{"id":133996,"date":"2020-09-19T00:00:36","date_gmt":"2020-09-19T03:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=133996"},"modified":"2020-09-18T12:04:00","modified_gmt":"2020-09-18T15:04:00","slug":"um-perfil-do-pantanal-uma-paisagem-alienigena-encravada-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-perfil-do-pantanal-uma-paisagem-alienigena-encravada-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Um perfil do Pantanal, uma paisagem alien\u00edgena encravada na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pantanal2_site.jpg\" width=\"640\" height=\"426\" \/>Por\u00a0Martha San Juan Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Come\u00e7a em outubro a temporada \u00famida no Pantanal. \u00c9 um ciclo que se repete h\u00e1, no m\u00ednimo, 30 mil anos. O n\u00edvel da \u00e1gua vai subir lentamente, invadindo toda a plan\u00edcie encravada no centro da Am\u00e9rica do Sul. As dimens\u00f5es dessa inunda\u00e7\u00e3o s\u00e3o colossais. Dois ter\u00e7os dos 150 mil km\u00b2\u00a0do territ\u00f3rio (uma \u00e1rea equivalente a Santa Catarina) ser\u00e3o cobertos por uma l\u00e2mina d\u00b4\u00e1gua reluzente. Arbustos e \u00e1rvores emergem do tapete l\u00edquido, pontuado por jacar\u00e9s e ariranhas, que s\u00e3o mais bem explicadas por seu apelido: lontras-gigantes.<\/p>\n<p>Sem as enchentes, o local seria uma pastagem ressecada. No inverno, o solo encharcado d\u00e1 lugar a algo mais pr\u00f3ximo de uma savana. De fato, o pantanal se localiza \u00e0 mesma latitude que regi\u00f5es bastante \u00e1ridas de outros pa\u00edses, como o deserto da Nam\u00edbia e os desolados\u00a0<em>outbacks\u00a0<\/em>australianos. \u00c9 nesse contexto que acontecem as queimadas, que est\u00e3o especialmente graves em 2020 (a autora deste texto, escrito para a SUPER em 1990, n\u00e3o imaginaria que, trinta anos depois, ele seria republicado em um contexto t\u00e3o triste).<\/p>\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1950, aproximadamente, os cientistas desconfiavam que, no passado remoto, um mar interior cobria a regi\u00e3o. Algo como um enorme lago de \u00e1gua salgada. Quando foi avistado pela primeira vez por europeus, no s\u00e9culo 16, o bioma estava inundado e recebeu o nome de Lago dos Xarai\u00e9s. Foi uma homenagem aos nativos da regi\u00e3o, com quem os exploradores fizeram contato.<\/p>\n<p>O lago, depois se descobriu, n\u00e3o era um lago. Mesmo durante a \u00e9poca das cheias, muitos terrenos mais altos, que os moradores do Pantanal chamam de\u00a0<em>cordilheiras<\/em>, servem de ref\u00fagio a bois e animais selvagens. Ademais, todo ano, durante os seis meses de estiagem, quase toda a plan\u00edcie fica exposta. O gado chega a passar sede.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o foi um mar nem um lago, o Pantanal tampouco \u00e9 um p\u00e2ntano. Pelo menos, \u00e9 o que dizem os pesquisadores, que implicam com o nome com que a regi\u00e3o foi batizada, em \u00e9poca incerta, pelos habitantes do lugar. Aparentemente, eles se referiam \u00e0s primeiras \u00e1reas inundadas pelos rios como pantanais\u00a0\u2013\u00a0e o termo pegou.<\/p>\n<p>\u201cJamais se descobriram ali os charcos estagnados ou os loda\u00e7ais trai\u00e7oeiros t\u00edpicos dos p\u00e2ntanos\u201d, objeta o ge\u00f3grafo Aziz Ab\u2019Saber, da Universidade de S\u00e3o Paulo USP, um dos maiores especialistas em geomorfologia brasileira. Ab\u2019Saber prefere chamar o Pantanal de \u201cplan\u00edcie inund\u00e1vel\u00a0\u2013\u00a0\u00fanica pelo seu tamanho, e porque est\u00e1 no interior do continente\u201d.\u00a0A imagem clich\u00ea de um p\u00e2ntano movedi\u00e7o n\u00e3o se aplica a nenhum peda\u00e7o do Pantanal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_311364\" class=\"wp-caption alignnone  \" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-311364\" title=\"Arquivo | Um perfil do Pantanal, uma paisagem extraterrestre encravada na Am\u00e9rica do Sul\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pantanal_cheia_site.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Fabian Schmiedlechner \/ EyeEm\" data-image-caption=\"N\u00e3o olhe para baixo...\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Getty Images\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">N\u00e3o olhe para baixo\u2026 Fabian Schmiedlechner \/ EyeEm\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Depress\u00e3o no terreno<\/strong><\/p>\n<p>O magn\u00edfico cen\u00e1rio do Pantanal, hoje se sabe, enfeita um fundo de concha situado entre as terras altas bolivianas a oeste e as serras brasileiras a leste. H\u00e1 cerca de 60 milh\u00f5es de anos, quando se elevaram tanto a Cordilheira dos Andes como o Planalto Brasileiro, a regi\u00e3o do Pantanal manteve-se baixa. Uma malha impressionante de rios, formada pelo Paraguai e seus afluentes, despencou nesse imenso anfiteatro, vinda do norte e do leste, escavando os planaltos vizinhos.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o foi sendo lentamente aterrada. O Rio Paraguai, muito raso para suportar a imensa descarga que recebe de seus afluentes, ainda encontrou obst\u00e1culos ao sul, ao atravessar a Serra do Bodoquena. Ao percorrer esse assoalho liso, cuja declividade n\u00e3o passa de 33 mil\u00edmetros por km, n\u00e3o tem alternativa sen\u00e3o transbordar.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 f\u00e1cil entender por que a enchente demora para baixar\u00a0\u2013\u00a0avan\u00e7ando cerca de 10 km por dia, ela leva seis meses para atravessar o Pantanal. Enquanto ainda est\u00e1 ganhando terreno no sul, j\u00e1 come\u00e7a a diminuir de volume no norte. Areia, vegeta\u00e7\u00e3o decomposta, aguap\u00e9s, tudo se movimenta com a cheia. Sim: a paisagem n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica. A enchente, na verdade, \u00e9 a passagem de um rio em c\u00e2mera lenta.<\/p>\n<p>Quando ocorre a vazante e a \u00e1gua escorre para outras paragens, fica no lugar uma sopa de detritos na qual nascem capim, ervas, arbustos e uma infinidade de flores\u00a0\u2013\u00a0um conjunto exuberante de vegeta\u00e7\u00e3o que jamais brotaria naquele solo pobre se n\u00e3o fosse a contribui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas.<\/p>\n<p>O c\u00e9u, por sua vez, n\u00e3o contribui muito. Na t\u00f3rrida cidade de Corumb\u00e1, no sul da plan\u00edcie, por exemplo, chove menos do que em S\u00e3o Paulo. Esse fen\u00f4meno lembra o que ocorre no Rio Nilo, na \u00c1frica, cujas enchentes fertilizaram o deserto e fizeram a grandeza do Egito h\u00e1 5 mil anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ir muito longe para imaginar o que seria do Pantanal sem o constante ciclo das \u00e1guas. Do outro lado da fronteira, no territ\u00f3rio da Bol\u00edvia, fica uma das \u00e1reas da plan\u00edcie do Chaco, formada na mesma \u00e9poca e da mesma maneira que a plan\u00edcie do Mato Grosso. Apesar do nome, que lembra \u201ccharco\u201d e por isso pode dar margem a confus\u00e3o, a terra ali n\u00e3o \u00e9 \u00famida, mas \u00e1rida.<\/p>\n<p>A palavra<em>\u00a0chaco<\/em>\u00a0vem do idioma qu\u00edchua, ainda hoje falado pelos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, e significa \u201cterra de ca\u00e7a\u201d. Na sua parte central, o Chaco \u00e9 um imenso descampado, dominado por bosques baixos e vegeta\u00e7\u00e3o de savanas. Ali n\u00e3o ocorrem inunda\u00e7\u00f5es. Os poucos c\u00f3rregos que percorrem a plan\u00edcie s\u00e3o parcamente alimentados nas cabeceiras, localizadas nos altiplanos andinos, onde raramente chove\u00a0\u2013\u00a0ao contr\u00e1rio do que acontece nas \u00famidas serras nas bordas do Pantanal, onde est\u00e3o as nascentes do Paraguai e seus afluentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_311365\" class=\"wp-caption alignnone  \" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-311365\" title=\"Arquivo | Um perfil do Pantanal, uma paisagem extraterrestre encravada na Am\u00e9rica do Sul\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pantanal_seca_site.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Christian Edelmann\" data-image-caption=\"Na \u00e9poca das secas, a inunda\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a po\u00e7as humildes e o gado pode passar sede.\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Getty Images\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Na \u00e9poca das secas, a inunda\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a po\u00e7as humildes e o gado pode passar sede. Principalmente com nossos amigos jacar\u00e9s \u00e0 espreita.\u00a0 Christian Edelmann\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Do lado de c\u00e1 da fronteira, o verde se transforma \u00e0 medida que o Paraguai atravessa os 700 km de seu percurso pantaneiro. De leste para oeste da plan\u00edcie, o grande rio e seus afluentes passam por matas, cerrados e campos que, em alguns trechos, lembram a caatinga nordestina. Na parte sul e na borda ocidental, a vegeta\u00e7\u00e3o se parece com a dos bosques chaquenhos.<\/p>\n<p>Calcula-se que durante o Per\u00edodo Quatern\u00e1rio, h\u00e1 20 ou 30 mil anos, esp\u00e9cies de vegeta\u00e7\u00e3o tropical e subtropical dos cerrados, do Chaco e da periferia da Amaz\u00f4nia disputavam o espa\u00e7o enquanto os rios abriam caminho na plan\u00edcie. \u00c9 por isso que o ge\u00f3logo Fernando Fl\u00e1vio Marques de Almeida, da Universidade Estadual de Campinas, afirma que n\u00e3o existe um \u00fanico Pantanal na regi\u00e3o. \u201cS\u00e3o quase uma dezena, cada um com caracter\u00edsticas diferentes\u201d, esclarece. A gente do lugar reconhece esses pantanais por nomes diferentes: pantanal de C\u00e1ceres, ou de Pocon\u00e9, ou de Nhecol\u00e2ndia etc.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma esp\u00e9cie de mosaico, onde se interpenetram diversos ecossistemas e suas respectivas faunas\u201d, concorda outro pantan\u00f3logo, Francisco de Arruda Machado, o Chico, bi\u00f3logo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Filho de pescadores, nascido numa vila perto de Cuiab\u00e1, Chico s\u00f3 podia mesmo se especializar no estudo da multid\u00e3o de peixes da bacia do Paraguai. Segundo ensina, eles representam um dos elos mais importantes da riqu\u00edssima cadeia alimentar do Pantanal, capaz de sustentar animais de grande porte, como a on\u00e7a-pintada, o lobo-guar\u00e1, o tamandu\u00e1, a capivara e o cervo.<\/p>\n<p>Durante a \u00e9poca das cheias, cardumes e mais cardumes sobem os rios para a desova, no conhecido fen\u00f4meno da piracema. Os filhotes se alimentam de microorganismos e da vegeta\u00e7\u00e3o aqu\u00e1tica, como os aguap\u00e9s, que cobrem as \u00e1reas inundadas, ou ba\u00edas, conforme se diz na regi\u00e3o. Quando vem a vazante, muitos rios interrompem seu curso, formando uma seq\u00fc\u00eancia de pequenos lagos, onde jacar\u00e9s, cobras, pequenos roedores e p\u00e1ssaros fazem a festa. \u201cNuma lagoa de 2 m\u00b2\u00a0se encontram 60 esp\u00e9cies de peixes convivendo lado a lado\u201d, diz Chico.<\/p>\n<p>Alterar esse sistema, a conseq\u00fc\u00eancia inevit\u00e1vel da interfer\u00eancia humana em larga escala na regi\u00e3o, significa desequilibrar o ciclo de vida no Pantanal. Sabe-se, por exemplo, que o acr\u00e9scimo de aguap\u00e9s, provocado pelo assoreamento dos rios, e a matan\u00e7a indiscriminada dos jacar\u00e9s est\u00e3o aumentando os cardumes de piranhas nos rios. N\u00e3o existem n\u00fameros comparativos a respeito, mas o fato \u00e9 certo.<\/p>\n<p>As aves\u00a0\u2013\u00a0a forma de vida que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no Pantanal\u00a0\u2013\u00a0tamb\u00e9m est\u00e3o amea\u00e7adas. Ali voam gar\u00e7as, araras, papagaios, bigu\u00e1s, ma\u00e7aricos, batu\u00edras, colhereiros\u00a0\u2013\u00a0e os tuiui\u00fas, de corpo branco e pesco\u00e7o vermelho, escolhidos por sua beleza como o s\u00edmbolo oficial da regi\u00e3o. Deslumbrados com toda essa abund\u00e2ncia, os mais entusiasmados f\u00e3s leigos do Pantanal asseguram que a regi\u00e3o, como manancial de esp\u00e9cies, \u00e9 ainda mais rica que a Amaz\u00f4nia. \u00c9 e n\u00e3o \u00e9. Na verdade, explica Wellington Braz Carvalho Delitti, da USP, \u201cas esp\u00e9cies da floresta s\u00e3o mais variadas, mas no Pantanal a quantidade \u00e9 mais percept\u00edvel\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_311363\" class=\"wp-caption alignnone  \" style=\"width: 640px;\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-311363\" title=\"Arquivo | Um perfil do Pantanal, uma paisagem extraterrestre encravada na Am\u00e9rica do Sul\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pantanal_miolo_site.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"elleon\" data-image-caption=\"Aves. Muitas aves.\" data-image-title=\"\" data-image-source=\"Getty Images\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Aves. Muitas aves. elleon\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Um mundo de cheias<\/strong><\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, o Pantanal \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra da forma\u00e7\u00e3o das plan\u00edcies inund\u00e1veis. Essas paisagens quase sempre surgem junto \u00e0 costa, na altura dos deltas de rio. A bacia do Amazonas, que se estende por quase 7 milh\u00f5es de km\u00b2, tem \u00e9pocas variadas de cheias, conforme o trecho do rio, mas apenas uma estreita faixa de v\u00e1rzea \u00e9 inundada.<\/p>\n<p>As maiores plan\u00edcies inund\u00e1veis do mundo est\u00e3o na \u00c1sia. \u00c9 o caso da plan\u00edcie do Rio Yang Ts\u00e9, na China, que ocupa 2 milh\u00f5es de km\u00b2, onde existem cidades, como Xangai, cujas popula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se contam aos milh\u00f5es. As enchentes do Rio Yang Ts\u00e9 podem inundar centenas de quil\u00f4metros de plan\u00edcie. Al\u00e9m deste, tamb\u00e9m o Rio Huang Ho, no norte da China, forma terras inund\u00e1veis e pantanosas.<\/p>\n<p>No Sudeste Asi\u00e1tico, o Rio Mekong inunda as plan\u00edcies do Laos, Camboja, Vietn\u00e3 e Tail\u00e2ndia, sendo respons\u00e1vel pela principal cultura da regi\u00e3o: o arroz. A plan\u00edcie do delta do Ganges, entre a \u00cdndia e Bangladesh, tamb\u00e9m forma um dos territ\u00f3rios mais f\u00e9rteis e por isso mesmo mais populosos do mundo. Ali, a paisagem alterna planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 e de arroz com florestas tropicais e p\u00e2ntanos.<\/p>\n<p>Em contraste, no norte do continente, os rios siberianos Ob, Ienissei e Lena recebem a neve e o gelo derretido dos maci\u00e7os da \u00c1sia Central e inundam uma terra menos habitada e coberta pela vegeta\u00e7\u00e3o de tundra antes de desaguar no \u00c1rtico. Uma das plan\u00edcies inund\u00e1veis mais famosas do mundo fica no delta do Mississ\u00edpi, o maior rio dos Estados Unidos, que cobre uma \u00e1rea superior a 3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados. Antes de desaguar no Golfo do M\u00e9xico, ele forma uma malha de canais, cercados por bosques baixos, povoados por uma infinidade de aves e jacar\u00e9s\u00a0\u2013\u00a0agora raros.<\/p>\n<p><strong>Devasta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente, um encontro realizado em S\u00e3o Paulo pela Funda\u00e7\u00e3o Pantanal Alerta Brasil, uma organiza\u00e7\u00e3o ambientalista, mostrou a fragilidade do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico da plan\u00edcie. \u201cAs terras inund\u00e1veis sofrem muito com as altera\u00e7\u00f5es que acontecem nas bordas da plan\u00edcie\u201d, acusou na ocasi\u00e3o o ge\u00f3logo Jos\u00e9 Domingos Godoy Filho, da UFMT. \u201cO Pantanal recebe toda a carga de agrot\u00f3xicos das planta\u00e7\u00f5es de soja situadas nas cabeceiras dos rios e sente seus efeitos, como a eros\u00e3o, assoreamento e contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a minera\u00e7\u00e3o, praticada na beira dos rios, j\u00e1 transformou trechos da paisagem id\u00edlica em verdadeiras crateras. Como tamb\u00e9m lembra o ge\u00f3logo, um paulista seduzido pelo Pantanal, o merc\u00fario usado pelos garimpeiros para localizar ouro, depois de escapar para a atmosfera, retorna ao solo e aos rios, trazido pela chuva, contamina a natureza e envenena gente e bichos. Se isso n\u00e3o bastasse, descobriu-se que as queimadas realizadas nos cerrados do Brasil Central elevam a n\u00edveis alarmantes a concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera do Pantanal, durante a esta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n<p>Como se sabe, o g\u00e1s carb\u00f4nico, resultante do fogo ou da combust\u00e3o de derivados de petr\u00f3leo, \u00e9 um dos maiores causadores do efeito estufa. Como acontece em Porto Velho, a capital de Rond\u00f4nia, por causa dos gigantescos inc\u00eandios provocados pelo desmatamento da Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m em Cuiab\u00e1, no Mato Grosso, que fica ao norte do Pantanal, a fuma\u00e7a das queimadas obrigou v\u00e1rias vezes ao fechamento do aeroporto por falta de visibilidade.<\/p>\n<p>No encontro de S\u00e3o Paulo, os cientistas brasileiros que defendem uma ocupa\u00e7\u00e3o menos predadora do Centro Oeste, como uma forma de evitar a destrui\u00e7\u00e3o da paisagem do Pantanal, contaram com o apoio de um ilustre colega americano. O bi\u00f3logo Estus Whittfield, diretor da \u00e1rea de meio ambiente do governo da Fl\u00f3rida, comparou a regi\u00e3o de Everglades, no seu Estado, ao Pantanal.<\/p>\n<p>Segundo explicou, a ocupa\u00e7\u00e3o do p\u00e2ntano de Everglades causou tamanho problema no abastecimento de \u00e1gua do sul da Fl\u00f3rida que hoje os americanos est\u00e3o gastando cerca de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares para curar as dores de cabe\u00e7a que o desenvolvimento trouxe \u00e0 regi\u00e3o. \u201cSe eu lhes contar a nossa hist\u00f3ria, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o querer cometer os mesmos erros\u201d, ofereceu-se Whittfield. Resta esperar que os brasileiros estejam dispostos a ouvir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Martha San Juan Fran\u00e7a Come\u00e7a em outubro a temporada \u00famida no Pantanal. \u00c9 um ciclo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por\u00a0Martha San Juan Fran\u00e7a Come\u00e7a em outubro a temporada \u00famida no Pantanal. \u00c9 um ciclo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=133996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/133996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=133996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=133996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=133996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}