomicamente esp\u00e9cies amb\u00edguas\u201d. Para al\u00e9m disso, este grupo de esp\u00e9cies tem muita import\u00e2ncia na orla costeira, \u201cuma vez que est\u00e1 altamente representado em toda a costa portuguesa, desde Caminha a Vila Real de Santo Ant\u00f3nio\u201d.<\/p>\n<p>No trabalho de campo realizado para o \u00faltimo artigo, os investigadores avaliaram as vari\u00e1veis ambientais favor\u00e1veis \u00e0 presen\u00e7a da esp\u00e9cie. No Cabo Raso, refere Ana Caperta, as principais amea\u00e7as s\u00e3o \u201cas esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras e n\u00e3o o pisoteio como pens\u00e1vamos\u201d. Verificou-se neste estudo que a presen\u00e7a de chor\u00e3o-das-praias (<em>Carpobrotus edulis<\/em>), uma esp\u00e9cie origin\u00e1ria da \u00c1frica do Sul, suculenta e de crescimento rasteiro, impede a presen\u00e7a de <em>Limonium multiflorum<\/em>.<\/p>\n<p>O facto de algumas zonas com esta esp\u00e9cie de alfazema-do-mar serem usadas como local de estacionamento \u00e9 outra das amea\u00e7as observadas durante o trabalho de campo. Por esse motivo, os investigadores n\u00e3o hesitam em afirmar, no artigo cient\u00edfico, que a <em>Limonium multiflorum<\/em> \u201cpode ser classificada como uma \u2018raridade cl\u00e1ssica\u2019, uma vez que apresenta uma distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica reduzida e uma especificidade restrita de habitat, com popula\u00e7\u00f5es consistentemente de tamanho reduzido e baixos n\u00edveis de diversidade gen\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 uma \u201craridade cl\u00e1ssica\u201d, neste caso para uma alfazema-do-mar? A classifica\u00e7\u00e3o de raridade foi proposta em 1981 pela norte-americana Deborah Rabinowitz (1947-1987), que identificou sete\u00a0formas diferentes para as esp\u00e9cies de flora serem consideradas raras. Os sete tipos poss\u00edveis de raridade resultam de uma an\u00e1lise de tr\u00eas\u00a0vari\u00e1veis relativas \u00e0 sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (reduzida ou alargada), especificidade no uso do habitat (especialista ou generalista) e ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o local (pequena ou grande). As esp\u00e9cies raras cl\u00e1ssicas revelam-se como\u00a0uma das sete\u00a0formas de raridade e s\u00e3o as que re\u00fanem os tr\u00eas n\u00edveis de categorias mais limitados \u2013 ou seja, t\u00eam uma distribui\u00e7\u00e3o reduzida, est\u00e3o especializadas num habitat e a sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena, o que encaixa nesta esp\u00e9cie de alfazema-do-mar.<\/p>\n<p>Fonte: Publico PT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma esp\u00e9cie do g\u00e9nero Limonium, um grupo de plantas conhecidas como alfazemas-do-mar, est\u00e1 em risco<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma esp\u00e9cie do g\u00e9nero Limonium, um grupo de plantas conhecidas como alfazemas-do-mar, est\u00e1 em risco","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13416\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}